Às dez e meia, o guarda-noturno entra de serviço. Late o cãozinho do portão no primeiro plano; ladra o cão maior do quintal, no segundo plano: de plano em plano, até a floresta, grandes e pequenos cães rosnam, ganem, uivam, na densa escuridão da noite, todos sobressaltados pelo trilar do apito
Canção em volta do fogo
Poesias, Músicas, Contos, Crônicas, Textos...
05 junho 2026
30 maio 2026
Embainha Tua Espada (114)
"Embainha tua espada..." - Jesus. (JOÃO. 18:11)
A guerra foi sempre o terror das nações.
Furacão de inconsciência, abre a porta a todos os monstros da iniquidade por onde se manifesta. O que a civilização ergue, ao preço dos séculos laboriosos de suor, destrói com a fúria de poucos dias.
Diante dela, surgem o morticínio e o arrastamento, que compelem o povo à crueldade e à barbaria, através das quais aparecem dias amargos de sofrimento e regeneração para as coletividades que lhe aceitaram os desvarios.
Ocorre o mesmo, dentro de nós, quando abrimos luta contra os semelhantes...
Sustentando a contenda com o próximo, destruidora tempestade de sentimentos nos desarvora o coração, ideais superiores e aspirações sublimes longamente acariciadas por nosso espírito, construções do presente para o futuro e plantações de luz e amor, no terreno de nossas almas, sofrem desabamento e desintegração, porque o desequilíbrio e a violência nos fazem tremer e cair nas vibrações do egoísmo absoluto que havíamos relegado à retaguarda da evolução.
Depois disso, muitas vezes devemos atravessar aflitivas existências de expiação para corrigir as brechas que nos aviltam o barco do destino, em breves momentos de insânia...
Em nosso aprendizado cristão, lembremo-nos da palavra do Senhor:
- "Embainha tua espada..."
Alimentando a guerra com os outros, perdemo-nos nas trevas exteriores, esquecendo o bom combate que nos cabe manter em nós mesmos.
Façamos a paz com os que nos cercam, lutando contra as sombras que ainda nos perturbam a existência, para que se faça em nós o reinado da luz.
De lança em riste, jamais conquistaremos o bem que desejamos.
A cruz do Mestre tem a forma de uma espada com a lâmina voltada para baixo.
Recordemos, assim, que, em se sacrificando sobre uma espada simbólica, devidamente ensarilhada, é que Jesus conferiu ao homem a bênção da paz, com felicidade e renovação.
Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.
28 maio 2026
A Lealdade Linguística
A EMPRESA FALA POR MEIO DO SENSO DE COMUNIDADE COMPARTILHADO PELOS EMPREGADOS
A entrada de um profissional na empresa ocorre formalmente em seu primeiro dia de trabalho. Ainda é registrada em um instrumento chamado Carteira de Trabalho, que os arqueólogos no futuro custarão a identificar.
Há um tempo decorrido entre começar a trabalhar e se sentir parte da empresa. Esse tempo é curto em empresas que são verdadeiramente ótimos lugares para trabalhar, apesar desta denominação imprecisa. Quanto pior o lugar, maior esse tempo. Em organizações nas quais a conduta em gestão de pessoas é débil, profissionais saem sem jamais ter se sentido parte delas. Em tal ambiente não há tempo nem interesse, de ambos os lados, de discutir a relação, de participar. Um relacionamento recíproco, enfim.
Como perceber se uma pessoa está integrada ao espaço organizacional? Há sinais diversos. Um deles, muito valorizado, é a participação dos novos colegas de empresa em atividades sociais fora do trabalho, particulares, familiares. Isso é cada vez mais raro.
Um outro sinal destaca o nível de aculturação: grupos sociais diferentes usam formas de falar diferentes. Se pertenço ao grupo, adoto a forma de falar do grupo. A chamada "lealdade linguística" é uma consciência de comunidade, ainda que imaginária. O falar organizacional dita não somente acrônimos, mas também as expressões e o tom. Ressalto que as formas de comunicação não são portadoras neutras de informações. Por isso há de se perceber que mensagens essas formas trazem, o quanto de cultura traduzem.
As variedades da fala têm importância social. Há registros de que foi no século 16, na Itália, que a Língua passou a ser considerada um fenômeno destacadamente social. Um sociolinguista da época, Vincenzo Borghini, observou que os camponeses toscanos conversavam menos com estrangeiros do que os citadinos e que, por esse motivo, mudavam menos.
Os sociolinguistas usam a noção de diversidade para tecer relações entre as Línguas e as sociedades nas quais são faladas ou escritas. Oferecem aos historiadores uma conscientização sobre "quem fala qual Língua, para quem e quando".
Para os historiadores continua o desafio de explicar de que forma algumas Línguas se difundiram, tanto geograficamente como socialmente, e outras não.
Um falar comum pode existir com conflitos sociais. Católicos e protestantes da Irlanda têm o mesmo sotaque, além do mesmo bom gosto para cerveja. Mas se as questões seculares não promoveram a harmonia, quem poderá?
Texto de Luís Adonis Valente Correia retirado da Revista Língua Portuguesa, Ano I, Número 11, Setembro de 2006, Editora Segmento, São Paulo.
Uma longa Idade Média
A VIDA PORTUGUESA MEDIEVAL LEVOU A UM DADO USO DAS PALAVRAS QUE ESTÁ MUITO LIGADO À ADEQUAÇÃO CRIATIVA DA LÍNGUA A PADRÕES CADA VEZ MAIS INTERNACIONAIS
É comum imaginarmos o milênio correspondente à Idade Média como uma fase muito mais curta e homogênea do que de fato foi. Mesmo quando queremos ser específicos e restringimos nossas afirmações para um século, esquecemo-nos de que em cem anos muita coisa ocorre.
