12 abril 2026

Por que soluçamos?

Vale tudo na luta contra o soluço: levar susto, beber copos de água até grudar com saliva um pedaço de papel no meio da testa. Mas nada garante que todos esses improvisos funcionem. Na maioria das vezes, o "hic, hic, hic", teimoso, continua! Qual será a causa desse misterioso barulho?

Entre carneirinhos & tempestades

 A previsão do tempo informa: o dia será ensolarado, com muitas nuvens no céu azul. Se você fez cara de desânimo, mude a fisionomia já! As nuvens não são sinônimo de tempo ruim e podem ser a maior diversão. Quem nunca ficou de papo para o ar e as achou parecidas com carneirinhos? E, quando era menor, você não pensava que elas eram feitas de algodão? Apesar disso, a maioria das pessoas distingue apenas nuvens de chuva das nuvens brancas e fofas. Se esse for o seu caso, saiba que é hora de descobrir por quais tipos de nuvens os aviões evitam passar, que tipo de nuvem resulta de uma tempestade distante ou aparece com a passagem de frentes frias. Basta ficar com um olho no céu e outro no texto que começa a seguir!


Para os curiosos, não é suficiente explicar que as nuvens são formadas por gotas de água ou cristais de gelo em suspensão na atmosfera. Eles também querem saber como gotas e cristais foram parar lá em cima! Pois tudo começa com a evaporação da água de rios, lagos, oceanos e a transpiração das plantas pelo calor do Sol. Ele aquece a água que passa do estado líquido para o estado gasoso. Os raios

Por que sonhamos?

Talvez você ainda não tivesse certeza, mas só de se lembrar de alguns sonhos bem ricos em cores, detalhes e emoções, já devia suspeitar de que o cérebro não para de funcionar enquanto dormimos. Por mais que a gente sinta que o corpo e a mente precisam do repouso de todas as noites, o cérebro, na verdade, continua funcionando. Mas de uma maneira diferente, é claro.

Passeando pela cidade, você

11 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Estatístico!

Vestido a caráter - de casaco e boné xadrez -, o detetive busca pistas com a lupa. Mas não encerra seu trabalho quando encontra! Ele as analisa e relaciona para concluir quem é o culpado do caso que investiga nos filmes, desenhos animados ou livros! 

Vó caiu na piscina

 Noite na casa da serra, a luz apagou.

Entra o garoto:

- Pai, vó caiu na piscina.

- Tudo bem, filho.

O garoto insiste:

- Escutou o que eu falei, pai?

- Escutei, e daí? Tudo bem.

- Cê não vai lá?

Vigiemos e Oremos (110)

 "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação." - Jesus. (MATEUS, 26:41.)


As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio de nossa individualidade, assim como o lodo mais intenso, capaz de tisnar o lago, procede do seu próprio seio.

Renascemos na Terra com as forças desequilibradas do nosso pretérito para as tarefas do reajuste.

Nas raízes de nossas tendências, encontramos as mais vivas sugestões de inferioridade. Nas íntimas relações com os nossos parentes, somos surpreendidos pelos mais fortes motivos de discórdia e luta.

Em nós mesmos podemos exercitar o bom ânimo e a paciência, a fé e a humildade. Em contacto com os afetos mais próximos, temos copioso material de aprendizado para fixar em nossa vida os valores da boa-vontade e do perdão, da fraternidade pura e do bem incessante.

Não te proponhas, desse modo, atravessar o mundo, sem tentações. Elas nascem contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates, dedicadamente, qual o lavrador sempre disposto a cooperar com a terra da qual precisa extrair as boas sementes.

Caminhar do berço ao túmulo, sob as marteladas da tentação, é natural. Afrontar obstáculos, sofrer provações, tolerar antipatias gratuitas e atravessar tormentas de lágrimas são vicissitudes lógicas da experiência humana.

Entretanto, lembremo-nos do ensinamento do Mestre, vigiando e orando, para não sucumbirmos às tentações, de vez que mais vale chorar sob os aguilhões da resistência que sorrir sob os narcóticos da queda.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

05 abril 2026

Um pequeno morcego ameaçado

Galeria de Bichos Ameaçados


Nome científico: Lonchophylla dekeyseri

Nome popular: Morceguinho-do-cerrado

Tamanho: de 45 a 65 milímetros de comprimento, do focinho até a ponta da cauda

Peso: de 10 a 12 gramas, aproximadamente

Local onde é encontrado:  em cavernas no Distrito Federal, na Serra do Cipó (em Minas Gerais) e em Sete Cidades (Piauí)

Habitat: Cerrado brasileiro

Motivo da busca: ameaçado de extinção


O morceguinho-do-cerrado é um mamífero genuinamente brasileiro e, como o nome sugere, só existe no Cerrado! Ele faz parte da extensa ordem dos morcegos, a Chiroptera, e, comparado com seus parentes, pode ser considerado de pequeno porte. Mede entre 45 e 65 milímetros de comprimento (da ponta do focinho até a ponta da cauda) e pesa de 10 a 12 gramas. Sua cauda é curta, tem de 7 a 10 milímetro de comprimento, e seu antebraço, de 34 a 38 milímetros. Os pelos das costas desse pequeno morcego são mais escuros que os da barriga. Portanto, com essa aparência delicada, se quiséssemos compará-lo com personagens de filmes e desenhos animados, poderíamos dizer que ele está mais para Fada Sininho, do Peter Pan, do que para Conde Drácula, né?

Sabia que, para os pesquisadores, o sorriso dos mamíferos é uma preciosa fonte de informação? Pois os dentes deles indicam, por exemplo, o que comem e a idade que têm. No caso dos morcegos, servem até para diferenciá-los, porque o número de dentes varia de uma espécie para outra. os dentes do morceguinho-do-cerrado, que são muito pontudos e pequenos, mostram que ele pode quebrar e triturar pequenos insetos e rasgar frutos. Mas eles gostam mesmo é do néctar das flores. Assim, são chamados de nectarívoros e para se alimentar contam com focinho e língua alongados.

Na hora de sugar o néctar, os morcegos adejam como os beija-flores. Isso quer dizer que eles batem as asas para ficar parados em pleno voo em frente à flor. Aí, enfiam a cabeça dentro dela e esticam a comprida língua para lamber o néctar depositado no fundo. Mas, ao contrário dos beija-flores, que são animais de hábitos diurnos, os morcegos passam o dia descansando nos abrigos e saem para comer à noite. As flores mais visitadas por eles são as do embiriçu, da unha-de-vaca, do açoita-cavalo e do jatobá. No Cerrado brasileiro, essas plantas geralmente  florescem no período de seca, entre os meses de maio e setembro.

É também nesse período que costumam nascer os filhotes do morceguinho-do-cerrado. A fêmea fica grávida por um período de até três meses e os bebês morcegos mamam por dois meses. Depois disso, alimentam-se como os adultos: do néctar as flores. Voando junto com os mais velhos durante certo tempo, os filhotes logo aprendem a sugar o néctar. Quando ainda não voam bem, as fêmeas não os carregam para buscar alimento à noite. Eles ficam nas cavernas sendo cuidados, como numa creche, por outros morcegos adultos.

O morceguinho-do-cerrado é considerado ameaçado de extinção porque seu ambiente natural, o Cerrado, está sendo desmatado para a criação de pastos e áreas de lavoura. Além disso, a destruição das cavernas pelas atividades de mineração também contribui para colocar em perigo a espécie. O ideal é que o homem encontre maneiras de combinar o desenvolvimento com a permanência das espécies em seus hábitats.


Texto de Ludmilla Aguiar (Embrapa Cerrados - Recursos Naturais); retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 17, Número 145, Abril de 2004, Ministério da Educação, FNDE.

Quando crescer, vou ser... Botânico!

Costela-de-adão, jiboia, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge... Você consegue adivinhar o que estas palavras nomeiam? Aí vão algumas dicas: elas dão nome a seres que podem estar na sua casa, são muito importantes para a nossa  sobrevivência e alguns são até comestíveis! Nem desconfia? Pois estamos falando de plantas! Existe um profissional apaixonado pela natureza que é o responsável por estudá-las. Prepare-se para uma leitura com cheirinho de mato, porque, agora, você vai descobrir o que faz um botânico!

