30 maio 2026

Embainha Tua Espada (114)

 "Embainha tua espada..." - Jesus. (JOÃO. 18:11)


A guerra foi sempre o terror das nações.

Furacão de inconsciência, abre a porta a todos os monstros da iniquidade por onde se manifesta. O que a civilização ergue, ao preço dos séculos laboriosos de suor, destrói com a fúria de poucos dias.

Diante dela, surgem o morticínio e o arrastamento, que compelem o povo à crueldade e à barbaria, através das quais aparecem dias amargos de sofrimento e regeneração para as coletividades que lhe aceitaram os desvarios.

Ocorre o mesmo, dentro de nós, quando abrimos luta contra os semelhantes...

Sustentando a contenda com o próximo, destruidora tempestade de sentimentos nos desarvora o coração, ideais superiores e aspirações sublimes longamente acariciadas por nosso espírito, construções do presente para o futuro e plantações de luz e amor, no terreno de nossas almas, sofrem desabamento e desintegração, porque o desequilíbrio e a violência nos fazem tremer e cair nas vibrações do egoísmo absoluto que havíamos relegado à retaguarda da evolução.

Depois disso, muitas vezes devemos atravessar aflitivas existências de expiação para corrigir as brechas que nos aviltam o barco do destino, em breves momentos de insânia...

Em nosso aprendizado cristão, lembremo-nos da palavra do Senhor:

- "Embainha tua espada..."

Alimentando a guerra com os outros, perdemo-nos nas trevas exteriores, esquecendo o bom combate que nos cabe manter em nós mesmos.

Façamos a paz com os que nos cercam, lutando contra as sombras que ainda nos perturbam a existência, para que se faça em nós o reinado da luz.

De lança em riste, jamais conquistaremos o bem que desejamos.

A cruz do Mestre tem a forma de uma espada com a lâmina voltada para baixo.

Recordemos, assim, que, em se sacrificando sobre uma espada simbólica, devidamente ensarilhada, é que Jesus conferiu ao homem a bênção da paz, com felicidade e renovação.


Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

28 maio 2026

A Lealdade Linguística

 A EMPRESA FALA POR MEIO DO SENSO DE COMUNIDADE COMPARTILHADO PELOS EMPREGADOS


A entrada de um profissional na empresa ocorre formalmente em seu primeiro dia de trabalho. Ainda é registrada em um instrumento chamado Carteira de Trabalho, que os arqueólogos no futuro custarão a identificar.

Há um tempo decorrido entre começar a trabalhar e se sentir parte da empresa. Esse tempo é curto em empresas que são verdadeiramente ótimos lugares para trabalhar, apesar desta denominação imprecisa. Quanto

Uma longa Idade Média

A VIDA PORTUGUESA MEDIEVAL LEVOU A UM DADO USO DAS PALAVRAS QUE ESTÁ MUITO LIGADO À ADEQUAÇÃO CRIATIVA DA LÍNGUA A PADRÕES CADA VEZ MAIS INTERNACIONAIS


É comum imaginarmos o milênio correspondente à Idade Média como uma fase muito mais curta e homogênea do que de fato foi. Mesmo quando queremos ser específicos e restringimos nossas afirmações para um século, esquecemo-nos de que em cem anos muita coisa ocorre.

Se escolhermos arbitrariamente o ano de 1385, por exemplo, verificaremos que muita coisa ocorreu nessa data, que tem ligações diretas com a Língua Portuguesa. Quase 50 anos antes, já havia iniciado a Guerra de Cem Anos. Em 1385, em Portugal, D. João I (filho de Inês de Castro) vencia o exército de outro João I, de Castela, na batalha

17 maio 2026

Por não estarem distraídos

Havia a levíssima embriaguez de andarem juntos, a alegria como quando se sente a garganta um pouco seca e se vê que por admiração se estava de boca entreaberta: eles respiravam de antemão o ar que estava à frente, e ter esta sede era a própria água deles. Andavam por ruas e ruas falando e rindo, falavam e riam para dar matéria e peso à levíssima embriaguez que era a alegria da sede deles. Por causa de carros e pessoas, às vezes eles se tocavam, e ao toque - a sede é a graça, mas as águas são uma beleza de escuras - e ao toque brilhava o brilho da água deles, a boca ficando um pouco mais seca de admiração. Como eles admiravam estarem juntos!

