09 maio 2026

O que é vida?

 Rex, Diná e Zíper em: O que é vida?


A brincadeira rolou a tarde toda na casa da Diná. Rex e Zíper se divertiram por horas com a amiga e seus brinquedos jurássicos. Até que chegou a hora de guardá-los...

- Psiu! Meninos, vocês escutaram?!

Diná havia acabado de fechar as portas do baú onde deixava os brinquedos.

- Nós? Zíper e Rex olharam um para o outro - Não, o que houve?

- Um barulho dentro do baú! - disse Diná, abrindo-o. Tudo estava em ordem.

Zíper cutucou Rex.

- Ri, ri! Acho que Diná pensa que os brinquedos estão vivos!

- Óbvio

Que Farei? (112)

 "Que farei?" - Paulo. (ATOS, 22:10)


Milhares de companheiros aproximam-se do Evangelho para o culto inveterado ao comodismo.

Como dominarei? - interrogam alguns.

Como descansarei? - indagam outros.

E os rogos se multiplicam, estranhos, reprováveis, incompreensíveis...

Há quem peça reconforto barato na carne, quem reclame afeições indébitas, quem suspire por negócios inconfessáveis e quem exija recursos para dificultar o serviço da paz e do bem.

A pergunta do apóstolo Paulo, no justo momento em que se vê agraciado pela Presença Divina, é padrão para todos os aprendizes e seguidores da Boa Nova.

O grande trabalhador da Revelação não pede transferência da Terra para o Céu e nem descamba para sugestões de favoritismo ao seu círculo pessoal. Não roga isenção de responsabilidade, nem foge ao dever da luta.

- Que farei? - disse a Jesus, compreendendo o impositivo do esforço que lhe cabia.

E o Mestre determina que o companheiro se levante para a sementeira de luz e de amor, através do próprio sacrifício.

Se foste chamado à fé, não recorras ao Divino Orientador suplicando privilégios e benefícios que justifiquem tua permanência na estagnação espiritual.

Procuremos com o Senhor o serviço que a sua Infinita Bondade nos reserva e caminharemos, vitoriosos, para a sublime renovação.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

07 maio 2026

A fé de cada um

Você está convidado a conhecer um pouco de algumas das religiões mais praticadas no mundo para entender o que elas têm em comum e também as suas diferenças. Antes, porém, queremos deixar claro que religião é parte da história e da cultura dos povos, e que, portanto, nenhuma religião é superior à outra. Com essa ideia na cabeça, não importa no que acreditamos, nem mesmo se não acreditamos em nada. O que vale é conhecer e, claro, respeitar.

Existem muitas religiões em todo o mundo. Algumas acreditam em vários deuses e outras, em um só. As que acreditam em vários são chamadas politeístas; e as que acreditam em apenas um, monoteístas. Para este  texto, destacamos o budismo, o candomblé, o cristianismo, o hinduísmo, o islamismo, o judaísmo e a umbanda. De todas essas, apenas o cristianismo, o judaísmo e o islamismo são monoteístas. As demais são politeístas. Vamos saber mais?


Cristianismo

O cristianismo é a religião que, como o nome indica, segue os ensinamentos de Jesus Cristo. Para os cristãos, Jesus é o filho de Deus, e Deus é o criador do universo e de todos os seres. Deus teria enviado seu filho para salvar o ser humano dos pecados do mundo e, por isso, Jesus morreu na cruz, sacrificado em nome da humanidade.

Os cristãos se dividem entre católicos e protestantes, mas até p século 16, só existia a Igreja Católica. A divisão começou na Europa com um grupo de pessoas insatisfeitas com algumas ideias e práticas do catolicismo. Essas pessoas, então, reformularam a doutrina religiosa e essa reformulação ficou conhecida como Reforma Protestante, porque era a reforma dos que protestavam. Mas contra o quê esse grupo protestava? Bem, entre outras coisas, protestava contra o poder do Papa, contra a proibição do casamento de padres e freiras e contra o batismo em recém-nascidos.

Para os protestantes, o batismo só deve ser realizado quando a pessoa tem condições de escolher sua religião, por isso, eles não batizam bebês e crianças muito pequenas. Eles se opõem à proibição do casamento de padres porque não veem mal algum no fato de um religioso se casar. Depois dessa primeira reforma, muitas outras aconteceram e por conta disso surgiram, no mundo, várias igrejas protestantes: batistas, pentecostais, metodistas, adventistas, etc.