O estudo das plantas remonta à Antiguidade: um filósofo grego de nome esquisito - Theophrastus - foi a primeira pessoa a classificar os vegetais, no ano 370 antes de Cristo! No século 16, o alemão Otto Brunfels publicou a obra Herbarium, com ilustrações e termos científicos relacionados a algumas plantas. Mas só no século 18 foram realizados estudos mais aprofundados, como o do sueco Carl Von Linné, que propôs uma nomenclatura para as plantas em que elas teriam dois nomes em latim: o primeiro indicaria o gênero e o segundo, a espécie, como a Laelia Lobata, que popularmente conhecemos pelo nome de orquídea.

No Brasil, o estudo das plantas ganhou importância com a chegada da corte portuguesa, em 1808. Neste ano, D. João VI fundou o Jardim Botânico no Rio de Janeiro, que se tornaria o centro da botânica nacional no século 20. Pode-se dizer que a análise da flora brasileira, a mais rica do mundo, se iniciou com o alemão Karl Friedrich Philipp Von Martius, que, entre 1817 e 1820, percorreu o país colhendo os mais variados tipos de plantas, o que resultou na obra Flora Brasiliensis, de 15 volumes! Outro importante pesquisador da nossa flora foi o frei José Mariano da Conceição Velloso, brasileiro, que, em 1825, descreveu várias plantas nativas do estado do Rio de Janeiro no livro Flora Brasiliensis.

Por muitos séculos, todas as pessoas que estudavam a natureza eram chamadas naturalistas. A profissão de botânico teve seu início somente em 3 de setembro de 1979, quando a faculdade de Biologia foi reconhecida.

Para não esquecer, anote: Botânica é a ciência que estuda os vegetais em todos os sentidos. Ela divide-se em alguns ramos, como a botânica sistemática ou taxionomia, que ordena e classifica as plantas descobertas; a fisiologia vegetal, que analisa os processos vitais da planta, como a nutrição e a reprodução; a morfologia vegetal, que leva em conta a forma e estrutura das plantas; a fitopatologia, que verifica as doenças que atingem os vegetais; a paleobotânica, que estuda a flora já extinta do planeta; a fitogeografia, que descreve e explica, por exemplo, a distribuição das plantas segundo o clima e o relevo; a sociologia vegetal, que estuda as comunidades de plantas que formam as diferentes espécies; e a ecologia vegetal, que se ocupa da relação das plantas com o meio ambiente. Ufa! Quanta coisa!

Um botânico pode se especializar em qualquer uma das áreas citadas. Mas ainda há outras! Jorge Ernesto Mariath, diretor do Instituto de Biociências e professor titular do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por exemplo, trabalha na parte de anatomia das plantas, estudando-as interna e externamente. "É como se eu fosse um cirurgião de plantas, pois cortou-as de várias formas para entender a organização de suas células e tecidos", diz ele que, quando criança, pensava em ser médico, e, hoje, "opera" os vegetais!

Quem pretende ser botânico deve primeiro cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, e, depois, optar pela especialização em Botânica. Foi o que fez Marcus Nadruz, outro que, por influência de um tio, queria ser médico quando crescesse. Mas ficou adulto e mudou de planos. Escolheu cursar Biologia e atualmente trabalha no Departamento de Botânica Sistemática do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Sua função é identificar novas espécies de plantas e classificá-las de acordo com sua forma, estrutura, presença ou não de flores, futos e folhas. Para isso, comparar as novas espécies com as dos herbários - locais onde as plantas coletadas e classificadas passam por um processo de herborização, isto é, de secagem, para ficarem conservadas e servirem como objeto de estudo. No herbário, as espécies são organizadas em gavetas, em ordem alfabética, com informações como nome, local e data da coleta, tudo etiquetado! Para se ter ideia da importância desses arquivos de plantas, os primeiros herbários surgiram já no século 15. A partir deles, pode-se reflorestar uma área que pegou fogo, por exemplo. "Com as informações das etiquetas, pesquisamos as espécies que existiam no local que foi devastado e vamos em busca delas para replantarmos", explica Marcus.

Depois de conhecer algumas atribuições de um botânico, que tal dar um pulinho no jardim botânico da sua cidade e ver de perto a riqueza da nossa flora? Esse já é um passo para você - que se interessou pela profissão - tirar suas dúvidas e se encantar ainda mais com as belezas do nosso país!


Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Sempre em boa companhia

 Galeria de Bichos Ameaçados

Nome Científico: Amazona rhodocorytha

Nome Popular: Chauá

Tamanho médio: cerca de 37 centímetros

Local onde é encontrado: de Alagoas até o Rio de Janeiro e também no leste de Minas Gerais

Habitat: Mata Atlântica

Motivo da busca: ave ameaçada de extinção


Antes do pôr-do-sol, o Chauá tem um encontro marcado! Esse papagaio, um dos mais coloridos e belos do Brasil, reúne-se com outros da sua espécie para passar a noite! Nas árvores onde descansa, há papagaios de vários tipos, mas basta olhar com atenção para reconhecer o Chauá: ele tem corpo verde, asas em tom de verde mais escuro com penas vermelhas, uma região alaranjada entre o bico e o olho, além da parte anterior da cabeça vermelha!

Companhia, no entanto, essa ave não tem só à noite! Os chauás formam casais que podem durar por toda a vida! Para se reproduzir, eles constroem ninhos em troncos de árvores, especialmente em palmeiras. Esse é um hábito típico dos papagaios: buscar buracos grandes para proteger ovos e filhotes de predadores, como tucanos e cobras.

Nas árvores, além de abrigo, o chauá também encontra alimento. Essa ave come frutos - principalmente, suas sementes. Para devorá-las, segura os frutos com os pés e os leva até o bico! Parece curioso? Pois o mais legal é ver o chauá colocar em prática a sua capacidade de produzir sons e, até mesmo, imitar a voz humana! Pena que essa característica, somada à beleza das suas penas, faça com que essa ave seja caçada para ser vendida no Brasil e no exterior, como animal de estimação.

Não devemos comprar nem vender esses bichos. Afinal, as pessoas que têm papagaio em casa, mesmo sendo carinhosas com o animal, não são capazes de proporcionar um ambiente apropriado para ele viver e nem satisfazer as suas necessidades naturais. Aliás, nosso dever é denunciar quem os vende ou compra. Afinal, o chauá já enfrenta outras ameaças, além do comércio, que o coloca entre os bichos em risco de desaparecer. A derrubada das árvores que abriga os seus ninhos - o que provoca a morte dos seus filhotes e a quebra dos seus ovos - e o corte das que fornecem alimentos à espécie podem levar essa ave à extinção.


Texto de Raquel Vieira Marques e Maria Alice S. Alves retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

04 abril 2026

A Constelação de Lhama

Chegara a noite. Sentado debaixo de uma árvore, o jovem índio recordava, meio dormindo, tudo o que sabia sobre Yacana. Os anciãos lhe haviam ensinado que era uma espécie de "duplo celestial" da Lhama, que de noite descia à terra para comer e beber, mas que ninguém conseguia vê-la, porque só andava no fundo dos rios. Os grandes sacerdotes contavam que Yacana era enorme e que seus olhos imensos brilhavam mais que as outras estrelas do céu. Seu pelo era branco e sedoso e, quando voava de volta ao céu, o vento que a acompanhava assoviava como os passarinhos azuis da floresta.

O jovem índio pensava nisso tudo quando, de repente, foi ofuscado por um clarão azulado. Pouco a pouco, a luz foi tomando a forma de uma lhama e pousou na terra, a pequena distância de onde ele estava, junto a uma fonte. Era tão parecida com todas as descrições de Yacana que já tinha ouvido, que o índio a reconheceu imediatamente. Primeiro, quis se aproximar e falar com ela, de tão feliz que ficou por encontrá-la. Mas teve medo e se encolheu, sem se mexer mais, para não ser percebido, e ficou olhando, com a respiração suspensa. A lhama sagrada bebeu água da fonte. De repente, o rapaz sentiu que caía uma chuva de lã macia, como se alguém estivesse tosquiando um rebanho de lhamas. Mas como ele estava com medo de Yacana, não se mexeu, não saiu do esconderijo e esperou o dia clarear. Quando acordou, a lhama tinha desaparecido. Na certa, voltara para o céu enquanto ele estava de olhos fechados. Entretanto, a lã que ele sentira cair enquanto Yacana bebia água da fonte ainda estava lá. Eram centenas de chumaços, de todas as cores! Ele nem acreditava nos seus olhos. Para alguém tão pobre como ele, que não possuía uma única lhama, aquela era a oportunidade de sua vida!

