10 outubro 2026

Gramática Amorosa

PISCADELAS, GESTOS SUTIS COM AS MÃOS E ATÉ TOSSES E ESCARRADAS ERAM USADOS COMO FORMA DE MOSTRAR INTERESSE PELO SEXO OPOSTO


Na Idade Moderna, erotismo designava "o que tivesse relação com o amor". Como essa definição se materializaria na prática? Há registros de estratégias de sedução que soariam pouco familiares e mesmo pueris aos olhos de hoje. É o caso do "namoro de bufarinheiro", descrito por Júlio Dantas, corrente em Portugal e talvez no Brasil, ao menos nas cidades. Consistia em passarem os homens a distribuir piscadelas e a fazerem gestos sutis com as mãos e bocas para as mulheres que se postavam à janela, em dias de procissão, como se fossem eles bufarinheiros a anunciar seus produtos. É também

09 outubro 2026

Émile Durkheim

 Émile Durkheim - A Contribuição de uma Ciência Positiva, Autônoma e Objetiva da Realidade Social


A Sociologia, que como ciência teve início no século XIX, por influência tanto do desenvolvimento das outras ciências quanto das transformações sociais da época, com Durkheim adquire o caráter de uma Ciência Positiva, Autônoma e Objetiva da Realidade Social


Este artigo oferece aos seus leitores uma breve síntese das principais contribuições de Émile Durkheim (1858-1917) ao desenvolvimento da Sociologia. Alguns aspectos, sempre oportunos, são destacados, dentre os quais situamos o método sociológico, os fatos sociais como objeto da Sociologia, a autonomia da Sociologia, a ciência da moral como ciência positiva, a imparcialidade e a objetividade da ciência. Uma reflexão, mesmo sumária, sobre a densa obra de Durkheim leva-nos

03 outubro 2026

Reiki: energia de cura através das mãos

Para quem não conhece, é quase impossível imaginar o quanto o Reiki é vital para resgatarmos a essência do nosso corpo. Essa técnica de imposição das mãos tem sido muito praticada por todo mundo.

A combinação entre "Rei", que significa energia vital universal e "ki", que significa energia da força vital, resulta em uma força mais do que poderosa denominada Ch'i, Chuie, Ki ou simplesmente Luz.

Mas antes que você embarque no histórico milenar dessa técnica de cura através das mãos, é preciso que você tenha em mente que o Reiki não é uma religião ou uma prática religiosa; ele dispensa rituais e formalidades, ou seja, você pode incluir a prática e se beneficiar dela enquanto assiste o seu programa favorito de TV, está no trânsito ou até mesmo, enquanto fala ao telefone.

Por ser totalmente positivo, o Reiki não causa mal algum. O tratamento com Reiki pode ser usado em qualquer pessoa, independente de sua idade. Tanto pessoas idosas como bebês reagem bem ao tratamento. Se alguém estiver doente, com dor ou sofrendo emocionalmente, o Reiki ajudará. Da mesma maneira, para a pessoa ou animal saudável, o Reiki tranquiliza e rejuvenesce.

Segundo o reikiano Alexandre Caprarolo Torres, o Reiki é um método valioso de autocura e autodesenvolvimento. Ele pode ser aplicado em amigos e familiares, animais, plantas e refeições e, até mesmo, à distância para pessoas que estão ausentes. "O Reiki é um método seguro, gentil e que sempre gera um clima positivo e promissor. Reiki é energia de vida, paz, saúde e harmonia", acrescenta Torres.

Ele é usado como método de cura, mas a sua principal função é a harmonia. Hoje em dia, a medicina tradicional tem adotado o Reiki paralelamente, mas ainda há muita objeção com relação a este fato. na realidade, a impossibilidade de explicar o que é o Reiki é um dos fatos que dificultam a sua difusão. O tratamento com Reiki é benéfico e complementar a todos os outros tipos de tratamentos médicos convencionais, psicológicos ou alternativos promovendo o mais alto bem para quem o recebe.

Viver em Paz (123)

 "Vivei em paz..." - Paulo. (II CORÍNTIOS, 13:11)


Mantém-te em paz.

É provável que os outros te guerreiem gratuitamente, hostilizando-te a maneira de viver; entretanto, podes avançar em teu roteiro, sem guerrear a ninguém.

Para isso, contudo - para que a tranquilidade te banhe o pensamento -, é necessário que a compaixão e a bondade te sigam todos os passos.

Assume contigo mesmo o comportamento de evitar a exasperação.

Junto da serenidade, poderás analisar cada acontecimento e cada pessoa no lugar e na posição que lhes dizem respeito.

Repara, carinhosamente, os que te procuram no caminho...

Todos os que surgem, aflitos ou desesperados, coléricos ou desabridos, trazem chagas ou ilusões. Prisioneiros da vaidade ou da ignorância, não souberam tolerar a luz da verdade e clamam irritadiços... Unge-te de piedade e penetra-lhes os recessos do ser, e identificarás em todos eles crianças espirituais que se sentem ultrajados ou contundidas.

Uns acusam, outros choram.