Até que tudo se transformou em não. Tudo se transformou em não quando eles quiseram essa mesma alegria deles. Então a grande dança dos erros. O cerimonial das palavras desacertadas. Ele procurava e não via, ela não via que ele não vira, ela que estava ali, no entanto. No entanto ele que estava ali. Tudo errou, e havia a grande poeira das ruas, e quanto mais erravam, mais com aspereza queriam, sem um sorriso. Tudo só porque tinham prestado atenção, só porque não estavam bastante distraídos. Só porque, de súbito exigentes e duros, quiseram ter o que já tinham. Tudo porque quiseram dar um nome; porque quiseram ser, eles que eram. Foram então aprender que, não se estando distraído, o telefone não toca, e é preciso sair de casa para que a carta chegue, e quando o telefone finalmente toca, o deserto da espera já cortou os fios. Tudo, tudo por não estarem mais distraídos.


Crônica de Clarice Lispector retirada do livro Para Não Esquecer, Editora Rocco, Rio de Janeiro, 2020.

Confusão com São Pedro

Você vai neste avião, eu vou no próximo - decidiu ela de súbito, no último instante, quando o alto-falante já convocava os passageiros: queiram apresentar suas despedidas e boa viagem.

Ele deu um suspiro desalentado. Já fora um custo convencer a mulher de viajarem de avião. Ela dizia que tinha medo, por que não vamos de trem? E passara a noite toda naquela conversa, olha, meu bem, tenho um pressentimento ruim... Quando já estavam praticamente embarcados, vinha com novidade.

- Que bobagem é essa?

- Eu vou no outro - insistiu ela, aflita: - Tem outro avião daqui a meia hora.

- Mas por que isso assim de repente?

Ela olhava nos olhos como se se despedisse dele para sempre:

- Não podemos correr tanto risco juntos, meu bem, seja razoável. Temos nossos filhos, imagine se acontece alguma coisa.

- Não vai acontecer nada, mulher.

- Eu sei que não tem perigo, que é o transporte mais seguro do mundo, e as estatísticas, e essa coisa toda, você já me explicou. Mas pense um pouco nos nossos filhos, é uma chance de pelo menos um de nós dois escapar.

- Olha aí, já estão chamando de novo. Vamos embora, mulher.

Ela fincara pé, irredutível. Sem mais tempo para argumentar, ele acabou cedendo:

- Está bem, seja como você quiser! Mas então vai nesse, eu vou no outro. Se eu deixar você aqui, você acaba não indo.

Despediu-se dela, aborrecido, e foi tratar da transferência de sua passagem.

A mulher entrou no avião como um túmulo, o coração aos pulos. A porta se fechou, desligando-a para sempre do mundo. A seu lado, viajava um padre, alheio a tudo mergulhado no breviário.

De súbito o avião, já em pleno voo, começou a jogar. Eu não disse? Eu não disse? Entraram numa nuvem escura e nunca mais que saíam dela.

Em pânico, chamou o comissário: não é nada, minha senhora, uma pequena tempestade, estamos fazendo voo cego.

Voo cego! Sentindo-se perdida, voltou-se para o padre:

- Estou com tanto medo, seu padre.

O padre a olhou, desconfiado:

- Reza, que é melhor.

