segunda-feira, 31 de março de 2025

Imprensa e Impressão no Brasil

 No dia 5 de janeiro de 1808, foi instituída a imprensa e a impressão no Brasil, quando D. João VI, fugindo de Napoleão, que tomava conta da Europa, veio para o Rio de Janeiro e criou a Imprensa Régia. Mas, em junho do mesmo ano, era criada a figura dos censores reais contra a Sociedade Literária. Sob censura, dessa oficina, a 10 de setembro de 1808, saiu o primeiro número da Gazeta do Rio de Janeiro. Já o Correio Braziliense, nosso outro jornal impresso em Londres, começando a primeiro de junho de 1808, fugindo à censura local.


Em primeiro lugar, é preciso frisar o atraso com que foram introduzidas a imprensa e a impressão no nosso país. O México conheceu  imprensa em 1539, o Peru em 1583 e as colônias inglesas em 1650. O livro sofria censura e restrições em Portugal. Aqui, os livros eram importados. E perseguidos. As bibliotecas confiscadas e fechadas. Nos fins do Século XVIII, começaram a aparecer bibliotecas particulares. Os autos

A culpa é da televisão

Estamos no período da tarde, vamos dar uma parada nos nossos afazeres domésticos, sentar no sofá e ligar a televisão. Não é um hábito saudável, mas não podemos negar que é incontrolável o poder que a telinha exerce sobre nós. Pegamos o controle remoto e, aleatoriamente, buscamos algo para assistir. Para quem possui TV a cabo, dependendo do pacote, as opções são inúmeras: porém, aos que possuem apenas os canais da TV aberta, o mais certo é desligá-la e dormir - bem mais produtivo e reconfortante. Melhor mesmo seria ler um bom romance, mas a preguiça e a curiosidade acabam forçando-nos, muitas vezes, a continuar navegando pelos programas vespertinos.

O que encontramos? Um

domingo, 30 de março de 2025

"Vareia"

 Ao assinar um contrato, a secretária orienta: "aponha aí sua rúbrica". Vou ao Facebook para relaxar e lá, alguém curioso sobre a morte de um amigo comum, pergunta: "O que ouve com ele?" Saio procurando uma trégua.


Na barraca onde vejo algumas pessoas tomando água de coco, certamente terei. Diante do anúncio: "guarapa e água de cocô", desisto. Não quero isso não. No escritório, atendo uma cliente pela Assistência Judiciária, em busca de executar pensões alimentícias atrasadas. O rol de filhos é grande. Analiso as certidões de nascimento

Meu Celular E Eu

Pensei muito antes de iniciar este texto sobre a maneira como deveria escrever o título - o que colocar primeiro? O celular ou eu? Eu ou o celular? Pela ordem de importância, optei pela primeira. Mas vamos ao que interessa. O ser humano é um ser social e, como tal, possui a imensa necessidade de comunicar-se. Desde as inscrições nas paredes

sábado, 29 de março de 2025

O poder inconsequente e a reforma política

 Antecipando a possível e necessária reforma política brasileira, a literatura falou da corrupção endêmica e de outros vícios que acompanham o poder político, além de questionar parâmetros da democracia.


Com a queda do Muro de Berlim, em 9 de novembro de 1989, a Alemanha se reunificava e o fim da Guerra Fria se iniciava. O processo que levou à derrubada do muro durou trinta dias e ocorreu sem violência. Hoje, o país liderado pela presidente Angela Merkel (que veio da antiga Alemanha Oriental), é visto como líder do continente, especialmente pela forma como reagiu à crise econômica de 2008 e à crise do euro.

Considerando-se que foi possível derrubar um muro que durante 28 anos separou famílias, parentes e amigos, dividiu ideologias, relegou a população oriental à estagnação econômica, poderá a reforma política, que ora se vislumbra, fazer com que os brasileiros voltem a confiar em seus políticos? Se a reforma se propóe a modificar a legislação eleitoral, a fim de frear a corrupção, hoje enraizada em órgãos públicos e particulares, ela conseguirá atingir suas metas, tendo em vista que a corrupção é realizada por homens acostumados a trapacear desde tempos remotos?

Naquele mesmo ano de 1989, o Brasil realizava sua primeira eleição direta para presidente depois da ditadura. O sonho de um país democrático

Não te enganes (65)

 "Olhais para as coisas, segundo as aparências? Se alguém confia em si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, que assim como ele é do Cristo, também nós do Cristo somos." - Paulo. (II CORÍNTIOS, 10:7.)