Ajuda-os, enquanto podes.

Pacificando-lhes a alma, harmonizarás, ainda mais, a tua vida.

Aprendamos a compreender cada mente em seu problema.

Recorda-te de que a Natureza, sempre divina em seus fundamentos, respeita a lei do equilíbrio e conserva-a sem cessar.

Ainda mesmo quando os homens se mostram desvairados, nos conflitos abertos, a Terra é sempre firme e o Sol fulgura sempre.

Viver de qualquer modo é de todos, mas viver em paz consigo mesmo é serviço de poucos.


Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

19 setembro 2026

Aromas para uma vida melhor

Imagine algum cheiro marcante. Imaginou? Pode ser o cheiro da sua comida preferida, o cheiro do mato logo depois de uma chuva, enfim, algum cheiro que tenha importância em sua vida e que lhe traga sensações. Se você pensou em algum, isso significa que você já está preparado para acreditar nas próximas linhas desta reportagem.

Desde os mais primórdios tempos, o aroma, ou melhor, a Aromaterapia vem sendo apresentada sob infinitas percepções, porém com uma única finalidade, a de colocar o homem mais próximo do poder da natureza e do bem-estar que ela oferece. Nas cavernas, por exemplo, os homens usavam as ervas aromáticas para afugentar maus espíritos; já os egípcios acreditavam no valor antisséptico e na força das ervas para conservar-lhes imortais; os gregos, por outro lado, usavam-nas em massagens e na terapêutica assim como os romanos, que utilizavam as ervas nas massagens após os famosos banhos públicos; os asiáticos desenvolveram cosméticos e os sábios chineses, foram e continuam sendo os grandes conhecedores das ervas medicinais. Mas por que tantos povos envolvidos no poder de um único princípio? A resposta não é difícil. Todos esses povos queriam se beneficiar dos poderes dos aromas e isso vem acontecendo a cerca de 6000 anos.

O termo Aromaterapia chegou um pouquinho mais tarde, em 1928, através das mãos do químico francês René Maurice Gattefosse, que interessou-se pelo uso terapêutico dos óleos essenciais após ter queimado sua mão em uma explosão no seu laboratório. Como tinha por perto um vidro de óleo de lavanda, instintivamente o usou sobre o ferimento e ficou impressionado com o resultado de cura. Mas não foi somente esse, um grande nome que permanece na história por conta da Aromaterapia. Antes de Gattefosse, no século XVII, o médico e astrólogo, Nicholas Culpeper, publicou um livro com 369 remédios feitos de ervas inglesas.

Assim como esses estudiosos, o francês Jean Valnet usou alguns óleos como o de limão e o de camomila nas feridas e nas queimaduras de seus pacientes durante a guerra; já Marguerite Maury introduziu a Aromaterapia na Inglaterra através dos óleos que seriam utilizados para a saúde e a estética. Desde então, a cura através de aromas só vem ganhando mais adeptos e grande proporção entre as abordagens terapêuticas não convencionais, em países europeus, como a Inglaterra, e também nos Estados Unidos.

"A Aromaterapia é mais do que um acessório de moda. Já se sobressai como recurso que beneficia os seus usuários, oferecendo-lhes através de diversas fragrâncias, a possibilidade de promover relaxamento e equilíbrio, reduzir o estresse, estimular a performance mental, elevar o humor, estabilizar comportamentos e auxiliar nos relacionamentos", explica a aromaterapeuta Márcia Cristina Fernandes. Vale ressaltar que os óleos essenciais, utilizados como recurso integrante desses tratamentos não convencionais, são extraídos de componentes da natureza vegetal, como árvores, ervas, flores e resinas para tratar a pessoa, fortalecendo o físico, equilibrando a mente e as emoções e despertando a espiritualidade. Além disso, os óleos essenciais também exercem função sob o ambiente, auxiliando na harmonização do padrão vibracional que o local oferece. É por esse e outros motivos que esses componentes da Aromaterapia são, hoje, alvo de pesquisa em diversas áreas como Psicologia, Biologia, Imunologia, Neurofisiologia, Metafísica, Química, Ecologia e terapias avançadas e naturais. Mas como o aroma atua no indivíduo? Bem, o caminho é fácil. Como já foi dito anteriormente, o sentido olfativo desperta lembranças e abre portas inconscientes e o nariz é o elo entre o ambiente e o cérebro. Considerando-se o fato de que a doença física é resultado de uma desarmonia emocional, mental e espiritual, um aroma, pode afetar profunda e rapidamente nossas emoções, restabelecendo o equilíbrio hormonal.

"Para escolher os aromas, devemos considerar o estado físico e mental da pessoa. É preciso observar a necessidade de óleos estimulantes ou calmantes para o estado emocional, pensamentos e sexualidade, por exemplo. Devemos também lembrar que as prescrições ou recomendações terapêuticas seguem o pensamento de que trataremos o doente e não a doença, assim avaliando individualmente a pessoas em sua história única", revela Márcia.


