16 maio 2026

Busquemos o Melhor (113)

 "Por que reparas o argueiro no olho de teu irmão?" - Jesus. (MATEUS, 7:3.)


A pergunta do Mestre, ainda agora, é clara e oportuna.

Muitas vezes, o homem que traz o argueiro num dos olhos traz igualmente consigo os pés sangrando. Depois de laboriosa jornada na virtude, ele revela as mãos calejadas no trabalho e tem o coração ferido por mil golpes da ignorância e da inexperiência.

É imprescindível habituar a visão na procura do melhor, a fim de que não sejamos ludibriados pela malícia que nos é própria.

Comumente, pelo vezo de buscar

Fuga

Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

- Para com esse barulho, meu filho - falou, sem se voltar.

Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

- Pois então para de empurrar a cadeira.

- Eu vou embora - foi a resposta.

Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto

Cromoterapia: a cura através das cores

Você já parou para pensar o quanto a cor da roupa que você usa está diretamente ligada ao seu humor? Ou por que a cor das paredes da sua casa pode aumentar ou diminuir o tamanho dos cômodos? Não? Pois então olhe ao seu redor. Tente perceber a influência das cores no seu dia-a-dia. Parece fácil, não? Pois é, mas as cores têm muito mais influência

09 maio 2026

O que é vida?

 Rex, Diná e Zíper em: O que é vida?


A brincadeira rolou a tarde toda na casa da Diná. Rex e Zíper se divertiram por horas com a amiga e seus brinquedos jurássicos. Até que chegou a hora de guardá-los...

- Psiu! Meninos, vocês escutaram?!

Diná havia acabado de fechar as portas do baú onde deixava os brinquedos.

- Nós? Zíper e Rex olharam um para o outro - Não, o que houve?

- Um barulho dentro do baú! - disse Diná, abrindo-o. Tudo estava em ordem.

Zíper cutucou Rex.

- Ri, ri! Acho que Diná pensa que os brinquedos estão vivos!

- Óbvio que não, né, zangão!

Sou capaz de reconhecer a distância um ser vivo de algo que não tem vida, como brinquedos!

- Ah, é? Então, conte para mim: qual é a diferença entre os seres que têm vida e os que não têm? - quis saber o zangão.

- Ora, é algo tão óbvio: a diferença é... - Dina empacou. - Ué, diga você, já que se acha tão sabido!

- E eu lá sei? Perguntei só por perguntar!

Diná preparava uma resposta malcriada quando Rex propôs.

- Por que, então, a gente não pesquisa e descobre?

Ideia aceita, o trio decidiu ir à biblioteca. Por conta disso, Diná anunciou:

- O lanche só será servido quando o mistério for elucidado!

Após ler vários livros, Rex, Diná e Zíper reuniram-se para mostrar o que descobriram. O zangão foi o primeiro a falar.

- Não se sabe ao certo quantas espécies de seres vivos existem na Terra hoje. No entanto, estima-se que haja, aproximadamente, cinco milhões.

Rex e Diná estavam de boca aberta.

- Surpresos? Pois saibam que esse número corresponde a apenas uma pequena parte do total de espécies de seres vivos que já existiu no planeta. - prosseguiu o zangão. - Desde a origem da vida, há cerca de 3,8 bilhões de anos, acredita-se que a Terra abrigou, aproximadamente, 500 milhões de espécies de seres vivos. Como você deve ter percebido, a maioria desapareceu: de cada 100 espécies, 99 foram extintas.

- Os dinossauros, por exemplo! - Rex sacou do bolso fotos da família. - Lembro tão bem do meu bisavô, do meu primo, da titia...

- Mas, Zíper, continuando... - Diná nem deu trela para as lembranças do dinossauro. - Vocês já ouviram falar que seres vivos são aqueles que nascem, crescem, se reproduzem e morrem? Pois é, eu encontrei essa definição em vários livros. No entanto, acredito que ela não esteja certa. Afinal, há muitas coisas que não têm vida, mas também nascem, crescem e morrem. As estrelas, por exemplo. Ou o fogo.

- Bom, então, não é o fato de nascer, crescer, se reproduzir e morrer que diferencia os seres vivos dos que não têm vida. - concluiu Rex. - Ainda mais porque há seres vivos que não se reproduzem como a mula.

- Então, precisamos pensar numa nova definição! Alguns livros que consultei diziam que os organismos vivos são os que se alimentam, pegando nutrientes e energia do ambiente para se desenvolver. - disse Zíper.

- Mas não são apenas seres vivos que agem dessa forma. - interrompeu Diná. - Há muitos sistemas que captam matéria e energia para se desenvolver. Vocês sabiam, por exemplo, que existe um ciclone no hemisfério sul de Júpiter há mais de 300 anos?