Louco de alegria, correu até junto da fonte. Disse a ela que ia venerá-la até o fim de seus dias, e que, da mesma forma, ia adorar a constelação da lhama por toda a vida. Prometeu que voltaria todos os meses para oferecer o sacrifício de uma lhama jovem. Depois, recolheu toda aquela lã miraculosa e foi vendê-la na cidade.

Os índios nunca tinham visto cores tão luminosas. Todo mundo queria comprar as lãs. Ele vendeu tudo e, com o dinheiro, comprou um casal de lhamas que, como se fosse mágica, lhe deu mais de duas mil lhamas em um ano. E ele logo ficou famoso em toda montanha.

Desde esse dia, os índios vão com frequência para perto da fonte sagrada, à espera de Yacana. Parece que ela desce à terra todas as noites, à meia-noite, e que bebe muita água. Os índios dizem que é por isso que não há mais dilúvios, porque com toda a água que os rios jogam no mar sem parar, se a constelação da lhama não viesse beber muito todas as noites, o mar já teria transbordado há muito tempo e engolido mais uma vez todas as aldeias...

Yacana tem filhos. É possível vê-los brilhando perto dela, mas são estrelas menores. Bem perto delas cintilam três grandes estrelas, que também são veneradas. Quando se pode vê-las com nitidez, é sinal de que os frutos ficarão perfeitamente maduros. Mas quando mal dá para vê-las, é porque as colheitas não vão ser boas. Então, os índios vão até a fonte e lhe fazem oferendas de conchas, cantando:

- Ó tu, que dás origem à água e que há tantos séculos regas nossos campos, faze a mesma coisa este ano e traze chuva para que a colheita seja boa.

Yacana nunca mais voltou para junto dessa fonte. Parece que ela nunca bebe duas vezes no mesmo lugar. No entanto, desde esse dia, perto da fonte, quando o dia nasce, ouve-se o vento assoviar como os passarinhos azuis da floresta.


Este conto foi extraído do livro Os Incas, mitos e lendas, de Danièle Küss e Jean Torton, publicado pela Editora Ática. 

O povo inca sempre manteve respeito e admiração pelas estrelas por acreditar que nelas moravam os espíritos.

Retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Por que sentimos choque?

Geladeira, freezer, chuveiro, ferro de passar, liquidificador... Todos esses utensílios fazem parte do nosso dia-a-dia e precisam da eletricidade para funcionar. Mas, assim como tornam nossa vida mais fácil, também podem nos proporcionar algo nada agradável: o choque! Isso mesmo! Aquela sensação dolorosa que faz arrepiar nossos cabelos. Para senti-la, basta

A Exemplo do Cristo (109)

"Ele bem sabia o que havia no homem." - (JOÃO, 2:25.)


Sim, Jesus não ignorava o que existia no homem, mas nunca se deixou impressionar negativamente.

Sabia que a usura morava com Zaqueu, contudo, trouxe-o da sovinice para a benemerência.

Não desconhecia que Madalena era possuída pelos gênios do Mal, entretanto, renovou-o para o amor puro.

Reconheceu a vaidade intelectual de Nicodemos, mas deu-lhe novas concepções da grandeza e da excelsitude da vida.

Identificou a fraqueza de Simão Pedro, todavia, pouco a pouco instala no coração do discípulo a fortaleza espiritual que faria dele o sustentáculo do Cristianismo nascente.

Vê as dúvidas de Tomé, sem desampará-lo.

Conhece a sombra que habita em Judas, sem negar-lhe o culto da afeição.

Jesus preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida e em quinhoar cada espírito com eficientes recursos de renovação para o bem.

Não condenes, pois, o próximo porque nele observes a inferioridade e a imperfeição.

A exemplo do Cristo, ajuda quanto possas.

O Amigo Divino sabe o que existe em nós... Ele não desconhece a nossa pesada e escura bagagem do pretérito, nas dificuldades do nosso presente, recheado de hesitações e de erros, mas nem por isso deixa de estender-nos amorosamente as mãos.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

03 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Nutricionista!

Quando vamos ao supermercado fazer compras, encontramos alimentos e produtos de diversas cores e sabores! Nos restaurantes, quanta variedade: de peixes a massas, tem de tudo! E o lanche da escola? Cada dia uma merenda diferente! Mas será que você sabe comer direito? Pois existe

Curiosidades sobre os temperos

 Louro, canela, pimenta, noz-moscada e tantos outros temperos que dão à comida gostinho e aroma irresistíveis são também conhecidos pelo nome de "especiarias". Esta palavra - que você já viu ou verá no seu livro de História - foi sinônimo de tesouro há muitos anos. É verdade! No passado, navegadores atravessaram os mares comprando e revendendo esses produtos que chegaram para ficar em nossa mesa.


O cheirinho que vem da cozinha atravessa os cômodos da casa, chega ao seu nariz e desperta o seu estômago. Da próxima vez que isso acontecer, junte-se ao mestre-cuca e tente desvendar o mistério do aroma. Provavelmente, você vai descobrir que ele vem de uma planta, ou melhor, de parte de uma planta que está sendo usada em pedaços ou em pó como tempero. Pode ser pimenta-do-reino, louro, manjericão... No caso de doces, cravo ou canela, por exemplo. Seja o que for, pode apostar que o cheiro vai longe e que a planta veio de longe também!

Essas ervas aromáticas, chamadas especiarias, hoje são facilmente encontradas em supermercados e feiras livres. Mas, tempos atrás, a história era bem diferente. No final da Idade Média, elas só eram compradas das mãos de comerciantes, que as traziam de cidades da África e da Ásia para revender a preços altos na Europa. Mais tarde, com a chegada dos navegantes europeus ao continente americano, outros temperos foram descobertos, como a noz-moscada-do-brasil e até o pimentão, que é nativo da América do Sul.

Vindas de terras distantes, as especiarias pareciam envoltas numa nuvem de magia e mistério, pois muitas, além de servirem como condimentos, tinham o poder de tratar a saúde. Os comerciantes, claro, se aproveitavam do fascínio do povo e cobravam cada vez mais por esses produtos.

Portugal foi um dos países que aumentaram muito suas riquezas com o comércio das especiarias trazidas, principalmente, da Índia. O navegador português Vasco da Gama foi o primeiro que chegou a Calicute, na Índia, estabelecendo uma nova rota marítima entre o seu país e o Oriente para o transporte desse "tesouro vegetal".

Mas o tempo passou e as especiarias deixaram de ser exclusividade da mesa dos mais ricos. Novas terras foram descobertas, como o Brasil, e nelas passaram a ser cultivados muitos desses produtos. Pronto: as especiarias estavam ao alcance do povo! O mais simples dos pratos podia ter mais sabor!

Que tal, agora, ler os rótulos dos potinhos a seguir para saber curiosidades sobre as especiarias que eles guardam?!


Louro

O louro é um arbusto de dois a quatro metros de altura, do qual somente as folhas são usadas como tempero. Essa planta é conhecida desde a Grécia antiga, sendo que os primeiros registros de sua utilização datam de 2800 anos antes de Cristo. Se você prestar atenção, verá que em alguns desenhos animados os gregos e os romanos são representados usando coroas de louro. Essas coroas eram entregues aos vencedores de competições como símbolo da vitória. Daí a expressão "louros da vitória"!


Canela

Existem duas espécies diferentes de canela: a do Ceilão e a da China. Ambas são árvores das quais são extraídos pequenos pedaços da casca que envolve o tronco. E qualquer uma das duas é capaz de dar aquele gostinho especial em muitos tipos de doces!!! Quando a canela é vendida em pedaços, é chamada canela em pau; quando é moída, chama-se canela em pó. Da árvore da canela pode ser extraído óleo com propriedades medicinais usado para tratar gripes e resfriados e empregado também na perfumaria.


Noz-moscada

Da árvore se extrai o fruto. De dentro dele, tiram-se as sementes, que são raladas. Pronto: é o pó da noz-moscada que vai ser usado na comida! A planta que produz este tempero foi batizada pelos cientistas de Myristica Fragans. A noz-moscada também pode ser utilizada na perfumaria, na produção de pasta dental e de produtos farmacêuticos. Porém, não é essa a noz-moscada que se cultiva no Brasil. Aqui, é muito comum nas matas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais uma outra espécie, a Cryptocaria Moschata, da mesma família do louro e das canelas.