LARANJA (Citrus Aurantium)

Nativa do leste asiático, a laranjeira foi levada para a Europa no início do século XVI e então, trazida para a América pelos espanhóis e portugueses. Atualmente, a maioria da produção comercial de óleo essencial de laranja se concentra no Brasil e nos Estados Unidos. O óleo essencial de laranja tem um efeito relaxante. A sua agradável fragrância é benéfica para combater o estresse, a tensão nervosa e as dores de cabeça relacionadas com o sistema digestivo. Atua em problemas do aparelho digestivo, especialmente em tratamentos de anorexia, bulimia e compulsão por comer, e do aparelho excretório, para equilibrar os fluidos do corpo. Dentro dos aspectos emocionais, atua como antidepressivo, alivia a ansiedade, estimula a criação e, consequentemente, o bem estar e a boa comunicação. O óleo essencial de laranja combina bem com anis estrelado, menta e erva-doce.

MELISSA (Melissa Officinalis)

Melissa é uma erva aromática nativa da Europa central e setentrional. A produção comercial do óleo essencial de melissa está localizada na França. Sua principal atuação está relacionada ao sistema nervoso. O óleo essencial de melissa combina particularmente bem com óleos cítricos, camomila, gerânio, lavanda e rosa. A melissa é apropriada para a pessoa que parece doce e extrovertida, mas não mostra o seu lado obscuro por medo de não ser aceita. Sintomas como nervosismo, dores de cabeça, insônia e problemas no coração serão desenvolvidos com essas tensões escondidas. O óleo essencial de melissa irá encorajar a pessoa a mostrar toda a sua personalidade.

LAVANDA (Lavandula Angustifolia)

Nativa da região do Mediterrâneo, a lavanda tem uma longa história de uso como remédio, fragrância e repelente de insetos. A produção do óleo essencial de lavanda estava estabelecida na França, mas este teve uma diminuição com o advento do híbrido Lavandin. Muitos dos óleos puros de lavanda vêm atualmente da Iugoslávia e da Bulgária. A lavanda verdadeira cresce em torno de 1000 metros. O óleo essencial de lavanda possui um efeito balanceador e regulador, promovendo a saúde do corpo e da mente em conjunto. É o mais versátil dos óleos essenciais, porque é atóxico e tem um aroma floral completo. Alivia o estresse, a ansiedade, a depressão e a debilidade generalizada. Combate insônia, dores de cabeça e enxaqueca. Também atua na pele como antisséptico, anti-inflamatório e regenerativo. Abranda acne, eczema, caspa, queda de cabelo, assaduras, queimaduras de sol, picadas de insetos e furúnculos.

CRAVO (Syzygium Aromaticum)

As árvores de cravo são originárias da Ásia e têm sido cultivadas por, pelo menos, 2000 anos. Hoje em dia, os principais centros de cultivo do cravo são Madagascar e Indonésia. É um poderoso antisséptico e cicatrizador. O óleo essencial de cravo deve ser diluído, caso contrário causa irritação quando em contato com a pele. Sua ação estimulante faz do cravo um ótimo estimulante da memória e concentração, principalmente quando combinado com o alecrim. O cravo também é um ótimo repelente contra insetos. É apropriado para pessoas que são confiantes e otimistas, mas que, por algum motivo, não estão bem por problemas de doença, infecção e trauma.


NÃO É MÁGICA, É APENAS UM ÓLEO ESSENCIAL...

Pelo o que já foi mencionado anteriormente, já dá para ter uma ideia da importância do óleo essencial para a Aromaterapia. Os óleos essenciais são formas altamente concentradas de energia herbácea que representam a força vital da planta e, por este motivo, compreendem centenas de compostos químicos.

Os óleos essenciais são extraídos de diversas partes da planta como da seiva ou resina (olíbano e mirra), da raiz (gengibre e vetivéria), dos galhos (sândalo, cedro, pau rosa), das folhas (manjericão, cipreste, eucalipto, gerânio, manjerona, limão, patchouli, hortelã pimenta, alecrim, tea tree e tomilho), dos frutos (erva doce e pinheiro), das flores (camomila, jasmim, ylang ylang, rosa e lavanda), das cascas de frutas (bergamota, laranja, limão e tangerina) e das relvas (erva cidreira, capim limão e palmarosa).

A extração desses óleos é feita através de alguns processos entre eles, pela destilação à vapor, extração por solvente, por dióxido de carbono ou pela prensagem a frio.

É preciso ficar atento quanto à qualidade dos óleos essenciais, já que estes devem ser 100% puros. O acréscimo de substâncias aromáticas sintéticas a esses óleos reduz ou extingue o seu valor terapêutico, podendo ocasionar sintomas desagradáveis como náuseas, dores de cabeça, alergias e irritação quando inalado. A esses compostos formados da união de óleos essenciais com resinas sintéticas diluídas ou em bases oleosas, dá-se o nome de essência. Embora a essência possua uma boa fixação de perfume, ela não possui ação terapêutica, daí o seu valor reduzido. É encontrada no mercado pelo preço médio de R$ 2,50.

