22 fevereiro 2026

Um cavalo de batalha

Fazer cavalo de batalha é uma expressão que significa dificultar o que seria fácil, inventar obstáculos. Sua origem vem da Idade Média, época das justas, lutas corpo-a-corpo com armas brancas, apogeu da cavalaria.

Os cavaleiros usavam armaduras metálicas com até 30 quilos! Seus cavalos também as recebiam, pois, vulneráveis, seriam alvos para arqueiros inimigos. Morto, o animal deixaria o cavaleiro a pé, quase imobilizado, pelo peso da armadura. Por isso, os cavalos de batalha eram tão importantes. Tinham de ser robustos para carregar peso, além de ágeis e valentes. Era complicado, e essencial, preparar um bom cavalo de batalha.

Conta a história que, em 1415, na batalha de Azincourt, os ingleses, só com mil soldados e 5 mil arqueiros, derrotaram os franceses superarmados com 10 mil soldados e 8 mil cavaleiros - a luta se travou em terreno enlameado pela chuva da noite anterior. Pesadíssimos, os cavalos atolaram e aí pesou a supremacia dos arqueiros ingleses contra os cavaleiros com lanças - que se tornaram praticamente inúteis. Essa digressão salienta o sentido da expressão. As coisas se resolvem melhor com simplicidade, sem apelar para doses cavalares...


E mais...

Engenheiro - A palavra vem do latim ingenium, o que é nato, qualidade natural. Como o homem tem sido o lobo do homem, as primeiras invenções foram engenhos de guerra - catapultas, armas letais e obras de fortificação. A primitiva engenharia foi a arte bélica e os militares, os primeiros engenheiros. Uma tese que até hoje incendeia discussões é a que hierarquiza as funções do arquiteto e do engenheiro. O primeiro seria o inventor, o artista. Ao segundo caberia o papel subalterno de mero executor do projeto. Quem assim pensa mal sabe que dificílimas piruetas mentais o engenheiro de cálculo Joaquim Cardozo teve de fazer para viabilizar as geniais concepções de Oscar Niemeyer...

Escândalo - É imoralidade de grandes proporções, como estamos exaustos de acompanhar pelo noticiário. A palavra vem do grego skandalon, obstáculo, pedra no caminho. Em latim, scandalum tanto significava tentação como armadilha. O sentido evoluiu para designar comportamentos antirreligiosos, que agrediam uma igreja todo-poderosa e escandalizavam toda a comunidade de fiéis. Hoje, no campo da ética e da moral, o "escândalo", frequente, já nem provoca tanta surpresa ou indignação, tal a pandêmica leniência das sociedade contemporâneas, triste sinal de tempos em que até, como dizia Vinícius de Moraes, se acha Herodes natural...


Texto de Márcio Cotrim retirado da Revista Língua Portuguesa, Ano 1, Número 5, Editora Segmento, São Paulo, Março de 2006.

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