Apesar das diferenças, tanto católicos quanto protestantes acreditam que Jesus foi o enviado de Deus, o Messias. O livro sagrado dos cristãos é a Bíblia, na qual eles buscam as palavras de Deus e as explicações para muitas coisas que acontecem no mundo.


Judaísmo

A palavra 'judeu' vem de Judeia, nome de uma parte do antigo reino de Israel, no Oriente Médio. Os judeus

Uma ave que desbota na gaiola

Da próxima vez que passar perto de restingas, capoeiras ou beiras de mata, fique bem atento para qualquer vulto vermelho por trás da folhagem. Pode ser que você aviste um tiê-sangue, ave que só existe no litoral do Brasil e cujo nome foi inspirado em suas penas, vermelhas como o sangue. O tiê possui ainda as asas e a cauda negras e uma mancha branca reluzente no bico. Só não espere tanto de seu canto, porque... não tem nada de especial!

As cores vivas e contrastantes do tiê-sangue atraem o interesse dos criadores de passarinhos. Só que não adianta querer criar essa ave em cativeiro para apreciar sua beleza, porque, na gaiola, ela fica com uma coloração pálida e sem graça. O vermelho vivo da plumagem depende dos frutos de que se alimenta, alguns contêm um pigmento chamado astaxantina. Assim, se não receber a mesma variedade de frutos em cativeiro, o tiê fica com uma cor alaranjada, desbotada. Sinal de que em liberdade as aves são mais felizes e mais bonitas, não acha?

Mas, no caso do tiê-sangue, a beleza da plumagem é privilégio dos machos da espécie. De vermelho, as fêmeas têm apenas os olhos. No resto, a coloração delas é castanha, geralmente pálida e mais escura. Os filhotes com poucos meses de vida também são assim, porém, com uma cor ferrugem no ventre, olhos cinzentos e um jeito meio estabanado e descuidado de agir. Às vezes, ficam bem visíveis, porque não são ariscos e desconfiados como os adultos. Nessa idade ainda não dá para diferenciar o macho da fêmea, porque as penas vermelhas dos machos só aparecem por volta de um ano de vida. Enquanto não crescem totalmente - estando, digamos, na adolescência -, eles têm um aspecto malhado que os fez ficarem conhecidos como "machos pintões".


Uma espécie muito sociável

O tiê-sangue vive sempre em grupos, cuja constituição varia com o tempo. No período de reprodução - que vai de julho a fevereiro -, eles são formados por machos e fêmeas adultos e seus filhotes, com poucos meses de vida. No entanto, basta os filhotes ficarem um pouco mais crescidos para a situação mudar: as fêmeas jovens saem de casa! Partem à procura de outros grupos em que possam se instalar e encontrar parceiros para se reproduzir. O fenômeno é conhecido como "dispersão natal" e já observado em outras espécies de aves, mas ainda não se sabe por que acontece.

Uma das hipóteses sugere que as fêmeas jovens vão embora para deixar o terreno livre para suas mães, que sendo mais experientes, têm direito de ficar com os melhores machos. Os machos mais disputados são aqueles que defendem os melhores territórios (área com comida e lugares adequados para a construção de ninhos) e ajudam a fêmea a criar seus filhotes.

O macho jovem, ao contrário da fêmea, permanece ajudando os pais a cuidar de seus irmãos mais novos. Ele ganha experiência e se familiariza com o ambiente, tentando conquistar territórios vizinhos para aumentar a área ocupada pelo grupo e para, futuramente, se reproduzir. Acredita-se que ele herde o território do pai, quando este morre.


Mãe para tiê nenhum botar defeito

Quando chega a hora da fêmea do tiê pôr seus ovos, ela constrói o próprio ninho, aberto e com a forma de uma tigela com paredes bem espessas. Logo após a construção, que leva cerca de quatro dias, a fêmea põe dois ou três belos ovos azul-claros bem lustrosos, salpicados de preto. Os filhotes nascem todos no mesmo dia, depois de 12 ou 13 dias, com os olhos fechados e o corpo coberto apenas por uma penugem bem rala.

Durante os cinco primeiros dias de vida, a mãe tiê-sangue deita sobre os filhotes para aquecê-los e protegê-los do sol, da chuva e do vento. Eles saem do ninho depois de dez dias e ficam escondidos no meio da folhagem e dos arbustos, sendo ainda alimentados pelos adultos. Mesmo que ainda não saibam voar, o ideal é que saiam do ninho o quanto antes, porque lá eles estão muito vulneráveis a ataques de predadores. Afinal, para estes, não existe nada mais atraente do que um ninho com cabecinhas se agitando, piando e pedindo comida.