Se escolhermos arbitrariamente o ano de 1385, por exemplo, verificaremos que muita coisa ocorreu nessa data, que tem ligações diretas com a Língua Portuguesa. Quase 50 anos antes, já havia iniciado a Guerra de Cem Anos. Em 1385, em Portugal, D. João I (filho de Inês de Castro) vencia o exército de outro João I, de Castela, na batalha de Aljubarrota, pondo fim à guerra civil que se arrastava fazia três anos.
Rapidamente as Cortes de Coimbra mostram a legitimidade dessa nova Dinastia de Avis, que punha fim a mais de 200 anos da Dinastia de Borgonha. Adiava, assim, a fusão de Portugal e Espanha, que ocorreria 200 anos depois.
Havia, na época, dois papas rivais: Urbano VI e Clemente VII. Em Constantinopla, reinava João V; na França, Carlos VI, antes de seu enlouquecimento; na Inglaterra, Ricardo II; no Sacro Império, o rei Venceslau; em Aragão, Pedro IV. Em toda a Europa, uma crescente participação da burguesia nas decisões do Estado. O então rei de Portugal ficaria 48 anos no poder. Casaria com a filha do duque de Lancaster, cuja família destronaria o rei inglês, iniciando os contratos entre Portugal e Inglaterra. A catedral de Milão ainda não havia sido construída e Chaucer já era famoso em vida. Wycliffe acabara de morrer. A pressão para a conversão dos judeus se sentia cada vez mais presente na Península Ibérica.
Navegação
O dicionário Houaiss diz que foi nessa data que a palavra navegação passou para a Língua Portuguesa. Nada de estranho, pois foi o próprio João I quem iniciou as navegações portuguesas rumo à África, tomando Ceuta e ocupando as Canárias.
Em francês, a palavra navigation já era usada desde 1265, quase cem anos antes, quando o contexto social era outro: o rei de Portugal era Afonso III e o de Castela era Afonso X, o Sábio; o papa Clemente IV; na Alemanha, Henrique III; em Constantinopla, Miguel VIII. Anos de fé intensa, que tinham São Luís na liderança da França; o catalão Ramón Llull tem visão de Cristo crucificado; nascia Dante; São Tomás de Aquino escreve sua Súmula Teológica; os cavaleiros teutônicos lutam contra os prussianos pagãos.
O papa era poderoso, coroava o Conde d'Anjou como rei de Nápolis e Sicília, aproveitando o Grande Interregno após a morte da surpreendente figura de Frederico II. Nota-se que era a França nesse período que navegava, tentando dominar o comércio do Mediterrâneo promovido pelos árabes.
Convertimento
É nesse ano de 1265 que temos a primeira abonação da palavra convertimento. Esse clima religioso do século XIII era, portanto, cem anos antes de D. João I, muito distinto do clima comercial instaurado pela burguesia recém-poderosa do século XIV.
Saltemos mais cem anos depois da subida da Dinastia de Avis: em 1485, reinava o segundo rei João em Portugal. O para era Inocêncio VIII. Na Inglaterra, Ricardo III era assassinado por Henrique VII, apoiado pelo rei francês Carlos VIII, dando fim à Guerra das Duas Rosas. Constantinopla estava no poder dos turcos havia mais de 50 anos. Os espanhóis, sob a liderança de Isabel, a Católica, cercavam Granada já havia cinco anos.
Portugal navegava: Diogo Cão chegava a Cabo Cruz, atual Namíbia. No final de sua regência, com tantas modificações ocorridas na Língua, encontramos, em Português, o primeiro testemunho da palavra grega antártico, que os franceses já empregavam 150 anos antes. De fato, os portugueses foram os primeiros europeus a atravessar a temida Zona Tórrida do Equador e entrar nessa terra imaginária dos gregos.
Alfabeto
Convertimento, navegação, antártico: três palavras escolhidas dentre as milhares que estão nos dicionários. Mostram, nessa sequência, o desprendimento da Língua Portuguesa de seu molde criativo inicial para padrões cada vez mais internacionais. A Língua Portuguesa, sempre à margem da globalização medieval promovida sobretudo pela França desde a criação das universidades, abandonava suas criações lexicais abraçar formas mais próximas de outras Línguas de cultura.
A palavra convertimento, tão parecida com o provençal convertimen, Língua com a qual o Português tem estreita ligação cultural nos primeiros séculos, é abandonada no século XV para conversão, mais em concordância com o francês conversion, cujo primeiro testemunho remonta a 1190.
Nesse ano, aliás, 200 anos antes da Dinastia de Avis, Portugal estava ainda no seu segundo rei, o trovador Sancho I. O papa era Clemente III e o poderoso Inocêncio III ainda era cardeal; na Alemanha reinava Frederico Barba-Roxa; na Inglaterra, Ricardo Coração-de-Leão; na França, Felipe Augusto. Os três empreendiam a Terceira Cruzada. A Igreja de Notre-Dame de Paris começava a ser erigida. Na futura Espanha havia três Afonsos: em Leão, Afonso IX; em Castela, Afonso VIII; em Aragão, Afonso II. Entre as muitas palavras que eram escritas em Português, nessa época, pois se desgarrava do Latim, a mais marcante é, sem dúvida, alfabeto. Não é criação portuguesa, uma vez que remonta ao grego, via latim tardio, mas, sem dúvida, é emblemática para o início de uma Língua.
E quando nesse momento, Portugal apenas despontava, tempo que parece tão distante, já fazia 600 anos que havia iniciado esse período chamado Idade Média.
Texto de Mário Eduardo Viaro retirado da Revista Língua Portuguesa, Ano I, Número 9, Editora Segmento, São Paulo, Julho de 2006.
17 maio 2026
Por não estarem distraídos
Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!
Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.
Crônica de Clarice Lispector retirada do livro Para Não Esquecer, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2020.
Confusão com São Pedro
Você vai neste avião, eu vou no próximo - decidiu ela de súbito, no último instante, quando o alto-falante já convocava os passageiros: queiram apresentar suas despedidas e boa viagem.
Ele deu um suspiro desalentado. Já fora um custo convencer a mulher de viajarem de avião. Ela dizia que tinha medo, por que não vamos de trem? E passara a noite toda naquela conversa, olha, meu bem, tenho um pressentimento ruim... Quando já estavam praticamente embarcados, vinha com novidade.
