12 abril 2026

Por que sonhamos?

Talvez você ainda não tivesse certeza, mas só de se lembrar de alguns sonhos bem ricos em cores, detalhes e emoções, já devia suspeitar de que o cérebro não para de funcionar enquanto dormimos. Por mais que a gente sinta que o corpo e a mente precisam do repouso de todas as noites, o cérebro, na verdade, continua funcionando. Mas de uma maneira diferente, é claro.

Passeando pela cidade, você

11 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Estatístico!

Vestido a caráter - de casaco e boné xadrez -, o detetive busca pistas com a lupa. Mas não encerra seu trabalho quando encontra! Ele as analisa e relaciona para concluir quem é o culpado do caso que investiga nos filmes, desenhos animados ou livros! 

Vó caiu na piscina

 Noite na casa da serra, a luz apagou.

Entra o garoto:

- Pai, vó caiu na piscina.

- Tudo bem, filho.

O garoto insiste:

- Escutou o que eu falei, pai?

- Escutei, e daí? Tudo bem.

- Cê não vai lá?

Vigiemos e Oremos (110)

 "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação." - Jesus. (MATEUS, 26:41.)


As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio de nossa individualidade, assim como o lodo mais intenso, capaz de tisnar o lago, procede do seu próprio seio.

Renascemos na Terra com as forças desequilibradas do nosso pretérito para as tarefas do reajuste.

Nas raízes de nossas tendências, encontramos as mais vivas sugestões de inferioridade. Nas íntimas relações com os nossos parentes, somos surpreendidos pelos mais fortes motivos de discórdia e luta.

Em nós mesmos podemos exercitar o bom ânimo e a paciência, a fé e a humildade. Em contacto com os afetos mais próximos, temos copioso material de aprendizado para fixar em nossa vida os valores da boa-vontade e do perdão, da fraternidade pura e do bem incessante.

Não te proponhas, desse modo, atravessar o mundo, sem tentações. Elas nascem contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates, dedicadamente, qual o lavrador sempre disposto a cooperar com a terra da qual precisa extrair as boas sementes.

Caminhar do berço ao túmulo, sob as marteladas da tentação, é natural. Afrontar obstáculos, sofrer provações, tolerar antipatias gratuitas e atravessar tormentas de lágrimas são vicissitudes lógicas da experiência humana.

Entretanto, lembremo-nos do ensinamento do Mestre, vigiando e orando, para não sucumbirmos às tentações, de vez que mais vale chorar sob os aguilhões da resistência que sorrir sob os narcóticos da queda.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

05 abril 2026

Um pequeno morcego ameaçado

Galeria de Bichos Ameaçados


Nome científico: Lonchophylla dekeyseri

Nome popular: Morceguinho-do-cerrado

Tamanho: de 45 a 65 milímetros de comprimento, do focinho até a ponta da cauda

Peso: de 10 a 12 gramas, aproximadamente

Local onde é encontrado:  em cavernas no Distrito Federal, na Serra do Cipó (em Minas Gerais) e em Sete Cidades (Piauí)

Habitat: Cerrado brasileiro

Motivo da busca: ameaçado de extinção


O morceguinho-do-cerrado é um mamífero genuinamente brasileiro e, como o nome sugere, só existe no Cerrado! Ele faz parte da extensa ordem dos morcegos, a Chiroptera, e, comparado com seus parentes, pode ser considerado de pequeno porte. Mede entre 45 e 65 milímetros de comprimento (da ponta do focinho até a ponta da cauda) e pesa de 10 a 12 gramas. Sua cauda é curta, tem de 7 a 10 milímetro de comprimento, e seu antebraço, de 34 a 38 milímetros. Os pelos das costas desse pequeno morcego são mais escuros que os da barriga. Portanto, com essa aparência delicada, se quiséssemos compará-lo com personagens de filmes e desenhos animados, poderíamos dizer que ele está mais para Fada Sininho, do Peter Pan, do que para Conde Drácula, né?