O tiê-sangue alimenta-se principalmente de frutos. Para os filhotes, entretanto, o cardápio é incrementado com muitas lagartas, insetos adultos e pequenas pererecas! Para nós, pode não parecer muito apetitoso, mas esta é a forma de as mães darem proteína de origem animal para seus filhotes, o que é muito importante nessa fase de crescimento. Isso mostra que as mães, não importa de que espécie, sabem das coisas!


Texto de Gloria Castiglioni e Luiz Pedreira Gonzaga (Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro) retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.

18 abril 2026

A Paz Mundial

Minha tia Assunção entrou na classe às nove da manhã. Ela tomou fôlego e quase todos nós bocejamos, porque era muito cedo para aguentar um daqueles discursos dela. Nossa tia disse o seguinte:

- Este ano quero que nós preparemos o Carnaval como se fosse o último carnaval da nossa vida. Vamos nos apresentar no concurso de fantasias que vão fazer numa discoteca de Carabanchel no sábado que vem. Vão se apresentar crianças das escolas do bairro e vocês vão ter de mostrar a todo mundo que são crianças como Deus manda e não os delinquentes que parecem.

Nem deixamos terminar, foi uma zoeira na classe que você nem imagina. O Yihad se levantou para dizer:

- Um aviso: vou me fantasiar de Super-Homem e estou dizendo desde já para ninguém mais se fantasiar de Super-Homem, porque, nesta galáxia, Super-Homem só tem um e esse um sou eu e não quero ser obrigado a quebrar a cara de ninguém. Repito: isto é um aviso.

Então o Orelhão disse:

- E do que é que eu vou me fantasiar, se só tenho fantasia de Super-Homem e minha mãe não vai querer comprar outra?

E começou um eco na classe toda: "E eu... e eu... e eu...", pois todos os meninos têm a mesma fantasia de Super-Homem por todos os séculos dos séculos.

Minha tia Assunção disse que não ia ter nada de Super-Homens, nem de Homens-Aranhas, nem de Belas nem de Feras. Nós tínhamos de mostrar ao Carabanchel, à Espanha, aos Estados Unidos e ao planeta Terra que éramos crianças boas, que lutávamos pela paz no mundo mundial e que ela tinha tido a ideia de fazer nós trinta, todos uns animais, nos vestirmos de pombas da paz.

Se a tia Assunção não fosse nossa professora e nós não fôssemos um bando de covardes, teríamos dito em coro: "Qual é, jacaré?"

Então minha tia continuou:

- O jurado, que é da Associação de Moradores, nos dará o primeiro prêmio, porque não há jurado na Espanha que resista dar o primeiro prêmio a trinta crianças vestidas de pombas da paz. Além disso, ganharemos muitos presentes. Por um dia, seremos os símbolos da paz mundial e nosso grito de guerra até sábado será: Vamos massacrá-los.

Disso nós gostamos. Com um grito de guerra como aquele podíamos ir até o fim do mundo. Íamos massacrar todas as crianças de todas as escolas do bairro com nossos trajes de superpombas da paz.

Minha mãe e as mães das trinta crianças animais que nós somos fizeram durante a semana os trajes de pomba com papel vegetal. Minha mãe se queixava muito, dizendo que minha tia vivia arranjando desculpa para ela ter de gastar dinheiro e trabalhar. Que não sabia como fazer fantasia de pomba e que quem estava precisando de paz era ela, de muita paz numa praia deserta e sem crianças, que isso sim era a paz mundial.

Afinal, no dia C - C de Concurso e Carnaval - minha mãe nos vestiu - eu e meu irmão - com nossas roupas de papel vegetal e nos disse para irmos indo para a escola.

Encontramos a Luísa na escada e a Luísa nos disse:

- Nossa, sua mãe deve ter tido um trabalhão para vestir vocês de pinguins.

Então agarrei o meu irmão e voltei a subir para casa, para dizer à minha mãe que nós não queríamos sair na rua vestidos de pinguins, nem que fosse pela paz mundial.

Na rua, uma senhora disse a outra:

- Veja só que pinguins lindos!