E voltou ao seu breviário. Rezar? Não, ela não sabia rezar. Lembrou-se de São Pedro, que era quem devia manobrar chuvas e tempestades - juntou as mãos e pediu-lhe auxílio:

- São Pedro, piedade de mim. Tenho meus filhos para criar. Fui criada sem mãe, o senhor não imagina a falta que uma mãe faz. Todos na minha família ficaram assim feito eu, só porque não tiveram mãe. Que será dos meus filhos sem mãe, São Pedro, mãe faz muito mais falta que pai, por favor me protege, se for preciso transfere essa tempestade para o avião dele, mas me salva desta que noutra eu nunca mais hei de me meter.

A falta de mãe não lhe abalara o prestígio junto a São Pedro - tanto assim que em pouco o avião deixava para trás a tempestade e saía para um céu azul, e logo descia no aeroporto sem mais novidades. Estava salva!

Comprou uma revista, sentou-se num canto e pôs-se a esperar o avião do marido. Esperou meia hora. Como ele nunca mais chegasse, correu, já aflita, a informar-se no balcão. Soube que não havia nada de especial: as más condições do tempo às vezes ocasionavam algum atraso.

- Más condições do tempo?

Não tinha dúvida, era a tempestade que mandara para ele. Roída de remorsos, juntou as mãos ali mesmo, em frente ao funcionário assombrado:

- São Pedro, essa não! Não faça isso comigo. Era mentira, o senhor não vai me levar a sério. O pai faz muito mais falta que a mãe, quem é que foi meter uma bobagem dessa na minha cabeça? Ele trabalha para sustentar a família, eu não faço nada que preste. E logo ele, tão bom que é, tão carinhoso, por favor, São Pedro, não faça isso com ele, joga essa tempestade para cima de outro que não tenha filhos, para cima dele não!

Em pouco São Pedro voltava a atendê-la, fazendo o marido desembarcar no aeroporto, são e salvo:

- Que cara é essa? Você está parecendo um fantasma! Aconteceu alguma coisa?

Ela se abraçou a ele, ansiosa:

- Você está bem? Você me perdoa?

- Eh, que novidade você vai inventar agora? Perdoar o quê, mulher?

- Tudo por minha culpa - choramingou ela. - Mas graças a Deus você está salvo. Fiz uma confusão enorme com São Pedro, você nem imagina. Da próxima vez, quer saber de uma coisa? Vou com você, morreremos juntos, nossos filhos que se danem.

Ele a olhou, francamente apreensivo. "Acho que essa minha mulher está ficando maluca", pensou.


Crônica de Fernando Sabino retirado do livro Para Gostar de Ler - Volume 2 - Crônicas, Editora Ática, 4ª Edição, 1980.

16 maio 2026

Busquemos o Melhor (113)

 "Por que reparas o argueiro no olho de teu irmão?" - Jesus. (MATEUS, 7:3.)


A pergunta do Mestre, ainda agora, é clara e oportuna.

Muitas vezes, o homem que traz o argueiro num dos olhos traz igualmente consigo os pés sangrando. Depois de laboriosa jornada na virtude, ele revela as mãos calejadas no trabalho e tem o coração ferido por mil golpes da ignorância e da inexperiência.

É imprescindível habituar a visão na procura do melhor, a fim de que não sejamos ludibriados pela malícia que nos é própria.

Comumente, pelo vezo de buscar bagatelas, perdemos o ensejo das grandes realizações.

Colaboradores valiosos e respeitáveis são relegados à margem por nossa irreflexão, em muitas circunstâncias simplesmente porque são portadores de leves defeitos ou de sombras insignificantes do pretérito, que o movimento em serviço poderia sanar ou dissipar.

Nódulos na madeira não impedem a obra do artífice e certos trechos empedrados do campo não conseguem frustrar o esforço do lavrador na produção da semente nobre.

Aproveitemos o irmão de boa-vontade, na plantação do bem, olvidando as nugas que lhe cercam a vida.

Que seria de nós se Jesus não nos desculpasse os erros e as defecções de cada dia?

E, se esperamos alcançar a nossa melhoria, contando com a benemerência do Senhor, por que negar ao próximo a confiança no futuro?