Pimenta

Criança não costuma gostar de pimenta porque arde a boca. No entanto, quando a gente cresce e passa a apreciar sabores mais picantes, uma pimentinha faz toda a diferença! Cada pé de pimenta-do-reino costuma dar de 20 a 30 espigas, das quais se retiram os frutos, que são moídos diretamente sobre a comida. Hoje, esta especiaria é utilizada pela indústria no processo de conservação de alimentos. O Pará é um dos maiores produtores brasileiros da pimenta-do-reino, que foi trazida para cá pelos colonos japoneses. Mas, no Brasil, há outras pimentas populares: a malagueta, por exemplo, é um fruto pequeno, alongado e vermelho; a chifre-de-veado tem frutos mais compridos que os da malagueta, eles são amarelos ou vermelhos; a comari também é um fruto vermelho, porém de formato arredondado; outra que também é redondinha é a pimenta-de-cheiro, mas essa tem cor amarela e recebe o nome de chili, no México, e de peperone, na Itália. O pimentão é mais uma da família das pimentas! Costuma ser usado para problemas digestivos e, externamente, para aliviar dores reumáticas.


Cravo-da-Índia

Você já o viu espetado no docinho de coco, misturado ao arroz-doce, em meio às frutas da compota, mas nem desconfia de que ele, o cravo, é, na verdade, o botão de uma flor! Originalmente, esses botões são de cor verde ou avermelhada, mas após serem secos ao  Sol ou em estufas, ficam pretinhos, do jeito que a gente os conhece. O cravo-da-Índia veio das Ilhas Molucas, na Ásia, mas há tempos é bastante cultivado no Nordeste, especialmente na Bahia. Essa especiaria é usada na culinária, na produção de perfumes e contra má digestão e bronquite. Porém, o abuso dela pode funcionar ao inverso, irritando o aparelho digestivo. Do cravo-da-Índia também se extrai um óleo muito usado para alívio da dor de dente e empregado na fabricação de alguns cremes dentais.


Cebola e Alho

Há quem não goste de mastigá-las, mas mesmo esses tendem a concordar que a maioria das comidas salgadas precisa de alho ou cebola para ter o sabor realçado! Presentes na culinária de muitos países, tanto o alho quanto a cebola são caules subterrâneos chamados bulbos. Note que na parte inferior do bulbo há uns fiapos, que são, na verdade, as raízes desses temperos. Além de proporcionar um gostinho especial aos mais variados pratos, o alho tem ação cientificamente comprovada contra bactérias e fungos, sendo também empregado como analgésico no alívio de dores.


Umbelliferae e Labiatae

Esses nomes estranhos representam duas famílias de condimentos dos quais você certamente já ouviu falar! Umberlliferae reúne a salsa, a erva-doce, o anis, o apio e o coentro (sem o qual o peixe cozido perde a graça!). Já à família Labiatae pertencem o orégano (excelente na pizza!), o alecrim, o manjericão, o tomilho e a hortelã. Falando em hortelã... Aí vai uma curiosidade: essa é uma das plantas mais usadas pelas indústrias de alimentos, cosméticos e medicamentos. Com ela se faz bala, chiclete, pastilha, pasta de dente e até xarope. O gosto refrescante da hortelã vem do mentol, substância presente no óleo que é extraído da planta.


Gengibre

Eis outro representante das especiarias que tem gosto forte e ardido! O gengibre é um arbusto de folhas longas e caule subterrâneo. Esse caule chama-se rizoma, cujo líquido ou as raspas são usados para dar um sabor diferente a comidas e bebidas. O famoso quentão - bebida preparada com vinho nas festas juninas - leva gengibre! Essa especiaria tem também aplicações medicinais, sendo usada como descongestionante e contra irritações da garganta. É originário da Ásia tropical.


Texto de Carlos Alexandre Marques (Departamento de Botânica, Laboratório de Morfologia Vegetal, Universidade Federal do Rio de Janeiro), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

A Fada dos Doces

Crianças adoram doces, mas quase ninguém dá doce às crianças, pois, em excesso, eles podem fazer mal. Quem come muitos doces, fica sem apetite para comida de sal, que são boas para nos fazer crescer e ficar fortes. Os doces também podem ajudar as bactérias a provocar cáries nos nossos dentes - pelo menos foi o que me informou minha filha, uma grande admiradora do doce de leite preparado por seu avô Zico, meu pai. Ela come e fica tranquila, pois está sempre escovando os dentes.

Mas vamos combinar: existe algo mais gostoso que mastigar jujuba? Chupar balas? Ou então pirulito, picolé de uva? Comer suspiro, sonho, bombom, ovo de páscoa, maria-mole... Só de pensar dá água na boca!

Isso me faz lembrar alguém que não se importava em dar doces às crianças: a Fada dos Doces. Uma vez ela me apareceu, trazendo um pacotinho de balas de aniversário. Cada uma das balas vinha embrulhada em papel de uma cor diferente, com uma franja de fios compridos, lindas de ver e boas de comer. Eram balas que derretiam na boca e deixavam um gosto bom, que custava a acabar.

Quando ganhei as balas fiquei alegre e sorri.

A Fada dos Doces havia descoberto que, com os doces, poderia fazer as pessoas se sentirem de um modo diferente. Tristes alegres, tranquilas ou agitadas, tímidas ou expansivas, recatadas ou desavergonhadas.

Achei ótimo. "Com essas balas, todas as pessoas seriam alegres e boas", pensei. Não existiria mais tristeza, sofrimento, nem nenhuma outra coisa ruim sobre a face da Terra.

Aí, a Fada dos Doces me explicou que sorrir é bom, só que chorar também é importante. Pois, se todas as pessoas fossem iguais alegres e sorridentes, o mundo poderia se tornar um lugar chato e monótono.

Demorei a compreender o que isso significava. E até hoje não sei se compreendi totalmente. Eu nunca gostei de chorar e ficar triste. Como é que me sentir assim poderia me fazer bem?

Ainda não sei a resposta. Sei que, às vezes, quando estou muito cansado e fico quieto e sozinho, ou quando assisto a uma cena emocionante num filme e choro, depois me sinto melhor. Então, nessas ocasiões, percebo que a Fada dos Doces estava certa.

Depois de me tornar adulto, entendi que as comidas têm o poder de mudar o humor das pessoas. Quando quero dar um presente para alguém muito especial, preparo um almoço, um jantar, um bolo de aniversário... O importante é que a comida faça bem à pessoa presenteada.

Depois do dia em que ela me entregou o pacotinho de balas de aniversário, voltei a encontrar a Fada dos Doces muitas outras vezes, para aprender, com ela, os segredos das suas receitas.

Certa vez, ela me mostrou um doce muito especial, com o qual presenteava as crianças infelizes. Um docinho redondo e marrom. Macio, envolvido em confeito de chocolate, pequeno, mas muito saboroso.

Experimentei um e, logo a seguir, queria comer outro, sem me saciar. Sentia-me imensamente feliz. Entre um bocado e outro, perguntei pelo nome daquela maravilha e ela me respondeu: é o doce da felicidade.

Anos depois, eu descobri que o doce da felicidade das crianças é o brigadeiro. Por que será que ele chama assim? É um nome pior, mas foi assim que ele ficou conhecido.


DOCE DA FELICIDADE

Abra uma lata de leite condensado e coloque para cozinhar numa panela média, com duas colheres de sopa de manteiga sem sal e quatro colheres de sopa de chocolate em pó.

Com uma colher de pau, mexa a mistura em fogo médio, sem parar, até que a massa chegue ao ponto de enrolar. Para ter certeza do ponto de enrolar, observe se, ao mexer com a colher de pau, a massa está "descolando" do fundo e das laterais da panela.

Aguarde até que a massa esfrie o suficiente para enrolar.

Unte as mãos com a manteiga, pegue pequenas porções de massa e faça bolinhas miúdas.

Jogue as bolinhas num prato fundo cheio de confeito para brigadeiro. Depois de confeitadas, coloque cada uma numa forminha de papel.

Está pronto. Mas só coma depois de esfriar bem.


Dicas do Mestre:

Após enrolar as bolinhas de brigadeiro, não lave a panela. Pegue uma colher para "rapar"... É a famosa "rapa do tacho"... É a melhor parte do doce...


Texto de João Alegria (A Fada dos Doces - extraído do livro Come-Come: pais e filhos na cozinha, de João Alegria, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 2002). Retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Foi por ter nascido em Santo Antônio da Alegria, no interior de São Paulo, em 22 de agosto de 1964, que João Alves dos Reis decidiu virar João Alegria. Esse autor e diretor de programas de TV, que estudou Filosofia e História, já escreveu dois livros para crianças: Na fazenda do Chico Marreco e Come-Come: pais e filhos na cozinha.