Quando chegamos à escola, ficamos alucinados: na porta estava Yihad vestido com umas penas, parecendo uma galinha; o Orelhão parecia um pavão, a Susana parecia uma avestruz, o Paquito Medina, um pelicano, e assim até trinta e três. Não havia dois pássaros iguais. Bom, só meu irmão e eu, aqueles pinguins lindos.

Todos nós ficamos olhando uns para os outros e, muito chateados, fomos escoltados pela tia Assunção até a discoteca "Silicone", onde estava se realizando o Festival.

A tia Assunção não deixou por menos: também estava fantasiada e parecia uma pata ou uma gansa.

A tia Assunção estava tão contente que nem parecia a tia Assunção. Disse que, quando fôssemos entrar no palco, ela ia dizer:

- Um, dois, três!

E nós tínhamos de responder batendo as asas e gritando em coro, até arrebentar a garganta:

- Viva a paz mundial!

Nós íamos gritar "Viva a paz mundial!", mas quando fomos bater as asas começamos a nos embaraçar uns nos outros e, se a tia, não tivesse posto ordem, teríamos chegada à discoteca completamente depenados. A tia disse para a gente esquecer a história de bater as asas, que era para batê-las só depois de ganharmos o prêmio.

Já estávamos na discoteca. Nós trinta sentamos num canto. O apresentador era o diretor da creche "O Pimpolho", que fica ao lado da minha casa.

Subiam uns fantasiados de árvores. O grupo se chamava "O Outono". Tinham cordão pendurado num galho e, quando puxavam o cordão, automaticamente as folham caíam. O público ficou alucinado com a bobagem que acabava de ver. Depois, subiam os clássicos super-heróis, uns meninos fantasiados de reality shows com facas cravadas nas costas, outros que iam de pão recheado de chocolate...

Nós fomos os quintos. Tínhamos sido treinados para, depois de "Um, dois e três" da tia Assunção, gritar "Viva a paz mundial", mas não deu tempo de fazer nosso número, porque quando a tia disse "Um, dois e três" ouviu-se a voz de um garotão de um colégio de Formação Profissional do meu bairro chamado "Baronesa de Thyssen":

- Yihad, como você fica bem vestido de galinha!

O Yihad se jogou do palco para virar o engraçadinho do avesso.

Minha tia Assunção ficou sozinha no palco. A coitada chorava, fantasiada de pata.

Parecia que aquele carnaval ia ser o pior das nossas vidas, mas você não vai acreditar no que aconteceu no final, porque foi uma coisa que nem os chineses da Rússia esperavam.

Uma vez que a briga se acalmou e o palco ficou vazio, o Superbarriga leu os prêmios indo do terceiro ao primeiro, para tornar aqueles momentos mais emocionantes:

- O terceiro prêmio coube ao grupo "Reality Shows", por sua simpatia e originalidade.

O público inteiro se desfez em vaias:

- Fora!!!

O segundo prêmio foi concedido ao grupo "O Outono", pela beleza de representação de uma estação do ano tão importante quanto as outras.

- E o primeiro prêmio... - O Superchato fez uma pausa para criar maior expectativa. Garanto que ele estava ouvindo o rangido de dentes dos espectadores ansiosos. - O primeiro prêmio foi concedido por unanimidade ao grupo "Os Pássaros", por sua defesa das espécies em via de extinção.

Bem se via que ninguém tinha ficado sabendo daquela história de paz mundial, então tivemos de admitir que éramos um grupos de pássaros em via de extinção. Nem sempre a gente é o que quer nesta vida.


Texto de Elvira Lindo retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003. Ministério da Educação, FNDE.

Fortaleçamo-nos (111)

 "Sede fortalecidos no Senhor." - Paulo. (EFÉSIOS, 6:10.)


Há muita gente que se julga forte...

Nos recursos financeiros, que surgem e fogem.

Na posse de terras, que se transferem de dono.

Na beleza física, que brilha e passa.

Nos parentes importantes, que se transformam.

Na cultura da inteligência que, muitas vezes, se engana.

Na popularidade, que conduz à desilusão.

No poder político, que o tempo desfaz.

No oásis de felicidade exclusivista, que a tempestade destrói.

Sim, há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã.

Todavia, somente a consciência edificada na fé, pelos deveres bem cumpridos à face das Leis Eternas, consegue sustentar-se, invulnerável, sobre o domínio próprio.

Somente quem sabe sacrificar-se por amor encontra a incorruptível segurança.