Pela fisionomia do dinossauro e do zangão, Diná percebeu que a resposta era não. - Com milhares de quilômetros de extensão, a Mancha Vermelha de Júpiter continua a girar e a se desenvolver graças à energia e matéria que retira do espaço!

- Impressionante, não é, Rex? - perguntou, admirado, Zíper. Mas o zangão só recebeu um resmungo como resposta.

- Impressionante é a gente ainda não ter chegado até agora a nenhuma conclusão sobre o que é vida.

- Mas que criatura pré-histórica rabugenta! - censurou Diná.

- Rabugenta, não: esfomeada! Adiam o lanche, sou obrigado a pesquisar sem comer nada e nem posso reclamar! Cadê os meus direitos?

- Ai, Rex, você só pensa em comer! Eu disse: basta a gente encontrar a resposta dessa pergunta e, pronto, o lanche será servido! Então, coloque a cachola para funcionar!

Nesse momento, Rex teve uma ideia que lhe pareceu, como sempre, brilhante.

- Ah, será que o DNA, aquela molécula que existe no núcleo das células de todos os seres vivos, não tem a ver com essa história?

Diná havia ouvido falar daquelas três letrinhas. Mas sabia pouco a respeito. Então, decidiu pesquisar mais para aprender. Será que, assim, ela ficaria mais perto de solucionar o enigma e Rex, do lanche?

- O que vocês acham de conversarmos sobre receitas? - perguntou Diná ao voltar para junto dos amigos na biblioteca.

- Você sai para pesquisar sobre o DNA e volta falando de receitas? estranhou Rex. - Endoidou?

- Que nada, dinossauro! Saiba que muitas pessoas, quando precisam explicar o que é o DNA, o comparam a uma receita? Elas querem dizer com isso que essa molécula guarda informações necessárias para fazer um ser vivo do jeito que ele é.

- Então, a gente acaba de achar a resposta para o enigma. O que é a vida? As informações presentes no DNA colocadas em prática! Ou, se você preferir, as receitas! - raciocinou Rex, certo de que havia decifrado a questão.

- É, nós até que poderíamos dar o nosso trabalho de pesquisa por encerrado, Rex. Afinal, muitas pessoas, inclusive cientistas famosos, pensam assim. - Diná explicou. - Mas sabe qual é o problema? Essa definição é muito restrita. Ela passa a noção de que o DNA é uma molécula especial e até mais importante do que as outras. Afinal, segundo ela, o DNA seria a "receita da vida".

Diná tomou fôlego antes de continuar a falar.

- Acontece que o DNA, sozinho, não é capaz de nada. Ele precisa de alguns tipos de proteínas para ser feito. Proteínas são substâncias com várias funções. Há aquelas que formam as células, outras tornam mais rápidas as reações que ocorrem em um organismo. E algumas, como eu disse, auxiliam a formar o DNA! - explicou ela. - No entanto, o curioso é saber que o DNA não só necessita de certas proteínas para existir como também está envolvido no processo de produção de todos os tipos de proteínas, até mesmo das que ajudam a fazê-lo!

- Ué, então, é como a velha história do ovo e da galinha: é do ovo (proteína) que vem a galinha (o DNA), mas é a galinha (DNA) quem põe o ovo (proteína)! - comparou Rex. - Lembrando, claro, que não é o DNA quem produz as proteínas diretamente. Ele participa do processo que leva à produção de todas as proteínas, até mesmo das que auxiliam a fazê-lo.

- Então, Rex, temos um dilema a resolver! - percebeu Zíper. - Quem veio primeiro? O DNA ("a galinha") ou a proteína ("o ovo")?

- Uma saída é responder: nem um, nem outro, mas o chocar, quer dizer, a operação que eles realizam. Isto é, o fato de o DNA comandar a produção de todas as proteínas e, de algumas delas, por sua vez, auxiliarem a fazer o próprio DNA. - respondeu Diná.

- Então, para alguns cientistas, essa operação, esse processo seria a vida? - quis saber Zíper.

- Sim. Para eles, o DNA e as proteínas não teriam qualquer papel especial, apenas a interação entre eles. Assim, a vida não ficaria resumida a uma molécula. E, portanto, seria encarada de forma mais ampla. Afinal, se a vida é um processo, significa que ela produz a si mesma continuamente.

- Uau! - disseram Rex e Zíper em coro. - Eu nunca seria capaz de imaginar a vida assim!

Era a deixa que Diná esperava para brincar com os amigos.

- Depois do lanche, vocês terão energia para isso, meninos! Afinal, a barriga do Rex irá parar de roncar e, em silêncio, pensar ficará muito mais fácil...

Rindo, o trio rumou para a casa de Diná onde, finalmente, era hora do lanche!