- Que bobagem é essa?
- Eu vou no outro - insistiu ela, aflita: - Tem outro avião daqui a meia hora.
- Mas por que isso assim de repente?
Ela olhava nos olhos como se se despedisse dele para sempre:
- Não podemos correr tanto risco juntos, meu bem, seja razoável. Temos nossos filhos, imagine se acontece alguma coisa.
- Não vai acontecer nada, mulher.
- Eu sei que não tem perigo, que é o transporte mais seguro do mundo, e as estatísticas, e essa coisa toda, você já me explicou. Mas pense um pouco nos nossos filhos, é uma chance de pelo menos um de nós dois escapar.
- Olha aí, já estão chamando de novo. Vamos embora, mulher.
Ela fincara pé, irredutível. Sem mais tempo para argumentar, ele acabou cedendo:
- Está bem, seja como você quiser! Mas então vai nesse, eu vou no outro. Se eu deixar você aqui, você acaba não indo.
Despediu-se dela, aborrecido, e foi tratar da transferência de sua passagem.
A mulher entrou no avião como um túmulo, o coração aos pulos. A porta se fechou, desligando-a para sempre do mundo. A seu lado, viajava um padre, alheio a tudo mergulhado no breviário.
De súbito o avião, já em pleno voo, começou a jogar. Eu não disse? Eu não disse? Entraram numa nuvem escura e nunca mais que saíam dela.
Em pânico, chamou o comissário: não é nada, minha senhora, uma pequena tempestade, estamos fazendo voo cego.
Voo cego! Sentindo-se perdida, voltou-se para o padre:
- Estou com tanto medo, seu padre.
O padre a olhou, desconfiado:
- Reza, que é melhor.
E voltou ao seu breviário. Rezar? Não, ela não sabia rezar. Lembrou-se de São Pedro, que era quem devia manobrar chuvas e tempestades - juntou as mãos e pediu-lhe auxílio:
- São Pedro, piedade de mim. Tenho meus filhos para criar. Fui criada sem mãe, o senhor não imagina a falta que uma mãe faz. Todos na minha família ficaram assim feito eu, só porque não tiveram mãe. Que será dos meus filhos sem mãe, São Pedro, mãe faz muito mais falta que pai, por favor me protege, se for preciso transfere essa tempestade para o avião dele, mas me salva desta que noutra eu nunca mais hei de me meter.
A falta de mãe não lhe abalara o prestígio junto a São Pedro - tanto assim que em pouco o avião deixava para trás a tempestade e saía para um céu azul, e logo descia no aeroporto sem mais novidades. Estava salva!
Comprou uma revista, sentou-se num canto e pôs-se a esperar o avião do marido. Esperou meia hora. Como ele nunca mais chegasse, correu, já aflita, a informar-se no balcão. Soube que não havia nada de especial: as más condições do tempo às vezes ocasionavam algum atraso.
- Más condições do tempo?
Não tinha dúvida, era a tempestade que mandara para ele. Roída de remorsos, juntou as mãos ali mesmo, em frente ao funcionário assombrado:
- São Pedro, essa não! Não faça isso comigo. Era mentira, o senhor não vai me levar a sério. O pai faz muito mais falta que a mãe, quem é que foi meter uma bobagem dessa na minha cabeça? Ele trabalha para sustentar a família, eu não faço nada que preste. E logo ele, tão bom que é, tão carinhoso, por favor, São Pedro, não faça isso com ele, joga essa tempestade para cima de outro que não tenha filhos, para cima dele não!
Em pouco São Pedro voltava a atendê-la, fazendo o marido desembarcar no aeroporto, são e salvo:
- Que cara é essa? Você está parecendo um fantasma! Aconteceu alguma coisa?
Ela se abraçou a ele, ansiosa:
- Você está bem? Você me perdoa?
- Eh, que novidade você vai inventar agora? Perdoar o quê, mulher?
- Tudo por minha culpa - choramingou ela. - Mas graças a Deus você está salvo. Fiz uma confusão enorme com São Pedro, você nem imagina. Da próxima vez, quer saber de uma coisa? Vou com você, morreremos juntos, nossos filhos que se danem.
Ele a olhou, francamente apreensivo. "Acho que essa minha mulher está ficando maluca", pensou.
Crônica de Fernando Sabino retirado do livro Para Gostar de Ler - Volume 2 - Crônicas, Editora Ática, 4ª Edição, 1980.
16 maio 2026
Busquemos o Melhor (113)
"Por que reparas o argueiro no olho de teu irmão?" - Jesus. (MATEUS, 7:3.)
A pergunta do Mestre, ainda agora, é clara e oportuna.
Muitas vezes, o homem que traz o argueiro num dos olhos traz igualmente consigo os pés sangrando. Depois de laboriosa jornada na virtude, ele revela as mãos calejadas no trabalho e tem o coração ferido por mil golpes da ignorância e da inexperiência.
É imprescindível habituar a visão na procura do melhor, a fim de que não sejamos ludibriados pela malícia que nos é própria.
Comumente, pelo vezo de buscar bagatelas, perdemos o ensejo das grandes realizações.
Colaboradores valiosos e respeitáveis são relegados à margem por nossa irreflexão, em muitas circunstâncias simplesmente porque são portadores de leves defeitos ou de sombras insignificantes do pretérito, que o movimento em serviço poderia sanar ou dissipar.
Nódulos na madeira não impedem a obra do artífice e certos trechos empedrados do campo não conseguem frustrar o esforço do lavrador na produção da semente nobre.
Aproveitemos o irmão de boa-vontade, na plantação do bem, olvidando as nugas que lhe cercam a vida.
Que seria de nós se Jesus não nos desculpasse os erros e as defecções de cada dia?
E, se esperamos alcançar a nossa melhoria, contando com a benemerência do Senhor, por que negar ao próximo a confiança no futuro?