02 abril 2026

Por que os olhos de alguns animais brilham no escuro?

As luzes estão apagadas. Você não enxerga nada, mas permanece tranquilo. Até, que, de repente um pequeno feixe de claridade mostra que há dois olhos a lhe vigiar na escuridão! Se num caso desses a sua primeira reação é gritar: - Fantaaaaaaaaaaasma!!!, poupe seus vocais. Procure o interruptor, ilumine o ambiente e comprove que não se trata de assombração, mas de algum animalzinho, muito provavelmente um gato, que agora deve estar num canto apavorado com o seu berro.

A razão pela qual os olhos de alguns animais brilham no escuro está na formação desses órgãos responsáveis pela visão. Primeiro é preciso saber que os olhos de todos os animais têm uma região chamada retina cuja principal função é transformar a luz em impulsos elétricos, que vão para o cérebro e produzem a visão. E quem faz esta transformação são estruturas da retina conhecidas como fotorreceptores. Alguns animais, porém, têm, atrás da retina, uma área chamada tapete lúcido, que é feita de substâncias com propriedades refletoras, como os espelhos, que aumentam a quantidade de luz percebida. É por conta do tapete lúcido - uma película colorida com certo brilho -, que os olhos de alguns animais, como cães, cavalos e bois, brilham, ou melhor, refletem a luz ao serem atingidos por ela. Já nos olhos dos suínos e do homem, por exemplo, que não apresentam essa região refletora, tal característica não é observada.

O tapete lúcido é uma adaptação noturna. Isso significa que, fazendo refletir a luz que incide nos olhos, há um aumento da estimulação dos fotorreceptores - as células sensíveis à luz -, proporcionando a visão em locais escuros ou visão noturna.

Graças a essa adaptação, leões, tigres e onças, entre outros felinos, são capazes de localizar suas presas mesmo no escuro. Por motivo igual, animais domésticos, como cães e gatos, conseguem se localizar em ambientes sem luz, podendo nos pregar sustos como o do começo do texto.


Texto de Sandra Cuenca (Departamento de Anatomia - Universidade Metodista de São Paulo e Centro Universitário Monte Serrat - Santos) retirado do Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Quando crescer, vou ser... Zoólogo!

Você gosta de charadas? Então, vamos ver se acerta essa: O que é, o que é? Cuida dos animais, mas não é veterinário; estuda o comportamento deles, mas não é psicólogo; sabe do que eles se alimentam, mas não é nutricionista; analisa a relação deles com os outros bichos e com o meio ambiente, mas não é sociólogo? Será que existe alguém que faça mesmo tudo isso? A resposta é sim, o zoólogo! Por definição básica, zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais em todos os aspectos. Ela se divide em muitas subdisciplinas, como a citologia (estudo das células animais), a fisiologia (estudo dos processos que ocorrem no organismo, como a digestão), a genética e evolução (que verificam a herança dos caracteres biológicos), a ecologia (que se ocupa da relação dos animais com o meio ambiente), a etologia (estudo do comportamento animal), a zoogeografia (que procura esclarecer os fatores que intervêm na distribuição geográfica dos animais) e a taxionomia ou sistemática (que traça as linhas de parentesco entre os animais e dá nome a eles).

O zoólogo, em geral, trabalha com pesquisa, quase sempre ligado a alguma Universidade. Sua tarefa pode ser estudar a recuperação de espécies ameaçadas, nomear novas espécies e analisar os impactos ambientais sobre os bichos, entre muitas outras. O caminho para quem deseja ser zoólogo é cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, optando pela especialização em Zoologia.

Foi assim que fez Salvatore Siciliano, pesquisador de aves e mamíferos marinhos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Desde criança, ele dizia que queria cuidar da natureza! Muitas profissões passaram pela sua cabeça, entre elas a de geógrafo, mas a vontade de entender os seres vivos foi maior. "Eu me identificava com as aulas de Biologia no colégio e por isso as entendia com facilidade."

Salvatore também é coordenador do Projeto Baleias e Golfinhos de Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, a saúde desses mamíferos é um dos indicadores da qualidade do meio ambiente. Descobriu-se, por exemplo, que as baleias podem ter câncer por acumular no corpo substâncias que contaminam a água. A partir dessa informação, os zoólogos procuram verificar se outros animais marinhos também estão sofrendo os efeitos da contaminação do meio em que vivem e o que pode ser feito para melhorar a situação.

Outro zoólogo que desde menino já parecia saber o que queria ser quando crescesse é Márcio Borges Martins, pesquisador da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Como acampava muito com seus pais, sempre esteve em contato com a natureza. Certa vez, visitou o Museu de Ciências da PUC de Porto Alegre e ficou fascinado pelos répteis. Conclusão: começou a criá-los em casa! Os pais? "Não gostaram muito não, mas depois, foram se acostumando", conta ele. Hoje, Márcio trabalha descrevendo novas espécies de répteis. Essa área da zoologia chama-se Sistemática e, segundo ele, tem poucos especialistas, o que é uma pena, pois muitas espécies acabam extintas sem nunca terem sido registradas. Foi a tarefa de identificar e classificar animais que levou Márcio a descobrir mais quatro espécies de um tipo de lagarto sem patas chamado cobra-de-vidro. "Estou descrevendo quatro novas espécies, mas apenas três com distribuição no Brasil", diz ele.

Quando não está descrevendo répteis, Márcio participa do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul, o Gemars. No momento, eles estudam a toninha, um pequeno golfinho encontrado do Espírito Santo à Argentina, que está ameaçado de extinção pela frequência com que morre afogado ao emaranhar-se em redes de pesca e não conseguir subir à tona para respirar.

Viu quantas ocupações diferentes pode ter um zoológico?! Quem pensa em seguir esta profissão precisa estar disposto a frequentar o ambiente em que vivem os animais que escolheu para analisar. Além disso: "Tem de ler e estudar bastante e perceber o mundo a sua volta. Saber, por exemplo, por que tal ave está num lugar e não em outro, no que determinado bicho se diferencia do outro. O mundo é tão dinâmico, mas as pessoas, em geral, não percebem isso. O zoólogo sim!", ressalta Salvatore Siciliano. Se você pretende se tornar um zoólogo, guarde estas palavras...


Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 133, Março 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Declaração Universal do Direitos dos Animais

Assim como os humanos, os bichos também têm seus direitos. E, para garanti-los, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) - que se encarrega de promover a paz e os direitos entre homens - proclamou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, em 15 de outubro de 1978, em sua sede em Paris, na França.


Artigo I

Todos os animais nascem iguais diante da vida e têm o mesmo direito à existência.


Artigo II

a) Cada animal tem direito ao respeito.

b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar outros animais ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço  de outros animais.

c) Cada animal tem direito à cura e à proteção do homem.


Artigo III

a) Nenhum animal será submetido a maus-tratos e atos cruéis.

b) Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.


Artigo IV

a) Cada animal que pertence a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de reproduzir-se.

b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a esse direito.


Artigo V

a) Cada animal pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente do homem tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie.

b) Toda modificação imposta pelo homem para fins mercantis é contrária a esse direito.


Artigo VI

a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem direito a um período de vida conforme sua longevidade natural.

b) O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.


Artigo VII

Cada animal que trabalha tem direito a uma razoável limitação do tempo e intensidade do trabalho e a uma alimentação adequada e ao repouso.


Artigo VIII

a) A experimentação animal que implique sofrimento físico é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.

b) As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.


Artigo IX

No caso de animal ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido, alojado, transportado e morto sem que para ele resultem ansiedade e dor.


Artigo X

Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizam animais são incompatíveis com a dignidade do animal.


Artigo XI

O ato que leva à morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, delito contra a espécie.


Artigo XII

a) Cada ato que leve à morte um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie.

b) O aniquilamento e a destruição do meio ambiente natural levam ao genocídio.


Artigo XIII

a) O animal morto deve ser tratado com respeito.

b) As cenas de violência de que os animais são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como foco mostrar os atentados aos direitos do animal


Artigo XIV

a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser representadas em nível de governo.

b) Os direitos dos animais devem ser defendidos por leis, como os direitos dos homens.


Texto retirado da Revista Ciência Hoje para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003. Ministério da Educação - FNDE.

28 março 2026

O clone será um "clone"?

Muito bem, então por meio da clonagem podemos criar uma cópia idêntica de qualquer pessoa! Essa visão simplista da clonagem vem suscitando ideias fantasiosas de ressurreição de pessoas "interessantes" (para alguns, Mozart; para outros, Hitler), ou mesmo de um filho querido já morto. E a reversão da morte é de fato uma coisa irresistível.