Texto de Luiz Antônio Botelho Andrade e Edson Pereira da Silva (Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Que Farei? (112)

 "Que farei?" - Paulo. (ATOS, 22:10)


Milhares de companheiros aproximam-se do Evangelho para o culto inveterado ao comodismo.

Como dominarei? - interrogam alguns.

Como descansarei? - indagam outros.

E os rogos se multiplicam, estranhos, reprováveis, incompreensíveis...

Há quem peça reconforto barato na carne, quem reclame afeições indébitas, quem suspire por negócios inconfessáveis e quem exija recursos para dificultar o serviço da paz e do bem.

A pergunta do apóstolo Paulo, no justo momento em que se vê agraciado pela Presença Divina, é padrão para todos os aprendizes e seguidores da Boa Nova.

O grande trabalhador da Revelação não pede transferência da Terra para o Céu e nem descamba para sugestões de favoritismo ao seu círculo pessoal. Não roga isenção de responsabilidade, nem foge ao dever da luta.

- Que farei? - disse a Jesus, compreendendo o impositivo do esforço que lhe cabia.

E o Mestre determina que o companheiro se levante para a sementeira de luz e de amor, através do próprio sacrifício.

Se foste chamado à fé, não recorras ao Divino Orientador suplicando privilégios e benefícios que justifiquem tua permanência na estagnação espiritual.

Procuremos com o Senhor o serviço que a sua Infinita Bondade nos reserva e caminharemos, vitoriosos, para a sublime renovação.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

07 maio 2026

A fé de cada um

Você está convidado a conhecer um pouco de algumas das religiões mais praticadas no mundo para entender o que elas têm em comum e também as suas diferenças. Antes, porém, queremos deixar claro que religião é parte da história e da cultura dos povos, e que, portanto, nenhuma religião é superior à outra. Com essa ideia na cabeça, não importa no que acreditamos, nem mesmo se não acreditamos em nada. O que vale é conhecer e, claro, respeitar.

Existem muitas religiões em todo o mundo. Algumas acreditam em vários deuses e outras, em um só. As que acreditam em vários são chamadas politeístas; e as que acreditam em apenas um, monoteístas. Para este  texto, destacamos o budismo, o candomblé, o cristianismo, o hinduísmo, o islamismo, o judaísmo e a umbanda. De todas essas, apenas o cristianismo, o judaísmo e o islamismo são monoteístas. As demais são politeístas. Vamos saber mais?


Cristianismo

O cristianismo é a religião que, como o nome indica, segue os ensinamentos de Jesus Cristo. Para os cristãos, Jesus é o filho de Deus, e Deus é o criador do universo e de todos os seres. Deus teria enviado seu filho para salvar o ser humano dos pecados do mundo e, por isso, Jesus morreu na cruz, sacrificado em nome da humanidade.

Os cristãos se dividem entre católicos e protestantes, mas até p século 16, só existia a Igreja Católica. A divisão começou na Europa com um grupo de pessoas insatisfeitas com algumas ideias e práticas do catolicismo. Essas pessoas, então, reformularam a doutrina religiosa e essa reformulação ficou conhecida como Reforma Protestante, porque era a reforma dos que protestavam. Mas contra o quê esse grupo protestava? Bem, entre outras coisas, protestava contra o poder do Papa, contra a proibição do casamento de padres e freiras e contra o batismo em recém-nascidos.

Para os protestantes, o batismo só deve ser realizado quando a pessoa tem condições de escolher sua religião, por isso, eles não batizam bebês e crianças muito pequenas. Eles se opõem à proibição do casamento de padres porque não veem mal algum no fato de um religioso se casar. Depois dessa primeira reforma, muitas outras aconteceram e por conta disso surgiram, no mundo, várias igrejas protestantes: batistas, pentecostais, metodistas, adventistas, etc.

Apesar das diferenças, tanto católicos quanto protestantes acreditam que Jesus foi o enviado de Deus, o Messias. O livro sagrado dos cristãos é a Bíblia, na qual eles buscam as palavras de Deus e as explicações para muitas coisas que acontecem no mundo.


Judaísmo

A palavra 'judeu' vem de Judeia, nome de uma parte do antigo reino de Israel, no Oriente Médio. Os judeus podem pertencer a qualquer nação ou etnia e hoje em dia vivem espalhados por todo o mundo. Existem judeus que não praticam a religião, são apenas descendentes de judeus; já os que seguem rigorosamente todos os preceitos da religião são considerados ortodoxos.

Mas onde começa a história do judaísmo? Há séculos antes de Cristo, com Abraão, que é considerado o principal patriarca da fé judaica. Orientado por Deus, Abraão levava a fé a todos os povos que encontrava. Deus prometeu-lhe fazer de seu povo (os hebreus) e de todos aqueles que seguissem suas palavras o 'povo escolhido', levá-lo até Canaã - a Terra Prometida - e lá fundar a grande nação judaica. Outro nome importante para os judeus é o de Moisés, considerado um dos fundadores da religião. Moisés teria sido colocado pela mãe numa cestinha às margens do rio Jordão, no Egito, para ser salvo de um faraó que queria matar todos os filhos dos hebreus do sexo masculino. Acontece que Moisés foi encontrado pela filha desse faraó, criado como egípcio até a idade adulta, quando, escolhido por Deus, libertou o povo hebreu da escravidão no Egito.