Consagremo-nos à tarefa que o Senhor nos reservou na edificação do bem e da luz e estejamos convictos de que, assim, agindo, o argueiro que incomoda o olho do vizinho, tanto quanto a trave que nos obscurece o olhar, se desfarão espontaneamente, restituindo-nos a felicidade e o equilíbrio, através da incessante renovação.
Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.
Fuga
Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.
- Para com esse barulho, meu filho - falou, sem se voltar.
Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.
- Pois então para de empurrar a cadeira.
- Eu vou embora - foi a resposta.
Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? - a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.
A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:
- Viu um menino saindo desta casa? - gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio.
- Saiu agora mesmo com uma trouxinha - informou ele.
Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e - saíra de casa prevenido - uma moeda de 1 cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia a distância.
- Meu filho, cuidado!
O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um animalzinho:
- Que susto você me passou, meu filho - e apertava-o contra o peito, comovido.
- Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.
Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:
- Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.
- Me larga. Eu quero ir embora.
Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala - tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.
- Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.
- Fico, mas vou empurrar esta cadeira.
E o barulho recomeçou.
Crônica de Fernando Sabino retirado do livro Para Gostar de Ler - Volume 2 - Crônicas, Editora Ática, 4ª Edição, 1980.
Cromoterapia: a cura através das cores
Você já parou para pensar o quanto a cor da roupa que você usa está diretamente ligada ao seu humor? Ou por que a cor das paredes da sua casa pode aumentar ou diminuir o tamanho dos cômodos? Não? Pois então olhe ao seu redor. Tente perceber a influência das cores no seu dia-a-dia. Parece fácil, não? Pois é, mas as cores têm mais influência no cotidiano de cada um do que se pode imaginar. Elas são fundamentais até mesmo na cura das mais variadas disfunções orgânicas.
Por todas as influências que exercem no ser humano, as cores acabam sendo, muitas vezes, erroneamente classificadas. Existem três ciências que estudam as cores sob diferentes vertentes. A mais conhecida delas e também a que mais exerce influência no ser humano é a Cromoterapia. Essa ciência energética tem a capacidade de estabelecer a cura através das cores e está fundamentada em outras três ciências: a medicina, pelo poder da cura; a física, pelas transformações da energia; e a bioenergética, pela análise da energia vital.
As outras duas ciências que estudam as cores são a Cromosofia e a Cromologia. A que está mais ao alcance das pessoas, mesmo que indiretamente, é a Cromosofia, pois estuda a influência das cores no ser humano através do uso de roupas ou de ambientes. A interferência no ambiente é tão sutil que na maioria das vezes passa despercebida. Porém, vamos aos exemplos práticos de como as cores atuam no bem-estar de um indivíduo. Pesquisas mostram o efeito de cores específicas dentro de hospitais. O azul-claro, nas salas de conferência, facilita uma melhor comunicação nas reuniões, já o rosa-pink em clínicas psiquiátricas acalma os pacientes. Os estudos são comprovados e a eficácia garantida. Por isso, se você entrar em um hospital, consultório, escola, ou qualquer outro lugar público preste atenção nestes detalhes. Determinadas cores podem lhe trazer bem ou mal-estar, confiança ou medo, certeza ou incerteza, prazer ou desprazer. Perceba as sensações que o ambiente lhe proporciona e interaja com ele, pois esta é uma maneira de você aceitar ou não a energia que o espaço lhe oferece.
A Cromologia, outra vertente no estudo das cores, é o estudo físico das mesmas, ou seja, de suas características técnicas, como o seu comprimento de onda, a sua frequência, entre outras particularidades. Esse é um estudo da cor baseado em fenômenos físicos e visíveis.
É preciso ficar atento para distinguir essas ciências, pois não seria correto dizer que a sua dor de cabeça melhora com a cor da roupa que você usa. É preciso entender cada uma delas, em especial a Cromoterapia, para saber quais são os seus benefícios.
Você deve estar perguntando: mas como as cores trabalham a favor do ser humano?
A ideia é bem simples e eficiente. As cores são aplicadas de maneira a enviar energia luminosa e vibração para o campo celular, ativando-o e, consequentemente, reativando o órgão ou o sistema em disfunção orgânica.
Ao mesmo tempo que a Cromoterapia é uma ciência simples aos olhos do leigo, se mal utilizada ela pode gerar graves consequências, por isso, antes de se contagiar por esta técnica alternativa de cura através das cores, procure profissionais habilitados para executá-la.
A ORIGEM DA CROMOTERAPIA
Quem pensa que a Cromoterapia ou Ciências das Cores é uma técnica recente está enganado! Esse estudo, que conquista cada vez mais adeptos, pode ser considerado um dos primeiros métodos terapêuticos utilizados pelo homem.
Para se ter uma ideia da sua importância é preciso levar em consideração todas as circunstâncias nas quais o homem estava submetido desde os mais primórdios tempos. O seu sistema imunológico era ativado ao máximo para que a cicatrização fosse rápida e, com isso, a infecção dos ferimentos fosse evitada.
A Cromoterapia era usada para a cura e o equilíbrio do corpo mesmo inconscientemente, pois as sete cores do espectro solar (vermelho, laranja, amarelo, verde, azul, anil e violeta) utilizados pela Cromoterapia eram emitidas através da radiação solar.
O uso das cores com o verdadeiro intuito de estabelecer a cura para os mais diversos males foi feito através de sacerdotes-médicos, no antigo Egito; de filósofos-médicos, na Grécia e de filósofos e médicos, na Índia e China. Assim como a Fitoterapia, a Aromaterapia e a Hidroterapia, a Cromoterapia surgiu do desejo do homem de obter a cura. Desta maneira, não seria errado afirmar que os países precursores da Cromoterapia foram Egito, Grécia, Índia e China, locais de reconhecida sabedoria milenar.