Mas o clone será exatamente um clone? Ele será uma cópia idêntica do clonado - de sua matriz? Terá o mesmo físico, o mesmo tipo de cabelo, cor de olhos, temperamento, inteligência, gostos, aptidão? Sim, não - não sei. Recapitulando: o clone possui exatamente os mesmos genes que sua matiz. Se o genes determinam todas as nossas características físicas e, quem sabe, até as psíquicas, o clone será, de fato, idêntico à matriz, certo? Errado. Estamos esquecendo de uns temperos muito importantes, que não estão escritos nos genes, mas que dão uma graça toda especial a cada um de nós: o meio ambiente, as nossas experiências de vida.

Muitas das nossas características são influenciadas também pelo ambiente. Um exemplo óbvio é a cor da pele. Irmãos gêmeos idênticos, clones naturais, possuem exatamente os mesmos genes de cor de pele. No entanto, dependendo do estilo de vida de cada um - se um ama pegar ondas e o outro prefere a leitura, por exemplo -, eles terão cores de pele bem diferentes. Da mesma maneira, a alimentação na primeira infância é um fator decisivo no desenvolvimento neurológico de um bebê, e terá enorme influência no QI do indivíduo adulto. Essa alimentação estava escrita nos genes do bebê? Não.

Ainda é difícil estimar quanto a genética e o estilo de vida influenciam cada uma das nossas características. Mas mesmo diferenças sutis de condições e de experiências de vida são suficientes para imprimir características individuais em pessoas com genomas idênticos.

Assim, apesar de o clone ser uma cópia geneticamente idêntica do clonado, suas experiências de vida particulares influenciarão uma série de características de uma forma que não podemos prever. Pense apenas em todos os parentes, amigos, professores, enfim, todas as pessoas que passaram por sua vida. Tudo o que aconteceu perto de você e no mundo durante a sua vida. Eles deixaram diversas marcas, influenciando muito quem você é hoje em dia. Reproduzir a sua genética agora é fácil com a clonagem... Mas como reproduzir essa rede tão complexa de relações e experiências de vida?

Que decepção! Por um momento, pensamos que com a clonagem tínhamos finalmente conseguido driblar a cruel irreversibilidade da morte... Mas não faz mal - a clonagem com fins reprodutivos não é mesmo para ser feita. E por outro lado, com a clonagem terapêutica - apesar de não "ressuscitarmos" ninguém - melhoraremos a qualidade de vida de todos nós!


Texto de Lygia da Veiga Pereira (Geneticista, pesquisadora do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da USP); retirado da Revista Galileu,  Ano 11, Número 123, Outubro de 2001, Editora Globo, Rio de Janeiro.

Um Pouco de Fermento (108)

"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?" - Paulo. (I CORÍNTIOS, 5:6.)


Ninguém vive só.

Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.

Nossos atos possuem linguagem positiva.

Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.

Ações e reações caracterizam-nos a marcha.

É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.

Nossa conduta é um livro aberto.

Quantos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções!

Quantas frases, aparentemente inexpressivas arrojadas de nossa boca, estabelecem grandes acontecimentos!

Cada dia, emitimos sugestões para o bem ou para o mal...

Dirigentes arrastam dirigidos.

Servos inspiram administradores.

Qual é o caminho que a nossa atitude está indicando?

Um pouco de fermento leveda a massa toda.

Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.

Acautela-te, pois, com o alimento invisível que forneces às vidas que te rodeiam.

Desdobra-se-nos o destino em correntes de fluxo e refluxo. As forças que hoje se exteriorizam de nossa atividade voltarão ao centro de nossa atividade, amanhã.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

22 março 2026

Brincando com o Folclore

Pense na palavra folclore. O quem vem à sua cabeça? Saci-pererê, mula-sem-cabeça, bumba-meu-boi... Parece algo ligado à vida nas fazendas e cidades do interior, distante do dia-a-dia das grandes cidades, não é? Ou então, faz lembrar aquele livro empoeirado que fica lá no alto da estante e que ninguém lê e só se recorda dele uma vez no ano. Mas será que é isso mesmo?

A palavra vem do inglês: folk quer dizer povo e lore, saber. Logo, folclore é o saber do povo, tudo aquilo que o povo sabe, inventa, aprende, ensina. A maneira de viver, o jeito de entender o mundo, o modo de se expressar por meio das palavras e da arte - tudo isso é folclore, ou melhor, cultura popular. Portanto, está muito mais perto de nossas vidas do que podemos imaginar.

Como o Brasil é muito grande, em cada região do país o povo brasileiro se expressa de uma maneira diferente, apresentando brincadeiras, danças, cantigas e vocabulário próprios ou típicos, como se costuma dizer.

Por falar em típicos, os pratos típicos, isto é, a culinária também é parte do folclore! Quando dizemos vatapá, logo nos lembramos da Bahia; a feijoada de feijão-preto nos faz pensar no Rio de Janeiro; o churrasco, no Rio Grande do Sul; o pão de queijo, em Minas Gerais.

Muitas vezes, um mesmo prato ou fruta vai mudando de nome à medida que vamos percorrendo as regiões do Brasil: a tangerina do Rio de Janeiro se chama mexerica em São Paulo, e, em Pernambuco, laranja-cravo; a fruta-de-conde do Rio de Janeiro é pinha em Pernambuco e ata no Maranhão. O prato feito de arroz com carne-seca é conhecido como Maria Isabel no Piauí e arroz-de-carreteiro no Rio Grande do Sul. A canjica carioca corresponde ao mungunzá pernambucano. Parece confuso? E ainda nem falamos dos mitos e das lendas, das cantigas de roda e brincadeiras infantis...


Brincadeira do Centro-Oeste

Essa é uma brincadeira com bola muito comum entre as meninas de Goiás: uma de cada vez joga a bola contra a parede. Enquanto a bola vai e volta para suas mãos, a menina vai dizendo vários comandos que ela tem de fazer sem deixar a bola cair no chão! Depois, é a vez de outra menina jogar. Quem conseguir não deixar a bola cair, ganha o jogo! É assim:

Ordem

Primeiro

Sem sair do lugar

Sem rir

Sem falar

Com uma mão (pega a bola com uma das mãos)

Com a outra (pega a bola com a outra mão)

Com um pé (fica num pé só)

Com o outro (fica no outro pé)

Com uma palma (bate palma antes de pegar a bola)

Com duas palmas (bate duas palmas)

Com uma pirueta (gira uma das mãos em torno da outra) 

Com uma vira-volta (gira em torno de si mesma antes de pegar a bola de volta)

Esta versão de Goiás está no livro Folclore Brasileiro - Goiás, de Regina Lacerda (uma publicação da FUNARTE, 1977). Na versão carioca, há uma pequena variação no final da brincadeira. Depois da pirueta, as meninas falam assim:

Coração (cruza as mãos no peito)

Descanso (põe uma das mãos em cada coxa)

Perdão (ajoelha)


Xô, Araruna

(uma cantiga popular da Paraíba)

Xô, xô, xô, Araruna!

Xô, xô, xô, Araruna!

Xô, xô, xô, Araruna!

Deixa o arroz semear


Tenho um pássaro preto, Araruna

Que veio lá do Pará

Tenho um pássaro preto, Araruna

Que veio lá do Pará


Xô, xô, xô, Araruna!

Xô, xô, xô, Araruna!

Xô, xô, xô, Araruna!

Deixa o arroz semear


Pense no folclore como um grande quebra-cabeças em que cada peça é fundamental. Se faltar uma dança, uma lenda ou uma recita culinária, o quebra-cabeças ficará incompleto. Essas são as peças que formam esse jogo chamado cultura brasileira. É o que faz o Brasil diferente de outros países. Quanto mais se brinca com esse jogo, mais se conhece a riqueza do nosso país.

Que tal se você pesquisasse entre seus amigos e parentes para saber quem é de outra região do país? Pergunte, então, sobre comidas típicas, danças, cantigas e lendas características desse local. Depois, compare com as comidas, danças, cantigas e lendas típicas de sua região. Veja as semelhanças e diferenças.


Vamos todos cirandar

A ciranda é uma dança típica da região das praias pernambucanas. Os integrantes da ciranda dançam de mãos dadas formando uma grande roda e movimentando-se em círculo. Os braços acompanham o ritmo da ciranda que é marcado com os pés. O mestre cirandeiro (ou cirandeira) vai entoando versos de improviso enquanto os outros prosseguem repetindo o refrão.