O povo judeu comprometeu-se a cumprir as leis de Moisés e a adorar a um único deus. Tudo isso está na Bíblia, o livro considerado sagrado pelos judeus e pelos cristãos. É importante distinguir que os judeus seguem o Velho Testamento - ao que chamam Torá, em hebraico - e os cristãos seguem o Novo Testamento.

Os judeus não acreditam que Jesus Cristo seja o filho de Deus, mas apenas um profeta, como tantos outros que surgiram naqueles tempos. Para eles, o Messias, isto é, o salvador da humanidade, ainda está para chegar.


Islamismo

É a religião dos muçulmanos. Islã, em árabe, quer dizer submissão; portanto, Islamismo é a religião que prega que o homem deve submeter-se ao sagrado, ao divino, a Alá, que seria o mesmo deus ao qual se referem os cristãos e os judeus.

O islamismo surgiu na Arábia e hoje, como tantas outras religiões, já se espalhou pelo mundo. É a segunda religião com o maior número de seguidores - a primeira é o cristianismo. A maioria dos muçulmanos vive na África, na Ásia e no Oriente Médio.

No ano de 570 depois de Cristo, nasceu, em Meca, o fundador da religião islâmica, o profeta Maomé. Ele foi apelidado de Al Amin, que quer dizer 'o crente', porque afirmou que um anjo chamado Gabriel apareceu dizendo que ele teria de levar a todos os homens a palavra de Alá. O anjo teria nas mãos um pergaminho, no qual estavam escritas as palavras de Alá e Maomé teria sido aconselhado a decorar aqueles ensinamentos para recitar a todo o mundo. E assim ele teria feito. Muito tempo depois, os seguidores de Maomé, preocupado em não deixar que aqueles ensinamentos se perdessem, resolveram anotar tudo que o profeta pregava. As palavras de Maomé mais tarde foram impressas em um livro que ficou conhecido como Alcorão, cujos ensinamentos são seguidos por todos os muçulmanos.

Para os muçulmanos não existe outro deus senão Alá, e Maomé é o seu profeta. Esta é a declaração de fé do islamismo.


Hinduísmo

Religião nascida na Índia há cerca de quatro mil anos. A maioria dos hinduístas vive no país de origem da religião, mas existem hinduístas vivendo em outras partes do mundo.

Os seguidores dessa religião não têm obrigação de frequentar nenhum tipo de templo, porque podem cultuar seus deuses em casa. Entre as crenças está a reencarnação. Ou seja: eles acreditam que após a morte todos os seres voltam à vida sob a forma de gente ou animal. Eles também creem que tudo o que você faz nesta vida determina a situação em que você virá na próxima. Por isso, eles pregam que o ser humano deve praticar só o bem, ser honesto, trabalhar muito e cuidar de seus familiares e amigos. Esse modo de vida eles chamam de Dharma.

Na Índia, a vaca é considerada um animal sagrado; nenhum indiano pode matar uma vaca, pois é um animal que pode alimentar, com seu leite, o homem. Ela é considerada mais pura do que os sacerdotes, e quando algum indiano a toca, acredita que se purifica.

Os deuses mais populares na Índia são Brahma, Shiva e Vishnu. Brahma é o criador do universo, Vishnu é o que sustenta e protege o mundo e Shiva é aquele que destrói, dançando sobre ele. Depois, Brahma tem de reconstruir tudo.


Budismo

Essa é uma religião que pode ser considerada diferente das outras por não pregar a crença em nenhum deus. Ela considera que todas as pessoas são responsáveis por suas ações e, por isso, devem aprender a viver com sabedoria para serem felizes. Era Buda quem pregava isso. Você sabe quem foi este homem?

Conta-se que o filho de um rajá que viveu no noroeste da Índia, muitos anos antes de Cristo, foi o fundador do budismo. Esse príncipe vivia com muito luxo, mas era proibido de sair dos domínios do palácio. Uma profecia dizia que ele só seria um grande governante se não conhecesse os sofrimentos do mundo; caso contrário, ele abandonaria toda sua riqueza e deixaria o palácio. Por conta disso, o rei o mantinha protegido do mundo e não permitia que o príncipe sequer olhasse por sobre as muralhas. Assim ele viveu, cercado de ouro e de delícias, até completar 29 anos, quando resolveu sair escondido. Foi aí que a profecia se cumpriu: ele viu um velho, um homem doente e um cadáver, e descobriu, ao mesmo tempo, a velhice, a doença e a morte, concluindo que elas podiam atingir a qualquer um. Depois dessas visões, ele se deparou com um homem que vivia com muita simplicidade. Percebendo que aquele homem era feliz apesar de não possuir riquezas materiais, resolveu, então, abandonar tudo que tinha: o palácio, a mulher, o filho e todos os bens materiais.