FONTE DE CURA DO TODO
Para assimilar a influência das cores no bem-estar de uma pessoa, é preciso entender que o homem não é formado apenas por um corpo físico, mas por muitos. A filosofia oriental defende o princípio de que o homem é formado por sete corpos, os egípcios acreditam que sejam nove, mas o que se deve ter em mente é que existem, pelo menos, três corpos: o físico, o energético e o espiritual.
O corpo físico é o material, ou seja, aquele constituído por ossos, músculos, nervos, pele e por todos os órgãos que formam a estrutura humana. O corpo espiritual é o imaterial, o todo luminoso que comanda o físico e o energético. O mais sutil, que é o constituído pela energia cósmica, é o espiritual. O corpo espiritual recebe variadas denominações, entre elas, Bioplásmico, segundo uma pesquisa russa; Bioenergético, segundo estudos norte-americanos e Duplo-Etérico ou Etérico, como caracterizam as ciências esotéricas. O que se deve ter em mente é que o corpo energético é aquele que contém o campo de força do indivíduo. É através desse corpo que acontecem as manifestações eletromagnéticas, consequência das reações químicas do organismo.
Ao conjunto formado pelos corpos físico, energético e espiritual se dá o nome de aura. A aura, também denominada halo energético, é percebida pelo colorido que emana do corpo bioplásmico circundando o corpo físico em forma ovoide. Ela é um reflexo das condições peculiares do ser, ou seja, mostra, mostra o seu caráter, os seus pensamentos, os sentimentos, as virtudes, os defeitos morais, assim como o estado de saúde e de doença.
De uma maneira geral, esse halo energético é formado por três partes: o campo estável, a faixa ondulante e as estrias curtas. O campo estável indica os elementos permanentes como o caráter da pessoa e o seu grau de espiritualidade, já a faixa ondulante indica o comportamento da pessoa diante das interferências externas e as estrias curtas cintilantes ou radiações luminosas indicam as reações momentâneas.
Assim, os pensamentos e emoções do momento serão observados através das estrias curtas e quando esses desejos se tornam permanentes, eles serão caracterizados na parte fixa da aura, em forma de estrias longas.
Mas como enxergar essas reações se elas são emitidas pelo corpo bioplásmico, ou seja, o corpo que não é visível? Caso essa pergunta tenha surgido ao longo da descrição das reações da aura, não se preocupe. Essa indagação foi, sem dúvida, o estímulo para os criadores do que chamamos foto kirlian ou foto-aura, que é o retrato dos campos energéticos do ser humano.
O casal russo Valentina e Semyon Davidovitch Kirlian, iniciou uma pesquisa em 1939 que resultou em uma máquina especial de catodo e anodo, com a capacidade de retratar o halo energético que circunda a periferia do corpo físico, ou seja, a aura.
Essas experiências foram difundidas para o mundo somente a partir da década de 60.
Para se obter a foto-aura, o casal utilizou uma película fotossensível submetida à ação de um campo eletromagnético de radiofrequência que deveria captar um nível mínimo de intensidade de campo, com frequência variando entre 75 e 200 kHz. A princípio, a foto kirlian era obtida de corpo inteiro, mas o custo deste processo era altíssimo. Com o tempo, os pesquisadores perceberam que os resultados das fotos de diversas partes do corpo eram os mesmos da foto do corpo inteiro no que se referia às cores e principais detalhes. Atualmente, fotografa-se somente a ponta dos dedos, sendo que cada um deles fornece a informação relativa a determinado órgão e sistema do organismo.
Os órgãos são evidenciados na Cromoterapia e em outras técnicas alternativas sob o nome de chakras ou vórtices de energia. Essa palavra de origem sânscrita significa roda ou disco. Os chakras são centros magnéticos vitais que envolvem o corpo etérico e que têm a capacidade de captar e expulsar as energias. Recebem outras denominações, entre elas, centros de força e pontos de conexão, pois são os canais por onde a energia vital flui do homem. O tamanho de um chakra depende do desenvolvimento espiritual e da vibração que cada um emite. Em pessoas mais evoluídas espiritualmente o diâmetro de um chakra pode atingir até vinte centímetros e sua cor será suave, quase translúcida, com um brilho irradiante. Já os chakras de pessoas com energia mais "pesada" têm tamanho pequeno, cores indefinidas e escuras e bastante opacas.
Cada chakra tem cor característica, variando de tonalidade em função do estado biopsicoenergético do indivíduo. Quando uma pessoa está passando por uma perturbação mental ou física ela costuma perder energia. Essa perda é detectada através do chakra e é por intermédio dele que se dá a recuperação do corpo físico. Dados históricos mostram que os hindus comparavam os chakras à forma das flores de lótus, por isso é comum falar da cor de cada chakra e do se número de pétalas. Embora existam 21 vórtices de energia ou chakras, os sete principais são: o básico ou genital, o esplênico, o solar ou da força, o cardíaco, o laríngeo, o visual e o coronário. Além desses, há o vórtice diferenciado que é o estelar.
OS CHAKRAS
Cada vórtice de energia ou chakras possui denominação em sânscrito, uma localização no corpo físico, uma cor específica, um número de pétalas, um elemento e uma função geral. Conheça os principais vórtices.
Chakra Básico (Genital) ou Muladhara
Localização: base da coluna vertebral, na região sacra
Número de pétalas: quatro
Cor: vermelho
Elemento: terra
Funções gerais: este chakra tem como função manter a estrutura óssea atuando, em especial, sobre a coluna vertebral. É o alimentador do sistema nervoso central e periférico. Também age sobre os aparelhos urinário e reprodutor.
Chakra Esplênico ou Swadisthana
Localização: região do baço e pâncreas
Número de pétalas: seis
Cor: laranja
Elemento: água
Funções gerais: é o grande responsável pela interligação do Espírito com o astral, através de um canal denominado Cordão de Prata. Esse chakra também exerce função sob a energia do sistema nervoso.
Chakra Solar (da Força) ou Manipura
Localização: alto do plexo solar. O plexo solar se constitui da enervação estomacal, situado a uma distância em média de cinco centímetros abaixo do osso esterno.