Ao contrário das essências, os óleos essenciais são mais caros e encontrados no mercado por preços que variam de acordo com a erva. O que torna o preço desse produto alto é a sua pureza. Em média, são necessários 70 quilos de planta para produzir cerca de 2 litros de óleo essencial. Uma vez extraídos, os óleos são mantidos em potes escuros de vidro para que não sejam afetados pelo calor e pela luz. Os óleos essenciais podem ser transparentes ou coloridos, como é o caso da camomila, que é azul e da bergamota, que é verde. Como são extremamente concentrados, os óleos essenciais não podem ser ingeridos oralmente e jamais devem ser passados diretamente na pele. Dependendo do tipo de óleo, após o uso, é preciso evitar o contato da pele com o sol por algumas horas.

Existem algumas maneiras de aplicar os óleos essenciais, as principais são inalações, banhos, compressas, bochechos e gargarejos e as famosas massagens, utilizadas tanto para ajudar na penetração dos óleos essenciais, como para acentuar os efeitos aromaterapêuticos.


CIPRESTE (Cupressus Sempervirens)

As árvores de cipreste são nativas dos países próximos ao Mediterrâneo. O cultivo e a destilação do cipreste ocorre na França e no Marrocos. O óleo essencial de cipreste é um ótimo adstringente e cicatrizante e sua principal atuação ocorre no sistema circulatório e vascular. Combina particularmente bem com cedro, salvia esclareia, incenso, junipero, lavanda, manjerona e laranja. O cipreste também refresca e tonifica o sistema nervoso. Pode ser usado para tratar pessoas debilitadas em consequência do estresse. Também é extremamente útil no tratamento de varizes, quando realizadas massagens no local. Combinado com gengibre, é ideal para tratar má circulação.

LIMÃO (Citrus Limonum)

A limoeira é nativa da Índia, mas chegou à Europa com as Cruzadas, depois do século XX. Seu óleo essencial tem sido comercialmente desenvolvido para o uso na perfumaria e indústrias de essências. O óleo essencial de limão é um dos mais importantes bactericidas. Além disso, é refrescante e tonificante. Também é bastante versátil, pode ser usado em massagens, compressas, inalações e como aromatizador de ambientes. O limão também tonifica o sistema circulatório e fortalece o sistema imunológico. Dentro dos aspectos mentais, o limão atua em pessoas  que apresentam confusão mental e falta de concentração, aumentando a concentração, estimulando e auxiliando a tomar decisões.

JASMIM (Jasminum Officinale)

Nativo do noroeste da Índia, o jasmim tem sido produzido principalmente na França, Marrocos e Índia. O principal efeito do óleo essencial de jasmim diz respeito à emoção, já que ele promove um estado de relaxamento. O jasmim aumenta a autoestima e é um ótimo antidepressivo. O jasmim combina com esclareia, laranja, rosa, sândalo, ylang e bergamota. O uso do jasmim encoraja a aceitar uma situação da vida. Promove um relaxamento e é muito utilizado em pessoas que estão passando por algum trauma.

ALECRIM (Rosmarinus Officinalis)

Arbustos desta erva aromática são encontrados crescendo selvagens nas regiões mediterrâneas, quase sempre perto das praias. São notáveis as suas propriedades antissépticas e estimulantes. É também um analgésico e regulador suave, que ajuda a equilibrar o corpo e  mente. Possui um aroma levemente canforado e excitante. Atua como estimulante da memória e da mente. Ajuda a aliviar dores de cabeça, enxaquecas e fadiga em geral. Atua no sistema respiratório, aliviando tosses, gripes e resfriados.


O QUE RESERVA CADA ÓLEO ESSENCIAL

Em razão das diferentes composições químicas das moléculas dos quais são compostos os óleos essenciais, estes apresentam diferentes taxas de evaporação e diferentes efeitos terapêuticos para o corpo. Normalmente, um composto terapêutico, desenvolvido por um especialista, é formado por óleos essenciais de alta, média e baixa volatilidade, ou seja, óleos com funções estimulantes, de equilíbrio e relaxantes, respectivamente. Vale ressaltar que é preciso haver esse equilíbrio entre os óleos essenciais combinados para se obter um resultado gradualmente satisfatório na paciente.


Nota de alta volatilidade

Os óleos que estão dentro dessa faixa possuem uma evaporação rápida, que não dura mais que um dia, por isso são leves e seguros. Atuam na letargia, na falta de interesse e na melancolia, animando, estimulando a mente, energizando, revigorando, levantando o ânimo e dando coragem na doença. Os óleos que possuem tais funções são: laranja, limão, eucalipto, hortelã pimenta, manjericão, bergamota, capim cidreira, alecrim, tangerina e junípero.


Nota de baixa volatilidade

Se caracterizam por serem fixadores. São lentos e pesados e duram aproximadamente uma semana. Atuam nos domínios vegetativos e celulares. Têm como funções acalmar, sedar, relaxar, trazer solidez, estabilizar, tratar pessoas nervosas, inquietas ou distraídas. Possuem tais funções os óleos de: sândalo, patchouli, vetivéria, mirra, jasmim e cedro.


