Imagine algum cheiro marcante. Imaginou? Pode ser o cheiro da sua comida preferida, o cheiro do mato logo depois de uma chuva, enfim, algum cheiro que tenha importância em sua vida e que lhe traga sensações. Se você pensou em algum, isso significa que você já está preparado para acreditar nas próximas linhas desta reportagem.
Desde os mais primórdios tempos, o aroma, ou melhor, a Aromaterapia vem sendo apresentada sob infinitas percepções, porém com uma única finalidade, a de colocar o homem mais próximo do poder da natureza e do bem-estar que ela oferece. Nas cavernas, por exemplo, os homens usavam as ervas aromáticas para afugentar maus espíritos; já os egípcios acreditavam no valor antisséptico e na força das ervas para conservar-lhes imortais; os gregos, por outro lado, usavam-nas em massagens e na terapêutica assim como os romanos, que utilizavam as ervas nas massagens após os famosos banhos públicos; os asiáticos desenvolveram cosméticos e os sábios chineses, foram e continuam sendo os grandes conhecedores das ervas medicinais. Mas por que tantos povos envolvidos no poder de um único princípio? A resposta não é difícil. Todos esses povos queriam se beneficiar dos poderes dos aromas e isso vem acontecendo a cerca de 6000 anos.
O termo Aromaterapia chegou um pouquinho mais tarde, em 1928, através das mãos do químico francês René Maurice Gattefosse, que interessou-se pelo uso terapêutico dos óleos essenciais após ter queimado sua mão em uma explosão no seu laboratório. Como tinha por perto um vidro de óleo de lavanda, instintivamente o usou sobre o ferimento e ficou impressionado com o resultado de cura. Mas não foi somente esse, um grande nome que permanece na história por conta da Aromaterapia. Antes de Gattefosse, no século XVII, o médico e astrólogo, Nicholas Culpeper, publicou um livro com 369 remédios feitos de ervas inglesas.
Assim como esses estudiosos, o francês Jean Valnet usou alguns óleos como o de limão e o de camomila nas feridas e nas queimaduras de seus pacientes durante a guerra; já Marguerite Maury introduziu a Aromaterapia na Inglaterra através dos óleos que seriam utilizados para a saúde e a estética. Desde então, a cura através de aromas só vem ganhando mais adeptos e grande proporção entre as abordagens terapêuticas não convencionais, em países europeus, como a Inglaterra, e também nos Estados Unidos.
"A Aromaterapia é mais do que um acessório de moda. Já se sobressai como recurso que beneficia os seus usuários, oferecendo-lhes através de diversas fragrâncias, a possibilidade de promover relaxamento e equilíbrio, reduzir o estresse, estimular a performance mental, elevar o humor, estabilizar comportamentos e auxiliar nos relacionamentos", explica a aromaterapeuta Márcia Cristina Fernandes. Vale ressaltar que os óleos essenciais, utilizados como recurso integrante desses tratamentos não convencionais, são extraídos de componentes da natureza vegetal, como árvores, ervas, flores e resinas para tratar a pessoa, fortalecendo o físico, equilibrando a mente e as emoções e despertando a espiritualidade. Além disso, os óleos essenciais também exercem função sob o ambiente, auxiliando na harmonização do padrão vibracional que o local oferece. É por esse e outros motivos que esses componentes da Aromaterapia são, hoje, alvo de pesquisa em diversas áreas como Psicologia, Biologia, Imunologia, Neurofisiologia, Metafísica, Química, Ecologia e terapias avançadas e naturais. Mas como o aroma atua no indivíduo? Bem, o caminho é fácil. Como já foi dito anteriormente, o sentido olfativo desperta lembranças e abre portas inconscientes e o nariz é o elo entre o ambiente e o cérebro. Considerando-se o fato de que a doença física é resultado de uma desarmonia emocional, mental e espiritual, um aroma, pode afetar profunda e rapidamente nossas emoções, restabelecendo o equilíbrio hormonal.
"Para escolher os aromas, devemos considerar o estado físico e mental da pessoa. É preciso observar a necessidade de óleos estimulantes ou calmantes para o estado emocional, pensamentos e sexualidade, por exemplo. Devemos também lembrar que as prescrições ou recomendações terapêuticas seguem o pensamento de que trataremos o doente e não a doença, assim avaliando individualmente a pessoas em sua história única", revela Márcia.