Daí veio a simplicidade que Buda pregava. A religião que surgiu a partir dos ensinamentos deste homem determina que seus monges possuam apenas oito requisitos: 1. roupas (de cor marrom, laranja ou preta); 2. um cinto; 3. uma tigela para as doações que deverá receber dos outros; 4. agulha e linha; 5. um cajado; 6. uma navalha; 7. um palito de dentes; 8. um coador para coar a água que bebe, evitando que alguma criatura viva seja engolida sem querer.

A meditação é muito importante para os budistas. Eles meditam diariamente a fim de alcançar a sabedoria e a iluminação. Os mandamentos da religião são cinco: não fazer mal a nenhuma criatura viva; não tomar aquilo que não lhe foi dado; não se comportar de modo irresponsável nos prazeres sexuais; não falar falsidades; não se entorpecer com álcool ou drogas.


Candomblé e Umbanda

São religiões de origem africana que foram trazidas para as Américas Central e do Sul, especialmente para o Brasil, pelos negros, que, na época da colonização, eram retirados de sua terra e vendidos como escravos do outro lado do oceano. Além de muita saudade e sofrimento, os negros escravizados trouxeram consigo suas crenças e seus costumes.

Nas senzalas, longe dos senhores de escravos, eles realizavam os rituais de candomblé para cultuar seus orixás. Mas o que são orixás? São os deuses africanos que receberam de Olorum - que seria o deus dos deuses - a incumbência de criar e governar o mundo. Por isso, cada orixá é responsável por um aspecto da natureza e da condição humana. Oxum, por exemplo, seria a deusa da água doce e, entre as qualidades humanas, representaria a vaidade.

Mas, como revela a História, os colonizadores proibiam que os escravos cultuassem outra religião que não a católica. E o jeito que os negros encontraram para não serem afastados de sua fé foi criar uma relação entre os seus orixás e os santos do catolicismo. Iansã, tida como a deusa dos ventos, passou a ser cultuada na figura de Santa Bárbara; Ogum, orixá guerreiro, seria São Jorge; e assim aconteceu também com os demais. Foi do sincretismo religioso - ou, em outras palavras, da mistura de religiões - que surgiu a Umbanda.

Tanto o Candomblé quanto a Umbanda são praticados com muita música, muita dança e muita alegria. Para ambas, a vida terrena tem interferência direta da vontade dos orixás.

Bem, a nossa história se encerra aqui. Mas espero que a sua curiosidade vá além. Procure saber mais sobre as religiões, se informar melhor sobre a cultura dos diferentes povos. Essa é a maneira mais interessante de descobrir que todas as crenças merecem respeito e que só o respeito pode evitar guerras.


Texto de Georgiana da Costa Martins (Escritora de Literatura Infantil, Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro); retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro e Fevereiro de 2003; Ministério da Educação, FNDE.

Uma ave que desbota na gaiola

Da próxima vez que passar perto de restingas, capoeiras ou beiras de mata, fique bem atento para qualquer vulto vermelho por trás da folhagem. Pode ser que você aviste um tiê-sangue, ave que só existe no litoral do Brasil e cujo nome foi inspirado em suas penas, vermelhas como o sangue. O tiê possui ainda as asas e a cauda negras e uma mancha branca reluzente no bico. Só não espere tanto de seu canto, porque... não tem nada de especial!

As cores vivas e contrastantes do tiê-sangue atraem o interesse dos criadores de passarinhos. Só que não adianta querer criar essa ave em cativeiro para apreciar sua beleza, porque, na gaiola, ela fica com uma coloração pálida e sem graça. O vermelho vivo da plumagem depende dos frutos de que se alimenta, alguns contêm um pigmento chamado astaxantina. Assim, se não receber a mesma variedade de frutos em cativeiro, o tiê fica com uma cor alaranjada, desbotada. Sinal de que em liberdade as aves são mais felizes e mais bonitas, não acha?

Mas, no caso do tiê-sangue, a beleza da plumagem é privilégio dos machos da espécie. De vermelho, as fêmeas têm apenas os olhos. No resto, a coloração delas é castanha, geralmente pálida e mais escura. Os filhotes com poucos meses de vida também são assim, porém, com uma cor ferrugem no ventre, olhos cinzentos e um jeito meio estabanado e descuidado de agir. Às vezes, ficam bem visíveis, porque não são ariscos e desconfiados como os adultos. Nessa idade ainda não dá para diferenciar o macho da fêmea, porque as penas vermelhas dos machos só aparecem por volta de um ano de vida. Enquanto não crescem totalmente - estando, digamos, na adolescência -, eles têm um aspecto malhado que os fez ficarem conhecidos como "machos pintões".