Número de pétalas: dez
Cor: amarelo
Elemento: fogo
Funções gerais: este chakra reflete as energias dos órgãos do aparelho digestivo: boca, faringe, esôfago, estômago, intestinos (delgado e grosso), fígado e vesícula biliar. Além disso, ele está intimamente relacionado com decisões e agressões.
Chakra Cardíaco ou Anahata
Localização: altura do coração
Número de pétalas: doze
Cor: verde
Elemento: ar
Funções gerais: tem domínio sobre o funcionamento do coração e do sistema circulatório. Age como fonte motivadora da emissão de adrenalina.
Chakra Laríngeo ou Vishudha
Localização: região da garganta
Número de pétalas: dezesseis
Cor: azul
Elemento: éter
Funções gerais: tem o domínio sobre o aparelho respiratório e sobre a emissão da voz, refletindo o controle da garganta e das cordas vocais. Está associado às glândulas tireoides e paratireoides, refletindo as energias dos órgãos da fala (garganta e cordas vocais) e da respiração (boca, nariz, traqueia e pulmões).
Chakras Visual, Frontal ou Ajãna
Localização: acima da glabela, no centro do sobrecenho
Número de pétalas: setenta e duas
Cor: anil
Elemento: iniciação
Funções gerais: tem domínio sobre os sentidos da visão e audição.
Chakra Coronário ou Sahasrara
Localização: moleira, no alto da cabeça
Número de pétalas: novecentos e setenta e duas
Cor: violeta
Elemento: iluminação
Funções gerais: é o chakra de maior intensidade no ser humano, pois estabelece a ligação entre a mente espiritual e o Universo.
Chakra Estelar
Localização: altura da 7ª vértebra cervical
Número de pétalas: quatorze
Cor: magenta
Funções gerais: exerce o domínio do nível espiritual.
Além dos sete chakras principais, existem mais 21 vórtices de energia. Conheça as suas localizações:
- Um chakra ao lado de cada orelha
- Um chakra acima de cada lado do peito
- Um chakra onde se juntam as clavículas
- Um chakra na palma de cada mão
- Um chakra na sola de cada pé
- Um chakra atrás de cada olho
- Um chakra relacionado com cada gônada
- Um chakra perto do fígado
- Um chakra ligado ao estomâgo
- Dois chakras ligados ao baço
- Um chakra atrás de cada joelho
- Um chakra perto do timor
- Um chakra próximo ao plexo solar
MANIFESTAÇÕES DE CROMOTERAPIA
A Cromoterapia pode ser utilizada aliada a diversos métodos para atingir a sua finalidade, que é melhorar as disfunções orgânicas do ser humano. Alguns dos métodos que podem ajudar no seu intuito são a Helioterapia, as pedras preciosas, a água solarizada em frascos coloridos, a mentalização das cores, as lâmpadas coloridas, assim como os próprios aparelhos de Cromoterapia.
Helioterapia
A Helioterapia ou banho de sol foi um dos métodos mais utilizados no Egito, Grécia, Império Romano, Índia e China. Os raios solares têm um imenso poder terapêutico, porque estimulam as diversas funções orgânicas, auxiliam na regeneração da pele em cortes e feridas, assim como no processo de eliminação do suor pelos poros da pele.
Muitos médicos recomendavam o banho de sol entre oito e dez horas da manhã para pessoas com alguma debilidade orgânica a fim de terem uma recuperação mais rápida.
Pedras Preciosas
O efeito terapêutico das pedras preciosas consta nos antigos textos védicos que dizem existir uma interrelação entre as vibrações emitidas pelas diversas pedras e a energia do homem. Igualmente muitos textos hindus e tibetanos mencionam as funções energéticas das pedras. As medicinas chinesa e indiana também utilizavam este elemento como energia curativa. As principais propriedades das pedras preciosas usadas externamente em contato com a pele são:
* Rubi ou Granada (cor vermelha): aumenta o vigor, eleva a pressão arterial, melhora a anemia, estimula o metabolismo e combate a impotência sexual.
* Quartzo Rosa: equilibra o emocional, dissipando a tristeza e a angústia. É a cor da harmonia, da amizade e do amor.
* Topázio ou Citrino (cor amarela): purifica o sangue de impurezas, acalma as alergias, revitaliza o organismo, em especial, o coração.
* Esmeralda ou Malaquita (cor verde): equilibra o sistema nervoso, ativa o aparelho digestivo, regulariza a hipertensão e auxilia a dilatação do colo do útero no parto.
* Turqueza ou Água-Marinha (cor azul): acalma as alergias e tranquiliza o sistema nervoso; é indicada para a depressão.
* Lápis Lázuli, Safira ou Sodalita (cor azul-escuro): desenvolve a intuição e equilibra a mente. Ativa o 3º olho. Harmoniza o aparelho respiratório e é bastante utilizada para disfunção da Tireoide.
* Ametista ou Alexandrita (cor violeta): harmoniza o estado de angústia, alivia a enxaqueca, ajuda a combater a insônia. É a cor da meditação.
* Pirita (cor dourada): alivia dores ósseas.
Água solarizada em frascos coloridos
Este método também é muito utilizado como cura. Utiliza-se garrafas já coloridas ou jarras de vidro envoltas em papel celofane com as cores indicadas. Enche-se o recipiente com água pura de fonte ou mineral e o expõem aos raios solares de três a cinco horas. Quanto mais tempo a água ficar exposta aos raios do sol, mais ela ficará carregada de energia. Um litro dessa água solarizada deve ser tomado por dia, de preferência em jejum ou antes das refeições.
Mentalização das cores
Outro método de extrema importância e eficiência que também leva à cura é a mentalização das cores. Esse método compreende um processo de visualização da luz colorida, de respiração profunda e do relaxamento, porém não é fácil para as mentes poucos evoluídas, porque muitas vezes não há a crença em sua eficiência.