LARANJA (Citrus Aurantium)
Nativa do leste asiático, a laranjeira foi levada para a Europa no início do século XVI e então, trazida para a América pelos espanhóis e portugueses. Atualmente, a maioria da produção comercial de óleo essencial de laranja se concentra no Brasil e nos Estados Unidos. O óleo essencial de laranja tem um efeito relaxante. A sua agradável fragrância é benéfica para combater o estresse, a tensão nervosa e as dores de cabeça relacionadas com o sistema digestivo. Atua em problemas do aparelho digestivo, especialmente em tratamentos de anorexia, bulimia e compulsão por comer, e do aparelho excretório, para equilibrar os fluidos do corpo. Dentro dos aspectos emocionais, atua como antidepressivo, alivia a ansiedade, estimula a criação e, consequentemente, o bem estar e a boa comunicação. O óleo essencial de laranja combina bem com anis estrelado, menta e erva-doce.
MELISSA (Melissa Officinalis)
Melissa é uma erva aromática nativa da Europa central e setentrional. A produção comercial do óleo essencial de melissa está localizada na França. Sua principal atuação está relacionada ao sistema nervoso. O óleo essencial de melissa combina particularmente bem com óleos cítricos, camomila, gerânio, lavanda e rosa. A melissa é apropriada para a pessoa que parece doce e extrovertida, mas não mostra o seu lado obscuro por medo de não ser aceita. Sintomas como nervosismo, dores de cabeça, insônia e problemas no coração serão desenvolvidos com essas tensões escondidas. O óleo essencial de melissa irá encorajar a pessoa a mostrar toda a sua personalidade.
LAVANDA (Lavandula Angustifolia)
Nativa da região do Mediterrâneo, a lavanda tem uma longa história de uso como remédio, fragrância e repelente de insetos. A produção do óleo essencial de lavanda estava estabelecida na França, mas este teve uma diminuição com o advento do híbrido Lavandin. Muitos dos óleos puros de lavanda vêm atualmente da Iugoslávia e da Bulgária. A lavanda verdadeira cresce em torno de 1000 metros. O óleo essencial de lavanda possui um efeito balanceador e regulador, promovendo a saúde do corpo e da mente em conjunto. É o mais versátil dos óleos essenciais, porque é atóxico e tem um aroma floral completo. Alivia o estresse, a ansiedade, a depressão e a debilidade generalizada. Combate insônia, dores de cabeça e enxaqueca. Também atua na pele como antisséptico, anti-inflamatório e regenerativo. Abranda acne, eczema, caspa, queda de cabelo, assaduras, queimaduras de sol, picadas de insetos e furúnculos.
CRAVO (Syzygium Aromaticum)
As árvores de cravo são originárias da Ásia e têm sido cultivadas por, pelo menos, 2000 anos. Hoje em dia, os principais centros de cultivo do cravo são Madagascar e Indonésia. É um poderoso antisséptico e cicatrizador. O óleo essencial de cravo deve ser diluído, caso contrário causa irritação quando em contato com a pele. Sua ação estimulante faz do cravo um ótimo estimulante da memória e concentração, principalmente quando combinado com o alecrim. O cravo também é um ótimo repelente contra insetos. É apropriado para pessoas que são confiantes e otimistas, mas que, por algum motivo, não estão bem por problemas de doença, infecção e trauma.
NÃO É MÁGICA, É APENAS UM ÓLEO ESSENCIAL...
Pelo o que já foi mencionado anteriormente, já dá para ter uma ideia da importância do óleo essencial para a Aromaterapia. Os óleos essenciais são formas altamente concentradas de energia herbácea que representam a força vital da planta e, por este motivo, compreendem centenas de compostos químicos.
Os óleos essenciais são extraídos de diversas partes da planta como da seiva ou resina (olíbano e mirra), da raiz (gengibre e vetivéria), dos galhos (sândalo, cedro, pau rosa), das folhas (manjericão, cipreste, eucalipto, gerânio, manjerona, limão, patchouli, hortelã pimenta, alecrim, tea tree e tomilho), dos frutos (erva doce e pinheiro), das flores (camomila, jasmim, ylang ylang, rosa e lavanda), das cascas de frutas (bergamota, laranja, limão e tangerina) e das relvas (erva cidreira, capim limão e palmarosa).
A extração desses óleos é feita através de alguns processos entre eles, pela destilação à vapor, extração por solvente, por dióxido de carbono ou pela prensagem a frio.
É preciso ficar atento quanto à qualidade dos óleos essenciais, já que estes devem ser 100% puros. O acréscimo de substâncias aromáticas sintéticas a esses óleos reduz ou extingue o seu valor terapêutico, podendo ocasionar sintomas desagradáveis como náuseas, dores de cabeça, alergias e irritação quando inalado. A esses compostos formados da união de óleos essenciais com resinas sintéticas diluídas ou em bases oleosas, dá-se o nome de essência. Embora a essência possua uma boa fixação de perfume, ela não possui ação terapêutica, daí o seu valor reduzido. É encontrada no mercado pelo preço médio de R$ 2,50.