Sabia que, para os pesquisadores, o sorriso dos mamíferos é uma preciosa fonte de informação? Pois os dentes deles indicam, por exemplo, o que comem e a idade que têm. No caso dos morcegos, servem até para diferenciá-los, porque o número de dentes varia de uma espécie para outra. os dentes do morceguinho-do-cerrado, que são muito pontudos e pequenos, mostram que ele pode quebrar e triturar pequenos insetos e rasgar frutos. Mas eles gostam mesmo é do néctar das flores. Assim, são chamados de nectarívoros e para se alimentar contam com focinho e língua alongados.

Na hora de sugar o néctar, os morcegos adejam como os beija-flores. Isso quer dizer que eles batem as asas para ficar parados em pleno voo em frente à flor. Aí, enfiam a cabeça dentro dela e esticam a comprida língua para lamber o néctar depositado no fundo. Mas, ao contrário dos beija-flores, que são animais de hábitos diurnos, os morcegos passam o dia descansando nos abrigos e saem para comer à noite. As flores mais visitadas por eles são as do embiriçu, da unha-de-vaca, do açoita-cavalo e do jatobá. No Cerrado brasileiro, essas plantas geralmente  florescem no período de seca, entre os meses de maio e setembro.

É também nesse período que costumam nascer os filhotes do morceguinho-do-cerrado. A fêmea fica grávida por um período de até três meses e os bebês morcegos mamam por dois meses. Depois disso, alimentam-se como os adultos: do néctar as flores. Voando junto com os mais velhos durante certo tempo, os filhotes logo aprendem a sugar o néctar. Quando ainda não voam bem, as fêmeas não os carregam para buscar alimento à noite. Eles ficam nas cavernas sendo cuidados, como numa creche, por outros morcegos adultos.

O morceguinho-do-cerrado é considerado ameaçado de extinção porque seu ambiente natural, o Cerrado, está sendo desmatado para a criação de pastos e áreas de lavoura. Além disso, a destruição das cavernas pelas atividades de mineração também contribui para colocar em perigo a espécie. O ideal é que o homem encontre maneiras de combinar o desenvolvimento com a permanência das espécies em seus hábitats.


Texto de Ludmilla Aguiar (Embrapa Cerrados - Recursos Naturais); retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 17, Número 145, Abril de 2004, Ministério da Educação, FNDE.

Quando crescer, vou ser... Botânico!

Costela-de-adão, jiboia, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge... Você consegue adivinhar o que estas palavras nomeiam? Aí vão algumas dicas: elas dão nome a seres que podem estar na sua casa, são muito importantes para a nossa  sobrevivência e alguns são até comestíveis! Nem desconfia? Pois estamos falando de plantas! Existe um profissional apaixonado pela natureza que é o responsável por estudá-las. Prepare-se para uma leitura com cheirinho de mato, porque, agora, você vai descobrir o que faz um botânico!

O estudo das plantas remonta à Antiguidade: um filósofo grego de nome esquisito - Theophrastus - foi a primeira pessoa a classificar os vegetais, no ano 370 antes de Cristo! No século 16, o alemão Otto Brunfels publicou a obra Herbarium, com ilustrações e termos científicos relacionados a algumas plantas. Mas só no século 18 foram realizados estudos mais aprofundados, como o do sueco Carl Von Linné, que propôs uma nomenclatura para as plantas em que elas teriam dois nomes em latim: o primeiro indicaria o gênero e o segundo, a espécie, como a Laelia Lobata, que popularmente conhecemos pelo nome de orquídea.

