Pare por alguns instantes e tente lembrar do cheiro gostoso da comidinha da mamãe. Impossível imaginar as sessões de cinema sem aquele aroma de pipoca no ar. E por aí vai. Faça uma retrospectiva de sua vida apenas com os cheiros. O pãozinho quentinho que sai no final da tarde, o cheiro da pessoa que amamos, o mar... O odor de urina de algumas esquinas de São Paulo, o Vick Vaporub das noites de gripe, sabonete de nenê, quentão!
Quantas lembranças, não?! É como se o passado voltasse com uma presença incrível! Lembranças boas ou más, mas sempre lembranças vivas. Não a memória de uma foto, um vídeo, nem a escrita em um diário. E sim a memória que vem do corpo, em que o passado não é apenas lembrado, mas também vivenciado.
Deixando agora um pouco de lado a nostalgia, o que pouca gente sabe é que os cheiros, as emoções e as lembranças estão intimamente ligados. Tudo começa no cérebro. O sentido do olfato está situado no sistema límbico, que é uma parte do sistema nervoso central e, além de cuidar da decodificação de todos os cheiros, este sistema também coordena as nossas memórias. É por isso que os cheiros podem trazer de volta recordações tão antigas e de forma tão intensa. Nessa parte do cérebro partem igualmente a criatividade, a vontade de viver, a simpatia e a sexualidade, bem como todas as funções vitais do corpo como respiração, digestão, circulação, glândulas e imunidade..
Um cheiro tem, portanto, o poder de atuar em certas áreas do cérebro, causando reações nos órgãos e funções correspondentes. E vão mais além, podem atuar não só no corpo, como também na mente, emoções e no espírito de um ser. Esse é o princípio da Aromaterapia, técnica de cura e equilíbrio através dos aromas.
Lembrei-me de tudo isso quando estive outro dia na casa de um grande amigo. Uma casa grande e muito bonita, mas cheirava a mofo. Há alguns anos houve um grande vazamento de água e a casa acabou ficando impregnada com esse cheiro. Infelizmente os moradores acabaram se acostumando ao cheiro desagradável, mas quem chega de fora não pode deixar de reparar.
Fazendo agora um exercício de associação, que ideias nos veem à mente com a palavra mofo? Lembro imediatamente de estagnação, sensações negativas, coisa parada no tempo, associo à doença, ambientes insalubres, descuido, repulsa, sujeira, insetos. Você pode fazer seu exercício e descobrir outras associações bem particulares, mas com certeza nada agradáveis. Dá para entender quais influências negativas esse cheiro ruim está trazendo para a vida dessa família?
Deixando de lado agora a vida dos outros, você já parou para pensar se a sua casa tem cheiro característico? E caso tenha, que aroma é esse? Vai ser um pouco difícil identificá-lo uma vez que a gente se acostuma, mas existem diversos fatores que influenciam muito o cheiro de um ambiente: higiene, acúmulo de objetos e entulhos, vazamentos e infiltrações, encanamentos em mau estado, falta de manutenção, pessoas com certas enfermidades, animais domésticos, ambientes mal ventilados ou até mesmo lugares onde não há entrada de sol.
Aproveite a entrada de ano para fazer uma checagem geral em sua casa: limpe, reforme, troque, conserte, livre-se do velho e do inútil. Sua casa, com certeza, começará a exalar um cheirinho de novidade, de limpeza do passado, de frescor e, estará mais aberta aos ventos de novidade do novo ano.
E para dar um toque final não esqueça das velas aromáticas, rechauds, incensos, sprays, plantas e muitas flores! Esses aromas maravilhosos, com certeza, refletirão positivamente no estado de espírito da família e de todos os que frequentarem o seu lar!
Texto de Vera Caballero retirado da Revista Vida em Equilíbrio, Edição 5, Casa Dois Editora, São Paulo, Fevereiro de 2002.