Nota de média volatilidade

Os óleos que estão dentro dessa faixa possuem uma evaporação intermediária. Têm como principal função balancear os sistemas físicos do corpo. Atuam na digestão e metabolismo, equilibrando e harmonizando. Possuem tais funções a canela, a hortelã, a lavanda, a camomila romana, a erva doce, o hissopo, o pau rosa, a melissa, o pinheiro e a pimenta preta. É importante lembrar que um óleo de nota média deve ser sempre incluído para fazer a ligação entre Terra (nota baixa) e Ar (nota alta).


ROSA (Rosa centifolia)

As rosas têm sido utilizadas como plantas medicinais desde a antiguidade. O óleo essencial da rosa é refrescante, relaxante e tonificador. Assim como a bergamota, o gerânio e o jasmim, o óleo essencial de rosa atua diminuindo a atividade do sistema nervoso simpático, enquanto ao mesmo tempo fortifica o sistema nervoso parassimpático. Isso significa que ele aumenta o sentimento de vitalidade e cria um senso de relaxamento. A rosa é muito utilizada no tratamento de uma grande taxa de problemas relacionados ao estresse. Combina bem com bergamota, camomila, esclareia, gerânio, jasmim, lavanda e patchouli. Sua principal atuação está relacionada à reprodução e sexualidade. Atua como antidepressivo e anti-inflamatório.

ANIS ESTRELADO (Illicium Verum)

O anis estrelado é a fruta de uma árvore que permanece sempre verde na China. No leste, o aniseto, uma espécie com propriedades similares, é geralmente mastigado após as refeições para adoçar o hálito e melhorar a digestão. Atualmente, a produção de seu óleo essencial acontece principalmente na China e na Índia. O óleo essencial de anis estrelado é um calmante e sedativo utilizado para aliviar tensões mentais e físicas. Quando diluído, pode ser utilizado em massagens ou inalações. Combina bem com camomila, canela cravo, eucalipto, lavanda, laranja, pinheiro e alecrim. Atua como relaxante para qualquer tipo de tensão do corpo. O anis estrelado também tem a função de descongestionante e pode ser usado em casos de bronquite, combinado com o eucalipto.

CANELA (Cinnamomum Zeylanicum)

A árvore da canela é nativa do leste da Índia e Indonésia, e tem sido utilizada tanto na culinária como na medicina por milhares de anos. A canela é usada para tratar gripes, resfriados, corizas, problemas digestivos e reumatismo. Por ser forte e quente, o óleo essencial de canela possui propriedades estimulantes e tonificadoras. Tem sido usada para tonificar os sistemas circulatório, respiratório e digestivo, assim como restaurar pessoas fracas, cansadas e que tenham enfrentado gripe. A grande concentração do óleo essencial de canela pode irritar a pele, por esse motivo, deve ser diluído em um óleo base antes de ser aplicado. É comumente adicionado a outros óleos de banho. Ainda assim, não pode ser aplicado no rosto. O óleo essencial de canela combina particularmente bem com cravo, eucalipto, incenso, limão e laranja.

CAMOMILA (Matricaria Recutica)

A camomila é cultivada na Europa central e setentrional. O óleo essencial da camomila é calmante. Atua no sistema digestivo, tratando de problemas originários do nervosismo como cólicas, indigestões e úlceras. A propriedade de aliviar as dores e a baixa toxicidade faz da camomila um óleo apropriado para tratar problemas digestivos em crianças, além de dores de dente e no ouvido. A camomila também estimula a produção dos leucócitos, tratando assim, qualquer tipo de vírus ou infecção. Uma das mais importantes atuações da camomila se dá no tratamento de inflamações na pele. Também pode ser usada no tratamento de eczemas, herpes, irritações e qualquer problema de pele relacionado ao estresse. Para cuidar da pele utilize a camomila no banho, em loção ou em compressas.


Texto de Thais Lauton com colaboração de Maria Cristina Fernandes; retirado do Revista Vida Em Equilíbrio, Edição 5, Fevereiro 2002, Casa Dois Editora, São Paulo.

12 setembro 2026

Que cheirinho bom!!!

Pare por alguns instantes e tente lembrar do cheiro gostoso da comidinha da mamãe. Impossível imaginar as sessões de cinema sem aquele aroma de pipoca no ar. E por aí vai. Faça uma retrospectiva de sua vida apenas com os cheiros. O pãozinho quentinho que sai no final da tarde, o cheiro da pessoa que amamos, o mar... O odor de urina de algumas esquinas de São Paulo, o Vick Vaporub das noites de gripe, sabonete de nenê, quentão!

Quantas lembranças, não?! É como se o passado voltasse com uma presença incrível! Lembranças boas ou más, mas sempre lembranças vivas. Não a memória de uma foto, um vídeo, nem a escrita em um diário. E sim a memória que vem do corpo, em que o passado não é apenas lembrado, mas também vivenciado.