Fortaleçamo-nos, pois, no Senhor e sigamos, de alma erguida, para a frente, na execução da tarefa que o Divino Mestre nos confiou.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

12 abril 2026

Por que soluçamos?

Vale tudo na luta contra o soluço: levar susto, beber copos de água até grudar com saliva um pedaço de papel no meio da testa. Mas nada garante que todos esses improvisos funcionem. Na maioria das vezes, o "hic, hic, hic", teimoso, continua! Qual será a causa desse misterioso barulho? Como fazê-lo parar?

O principal responsável pela nossa respiração é um músculo bem fino, que separa o tórax do abdômen: o diafragma. Graças aos movimentos do diafragma, que se contrai, inspiramos e expiramos o ar. O diafragma é auxiliado pelo nervo frênico. Localizado logo acima do estômago, este nervo controla os movimentos do diafragma.

Mas qual é a relação de tudo isso com o soluço? Bem, é a irritação do nervo frênico que causa o soluço. Irritação? Se você já pensou no nervo frênico mal humorado, nervoso e de cara feia, contenha a imaginação! Vamos ver o que acontece de verdade. Com a ingestão de líquidos ou comida em excesso, bebidas muito quentes, geladas ou com gás em demasia, o estômago incha e, por estar muito perto do nervo frênico, pode irritá-lo, isto é, sensibilizá-lo, como acontece com os olhos quando entra poeira.

O nervo frênico, irritado, manda o diafragma se contrair. Com isso, inspiramos ar. O problema é quando uma "tampinha" que há no fundo da garganta, a glote, fecha-se de repente e não deixa o ar passar da boca para os pulmões. Isso provoca a vibração das cordas vocais e "hic, hic, hic", lá vem o soluço! Esse fechamento da glote acontece independentemente da nossa vontade. Normalmente, ela fica aberta para a passagem do ar e só se fecha quando comemos. Quando a glote se abre, o ar volta a passar normalmente para os pulmões, o que não quer dizer que o soluço vai acabar. Isso só acontece quando o nervo frênico volta a trabalhar normalmente.

Qualquer pessoa e até animais, como cachorros, gatos e outros mamíferos, podem ter soluços! Em geral, o soluço acontece várias vezes seguidas e para em alguns minutos. Mas há quem soluce por horas ou até dias. Essas pessoas ficam cansadas, sentem desconforto e até dor. Quando isso acontece, é bom procurar um médico.

No caso do soluço comum, há maneiras de acabar com ele! Tomar um copo de água com o nariz tampado, por exemplo. Como fica difícil respirar, aumenta a quantidade de gás carbônico no corpo, o que inibe a irritação do nervo frênico e o faz voltar a trabalhar corretamente. Mas, cuidado: tampe o nariz por pouco tempo" E caso você veja um amigo soluçando, dê um susto nele! Assim será liberada no sangue uma substância chamada adrenalina, que fará o nervo frênico voltar ao normal!

Para evitar soluços, alimente-se de forma equilibrada e tente não ingerir líquidos durante a refeição, em especial, refrigerantes. Caso contrário, aguente o "hic, hic, hic..."


Texto de Rafael Pereira Leitão (Museu Nacional - UFRJ), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.

Entre carneirinhos & tempestades

 A previsão do tempo informa: o dia será ensolarado, com muitas nuvens no céu azul. Se você fez cara de desânimo, mude a fisionomia já! As nuvens não são sinônimo de tempo ruim e podem ser a maior diversão. Quem nunca ficou de papo para o ar e as achou parecidas com carneirinhos? E, quando era menor, você não pensava que elas eram feitas de algodão? Apesar disso, a maioria das pessoas distingue apenas nuvens de chuva das nuvens brancas e fofas. Se esse for o seu caso, saiba que é hora de descobrir por quais tipos de nuvens os aviões evitam passar, que tipo de nuvem resulta de uma tempestade distante ou aparece com a passagem de frentes frias. Basta ficar com um olho no céu e outro no texto que começa a seguir!


Para os curiosos, não é suficiente explicar que as nuvens são formadas por gotas de água ou cristais de gelo em suspensão na atmosfera. Eles também querem saber como gotas e cristais foram parar lá em cima! Pois tudo começa com a evaporação da água de rios, lagos, oceanos e a transpiração das plantas pelo calor do Sol. Ele aquece a água que passa do estado líquido para o estado gasoso. Os raios solares também aquecem a superfície que, por sua vez, aquece o ar próximo a ela.