No Brasil, o estudo das plantas ganhou importância com a chegada da corte portuguesa, em 1808. Neste ano, D. João VI fundou o Jardim Botânico no Rio de Janeiro, que se tornaria o centro da botânica nacional no século 20. Pode-se dizer que a análise da flora brasileira, a mais rica do mundo, se iniciou com o alemão Karl Friedrich Philipp Von Martius, que, entre 1817 e 1820, percorreu o país colhendo os mais variados tipos de plantas, o que resultou na obra Flora Brasiliensis, de 15 volumes! Outro importante pesquisador da nossa flora foi o frei José Mariano da Conceição Velloso, brasileiro, que, em 1825, descreveu várias plantas nativas do estado do Rio de Janeiro no livro Flora Brasiliensis.

Por muitos séculos, todas as pessoas que estudavam a natureza eram chamadas naturalistas. A profissão de botânico teve seu início somente em 3 de setembro de 1979, quando a faculdade de Biologia foi reconhecida.

Para não esquecer, anote: Botânica é a ciência que estuda os vegetais em todos os sentidos. Ela divide-se em alguns ramos, como a botânica sistemática ou taxionomia, que ordena e classifica as plantas descobertas; a fisiologia vegetal, que analisa os processos vitais da planta, como a nutrição e a reprodução; a morfologia vegetal, que leva em conta a forma e estrutura das plantas; a fitopatologia, que verifica as doenças que atingem os vegetais; a paleobotânica, que estuda a flora já extinta do planeta; a fitogeografia, que descreve e explica, por exemplo, a distribuição das plantas segundo o clima e o relevo; a sociologia vegetal, que estuda as comunidades de plantas que formam as diferentes espécies; e a ecologia vegetal, que se ocupa da relação das plantas com o meio ambiente. Ufa! Quanta coisa!

Um botânico pode se especializar em qualquer uma das áreas citadas. Mas ainda há outras! Jorge Ernesto Mariath, diretor do Instituto de Biociências e professor titular do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por exemplo, trabalha na parte de anatomia das plantas, estudando-as interna e externamente. "É como se eu fosse um cirurgião de plantas, pois cortou-as de várias formas para entender a organização de suas células e tecidos", diz ele que, quando criança, pensava em ser médico, e, hoje, "opera" os vegetais!

Quem pretende ser botânico deve primeiro cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, e, depois, optar pela especialização em Botânica. Foi o que fez Marcus Nadruz, outro que, por influência de um tio, queria ser médico quando crescesse. Mas ficou adulto e mudou de planos. Escolheu cursar Biologia e atualmente trabalha no Departamento de Botânica Sistemática do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Sua função é identificar novas espécies de plantas e classificá-las de acordo com sua forma, estrutura, presença ou não de flores, futos e folhas. Para isso, comparar as novas espécies com as dos herbários - locais onde as plantas coletadas e classificadas passam por um processo de herborização, isto é, de secagem, para ficarem conservadas e servirem como objeto de estudo. No herbário, as espécies são organizadas em gavetas, em ordem alfabética, com informações como nome, local e data da coleta, tudo etiquetado! Para se ter ideia da importância desses arquivos de plantas, os primeiros herbários surgiram já no século 15. A partir deles, pode-se reflorestar uma área que pegou fogo, por exemplo. "Com as informações das etiquetas, pesquisamos as espécies que existiam no local que foi devastado e vamos em busca delas para replantarmos", explica Marcus.

Depois de conhecer algumas atribuições de um botânico, que tal dar um pulinho no jardim botânico da sua cidade e ver de perto a riqueza da nossa flora? Esse já é um passo para você - que se interessou pela profissão - tirar suas dúvidas e se encantar ainda mais com as belezas do nosso país!


Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Sempre em boa companhia

 Galeria de Bichos Ameaçados

Nome Científico: Amazona rhodocorytha

Nome Popular: Chauá

Tamanho médio: cerca de 37 centímetros

Local onde é encontrado: de Alagoas até o Rio de Janeiro e também no leste de Minas Gerais

Habitat: Mata Atlântica

Motivo da busca: ave ameaçada de extinção


Antes do pôr-do-sol, o Chauá tem um encontro marcado! Esse papagaio, um dos mais coloridos e belos do Brasil, reúne-se com outros da sua espécie para passar a noite! Nas árvores onde descansa, há papagaios de vários tipos, mas basta olhar com atenção para reconhecer o Chauá: ele tem corpo verde, asas em tom de verde mais escuro com penas vermelhas, uma região alaranjada entre o bico e o olho, além da parte anterior da cabeça vermelha!