Deixando agora um pouco de lado a nostalgia, o que pouca gente sabe é que os cheiros, as emoções e as lembranças estão intimamente ligados. Tudo começa no cérebro. O sentido do olfato está situado no sistema límbico, que é uma parte do sistema nervoso central e, além de cuidar da decodificação de todos os cheiros, este sistema também coordena as nossas memórias. É por isso que os cheiros podem trazer de volta recordações tão antigas e de forma tão intensa. Nessa parte do cérebro partem igualmente a criatividade, a vontade de viver, a simpatia e a sexualidade, bem como todas as funções vitais do corpo como respiração, digestão, circulação, glândulas e imunidade..

Um cheiro tem, portanto, o poder de atuar em certas áreas do cérebro, causando reações nos órgãos e funções correspondentes. E vão mais além, podem atuar não só no corpo, como também na mente, emoções e no espírito de um ser. Esse é o princípio da Aromaterapia, técnica de cura e equilíbrio através dos aromas.

Lembrei-me de tudo isso quando estive outro dia na casa de um grande amigo. Uma casa grande e muito bonita, mas cheirava a mofo. Há alguns anos houve um grande vazamento de água e a casa acabou ficando impregnada com esse cheiro. Infelizmente os moradores acabaram se acostumando ao cheiro desagradável, mas quem chega de fora não pode deixar de reparar.

Fazendo agora um exercício de associação, que ideias nos veem à mente com a palavra mofo? Lembro imediatamente de estagnação, sensações negativas, coisa parada no tempo, associo à doença, ambientes insalubres, descuido, repulsa, sujeira, insetos. Você pode fazer seu exercício e descobrir outras associações bem particulares, mas com certeza nada agradáveis. Dá para entender quais influências negativas esse cheiro ruim está trazendo para a vida dessa família?

Deixando de lado agora a vida dos outros, você já parou para pensar se a sua casa tem cheiro característico? E caso tenha, que aroma é esse? Vai ser um pouco difícil identificá-lo uma vez que a gente se acostuma, mas existem diversos fatores que influenciam muito o cheiro de um ambiente: higiene, acúmulo de objetos e entulhos, vazamentos e infiltrações, encanamentos em mau estado, falta de manutenção, pessoas com certas enfermidades, animais domésticos, ambientes mal ventilados ou até mesmo lugares onde não há entrada de sol.

Aproveite a entrada de ano para fazer uma checagem geral em sua casa: limpe, reforme, troque, conserte, livre-se do velho e do inútil. Sua casa, com certeza, começará a exalar um cheirinho de novidade, de limpeza do passado, de frescor e, estará mais aberta aos ventos de novidade do novo ano.

E para dar um toque final não esqueça das velas aromáticas, rechauds, incensos, sprays, plantas e muitas flores! Esses aromas maravilhosos, com certeza, refletirão positivamente no estado de espírito da família e de todos os que frequentarem o seu lar!


Texto de Vera Caballero retirado da Revista Vida em Equilíbrio, Edição 5, Casa Dois Editora, São Paulo, Fevereiro de 2002.

Entendamo-nos (122)

"Mas, sobretudo, tende ardente caridade uns para com os outros." - Pedro. (I, PEDRO, 4:8.)


Não existem tarefas maiores ou menores. Todas são importantes em significação.

Um homem será respeitado pelas leis que implanta, outro será admirado pelos feitos que realiza. Mas o legislador e o herói não alcançariam a evidência em que se destacam, sem o trabalho humilda do lavrador que semeia o campo e sem o esforço apagado do varredor que contribui para a higiene da via pública.

Não te isoles, pois, no orgulho com que te presumes superior aos demais.

A comunidade é um conjunto de serviço, gerando a riqueza da experiência. E não podemos esquecer que a harmonia dessa máquina viva depende de nós.

Quando pudermos distribuir o estímulo do nosso entendimento e de nossa colaboração com todos, respeitando a importância do nosso trabalho e a excelência do serviço dos outros, renovar-se-á a face da Terra, no rumo da felicidade perfeita.

Para isso, porém, é necessário nos devotemos à assistência recíproca, com ardente amor fraterno...

Amemos a nossa posição na ordem social, por mais singela ou rudimentar, emprestando ao bem, ao progresso e à educação as nossas melhores forças.

Seremos compreendidos na medida de nossa compreensão.

Vejamos nosso próximo, no esforço que despende, e o próximo identificar-se-á nas tarefas a que nos dedicamos.

Estendamos nossos braços aos seres que nos cercam e eles nos responderão com o melhor que possuem.

O capital mais precioso da vida é o da boa-vontade. Ponhamo-lo em movimento e a nossa existência estará enriquecida de bênçãos e alegrias, hoje e sempre, onde estivermos.


Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

11 setembro 2026

Por que choramos?

Lágrimas escorrendo pelo rosto são, por si só, um inconfundível pedido de ajuda. Não que os outros componentes do choro sejam menos chamativos: soluços e berreiros, assim como queixo trêmulo e boca com cantos virados para baixo, também são sinais de que algo não vai bem! Mas apesar de reconhecermos cada elemento do choro com facilidade, os mecanismos cerebrais que o controlam não são bem conhecidos. Em parte porque costuma ser difícil - ao menos para adultos - chorar sob encomenda em laboratório.