Lâmpadas coloridas
O mais conhecido dos métodos de Cromoterapia é a utilização de lâmpadas coloridas, porque elas irradiam a energia luminosa necessária para a cura das disfunções orgânicas. Nesse método é recomendável utilizar lâmpadas de 40 watts, com 110 ou 220 volts.
Aparelhos de Cromoterapia
Embora exista uma série de aparelhos de Cromoterapia em variados formatos, o mais indicado para ampliar o potencial energético do método é o "Pyracromos" que contém uma pirâmide de cristal em seu interior.
EXPERIÊNCIA POSITIVA
Cada vez mais médicos e terapeutas estão se especializando em Cromoterapia. Essa técnica, embora antiga, tem sido difundida pela própria experiência de vida de seus adeptos.
Um exemplo é o professor e terapeuta Oswaldo Rentes, que passou a estudar a técnica após um problema de saúde dentro da família e hoje atua em São Paulo.
Segundo Oswaldo, toda a doença tem uma carga emocional, por isso a melhor maneira de curá-la é descobrir se a pessoa teve alguma mágoa ou problema emocional.
"A Cromoterapia, assim como qualquer outra técnica alternativa, visa o equilíbrio mental e corporal, por isso antes mesmo que eu inicie o processo de Cromoterapia, converso com meus pacientes e mostro os pontos que devem ser modificados", explica Oswaldo.
Uma de suas pacientes, Tânia Heidorn fala sobre as mudanças em sua vida após a Cromoterapia. "Sempre gostei de produtos naturais, tanto que até montei uma loja. Depois que descobri essa técnica tenho sentido uma grande melhora em minha saúde física e mental", explica ela.
Segundo Oswaldo Rentes, a Cromoterapia auxilia no processo de cura das disfunções orgânicas, mas é preciso que cada um tenha alguns conceitos em mente. "O seu corpo abriga o seu Deus interno, por isso nunca deixe de agradá-lo, pois ele é sua fonte de energia maior", finaliza o terapeuta.
FUNÇÃO DAS CORES
O objetivo principal da Cromoterapia não é a cura, mas sim a interferência nas causas, promovendo o equilíbrio físico-energético dos órgãos e sistemas do corpo. Cada cor tem uma função específica no corpo.
Azul - Esta é uma das principais cores da Cromoterapia, porque exerce múltiplas funções. Atua como regenerador, reajustor, calmante, lubrificante e analgésico. O azul contribui para a regeneração de ossos, tecidos conjuntivos, veias, artérias, arteríolas e medula.
Anil - Também conhecida com índigo, essa cor é aplicada nos casos de hemorragia, pois funciona como coagulante. Teve considerável atuação na regressão de miomas.
Verde - O verde, assim como o azul, tem grande importância na terapia de cura, porque funciona como antisséptico, anti-inflamátorio e anti-infeccioso, calmante, isolante de área, dilatador e regenerador.
Amarelo - Tem função revitalizadora, fortificante e estimulante dos campos celulares, de nervos, músculos e tecidos em geral. Também regenera a estrutura óssea.
Rosa - Equilibra o sistema nervoso e a corrente sanguínea, através das veias e artérias. Tem a função de acelerar, ativar, alimentar e eliminar as impurezas do sangue, bem como cauterizar e desobstruir a corrente sanguínea. É comumente utilizado no lugar do vermelho.
Violeta - O violeta atua como bactericida e cauterizador de todo o organismo humano, inclusive na corrente sanguínea em casos de infecção ou doenças que se dissipem pelo sangue.
Laranja - Na Cromoterapia, o laranja exerce uma função mais densa, como energizador e regenerador dos mais diferentes tecidos e ainda como eliminador de gorduras.
Texto de Thaís Lauton retirado do Revista Vida em Equilíbrio, Edição 02, Casa Dois Editora, São Paulo, Agosto de 2001.
09 maio 2026
O que é vida?
Rex, Diná e Zíper em: O que é vida?
A brincadeira rolou a tarde toda na casa da Diná. Rex e Zíper se divertiram por horas com a amiga e seus brinquedos jurássicos. Até que chegou a hora de guardá-los...
- Psiu! Meninos, vocês escutaram?!
Diná havia acabado de fechar as portas do baú onde deixava os brinquedos.
- Nós? Zíper e Rex olharam um para o outro - Não, o que houve?
- Um barulho dentro do baú! - disse Diná, abrindo-o. Tudo estava em ordem.
Zíper cutucou Rex.
- Ri, ri! Acho que Diná pensa que os brinquedos estão vivos!
- Óbvio que não, né, zangão!
Sou capaz de reconhecer a distância um ser vivo de algo que não tem vida, como brinquedos!
- Ah, é? Então, conte para mim: qual é a diferença entre os seres que têm vida e os que não têm? - quis saber o zangão.
- Ora, é algo tão óbvio: a diferença é... - Dina empacou. - Ué, diga você, já que se acha tão sabido!
- E eu lá sei? Perguntei só por perguntar!
Diná preparava uma resposta malcriada quando Rex propôs.
- Por que, então, a gente não pesquisa e descobre?
Ideia aceita, o trio decidiu ir à biblioteca. Por conta disso, Diná anunciou:
- O lanche só será servido quando o mistério for elucidado!
Após ler vários livros, Rex, Diná e Zíper reuniram-se para mostrar o que descobriram. O zangão foi o primeiro a falar.
- Não se sabe ao certo quantas espécies de seres vivos existem na Terra hoje. No entanto, estima-se que haja, aproximadamente, cinco milhões.
Rex e Diná estavam de boca aberta.
- Surpresos? Pois saibam que esse número corresponde a apenas uma pequena parte do total de espécies de seres vivos que já existiu no planeta. - prosseguiu o zangão. - Desde a origem da vida, há cerca de 3,8 bilhões de anos, acredita-se que a Terra abrigou, aproximadamente, 500 milhões de espécies de seres vivos. Como você deve ter percebido, a maioria desapareceu: de cada 100 espécies, 99 foram extintas.
- Os dinossauros, por exemplo! - Rex sacou do bolso fotos da família. - Lembro tão bem do meu bisavô, do meu primo, da titia...