Não te enganes, acerca da nossa necessidade comum no aperfeiçoamento.

Muita vez, superestimando nossos valores, acreditamo-nos privilegiados na arte da elevação. E, em tais circunstâncias, costumamos esquecer, impensadamente, que outros estão fazendo pelo bem muito mais que nós mesmos.

O vaga-lume acende leves relâmpagos nas trevas e se supõe o príncipe da luz, mas encontra a vela acesa que o ofusca. A vela empavona-se sobre um móvel doméstico e se presume no trono absoluto da claridade, entretanto, lá vem um dia em que a lâmpada elétrica brilha no alto, embaciando-lhe a chama. A lâmpada, a seu turno, ensoberbece-se na praça pública, mas o Sol, cada manhã resplandece no firmamento, clareando toda a Terra e empalidecendo todas as luzes planetárias, grandes e pequenas.

Enquanto perdura a sombra protetora e educativa da carne, quase sempre somos vítimas de nossas ilusões, mas, em voltando o clarão infinito da verdade com a renovação da morte física, verificamos, ao sol da vida espiritual, que a Providência Divina é glorioso amor para a Humanidade inteira.

Não troques a realidade pelas aparências.

Respeitemos cada realização em seu tempo e cada pessoa no lugar que lhe é devido.

Todos somos companheiros de evolução e aperfeiçoamento, guardados ainda entre o bem e o mal. Onde acionarmos a nossa "parte inferior", a sombra dos outros permanecerá em nossa companhia. Da zona a que projetarmos a nossa "boa parte", a luz do próximo virá ao nosso encontro.

Cada alma é sempre uma incógnita para outra alma. Em razão disso, não será lícito erguer as paredes de nossa tranquilidade sobre os alicerces do sentimento alheio.

Não nos iludamos.

Retifiquemos em nós quanto prejudique a nossa paz íntima e estendamos braços e pensamentos fraternos, em todas as direções, na certeza de que, se somos de portadores de virtudes e defeitos, nas ocasiões de juízo receberemos sempre de acordo com as nossas obras. E, compreendendo que a Bondade do Senhor brilha para todas as criaturas, sem distinção de pessoas, recordemos em nosso favor e em favor dos outros as significativas palavras de Paulo: - "Se alguém confia em si mesmo que é do Cristo, pense outra vez isto consigo, porque tanto quanto esse alguém é do Cristo, também nós do Cristo somos."


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

terça-feira, 25 de março de 2025

Gênero e Tipologia Textual

 Para muitos não há diferença entre Gêneros Textuais e Tipologia Textual. Por isso se faz necessário a definição de cada termo, bem como a diferenciação entre ambos.


Gêneros Textuais

São as espécies de textos efetivamente produzidos em nosso cotidiano, cumprindo funções em situações comunicativas e que apresentam características gerais e comuns - como forma, estrutura linguística e assunto - facilmente identificáveis. Como exemplos de Gêneros Textuais temos a carta pessoal, alista de compras, os cartazes, o romance, etc. São inúmeras formas textuais escritas ou orais estáveis, da mesma forma que são inúmeras as práticas sociais a que elas servem. Enquanto a prática social estiver em vigor, o gênero textual a ela associado circulará. Como a vida em sociedade está sempre mudando e evoluindo, novos gêneros

sábado, 22 de março de 2025

Semeadores (64)

 "Eis que o semeador saiu a semear." - Jesus. (MATEUS, 13:3)


Todos ensinamento do Divino Mestre é profundo e sublime na menor expressão. Quando se dispõe a contar a parábola do semeador, começa com ensinamento de inestimável importância que vale relembrar.

Não nos fala que o semeador deva seguir, através do contrato com terceiras pessoas, e sim que ele mesmo saiu a semear.

Transferindo a imagem para o solo do espírito, em que tantos imperativos de renovação convidam os obreiros da boa-vontade à santificante lavoura da elevação, somos levados a reconhecer que o servidor do Evangelho é compelido a sair de si próprio, a fim de beneficiar corações alheios.

É necessário desintegrar o velho cárcere do "ponto de vista" para nos devotarmos ao serviço do próximo.