Ao contrário das essências, os óleos essenciais são mais caros e encontrados no mercado por preços que variam de acordo com a erva. O que torna o preço desse produto alto é a sua pureza. Em média, são necessários 70 quilos de planta para produzir cerca de 2 litros de óleo essencial. Uma vez extraídos, os óleos são mantidos em potes escuros de vidro para que não sejam afetados pelo calor e pela luz. Os óleos essenciais podem ser transparentes ou coloridos, como é o caso da camomila, que é azul e da bergamota, que é verde. Como são extremamente concentrados, os óleos essenciais não podem ser ingeridos oralmente e jamais devem ser passados diretamente na pele. Dependendo do tipo de óleo, após o uso, é preciso evitar o contato da pele com o sol por algumas horas.
Existem algumas maneiras de aplicar os óleos essenciais, as principais são inalações, banhos, compressas, bochechos e gargarejos e as famosas massagens, utilizadas tanto para ajudar na penetração dos óleos essenciais, como para acentuar os efeitos aromaterapêuticos.
CIPRESTE (Cupressus Sempervirens)
As árvores de cipreste são nativas dos países próximos ao Mediterrâneo. O cultivo e a destilação do cipreste ocorre na França e no Marrocos. O óleo essencial de cipreste é um ótimo adstringente e cicatrizante e sua principal atuação ocorre no sistema circulatório e vascular. Combina particularmente bem com cedro, salvia esclareia, incenso, junipero, lavanda, manjerona e laranja. O cipreste também refresca e tonifica o sistema nervoso. Pode ser usado para tratar pessoas debilitadas em consequência do estresse. Também é extremamente útil no tratamento de varizes, quando realizadas massagens no local. Combinado com gengibre, é ideal para tratar má circulação.
LIMÃO (Citrus Limonum)
A limoeira é nativa da Índia, mas chegou à Europa com as Cruzadas, depois do século XX. Seu óleo essencial tem sido comercialmente desenvolvido para o uso na perfumaria e indústrias de essências. O óleo essencial de limão é um dos mais importantes bactericidas. Além disso, é refrescante e tonificante. Também é bastante versátil, pode ser usado em massagens, compressas, inalações e como aromatizador de ambientes. O limão também tonifica o sistema circulatório e fortalece o sistema imunológico. Dentro dos aspectos mentais, o limão atua em pessoas que apresentam confusão mental e falta de concentração, aumentando a concentração, estimulando e auxiliando a tomar decisões.
JASMIM (Jasminum Officinale)
Nativo do noroeste da Índia, o jasmim tem sido produzido principalmente na França, Marrocos e Índia. O principal efeito do óleo essencial de jasmim diz respeito à emoção, já que ele promove um estado de relaxamento. O jasmim aumenta a autoestima e é um ótimo antidepressivo. O jasmim combina com esclareia, laranja, rosa, sândalo, ylang e bergamota. O uso do jasmim encoraja a aceitar uma situação da vida. Promove um relaxamento e é muito utilizado em pessoas que estão passando por algum trauma.
ALECRIM (Rosmarinus Officinalis)
Arbustos desta erva aromática são encontrados crescendo selvagens nas regiões mediterrâneas, quase sempre perto das praias. São notáveis as suas propriedades antissépticas e estimulantes. É também um analgésico e regulador suave, que ajuda a equilibrar o corpo e mente. Possui um aroma levemente canforado e excitante. Atua como estimulante da memória e da mente. Ajuda a aliviar dores de cabeça, enxaquecas e fadiga em geral. Atua no sistema respiratório, aliviando tosses, gripes e resfriados.
O QUE RESERVA CADA ÓLEO ESSENCIAL
Em razão das diferentes composições químicas das moléculas dos quais são compostos os óleos essenciais, estes apresentam diferentes taxas de evaporação e diferentes efeitos terapêuticos para o corpo. Normalmente, um composto terapêutico, desenvolvido por um especialista, é formado por óleos essenciais de alta, média e baixa volatilidade, ou seja, óleos com funções estimulantes, de equilíbrio e relaxantes, respectivamente. Vale ressaltar que é preciso haver esse equilíbrio entre os óleos essenciais combinados para se obter um resultado gradualmente satisfatório na paciente.
Nota de alta volatilidade
Os óleos que estão dentro dessa faixa possuem uma evaporação rápida, que não dura mais que um dia, por isso são leves e seguros. Atuam na letargia, na falta de interesse e na melancolia, animando, estimulando a mente, energizando, revigorando, levantando o ânimo e dando coragem na doença. Os óleos que possuem tais funções são: laranja, limão, eucalipto, hortelã pimenta, manjericão, bergamota, capim cidreira, alecrim, tangerina e junípero.