A ilha de Itamaracá é conhecida por suas cirandas que acontecem durante o ano todo! Sua cirandeira mais famosa se chama Lia. Existe uma ciranda que tem um refrão que fala sobre isso:

"Essa ciranda

quem me deu foi Lia

que mora na Ilha 

de Itamaracá."


Mas quem afinal inventou essas danças, as cantigas de roda e as receitas culinárias? Experimente perguntar em casa sobre uma receita que você goste e procure saber quem ensinou a fazê-la. Se puder, tente falar com quem ensinou e procure saber onde aprendeu... E assim por diante. Você vai ver que não tem fim! O mesmo acontecerá com as cantigas de roda, as brincadeiras e os jogos infantis, as lendas e histórias de fada. São ensinamentos que vão passando de pai para filho, de geração a geração, e, nessa passagem do tempo, vão se modificando, adquirindo novos contornos, mas mantendo a estrutura original. É assim que o folclore se preserva e se mantém vivo.


Doce delícia

Aqui vai uma receita saborosa e fácil de fazer. Com poucos ingredientes é possível preparar um delicioso bolo de cenoura! Esta receita faz parte da culinária do Mato Grosso do Sul, mas ficou popular também no Rio de Janeiro.

INGREDIENTES:

2 cenouras médias

3 ovos inteiros

meia xícara de óleo

1 xícara e meia de açúcar

2 xícaras de farinha de trigo

1 colher de sopa de fermento

1 pitada de sal


MODO DE FAZER:

Descasque e pique as cenouras. Bata no liquidificador com os ovos e a óleo. Coloque esta massa numa tigela e acrescente o açúcar, a farinha e o fermento peneirados. Misture tudo sem esquecer a pitada de sal. Unte uma forma com margarina e passe farinha de trigo. Despeje a massa na forma e leve ao forno pré-aquecido. Quando o cheiro do bolo perfumar a casa, enchendo a nossa boca de água, é sinal de que está pronto! Depois de esfriar, retire da forma e... Bom apetite!


A cultura de um povo é um bem precioso que deve ser cuidado e cultivado. Tire a poeira da palavra folclore e brinque com as possibilidades que ela oferece. Pode ser muito divertido!


Texto de Edith Lacerda retirado da Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 12, Número 94, Agosto de 1999.

Renovemo-nos dia a dia (107)

 "...Transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." - Paulo. (ROMANOS, 12:2.)


Não adianta a transformação aparente da nossa personalidade na feição exterior.

Mais títulos, mais recursos financeiros, mais possibilidades de conforto e maiores considerações sociais podem ser simples agravo de responsabilidade.

Renovemo-nos por dentro.

É preciso avançar no conhecimento superior, ainda mesmo que a marcha nos custe suor e lágrimas.

Aceitar os problemas do mundo e superá-los, à força de nosso trabalho e de nossa serenidade, é a fórmula justa de aquisição do discernimento.

Dor e sacrifício, aflição e amargura, são processos de sublimação que o Mundo Maior nos oferece, a fim de que a nossa visão espiritual seja acrescentada.

Facilidades materiais costumam estagnar-nos a mente, quando não sabemos vencer os perigos fascinantes das vantagens terrestres.

Renovemos nossa alma, dia a dia, estudando as lições dos vanguardeiros do progresso e vivendo a nossa existência sob a inspiração do serviço incessante.

Apliquemo-nos à construção da vida equilibrada, onde estivermos, mas não nos esqueçamos de que somente pela execução de nossos deveres, na concretização do bem, alcançaremos a compreensão da vida, e, com ela, o conhecimento da "perfeita vontade de Deus", a nosso respeito.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

21 março 2026

O mito da criação da noite.

Antigamente não havia noite. Era sempre dia. O Sol brilhava esquentando a Terra. A Lua e as estrelas eram como o Sol. Tudo era luz e claridade na aldeia e na floresta. Os homens caçavam sem cessar e as mulheres trabalhavam sem descanso, pois era sempre  dia, noite não havia.

O Sol fazia seu percurso até o poente para então retornar pelo caminho inverso de volta ao nascente. Mauá controlava o Sol, a Lua e as estrelas, não permitindo que ninguém deles se aproximasse.

Certa vez, um homem quis saber como o Sol funcionava. Esperou que Mauá saísse para caçar e aproximou-se do Sol. Ao tocá-lo, o Sol quebrou, o mesmo acontecendo com a Lua e as estrelas. E a noite surgiu engolindo tudo. Os homens que caçavam na mata ficaram perdidos na imensidão do escuro. As mulheres mal conseguiam encontrar suas redes dentro da maloca. Crianças e idosos lamentavam-se do fundo da noite sem luz.

Mauá voltou para consertar o Sol. Ao ver o homem que o havia quebrado, Mauá lançou-se sobre ele e o atirou longe. Quando caiu, o homem transformou-se no macaquinho-mão-de-ouro, escuro como a noite e com as mãos douradas como o Sol que havia tocado.

Não foi possível consertar o Sol para que funcionasse como antes. O Sol caminhava para o poente mas não conseguia retornar, sumindo no horizonte e deixando a Terra na escuridão. Mauá então fez com que a Lua e as estrelas surgissem na ausência do Sol para iluminar um pouco a noite. E é assim até hoje.


Este é o mito da criação da noite dos índios Waimiri-Atroari, que habitam Amazonas e Roraima, na região norte do Brasil. Mauá, para eles, é o ser criador que transforma os homens em animais e cuida dos elementos da natureza: quando está zangado, sopra a ossada da cabeça de uma onça para fazer o trovão. É o guardião da vida: ao nascer uma criança, Mauá está sempre por perto. Mauá protege, mas também se vinga. É um guerreiro como o povo Waimiri-Atroari. O macaquinho-mão-de-ouro que aparece no mito é respeitado pelos índios por acreditarem que ele já foi gente e porque, graças a ele, hoje existe a noite.


Texto de Edith Lacerda (educadora que compartilhou durante quatro anos o cotidiano desse povo atuando como professora, recolheu este mito e escreveu esta adaptação), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 12, Número 94, Agosto de 1999.

Contando os Dias

Já pensou se cada pessoa tivesse sua própria maneira de contar os dias? O mundo seria uma loucura! Afinal de contas, o dia 20 para você poderia ser o dia 31 para o seu amigo ou o dia 12 para a sua professora ou o dia 10 para... Epa! Se ninguém estivesse no mesmo dia, como seria para marcar uma festa de aniversário ou a data de uma prova? Estar em sintonia com o tempo é tão importante para os compromissos do cotidiano e também para as comemorações que fica impossível imaginar nossas vidas sem o calendário. O texto que você vai ler agora conta a história dessa figura especial quase sempre esquecida na gaveta ou atrás da porta.


Antes que existissem calendários, antes mesmo que fosse estabelecida a duração dos meses e dos anos, o homem já procurava alguma forma de se orientar no tempo. Dois ciclos da natureza, o lunar e o solar, começaram a ser usados há milhares de anos e ainda hoje servem como base para a nossa contagem dos dias.

O primeiro refere-se à  passagem das quatro fases da lua (nova, crescente, cheia e minguante) e dura 29,5306 dias ou seja, 29 dias e 13 horas, aproximadamente. Já o ciclo solar é o período equivalente à passagem das estações do ano (primavera, verão, outono e inverno), que é de 365,2422 dias ou 365 dias completos e cerca de 6 horas.

Tanto o ciclo lunar quanto o solar podem servir para estabelecer calendários. Mas essa história do número de dias do ano não ser inteiro já deu muita confusão.


O calendário que veio de Roma

Diz a lenda que o calendário romano foi criado por Rômulo, o primeiro rei de Roma, no ano 735 antes de Cristo. Ele se baseava no ciclo lunar e tinha 304 dias divididos em 10 meses - seis com 30 dias e quatro com 31. Naquela época, a semana tinha oito dias e só passaria a ter sete no ano 321 depois de Cristo por ordem de Constantino, outro imperador romano.

Mas vamos voltar a Rômulo. Foi ele quem nomeou os primeiros quatro meses do calendário romano de martius (em homenagem ao deus da guerra), aprilis (provavelmente se referindo à criação de porcos), maius (para uma deusa italiana local) e junius (para a rainha dos deuses latinos). Os meses seguintes foram simplesmente contados em latim: quintilis, sextilis, septembre, ocotobre, novembre e decembre.