- Mas, Zíper, continuando... - Diná nem deu trela para as lembranças do dinossauro. - Vocês já ouviram falar que seres vivos são aqueles que nascem, crescem, se reproduzem e morrem? Pois é, eu encontrei essa definição em vários livros. No entanto, acredito que ela não esteja certa. Afinal, há muitas coisas que não têm vida, mas também nascem, crescem e morrem. As estrelas, por exemplo. Ou o fogo.
- Bom, então, não é o fato de nascer, crescer, se reproduzir e morrer que diferencia os seres vivos dos que não têm vida. - concluiu Rex. - Ainda mais porque há seres vivos que não se reproduzem como a mula.
- Então, precisamos pensar numa nova definição! Alguns livros que consultei diziam que os organismos vivos são os que se alimentam, pegando nutrientes e energia do ambiente para se desenvolver. - disse Zíper.
- Mas não são apenas seres vivos que agem dessa forma. - interrompeu Diná. - Há muitos sistemas que captam matéria e energia para se desenvolver. Vocês sabiam, por exemplo, que existe um ciclone no hemisfério sul de Júpiter há mais de 300 anos?
Pela fisionomia do dinossauro e do zangão, Diná percebeu que a resposta era não. - Com milhares de quilômetros de extensão, a Mancha Vermelha de Júpiter continua a girar e a se desenvolver graças à energia e matéria que retira do espaço!
- Impressionante, não é, Rex? - perguntou, admirado, Zíper. Mas o zangão só recebeu um resmungo como resposta.
- Impressionante é a gente ainda não ter chegado até agora a nenhuma conclusão sobre o que é vida.
- Mas que criatura pré-histórica rabugenta! - censurou Diná.
- Rabugenta, não: esfomeada! Adiam o lanche, sou obrigado a pesquisar sem comer nada e nem posso reclamar! Cadê os meus direitos?
- Ai, Rex, você só pensa em comer! Eu disse: basta a gente encontrar a resposta dessa pergunta e, pronto, o lanche será servido! Então, coloque a cachola para funcionar!
Nesse momento, Rex teve uma ideia que lhe pareceu, como sempre, brilhante.
- Ah, será que o DNA, aquela molécula que existe no núcleo das células de todos os seres vivos, não tem a ver com essa história?
Diná havia ouvido falar daquelas três letrinhas. Mas sabia pouco a respeito. Então, decidiu pesquisar mais para aprender. Será que, assim, ela ficaria mais perto de solucionar o enigma e Rex, do lanche?
- O que vocês acham de conversarmos sobre receitas? - perguntou Diná ao voltar para junto dos amigos na biblioteca.
- Você sai para pesquisar sobre o DNA e volta falando de receitas? estranhou Rex. - Endoidou?
- Que nada, dinossauro! Saiba que muitas pessoas, quando precisam explicar o que é o DNA, o comparam a uma receita? Elas querem dizer com isso que essa molécula guarda informações necessárias para fazer um ser vivo do jeito que ele é.
- Então, a gente acaba de achar a resposta para o enigma. O que é a vida? As informações presentes no DNA colocadas em prática! Ou, se você preferir, as receitas! - raciocinou Rex, certo de que havia decifrado a questão.
- É, nós até que poderíamos dar o nosso trabalho de pesquisa por encerrado, Rex. Afinal, muitas pessoas, inclusive cientistas famosos, pensam assim. - Diná explicou. - Mas sabe qual é o problema? Essa definição é muito restrita. Ela passa a noção de que o DNA é uma molécula especial e até mais importante do que as outras. Afinal, segundo ela, o DNA seria a "receita da vida".
Diná tomou fôlego antes de continuar a falar.
- Acontece que o DNA, sozinho, não é capaz de nada. Ele precisa de alguns tipos de proteínas para ser feito. Proteínas são substâncias com várias funções. Há aquelas que formam as células, outras tornam mais rápidas as reações que ocorrem em um organismo. E algumas, como eu disse, auxiliam a formar o DNA! - explicou ela. - No entanto, o curioso é saber que o DNA não só necessita de certas proteínas para existir como também está envolvido no processo de produção de todos os tipos de proteínas, até mesmo das que ajudam a fazê-lo!
- Ué, então, é como a velha história do ovo e da galinha: é do ovo (proteína) que vem a galinha (o DNA), mas é a galinha (DNA) quem põe o ovo (proteína)! - comparou Rex. - Lembrando, claro, que não é o DNA quem produz as proteínas diretamente. Ele participa do processo que leva à produção de todas as proteínas, até mesmo das que auxiliam a fazê-lo.
- Então, Rex, temos um dilema a resolver! - percebeu Zíper. - Quem veio primeiro? O DNA ("a galinha") ou a proteína ("o ovo")?
- Uma saída é responder: nem um, nem outro, mas o chocar, quer dizer, a operação que eles realizam. Isto é, o fato de o DNA comandar a produção de todas as proteínas e, de algumas delas, por sua vez, auxiliarem a fazer o próprio DNA. - respondeu Diná.
- Então, para alguns cientistas, essa operação, esse processo seria a vida? - quis saber Zíper.
- Sim. Para eles, o DNA e as proteínas não teriam qualquer papel especial, apenas a interação entre eles. Assim, a vida não ficaria resumida a uma molécula. E, portanto, seria encarada de forma mais ampla. Afinal, se a vida é um processo, significa que ela produz a si mesma continuamente.
- Uau! - disseram Rex e Zíper em coro. - Eu nunca seria capaz de imaginar a vida assim!
Era a deixa que Diná esperava para brincar com os amigos.
- Depois do lanche, vocês terão energia para isso, meninos! Afinal, a barriga do Rex irá parar de roncar e, em silêncio, pensar ficará muito mais fácil...
Rindo, o trio rumou para a casa de Diná onde, finalmente, era hora do lanche!
Texto de Luiz Antônio Botelho Andrade e Edson Pereira da Silva (Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003, Ministério da Educação, FNDE.