Uma espécie muito sociável

O tiê-sangue vive sempre em grupos, cuja constituição varia com o tempo. No período de reprodução - que vai de julho a fevereiro -, eles são formados por machos e fêmeas adultos e seus filhotes, com poucos meses de vida. No entanto, basta os filhotes ficarem um pouco mais crescidos para a situação mudar: as fêmeas jovens saem de casa! Partem à procura de outros grupos em que possam se instalar e encontrar parceiros para se reproduzir. O fenômeno é conhecido como "dispersão natal" e já observado em outras espécies de aves, mas ainda não se sabe por que acontece.

Uma das hipóteses sugere que as fêmeas jovens vão embora para deixar o terreno livre para suas mães, que sendo mais experientes, têm direito de ficar com os melhores machos. Os machos mais disputados são aqueles que defendem os melhores territórios (área com comida e lugares adequados para a construção de ninhos) e ajudam a fêmea a criar seus filhotes.

O macho jovem, ao contrário da fêmea, permanece ajudando os pais a cuidar de seus irmãos mais novos. Ele ganha experiência e se familiariza com o ambiente, tentando conquistar territórios vizinhos para aumentar a área ocupada pelo grupo e para, futuramente, se reproduzir. Acredita-se que ele herde o território do pai, quando este morre.


Mãe para tiê nenhum botar defeito

Quando chega a hora da fêmea do tiê pôr seus ovos, ela constrói o próprio ninho, aberto e com a forma de uma tigela com paredes bem espessas. Logo após a construção, que leva cerca de quatro dias, a fêmea põe dois ou três belos ovos azul-claros bem lustrosos, salpicados de preto. Os filhotes nascem todos no mesmo dia, depois de 12 ou 13 dias, com os olhos fechados e o corpo coberto apenas por uma penugem bem rala.

Durante os cinco primeiros dias de vida, a mãe tiê-sangue deita sobre os filhotes para aquecê-los e protegê-los do sol, da chuva e do vento. Eles saem do ninho depois de dez dias e ficam escondidos no meio da folhagem e dos arbustos, sendo ainda alimentados pelos adultos. Mesmo que ainda não saibam voar, o ideal é que saiam do ninho o quanto antes, porque lá eles estão muito vulneráveis a ataques de predadores. Afinal, para estes, não existe nada mais atraente do que um ninho com cabecinhas se agitando, piando e pedindo comida.

O tiê-sangue alimenta-se principalmente de frutos. Para os filhotes, entretanto, o cardápio é incrementado com muitas lagartas, insetos adultos e pequenas pererecas! Para nós, pode não parecer muito apetitoso, mas esta é a forma de as mães darem proteína de origem animal para seus filhotes, o que é muito importante nessa fase de crescimento. Isso mostra que as mães, não importa de que espécie, sabem das coisas!


Texto de Gloria Castiglioni e Luiz Pedreira Gonzaga (Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro) retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.

18 abril 2026

A Paz Mundial

Minha tia Assunção entrou na classe às nove da manhã. Ela tomou fôlego e quase todos nós bocejamos, porque era muito cedo para aguentar um daqueles discursos dela. Nossa tia disse o seguinte:

- Este ano quero que nós preparemos o Carnaval como se fosse o último carnaval da nossa vida. Vamos nos apresentar no concurso de fantasias que vão fazer numa discoteca de Carabanchel no sábado que vem. Vão se apresentar crianças das escolas do bairro e vocês vão ter de mostrar a todo mundo que são crianças como Deus manda e não os delinquentes que parecem.

Nem deixamos terminar, foi uma zoeira na classe que você nem imagina. O Yihad se levantou para dizer:

- Um aviso: vou me fantasiar de Super-Homem e estou dizendo desde já para ninguém mais se fantasiar de Super-Homem, porque, nesta galáxia, Super-Homem só tem um e esse um sou eu e não quero ser obrigado a quebrar a cara de ninguém. Repito: isto é um aviso.

Então o Orelhão disse:

- E do que é que eu vou me fantasiar, se só tenho fantasia de Super-Homem e minha mãe não vai querer comprar outra?

E começou um eco na classe toda: "E eu... e eu... e eu...", pois todos os meninos têm a mesma fantasia de Super-Homem por todos os séculos dos séculos.

Minha tia Assunção disse que não ia ter nada de Super-Homens, nem de Homens-Aranhas, nem de Belas nem de Feras. Nós tínhamos de mostrar ao Carabanchel, à Espanha, aos Estados Unidos e ao planeta Terra que éramos crianças boas, que lutávamos pela paz no mundo mundial e que ela tinha tido a ideia de fazer nós trinta, todos uns animais, nos vestirmos de pombas da paz.