Como esse calendário não estava alinhado com as estações do ano, que têm duração aproximada de 91 dias cada uma, por volta do ano 700 antes de Cristo, o rei Numa, que subiu ao trono depois de Rômulo, decidiu criar mais dois meses: janus (em homenagem à deusa romana do nascer e do pôr-do-Sol) e februarius (que significava o mês das purificações). Embora as estações estejam ligadas ao ciclo solar, o novo calendário romano continuou seguindo o ciclo lunar, mas passou a ter 354 dias, resultado de seis meses de 30 dias e seis meses de 29 dias.

Durante o império de Júlio César, por volta do ano 46 antes de Cristo, o calendário sofreu mais mudanças. Os senadores romanos mudaram o nome do mês quintilius para julius, como forma de homenagear o imperador. Mais tarde, Augusto, que ocupou o trono depois de Júlio César, também foi homenageado e o mês sextilius passou a se chamar augustus. Mas não foi só isso.


Um ano de confusões

Ainda no império de Júlio César, o calendário passou a se orientar pelo ciclo solar, com 365 dias e 6 horas. O chamado calendário juliano foi uma tentativa de entrar em sintonia com as estações. Para ajustar a questão das horas, foi criada uma rotina em que por três meses seguidos o calendário deveria ter 365 dias. No quarto ano, ele passaria a ter 366 dias, porque depois de quatro anos as 6 horas que sobravam do ciclo solar somavam 24 horas, isto é, mais um dia. Estava assim estabelecido o ano bissexto.

O calendário juliano trouxe ainda mais novidades. Além dos meses alternados de 31 e 30 dias (exceto fevereiro que tinha 29 dias ou 30 em anos bissextos), passou-se a considerar janeiro, e não março, como primeiro mês do ano. A implantação de todas essas alterações fez com que o ano 46 antes de Cristo fosse bastante confuso. Até que tudo fosse ajustado, o ano teve três meses a mais, num total de 445 dias. Por conta de todas essa bagunça, o próprio imperador Júlio César o batizou de "ultimus annus confusiones". O povo o chamava simplesmente de "annus confusionis".

Anos mais tarde, quando o mês sextilius passou a ser chamado de augustus, ficou decidido que o mês em homenagem ao imperador Augusto não poderia ter menos dias que o mês em homenagem a Júlio César. Assim, um dia de februarius foi transferido para augustus, por isso hoje o mês de fevereiro tem 28 dias (ou 29 em anos bissextos). Para evitar que ocorressem três meses de 31 dias em sequência, o total de dias dos meses de septembre a decembre foi trocado, fazendo com que setembro e novembro ficassem com 30 dias, enquanto outubro e dezembro passavam a ter 31.


Ordens do Papa

O calendário usado hoje em quase todo o mundo é uma leve modificação do calendário juliano e foi introduzido por ordem do papa Gregório XIII, em 1582, sendo por isso chamado de calendário gregoriano. Mas por que mexeram na fórmula que parecia ter dado tão certo? Porque descobriu-se que o ciclo solar não tinha 365 dias e 6 horas redondas e sim 365 dias, 5 horas, 49 minutos e 16 segundos.

Essa diferença que parece pequena vai se acumulando e após um período de aproximadamente 134 anos passa a ser de um dia. Considerando isso e fazendo alguns cálculos, o médico e astrônomo italiano Aloisius Lilius se deu conta de que a defasagem chegava a três dias a cada 402 anos (134 X 3 = 402). Por isso, propôs que o resultado fosse arredondado para três dias a cada 400 anos. Logo, a cada 400 anos, deveria retirar três dias do calendário.

Mas quem iria fazer isso? Não seria necessário criar uma maneira mais fácil de lembrar da necessidade de encolher o calendário? Aloisius achou que sim e sugeriu que, no caso dos anos de virada de século, somente aqueles que fossem múltiplos de 400 seriam anos bissextos. E se tudo isso estava sendo discutido em 1582, pela nova regra de Aloisius, o próximo ano bissexto de virada de século seria 1600 (porque 400 X 4 = 1600, logo: 1600 é múltiplo de 400). Depois seria 2000 (porque 400 X 5 = 2000, logo: 2000 é múltiplo de 400).

Mas, mesmo depois de tanta matemática, Aloisius continuava com problemas. Como o calendário juliano considerava o ano com 365 dias e 6 horas, na época em que se descobriu que o ano era mais curto em alguns minutos e segundos, o calendário pelo qual as pessoas se orientavam estava 10 dias adiantado. O médico e astrônomo então sugeriu que fossem eliminados 10 dias do calendário daquele ano. Assim fez o papa Gregório XIII: suprimiu os dias 5 a 14 de outubro. Em outras palavras, o dia seguinte a 4 de outubro foi o dia 15 de outubro.

Essa atitude do papa deu o que falar! Muita gente ficou sem saber como comemorar o aniversário e muitas pessoas foram para as ruas protestar. Em alguns lugares, como na Inglaterra e em suas colônias, o calendário gregoriano só foi adotado em 1752, o que obrigou a eliminação de 11 dias do ano. Na Rússia, 13 dias foram eliminados porque lá o novo calendário só passou a vigorar em 1918.


De novo!

Quando tudo parecia ter entrado em sintonia, surgiu uma surpresa. Os avanços da ciência levaram os astrônomos do nosso tempo a concluir que Aloisius errou a extensão do ano em 30 segundos. Hoje, sabe-se que o ano tem 365 dias, 5 horas, 48 minutos e 46,04 segundos.

Com base nessa novidade, os calendaristas refizeram os cálculos e descobriram que é possível ajustar o calendário, se considerarmos que só serão bissextos os anos de virada de século que divididos por nove levem a um resto igual a 200 ou 600. Por esta regra, o ano 2000 será bissexto (porque na conta 2000 : 9, o resto é 200), bem como o ano 2900, 3300 etc. E assim vamos contando nosso tempo. Pelo menos, enquanto o ano tiver 365 dias, 5 horas e 48 minutos, 46 segundos e 4 centésimos.


Um nó no descobrimento do Brasil

Qualquer brasileiro perguntado sobre a data do descobrimento do Brasil responderia sem titubear: 22 de abril de 1500. Mas vamos pensar. Quando Pedro Álvares Cabral chegou aqui vigorava o calendário juliano, que considerava o ano com 365 dias e 6 horas. Em 1582, os cálculos dos cientistas mostraram que o ano era alguns minutos e segundos mais curto do que se pensava.

Na época, os astrônomos e matemáticos chegaram à conclusão de que essa aparente pequena diferença fazia com que o calendário estivesse atrasado em 10 dias. Quando o papa Gregório XIII ordenou que o calendário fosse modificado, esse atraso foi descontado, passando-se direto do dia 4 de outubro de 1582 ao dia 15 de outubro de 1582.

Assim, se esse atraso no calendário fosse descontado na época do descobrimento, e se a supressão de 10 dias fosse feita naquele ano, os portugueses não teriam aportado em nosso país no dia 22 de abril e sim em 2 de maio de 1500.


Texto de Romeu C. Rocha-Filho e Mário Tolentino (Departamento de Química da Universidade Federal de São Carlos) retirado da Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 12, Número 94, Agosto de 1999.

14 março 2026

Mitologia na história em quadrinhos

Uma das mais famosas histórias em quadrinhos dos anos 50 tinha os irmãos Billy e Mary Batson como principais personagens, ambos dotados de poderes extraordinários concedidos por uma mago egípcio chamado Shazam. Ao pronunciar a palavra Shazam! Billy transformava-se no capitão Marvel. Sua irmã também, embora com menos poderes.

A palavra Shazam é formada das iniciais de nomes históricos. Salomão, representando a sabedoria; Hércules, a força; Atlas, o vigor; Zeus, o poder; Aquiles, a coragem; e Mercúrio, a velocidade. Para uso de Mary Marvel, Shazam vinha das iniciais de deusas gregas e seus respectivos atributos: Selene, a graça; Hipólita, a força; Ariadne, a destreza; Zéfiro, a velocidade - não havia deusa iniciada pela letra Z...; Aurora, a beleza; e Minerva, a sabedoria.

Os dois irmãos lutavam contra o terrível doutor Silvana, versão daquele tempo para o Coringa, que hoje azucrina a dupla Batman e Robin. Sem sucesso, é claro, pois aí acabaria a ilusão dos antigos leitores e atuais telespectadores, convencidos de que o bem sempre vence o mal, lição que a vida nem sempre confirma...


Texto de Márcio Cotrim retirado da Revista Língua Portuguesa, Ano 1, Número 8, Editora Segmento, São Paulo, Junho de 2006.