O ar quente é mais leve e sobe. Mas, quanto maior é a altura, menor é a temperatura. Por isso, o ar esfria e o vapor d'água que ele contém condensa, isto é, passa do estado gasoso para o estado líquido. Às vezes, o vapor d'água atinge altitudes onde a temperatura é tão baixa que se transforma em cristais de gelo.

A condensação ocorre ao redor de impurezas existentes na atmosfera, chamadas núcleos de condensação. Essas impurezas atraem o vapor d'água. Portanto, se a atmosfera for absolutamente limpa, não há condensação e, consequentemente, não há formação de nuvens.

O tamanho das gotas de água varia de acordo com a quantidade de impurezas presentes na atmosfera. Sobre os oceanos, por exemplo, há menos impurezas. Então, o vapor d'água é atraído por poucos núcleos de condensação. Com isso, são formadas gotas d'água maiores e mais pesadas. Isso impede que as nuvens formadas - chamadas oceânicas ou marítimas - alcancem altas altitudes. A base desse tipo de nuvem costuma estar a 500 metros de altura e o topo, entre quatro e oito quilômetros. Além disso, as chuvas acontecem assim que as gotas são formadas. Como elas são pesadas caem logo.

Por outro lado, existem mais impurezas sobre os continentes do que em cima dos oceanos. Elas atraem o vapor d'água e formam gotas pequenas e leves. As nuvens continentais, então, atingem altitudes mais altas do que as nuvens marítimas. Seu topo costuma estar entre dez e 15 quilômetros de altura. Como as gotas que formam esse tipo de nuvem precisam crescer para ganhar peso e cair, as chuvas das nuvens continentais demoram mais a acontecer.


Nuvens de todo tipo

A classificação das nuvens em oceânicas ou continentais leva em consideração a localização geográfica. Mas as nuvens recebem vários nomes e os quatro tipos principais são: cúmulo, cúmulos-nimbos, cirros e nuvens estratos ou de camadas.

As nuvens brancas e fofas que vemos em geral nas manhãs de verão chamam-se cúmulos. Elas existem em todo mundo, duram entre 20 e 30 minutos e são formadas quando há inversão térmica. O que é isso? Bom, você já sabe que a temperatura da atmosfera diminui com o aumento da atitude. Mas, em determinados níveis atmosféricos, a temperatura aumenta com a altitude ao invés de diminuir. Só depois de centenas de metros, ela volta a diminuir quanto mais alto fica. Esse fenômeno é chamado de inversão térmica. Ele impede a nuvem de ultrapassar a espessura entre 500 metros e um quilômetro.

As nuvens de chuva são chamadas cúmulos-nimbos. A cor escura é sua marca registrada. E sabe por que isso ocorre? Porque os raios solares, em sua maioria, são refletidos no topo desse tipo de nuvem por cristais de gelo!

Os aviões evitam passar por essas nuvens por causa da turbulência que elas provocam. Se houver nuvens cúmulos-nimbos às vista, pode apertar os cintos porque a aeronave vai chacoalhar!

A turbulência é causada pelas fortes correntes de ar que há dentro da nuvem. São jatos de ar voltados para cima - provocados pelo levantamento de ar quente da superfície - e também de jatos de ar direcionados para baixo, criados quando as gotas se formam e caem. O movimento do ar provoca turbulência à sua volta.

Tempestades causadas por nuvens cúmulos-nimbos podem formar jatos de ar que chegam a até 12 quilômetros de altitude. Nessa altura, há o limite entre duas camadas da atmosfera: a troposfera e a estratosfera. Como o ar da troposfera não consegue entrar na estratosfera, ele é espalhado por baixo dela. Nesse local, a temperatura é de 60 graus abaixo de zero! Por isso, o vapor d'água imediatamente sublima, ou seja, passa do estado gasoso para o sólido. As gotas de águas que forem expostas a temperaturas tão baixas congelam. Viram, portanto, gelo. Esses cristais de gelo vão formar as nuvens cirros, que parecem suaves faixas brancas no céu. Na altitude em que são formadas, há ventos com velocidade de 150 quilômetros por hora. Eles espalham os cristais por lugares distantes, que não estão sendo atingidos pela tempestade. As nuvens cirros podem durar dias porque demoram muito a se dissolver. Isso acontece porque, apesar de haver ventos fortes nos locais em que elas se formam, eles não criam turbulências. Além disso, a temperatura baixa favorece a preservação dos cristais de gelo por longos períodos.