Claro que sempre é possível usar cebolas para colher lágrimas. Nesses casos, as lágrimas escorrem em resposta à irritação do olho causada por um gás liberado pela cebola cortada. Lágrimas, no entanto, são produzidas o tempo todo. Elas têm o papel de manter os olhos limpos, lubrificados e em bom estado. O que sobra é drenado para dentro do nariz pelos canais lacrimais, situados no canto interno das pálpebras. A questão ainda sem resposta é como certas situações fazem a produção de lágrimas aumentar tanto que os canais não dão conta do recado: o que consegue ser drenado escorre pelas narinas; o restante transborda e rola pelo rosto.

As dúvidas não param por aí. Hoje sabemos que, quando choramos, nossa respiração muda, o que nos permite fazer barulhos diferentes dos que normalmente, produzimos. Essa alteração respiratória é tão importante que ocorre também em outros animais. Os sons do choro são um poderoso meio de comunicação, sobretudo na falta de palavras. Filhotes de macacos choram por suas mães; cachorros choramingam por desconforto ou fome. Humanos recém-nascidos, é claro, são craques nesse tipo de comunicação a plenos pulmões. Qualquer mãe de primeira viagem, por exemplo, distingue entre um choro sustentado que indica dor e aquele ritmado do bebê quando quer atenção.

Se apenas os sons do choro já são chamativos, qual é a utilidade de derramar lágrimas? Não se sabe ao certo, mas chorar parece proporcionar alívio imediato. Muita gente diz que se sente melhor após verter lágrimas. Talvez elas ajudem a eliminar substâncias produzidas durante o estresse. Ao menos em outros animais as lágrimas têm essa função de "descontaminação". As de bichos que vivem em água salgada - como focas e crocodilos -, por exemplo, ajudam a eliminar o excesso de sal do corpo. Daí vem a expressão "chorar lágrimas de crocodilo", isto é, choramingar sem um pingo de emoção verdadeira. Alguns artistas são craques nisso. Algumas crianças também!


Texto de Suzana Herculano-Houzel (Departamento de Anatomia da UFRJ) retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, 2ª Edição, FNDE, Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, Janeiro e Fevereiro de 2003.

Quando crescer, vou ser... Farmacêutico!

Na certa, você já esteve alguns dias debaixo das cobertas, com febre alta, calafrios e um mal-estar danado! Lembra quando, entre um sonho e outro, alguém trazia aquele medicamento de gosto horrível? Aposto como naquelas horas você se perguntava quem seria capaz de fazer um daqueles. Bem, saiba agora que o farmacêutico é o responsável pela elaboração do remédio que cura o febrão da gente - e pelo desafio de melhorar aquele sabor desagradável que conhecemos! Como profissional, ele trata de proteger e recuperar a saúde das pessoas. Vamos saber mais?

O farmacêutico surgiu por volta de 1240, quando, na Prússia, o Imperador Frederico II, separou a Farmácia, ciência que ele estudava - da Medicina. No Brasil, a profissão surgiu em 1832, 24 anis depois da chegada de Dom João VI e da família real. Antes, para ser farmacêutico era preciso ser médico. Talvez por isso, até hoje, as pessoas confundam um pouco as duas profissões, o que é perigoso. Principalmente, porque não cabe ao farmacêutico receitar medicamentos, pois ele não é um especialista em doenças como o médico. Ao farmacêutico cabem muitas outras funções na área da saúde.

Pode-se encontrar este profissional em todas as etapas que envolvem a elaboração de um medicamento. Aliás, você sabe o que é um medicamento? É toda matéria de origem humana, animal, vegetal ou química que, depois de trabalhada em laboratório, possui a função de curar ou prevenir uma doença. O farmacêutico é aquele que extrai, por exemplo, a vitamina C dos alimentos - como a laranja - e a transforma nos comprimidos que tomamos quando estamos resfriados! Depois de elaborados, os medicamentos são classificados em função de suas propriedades: uns para dor de cabeça, outros para queimaduras etc. etc. etc. Finalmente, eles vão para as drogarias, onde há um farmacêutico de plantão cuidando para que as pessoas façam bom uso dos remédios. Em geral, não é a mesma pessoa que atua em todas as etapas. Cada farmacêutico escolhe a sua área de especialização, e, acredite, há muitas delas!

Ele pode estar ligado à indústria de alimentos. Nessa função, verifica a qualidade dos produtos, estabelece prazos de validade (aquelas datas que vemos nas embalagens) e cuida das condições de estocagem, isto é, faz de tudo para que os produtos não estraguem quando guardados. É nessa área que trabalha a farmacêutica Miriam Moura. Ela dá aulas práticas de controle de qualidade de alimentos na Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ). Miriam sonhava em trabalhar num laboratório, como os cientistas! Contudo, "queria uma profissão que prestasse assistência na área de saúde, por isso escolhi Farmácia".