Se a tia Assunção não fosse nossa professora e nós não fôssemos um bando de covardes, teríamos dito em coro: "Qual é, jacaré?"

Então minha tia continuou:

- O jurado, que é da Associação de Moradores, nos dará o primeiro prêmio, porque não há jurado na Espanha que resista dar o primeiro prêmio a trinta crianças vestidas de pombas da paz. Além disso, ganharemos muitos presentes. Por um dia, seremos os símbolos da paz mundial e nosso grito de guerra até sábado será: Vamos massacrá-los.

Disso nós gostamos. Com um grito de guerra como aquele podíamos ir até o fim do mundo. Íamos massacrar todas as crianças de todas as escolas do bairro com nossos trajes de superpombas da paz.

Minha mãe e as mães das trinta crianças animais que nós somos fizeram durante a semana os trajes de pomba com papel vegetal. Minha mãe se queixava muito, dizendo que minha tia vivia arranjando desculpa para ela ter de gastar dinheiro e trabalhar. Que não sabia como fazer fantasia de pomba e que quem estava precisando de paz era ela, de muita paz numa praia deserta e sem crianças, que isso sim era a paz mundial.

Afinal, no dia C - C de Concurso e Carnaval - minha mãe nos vestiu - eu e meu irmão - com nossas roupas de papel vegetal e nos disse para irmos indo para a escola.

Encontramos a Luísa na escada e a Luísa nos disse:

- Nossa, sua mãe deve ter tido um trabalhão para vestir vocês de pinguins.

Então agarrei o meu irmão e voltei a subir para casa, para dizer à minha mãe que nós não queríamos sair na rua vestidos de pinguins, nem que fosse pela paz mundial.

Na rua, uma senhora disse a outra:

- Veja só que pinguins lindos!

Quando chegamos à escola, ficamos alucinados: na porta estava Yihad vestido com umas penas, parecendo uma galinha; o Orelhão parecia um pavão, a Susana parecia uma avestruz, o Paquito Medina, um pelicano, e assim até trinta e três. Não havia dois pássaros iguais. Bom, só meu irmão e eu, aqueles pinguins lindos.

Todos nós ficamos olhando uns para os outros e, muito chateados, fomos escoltados pela tia Assunção até a discoteca "Silicone", onde estava se realizando o Festival.

A tia Assunção não deixou por menos: também estava fantasiada e parecia uma pata ou uma gansa.

A tia Assunção estava tão contente que nem parecia a tia Assunção. Disse que, quando fôssemos entrar no palco, ela ia dizer:

- Um, dois, três!

E nós tínhamos de responder batendo as asas e gritando em coro, até arrebentar a garganta:

- Viva a paz mundial!

Nós íamos gritar "Viva a paz mundial!", mas quando fomos bater as asas começamos a nos embaraçar uns nos outros e, se a tia, não tivesse posto ordem, teríamos chegada à discoteca completamente depenados. A tia disse para a gente esquecer a história de bater as asas, que era para batê-las só depois de ganharmos o prêmio.

Já estávamos na discoteca. Nós trinta sentamos num canto. O apresentador era o diretor da creche "O Pimpolho", que fica ao lado da minha casa.

Subiam uns fantasiados de árvores. O grupo se chamava "O Outono". Tinham cordão pendurado num galho e, quando puxavam o cordão, automaticamente as folham caíam. O público ficou alucinado com a bobagem que acabava de ver. Depois, subiam os clássicos super-heróis, uns meninos fantasiados de reality shows com facas cravadas nas costas, outros que iam de pão recheado de chocolate...

Nós fomos os quintos. Tínhamos sido treinados para, depois de "Um, dois e três" da tia Assunção, gritar "Viva a paz mundial", mas não deu tempo de fazer nosso número, porque quando a tia disse "Um, dois e três" ouviu-se a voz de um garotão de um colégio de Formação Profissional do meu bairro chamado "Baronesa de Thyssen":

- Yihad, como você fica bem vestido de galinha!

O Yihad se jogou do palco para virar o engraçadinho do avesso.

Minha tia Assunção ficou sozinha no palco. A coitada chorava, fantasiada de pata.

Parecia que aquele carnaval ia ser o pior das nossas vidas, mas você não vai acreditar no que aconteceu no final, porque foi uma coisa que nem os chineses da Rússia esperavam.

Uma vez que a briga se acalmou e o palco ficou vazio, o Superbarriga leu os prêmios indo do terceiro ao primeiro, para tornar aqueles momentos mais emocionantes:

- O terceiro prêmio coube ao grupo "Reality Shows", por sua simpatia e originalidade.