As nuvens estratos ou de camadas cobrem áreas imensas e formam chuvas finas. Elas surgem com a passagem de uma frente fria. Aposto como você sempre quis saber o que isso significa! Pois bem, a frente fria é uma massa de ar frio vinda de regiões muito frias, os polos da Terra. As frentes frias que atingem o hemisfério Sul vêm do polo Sul, enquanto as que alcançam o hemisfério Norte vêm do polo Norte. Essas frentes frias empurram para cima o ar quente que encontram. Ao subir, o ar quente esfria, condensa e forma nuvens estratos ou de camadas. O tamanho desse tipo de nuvem está relacionado com o tamanho das frentes frias, que podem ter mil quilômetros de comprimento e cem quilômetros de largura. Elas são capazes de provocar o levantamento de grande quantidade de ar.


Segredos do tempo

Mas qual a importância de estudar as nuvens? Elas podem auxiliar os meteorologistas a fazer previsões de tempo com mais antecedência e precisão!

Esses profissionais contam com a ajuda de um programa de computador para prever as variações do tempo. Tudo o que eles conhecem sobre a atmosfera está lá. Mas o programa ainda não é perfeito. Por exemplo, ele não consegue "enxergar" as nuvens. Isso acontece porque o programa monitora o globo terrestre por uma rede de pontos, que estão separados uns dos outros por uma distância de cerca de 100 quilômetros. Só que as nuvens são muito menores! As cúmulos, por exemplo, têm cerca de 100 metros de diâmetro, enquanto as cúmulos-nimbos, dez quilômetros.

Hoje, esse programa de computador é capaz de fazer previsões de tempo com três, quatro ou até cinco dias de antecedência. Mas as previsões seriam muito mais precisas com a possibilidade de representar as nuvens e o seu comportamento pelo computador. Afinal, elas são as responsáveis pelas chuvas. E para diversas atividades humanas, como a agricultura, é fundamental saber quanto vai chover!


Texto de Mara Figueira e Maria Assunção Dias (Instituto Astronômico e Geofísico, Universidade de São Paulo), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.

Por que sonhamos?

Talvez você ainda não tivesse certeza, mas só de se lembrar de alguns sonhos bem ricos em cores, detalhes e emoções, já devia suspeitar de que o cérebro não para de funcionar enquanto dormimos. Por mais que a gente sinta que o corpo e a mente precisam do repouso de todas as noites, o cérebro, na verdade, continua funcionando. Mas de uma maneira diferente, é claro.

Passeando pela cidade, você já deve ter notado algumas lojas com placas penduradas com a seguinte frase: "Fechado para balanço". Quer dizer que a loja está avaliando as atividades realizadas e fazendo um levantamento de tudo o que é necessário para continuar funcionando. Para que as vendas não atrapalhem o balanço, a loja precisa fechar suas portas por um dia. Do mesmo modo, quando você dorme, seu cérebro "fecha para balanço" e ignora tudo o que se passa do lado de fora, permitindo que você caia no sono mesmo com a televisão ligada, por exemplo. A cada noventa minutos, seu cérebro entra num período de intensa atividade interna, "ligando", em pleno sono, suas zonas responsáveis por sensações, memórias e emoções: é o sonho que começa.

Mas por que o cérebro continua trabalhando enquanto o resto do corpo descansa? Segundo pesquisas feitas nos últimos anos, a função do sonho parece ser a de oferecer ao cérebro uma oportunidade de rever acontecimentos importantes dos últimos dias. Boa parte dos estudos é feita em ratos de laboratório com alguns eletrodos implantados, que detectam a atividade dentro do cérebro. Por exemplo, enquanto os ratinhos exploram um labirinto novo, uma região do cérebro deles cria um "mapa" dos lugares por onde passam. Quando eles adormecem e começam a sonhar (é, ratinhos também sonham!), o mapa recém-criado é "ligado" de novo - o que indica que os bichos estavam sonhando com o labirinto. Funciona tão bem que dá até para dizer, pelo ponto do mapa que está ativado, com que parte do labirinto o rato está sonhando...

Ter um mecanismo para reprisar os acontecimentos importantes já é bacana, mas, talvez, o mais importante do sonho aconteça em seguida, quando o cérebro parece decidir, na paz do sono quais acontecimentos merecem ser registrados definitivamente, ou seja, quais ficarão na memória. Parte desse registro noturno provavelmente acontece durante a outra parte do sono, sem sonhos. Mas nem aí o cérebro fica de bobeira, descansando. É nessa fase que ele produz novas substâncias que vão ajudar a construir mais ligações entre as células do cérebro para guardar tudo na memória.