Companhia, no entanto, essa ave não tem só à noite! Os chauás formam casais que podem durar por toda a vida! Para se reproduzir, eles constroem ninhos em troncos de árvores, especialmente em palmeiras. Esse é um hábito típico dos papagaios: buscar buracos grandes para proteger ovos e filhotes de predadores, como tucanos e cobras.

Nas árvores, além de abrigo, o chauá também encontra alimento. Essa ave come frutos - principalmente, suas sementes. Para devorá-las, segura os frutos com os pés e os leva até o bico! Parece curioso? Pois o mais legal é ver o chauá colocar em prática a sua capacidade de produzir sons e, até mesmo, imitar a voz humana! Pena que essa característica, somada à beleza das suas penas, faça com que essa ave seja caçada para ser vendida no Brasil e no exterior, como animal de estimação.

Não devemos comprar nem vender esses bichos. Afinal, as pessoas que têm papagaio em casa, mesmo sendo carinhosas com o animal, não são capazes de proporcionar um ambiente apropriado para ele viver e nem satisfazer as suas necessidades naturais. Aliás, nosso dever é denunciar quem os vende ou compra. Afinal, o chauá já enfrenta outras ameaças, além do comércio, que o coloca entre os bichos em risco de desaparecer. A derrubada das árvores que abriga os seus ninhos - o que provoca a morte dos seus filhotes e a quebra dos seus ovos - e o corte das que fornecem alimentos à espécie podem levar essa ave à extinção.


Texto de Raquel Vieira Marques e Maria Alice S. Alves retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

04 abril 2026

A Constelação de Lhama

Chegara a noite. Sentado debaixo de uma árvore, o jovem índio recordava, meio dormindo, tudo o que sabia sobre Yacana. Os anciãos lhe haviam ensinado que era uma espécie de "duplo celestial" da Lhama, que de noite descia à terra para comer e beber, mas que ninguém conseguia vê-la, porque só andava no fundo dos rios. Os grandes sacerdotes contavam que Yacana era enorme e que seus olhos imensos brilhavam mais que as outras estrelas do céu. Seu pelo era branco e sedoso e, quando voava de volta ao céu, o vento que a acompanhava assoviava como os passarinhos azuis da floresta.

O jovem índio pensava nisso tudo quando, de repente, foi ofuscado por um clarão azulado. Pouco a pouco, a luz foi tomando a forma de uma lhama e pousou na terra, a pequena distância de onde ele estava, junto a uma fonte. Era tão parecida com todas as descrições de Yacana que já tinha ouvido, que o índio a reconheceu imediatamente. Primeiro, quis se aproximar e falar com ela, de tão feliz que ficou por encontrá-la. Mas teve medo e se encolheu, sem se mexer mais, para não ser percebido, e ficou olhando, com a respiração suspensa. A lhama sagrada bebeu água da fonte. De repente, o rapaz sentiu que caía uma chuva de lã macia, como se alguém estivesse tosquiando um rebanho de lhamas. Mas como ele estava com medo de Yacana, não se mexeu, não saiu do esconderijo e esperou o dia clarear. Quando acordou, a lhama tinha desaparecido. Na certa, voltara para o céu enquanto ele estava de olhos fechados. Entretanto, a lã que ele sentira cair enquanto Yacana bebia água da fonte ainda estava lá. Eram centenas de chumaços, de todas as cores! Ele nem acreditava nos seus olhos. Para alguém tão pobre como ele, que não possuía uma única lhama, aquela era a oportunidade de sua vida!