O público inteiro se desfez em vaias:

- Fora!!!

O segundo prêmio foi concedido ao grupo "O Outono", pela beleza de representação de uma estação do ano tão importante quanto as outras.

- E o primeiro prêmio... - O Superchato fez uma pausa para criar maior expectativa. Garanto que ele estava ouvindo o rangido de dentes dos espectadores ansiosos. - O primeiro prêmio foi concedido por unanimidade ao grupo "Os Pássaros", por sua defesa das espécies em via de extinção.

Bem se via que ninguém tinha ficado sabendo daquela história de paz mundial, então tivemos de admitir que éramos um grupos de pássaros em via de extinção. Nem sempre a gente é o que quer nesta vida.


Texto de Elvira Lindo retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003. Ministério da Educação, FNDE.

Fortaleçamo-nos (111)

 "Sede fortalecidos no Senhor." - Paulo. (EFÉSIOS, 6:10.)


Há muita gente que se julga forte...

Nos recursos financeiros, que surgem e fogem.

Na posse de terras, que se transferem de dono.

Na beleza física, que brilha e passa.

Nos parentes importantes, que se transformam.

Na cultura da inteligência que, muitas vezes, se engana.

Na popularidade, que conduz à desilusão.

No poder político, que o tempo desfaz.

No oásis de felicidade exclusivista, que a tempestade destrói.

Sim, há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã.

Todavia, somente a consciência edificada na fé, pelos deveres bem cumpridos à face das Leis Eternas, consegue sustentar-se, invulnerável, sobre o domínio próprio.

Somente quem sabe sacrificar-se por amor encontra a incorruptível segurança.

Fortaleçamo-nos, pois, no Senhor e sigamos, de alma erguida, para a frente, na execução da tarefa que o Divino Mestre nos confiou.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

12 abril 2026

Por que soluçamos?

Vale tudo na luta contra o soluço: levar susto, beber copos de água até grudar com saliva um pedaço de papel no meio da testa. Mas nada garante que todos esses improvisos funcionem. Na maioria das vezes, o "hic, hic, hic", teimoso, continua! Qual será a causa desse misterioso barulho? Como fazê-lo parar?

O principal responsável pela nossa respiração é um músculo bem fino, que separa o tórax do abdômen: o diafragma. Graças aos movimentos do diafragma, que se contrai, inspiramos e expiramos o ar. O diafragma é auxiliado pelo nervo frênico. Localizado logo acima do estômago, este nervo controla os movimentos do diafragma.

Mas qual é a relação de tudo isso com o soluço? Bem, é a irritação do nervo frênico que causa o soluço. Irritação? Se você já pensou no nervo frênico mal humorado, nervoso e de cara feia, contenha a imaginação! Vamos ver o que acontece de verdade. Com a ingestão de líquidos ou comida em excesso, bebidas muito quentes, geladas ou com gás em demasia, o estômago incha e, por estar muito perto do nervo frênico, pode irritá-lo, isto é, sensibilizá-lo, como acontece com os olhos quando entra poeira.

O nervo frênico, irritado, manda o diafragma se contrair. Com isso, inspiramos ar. O problema é quando uma "tampinha" que há no fundo da garganta, a glote, fecha-se de repente e não deixa o ar passar da boca para os pulmões. Isso provoca a vibração das cordas vocais e "hic, hic, hic", lá vem o soluço! Esse fechamento da glote acontece independentemente da nossa vontade. Normalmente, ela fica aberta para a passagem do ar e só se fecha quando comemos. Quando a glote se abre, o ar volta a passar normalmente para os pulmões, o que não quer dizer que o soluço vai acabar. Isso só acontece quando o nervo frênico volta a trabalhar normalmente.

Qualquer pessoa e até animais, como cachorros, gatos e outros mamíferos, podem ter soluços! Em geral, o soluço acontece várias vezes seguidas e para em alguns minutos. Mas há quem soluce por horas ou até dias. Essas pessoas ficam cansadas, sentem desconforto e até dor. Quando isso acontece, é bom procurar um médico.

No caso do soluço comum, há maneiras de acabar com ele! Tomar um copo de água com o nariz tampado, por exemplo. Como fica difícil respirar, aumenta a quantidade de gás carbônico no corpo, o que inibe a irritação do nervo frênico e o faz voltar a trabalhar corretamente. Mas, cuidado: tampe o nariz por pouco tempo" E caso você veja um amigo soluçando, dê um susto nele! Assim será liberada no sangue uma substância chamada adrenalina, que fará o nervo frênico voltar ao normal!

Para evitar soluços, alimente-se de forma equilibrada e tente não ingerir líquidos durante a refeição, em especial, refrigerantes. Caso contrário, aguente o "hic, hic, hic..."


Texto de Rafael Pereira Leitão (Museu Nacional - UFRJ), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.