Por isso, hoje acredita-se que o sono, com sonhos e tudo, é essencial para fixar na memória o que se aprende durante o dia. Ou seja, é preciso dormir - e sonhar - para realmente aprender. E você que pensava que a aula acabava quando o sinal da saída tocava... Pois até sonhando o cérebro trabalha no dever de casa!


Texto de Suzana Herculano-Houzel, Museu da Vida - Fiocruz, O Cérebro Nosso de Cada Dia, www.cerebronosso.bio.br, retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 15, Número 125, Junho de 2002, Ministério da Educação, FNDE.

11 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Estatístico!

Vestido a caráter - de casaco e boné xadrez -, o detetive busca pistas com a lupa. Mas não encerra seu trabalho quando encontra! Ele as analisa e relaciona para concluir quem é o culpado do caso que investiga nos filmes, desenhos animados ou livros! E na vida real? Será que existe alguém que faça trabalho parecido com o do detetive? Sim! Há um profissional que substitui a roupa xadrez e a lupa por um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa chamado estatística. Sua função é coletar, organizar e interpretar dados com o objetivo de chegar a conclusões ou fazer previsões sobre determinado assunto. O nome desse profissional é elementar, meu caro leitor: estatístico!

"O estatístico atua como um detetive: ele analisa uma grande variedade de dados em busca de pistas ou evidências sobre um determinado assunto", explica o estatístico José Matias de Lima, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), ligada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, para isso, ele conta com a estatística, parte da matemática que estuda os processos para obter, organizar e analisar dados sobre uma população e as maneiras de tirar as conclusões ou prever o que pode acontecer no futuro baseado nesses dados.

O estatístico faz pesquisas, coleta dados e analisa informações com diferentes objetivos e em várias áreas. Ele pode, por exemplo, fazer pesquisas de opinião para saber, no ano em que há eleição, em qual candidato a maioria das pessoas está pensando em votar e que, portanto, deve vencer. Mas, para isso, não precisa perguntar a opinião de cada eleitor! O estatístico seleciona um grupo de eleitores, é a chamada amostra - que, como a sociedade, reúne gente de diferentes classes sociais, idade, sexo, profissão. Pede que respondam a um questionário, organiza as informações e as analisa. "A seguir, generaliza os resultados obtidos na amostra de eleitores para toda a população", diz José Matias.

Usando esse mesmo método, o estatístico pode conseguir informações sobre as preferências das pessoas em relação a um produto - o que é precioso para a indústria! Se ele descobrir, por exemplo, que os consumidores gostariam de ter um tênis que brilha no escuro, a empresa lançaria um modelo assim. A partir de pesquisas, ele também é capaz de indicar para empresários qual o melhor lugar para a instalação de fábricas, supermercados, shoppings, escolas, cinemas!

Da mesma forma, o trabalho do estatístico é útil para o governo. As informações colhidas por ele ajudam a fazer um retrato do Brasil! O estatístico é o responsável por determinar, por exemplo, o número de crianças que estão fora da escola, qual eletrodoméstico é mais comum entre os brasileiros, a expectativa de vida dos habitantes do país, etc etc etc...

Na área de saúde, esse profissional pode usar pesquisas para definir o número de pessoas que tem determinada doença e alertar sobre riscos de epidemia. "Por meio desses dados, o governo identifica onde é mais importante investir em saúde, educação, habitação, transportes", explica Matias.

Ufa! Viu só em quantas áreas o estatístico pode atuar? Pois foi isso que fez José Matias optar pela profissão. Quando criança, ele já sonhava em seguir alguma carreira ligada à matemática. Pensou até em ser engenheiro, mas a estatística venceu! "Além do fato de poder atuar em diferentes áreas, o que mais me fascina nesta profissão é ter contato e poder trabalhar em conjunto com outros profissionais de diferentes áreas do conhecimento", conta. Segundo ele, o estatístico nada faz sozinho e, portanto, precisa saber trabalhar em equipe. Deve, ainda, gostar de desafios, não ter medo de lidar sempre com o diferente e se interessar por novos assuntos. E, claro, ter um pouquinho de espírito de detetive!


Texto de Sarita Coelho retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 15, Número 125, Ju8nho de 2002, Ministério da Educação, FNDE.