Nota de baixa volatilidade
Se caracterizam por serem fixadores. São lentos e pesados e duram aproximadamente uma semana. Atuam nos domínios vegetativos e celulares. Têm como funções acalmar, sedar, relaxar, trazer solidez, estabilizar, tratar pessoas nervosas, inquietas ou distraídas. Possuem tais funções os óleos de: sândalo, patchouli, vetivéria, mirra, jasmim e cedro.
Nota de média volatilidade
Os óleos que estão dentro dessa faixa possuem uma evaporação intermediária. Têm como principal função balancear os sistemas físicos do corpo. Atuam na digestão e metabolismo, equilibrando e harmonizando. Possuem tais funções a canela, a hortelã, a lavanda, a camomila romana, a erva doce, o hissopo, o pau rosa, a melissa, o pinheiro e a pimenta preta. É importante lembrar que um óleo de nota média deve ser sempre incluído para fazer a ligação entre Terra (nota baixa) e Ar (nota alta).
ROSA (Rosa centifolia)
As rosas têm sido utilizadas como plantas medicinais desde a antiguidade. O óleo essencial da rosa é refrescante, relaxante e tonificador. Assim como a bergamota, o gerânio e o jasmim, o óleo essencial de rosa atua diminuindo a atividade do sistema nervoso simpático, enquanto ao mesmo tempo fortifica o sistema nervoso parassimpático. Isso significa que ele aumenta o sentimento de vitalidade e cria um senso de relaxamento. A rosa é muito utilizada no tratamento de uma grande taxa de problemas relacionados ao estresse. Combina bem com bergamota, camomila, esclareia, gerânio, jasmim, lavanda e patchouli. Sua principal atuação está relacionada à reprodução e sexualidade. Atua como antidepressivo e anti-inflamatório.
ANIS ESTRELADO (Illicium Verum)
O anis estrelado é a fruta de uma árvore que permanece sempre verde na China. No leste, o aniseto, uma espécie com propriedades similares, é geralmente mastigado após as refeições para adoçar o hálito e melhorar a digestão. Atualmente, a produção de seu óleo essencial acontece principalmente na China e na Índia. O óleo essencial de anis estrelado é um calmante e sedativo utilizado para aliviar tensões mentais e físicas. Quando diluído, pode ser utilizado em massagens ou inalações. Combina bem com camomila, canela cravo, eucalipto, lavanda, laranja, pinheiro e alecrim. Atua como relaxante para qualquer tipo de tensão do corpo. O anis estrelado também tem a função de descongestionante e pode ser usado em casos de bronquite, combinado com o eucalipto.
CANELA (Cinnamomum Zeylanicum)
A árvore da canela é nativa do leste da Índia e Indonésia, e tem sido utilizada tanto na culinária como na medicina por milhares de anos. A canela é usada para tratar gripes, resfriados, corizas, problemas digestivos e reumatismo. Por ser forte e quente, o óleo essencial de canela possui propriedades estimulantes e tonificadoras. Tem sido usada para tonificar os sistemas circulatório, respiratório e digestivo, assim como restaurar pessoas fracas, cansadas e que tenham enfrentado gripe. A grande concentração do óleo essencial de canela pode irritar a pele, por esse motivo, deve ser diluído em um óleo base antes de ser aplicado. É comumente adicionado a outros óleos de banho. Ainda assim, não pode ser aplicado no rosto. O óleo essencial de canela combina particularmente bem com cravo, eucalipto, incenso, limão e laranja.
CAMOMILA (Matricaria Recutica)
A camomila é cultivada na Europa central e setentrional. O óleo essencial da camomila é calmante. Atua no sistema digestivo, tratando de problemas originários do nervosismo como cólicas, indigestões e úlceras. A propriedade de aliviar as dores e a baixa toxicidade faz da camomila um óleo apropriado para tratar problemas digestivos em crianças, além de dores de dente e no ouvido. A camomila também estimula a produção dos leucócitos, tratando assim, qualquer tipo de vírus ou infecção. Uma das mais importantes atuações da camomila se dá no tratamento de inflamações na pele. Também pode ser usada no tratamento de eczemas, herpes, irritações e qualquer problema de pele relacionado ao estresse. Para cuidar da pele utilize a camomila no banho, em loção ou em compressas.
Texto de Thais Lauton com colaboração de Maria Cristina Fernandes; retirado do Revista Vida Em Equilíbrio, Edição 5, Fevereiro 2002, Casa Dois Editora, São Paulo.