Louco de alegria, correu até junto da fonte. Disse a ela que ia venerá-la até o fim de seus dias, e que, da mesma forma, ia adorar a constelação da lhama por toda a vida. Prometeu que voltaria todos os meses para oferecer o sacrifício de uma lhama jovem. Depois, recolheu toda aquela lã miraculosa e foi vendê-la na cidade.

Os índios nunca tinham visto cores tão luminosas. Todo mundo queria comprar as lãs. Ele vendeu tudo e, com o dinheiro, comprou um casal de lhamas que, como se fosse mágica, lhe deu mais de duas mil lhamas em um ano. E ele logo ficou famoso em toda montanha.

Desde esse dia, os índios vão com frequência para perto da fonte sagrada, à espera de Yacana. Parece que ela desce à terra todas as noites, à meia-noite, e que bebe muita água. Os índios dizem que é por isso que não há mais dilúvios, porque com toda a água que os rios jogam no mar sem parar, se a constelação da lhama não viesse beber muito todas as noites, o mar já teria transbordado há muito tempo e engolido mais uma vez todas as aldeias...

Yacana tem filhos. É possível vê-los brilhando perto dela, mas são estrelas menores. Bem perto delas cintilam três grandes estrelas, que também são veneradas. Quando se pode vê-las com nitidez, é sinal de que os frutos ficarão perfeitamente maduros. Mas quando mal dá para vê-las, é porque as colheitas não vão ser boas. Então, os índios vão até a fonte e lhe fazem oferendas de conchas, cantando:

- Ó tu, que dás origem à água e que há tantos séculos regas nossos campos, faze a mesma coisa este ano e traze chuva para que a colheita seja boa.

Yacana nunca mais voltou para junto dessa fonte. Parece que ela nunca bebe duas vezes no mesmo lugar. No entanto, desde esse dia, perto da fonte, quando o dia nasce, ouve-se o vento assoviar como os passarinhos azuis da floresta.


Este conto foi extraído do livro Os Incas, mitos e lendas, de Danièle Küss e Jean Torton, publicado pela Editora Ática. 

O povo inca sempre manteve respeito e admiração pelas estrelas por acreditar que nelas moravam os espíritos.

Retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Por que sentimos choque?

Geladeira, freezer, chuveiro, ferro de passar, liquidificador... Todos esses utensílios fazem parte do nosso dia-a-dia e precisam da eletricidade para funcionar. Mas, assim como tornam nossa vida mais fácil, também podem nos proporcionar algo nada agradável: o choque! Isso mesmo! Aquela sensação dolorosa que faz arrepiar nossos cabelos. Para senti-la, basta

A Exemplo do Cristo (109)

"Ele bem sabia o que havia no homem." - (JOÃO, 2:25.)


Sim, Jesus não ignorava o que existia no homem, mas nunca se deixou impressionar negativamente.

Sabia que a usura morava com Zaqueu, contudo, trouxe-o da sovinice para a benemerência.

Não desconhecia que Madalena era possuída pelos gênios do Mal, entretanto, renovou-o para o amor puro.

Reconheceu a vaidade intelectual de Nicodemos, mas deu-lhe novas concepções da grandeza e da excelsitude da vida.

Identificou a fraqueza de Simão Pedro, todavia, pouco a pouco instala no coração do discípulo a fortaleza espiritual que faria dele o sustentáculo do Cristianismo nascente.

Vê as dúvidas de Tomé, sem desampará-lo.

Conhece a sombra que habita em Judas, sem negar-lhe o culto da afeição.

Jesus preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida e em quinhoar cada espírito com eficientes recursos de renovação para o bem.

Não condenes, pois, o próximo porque nele observes a inferioridade e a imperfeição.

A exemplo do Cristo, ajuda quanto possas.

O Amigo Divino sabe o que existe em nós... Ele não desconhece a nossa pesada e escura bagagem do pretérito, nas dificuldades do nosso presente, recheado de hesitações e de erros, mas nem por isso deixa de estender-nos amorosamente as mãos.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.