Aprendendo a ciência de nos retirarmos da escura cadeia do "eu", excursionaremos através do grande continente denominado "interesse geral". E, na infinita extensão dele, encontraremos a "terra das almas", sufocadas de espinheiros, ralada de pobreza, revestida de pedras ou intoxicada de pântanos, oferecendo-nos a divina oportunidade de agir a benefício de todos.

Foi nesse roteiro que o Divino Semeador pautou o ministério da luz, iniciando a celeste missão do auxílio entre humildes tratadores de animais e continuando-a através dos amigos de Nazaré e dos doutores de Jerusalém, dos fariseus palavrosos e dos pescadores simples, dos justos e dos injustos, ricos e pobres, doentes do corpo e da alma, velhos e jovens, mulheres e crianças...

Segundo observamos, o semeador do Céu ausentou-se da grandeza a que se acolhe e veio até nós, espalhando as claridades da Revelação e aumentando-nos a visão e o discernimento. Humilhou-se para que nos exaltássemos e confundiu-se com a sombra a fim de que a nossa luz pudesse brilhar, embora lhe fosse fácil fazer-se substituído por milhões de mensageiros, se desejasse.

Afastemo-nos, pois, das nossas inibições e aprendamos com o Cristo a "sair para semear".


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

segunda-feira, 17 de março de 2025

A importância do professor para a instituição de ensino

Todas as pessoas que passaram por escolas, sejam quais foram, guardam nas suas boas lembranças a imagem de pelo menos um professor mais querido e respeitado, que tornou-se uma referência para toda a vida.

Por mais que a escola se esforce para prover um ensino de qualidade e um ambiente positivo em todos os sentidos, a começar pela arquitetura do prédio onde ela está alojada, com instalações modernas e boa funcionalidade, com uma organização bem estruturada que inspire confiança e segurança a todos que a frequentam, é a área pedagógica que vai transmitir aos educandos o que a escola tem de melhor - as ações que ela promove no sentido que melhorar as condições de estudo e tudo o que mais importa aos alunos e aos pais dos alunos.

Assim, é o professor, por causa de seu contato constante e diário com os alunos, quem melhor representa e comunica a imagem da escola da qual ele é docente, e ele tendo uma boa interlocução com os estudantes, torna-se fundamental para manter alta a reputação da escola enquanto estabelecimento educador, o que vai atrair novos discentes, e perpetuar o sucesso da escola. A boa lembrança afetiva do professor representa muito, um professor que conquista o coração de seus alunos vai ser capaz não apenas de ensinar as disciplinas que lhe cabem, mas também de exercer liderança em sala de aula, sendo um elemento agregador e motivador, um baluarte verdadeiro no incentivo aos estudos e na alegria de aprender e desenvolver os conhecimentos, no processo ensino/aprendizagem.

O corpo docente de uma escola é seu principal trunfo - uma equipe educadora dedicada vai transmitir aos estudantes a verdadeira imagem da instituição porque ela é quem a representa. Cumpre à escola, então, por sua vez, valorizar o professor para que seu projeto pedagógico dê certo, e seja sempre bem executado, com a cumplicidade de todos envolvidos, sejam gestores, professores e alunos.


Texto de Maria Eliene Fernandes da Silva, mestre em Linguística Aplicada SEDUC - EEFM Ayrton Araújo. Retirado da revista Conhecimento Prático Literatura, Editora Escala, São Paulo, Dezembro/Janeiro 2017. Ano 8, Edição 75.

domingo, 16 de março de 2025

O que fazemos com o nosso tempo

Ao contrário da notícia de jornal, que tem data, local, hora, temperatura e estação do ano definidos, além de uma determinada (ou nem tão determinada assim) atmosfera política e outros fenômenos climáticos validados por alguns profissionais do ramo, há quem diga que a literatura é atemporal, já que busca arquitetar um salto quântico e engendrar um lapso no espaço-tempo para permitir a identificação do leitor contemporâneo com a figura do clássico herói grego, do medieval cavaleiro, do prisioneiro de guerra na Sibéria, do jagunço sertanejo etc. Você já viu, por um acaso, algum personagem literário, protagonista ou secundário, monologar sobre a urgência da vacina da febre amarela, defender a falta de opiniões nos elevadores ou analisar o excesso delas nos pequenos botecos gourmets dos grandes centros urbanos? Não, claro que não, leitor. Isso é coisa