A professora lembra que o farmacêutico pode estar ligado a órgãos ou laboratórios de análises clínicas e toxicológicas. Ou seja, pode trabalhar em hospitais analisando o sangue das pessoas, ou até no Instituto Médico Legal (IML) - local para onde vão as pessoas, logo após a morte - investigando se a causa do falecimento foi intoxicação e determinando o tipo. Também é de responsabilidade do farmacêutico a produção e o controle de soros e vacinas. Ele pode ainda atuar na indústria de cosméticos. Afinal, xampu, sabonete e pasta de dente - assim como os medicamentos - são frutos de muita pesquisa e análise em laboratório.

"As áreas de atuação são tantas e tão interessantes que fica até difícil decidir o rumo da nossa vida profissional", diz a farmacêutica industrial Simone Padilha. Ela já foi farmacêutica responsável em uma drogaria e afirma que a importância dessa função está na proximidade do profissional com as pessoas. "Se alguém estiver comprando um antibiótico, por exemplo, o farmacêutico deve ajudá-lo a montar uma tabela com os horários, perguntar se ele toma outro medicamento e alertá-lo sobre alimentos que possam modificar o efeito do antibiótico", explica. Na época em que prestou vestibular, ela queria trabalhar como Química, pensou melhor e parece ter acertado em cheio escolhendo a faculdade de Farmácia: "Amo meu trabalho, amo minha profissão." Agora, imagine você se ela tivesse lido a CHC quando criança: não ia pensar em outra coisa na vida além de ser farmacêutica!


Texto de Maria Ganem retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, 2ª Edição, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003, Ministério da Educação, FNDE, Rio de Janeiro.

28 agosto 2026

Beto

O desgosto do velho Tobias é o filho: a medonha carinha vermelha do mongoloide.

- É tarado - desculpa-se e corrige. - Doente de nascença.

Um bicho em criança, andava de quatro, a língua de fora; aos pulos, subia na árvore com a agilidade do mico. Amarrado com os cachorros no fundo do quintal. Escapando, arrastava a coleira pela rua - uma correria entre as crianças. Cabeça bem pequena, nariz purpurino, um guincho selvagem. Aos vinte anos, engrola as palavras - a língua uma ostra que não engolia.

- A omba oou...

A pomba voou. Mais que as surras de correi do pai, domesticava-o a paciência amorosa da velha Zica. No sábado apara-lhe as unhas e dá um cigarrinho para que aceite o barbeiro; inquieto na cadeira, três talhos no pescoço atarracado.

Enxuga a louça para a mãe, sem quebrar um prato. Traz água do poço, corta lenha, lida na horta. Tem paixão pelo casal de garnisés. Ganhou da mãe um vira-lata, mestiço de fox, envenenado pelo fiscal da prefeitura.

- Matou o Foc. Ele que matou o Foc. Deu bolinha pro Foc.

Implica com o vizinho:

- Quando é que ele sai? Tire o homem, pai. Ele deixou crescer o mato.

- Daqui a quatro luas o home sai.

- Tá em...

Sofre o feitiço da lua. Corre pelo pomar, atira pedra no garnisé. Pendura-se na cerca para chamar a pombinha. Dona Zica pergunta, intrigada:

- Será que chove, Alberto?

Somente com a mãe conversa de boa sombra. Imita o pai, mão cruzada nas costas, a cabecinha inclinada no ombro. Ostenta o cigarro de palha na orelha. De repente, beijando a mão e virando os olhos, revela à dona Zica os amores escondidos do marido.

- Tá uim, n'é?

- Está sim.

- Pode que ele saia.

- Quem?

- O homem porco.

Pede licença ao vizinho, que o garnisé pulou a cerca. Pergunta pelo Foc. Ou pela pombinha que voou e não voltou. Quer seduzir a criadinha, fuma o cigarro apagado, de cabeça para baixo na laranjeira. A menina sorri, um pouco assustada. Beto pisca o olho, a flor de espuma no canto da boca.

- Ela riu para mim. O pai deixa?

- Eu deixo - responde Tobias, divertido. - Mas e o homem?

- É brabo.

Um circo chegou à cidade. Durante o desfile, sacode a cerca, xinga os bichos:

- Ilhos das ães!

- Beto, olha lá o leão.

Não dorme com os urros do leão doente: buzina rouca de fordeco.

A mãe o encontrou, véu no rosto, as imagens do oratório dispostas em fila.

- A Maria louquinha para casar. A Maria chora. A casa do homem tem raposa.

- Ele vai se mudar daqui a três luas.

- Que deixe a Maria.

E encostando no ouvido o relógio sem ponteiro:

- Agora são quinze minutos.

O circo foi embora. Despede-se a criadinha, medrosa do Beto que, só de amor, espreme vagalume na unha fosforescente. Imita os saltos do sapo barrigudo. Com uma vareta risca-lhe a pele enrugada e, ao leite das feridas, baba-se de gozo.

Na tarde calmosa, corre de um lado para outro, toda a língua de fora. Chama a pombinha. Sai atrás do garnisé. Dona Zica gemendo de dor nas cadeiras.

- É a chuva, Alberto?

Recolhe a roupa do varal, pronto caem os primeiros pingos.


Conto de Dalton Trevisan retirado do livro Cemitério de Elefantes, Editora Record, 11ª Edição, Rio de Janeiro, 1997.