Consagremo-nos à tarefa que o Senhor nos reservou na edificação do bem e da luz e estejamos convictos de que, assim, agindo, o argueiro que incomoda o olho do vizinho, tanto quanto a trave que nos obscurece o olhar, se desfarão espontaneamente, restituindo-nos a felicidade e o equilíbrio, através da incessante renovação.


Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

Fuga

Mal colocou o papel na máquina, o menino começou a empurrar uma cadeira pela sala, fazendo um barulho infernal.

- Para com esse barulho, meu filho - falou, sem se voltar.

Com três anos já sabia reagir como homem ao impacto das grandes injustiças paternas: não estava fazendo barulho, estava só empurrando uma cadeira.

- Pois então para de empurrar a cadeira.

- Eu vou embora - foi a resposta.

Distraído, o pai não reparou que ele juntava ação às palavras, no ato de juntar do chão suas coisinhas, enrolando-as num pedaço de pano. Era a sua bagagem: um caminhão de plástico com apenas três rodas, um resto de  biscoito, uma chave (onde diabo meteram a chave da despensa? - a mãe mais tarde irá dizer), metade de uma tesourinha enferrujada, sua única arma para a grande aventura, um botão amarrado num barbante.

A calma que baixou então na sala era vagamente inquietante. De repente, o pai olhou ao redor e não viu o menino. Deu com a porta da rua aberta, correu até o portão:

- Viu um menino saindo desta casa? - gritou para o operário que descansava diante da obra do outro lado da rua, sentado no meio-fio.

- Saiu agora mesmo com uma trouxinha - informou ele.

Correu até a esquina e teve tempo de vê-lo ao longe, caminhando cabisbaixo ao longo do muro. A trouxa, arrastada no chão, ia deixando pelo caminho alguns de seus pertences: o botão, o pedaço de biscoito e - saíra de casa prevenido - uma moeda de 1 cruzeiro. Chamou-o, mas ele apertou o passinho, abriu a correr em direção à Avenida, como disposto a atirar-se diante do ônibus que surgia a distância.

- Meu filho, cuidado!

O ônibus deu uma freada brusca, uma guinada para a esquerda, os pneus cantaram no asfalto. O menino, assustado, arrepiou carreira. O pai precipitou-se e o arrebanhou com o braço como a um animalzinho:

- Que susto você me passou, meu filho - e apertava-o contra o peito, comovido.

- Deixa eu descer, papai. Você está me machucando.

Irresoluto, o pai pensava agora se não seria o caso de lhe dar umas palmadas:

- Machucando, é? Fazer uma coisa dessas com seu pai.

- Me larga. Eu quero ir embora.

Trouxe-o para casa e o largou novamente na sala - tendo antes o cuidado de fechar a porta da rua e retirar a chave, como ele fizera com a da despensa.

- Fique aí quietinho, está ouvindo? Papai está trabalhando.

- Fico, mas vou empurrar esta cadeira.

E o barulho recomeçou.


Crônica de Fernando Sabino retirado do livro Para Gostar de Ler - Volume 2 - Crônicas, Editora Ática, 4ª Edição, 1980.

Cromoterapia: a cura através das cores

Você já parou para pensar o quanto a cor da roupa que você usa está diretamente ligada ao seu humor? Ou por que a cor das paredes da sua casa pode aumentar ou diminuir o tamanho dos cômodos? Não? Pois então olhe ao seu redor. Tente perceber a influência das cores no seu dia-a-dia. Parece fácil, não? Pois é, mas as cores têm muito mais influência no cotidiano de cada um do que se pode imaginar. Elas são fundamentais até mesmo na cura das mais variadas disfunções orgânicas.

Por todas as influências que exercem no ser humano, as cores acabam sendo, muitas vezes, erroneamente classificadas. Existem três ciências que estudam as cores sob diferentes vertentes. A mais conhecida delas e também a que mais exerce influência no ser humano é a Cromoterapia. Essa ciência energética tem a capacidade de estabelecer a cura através das cores e está fundamentada em outras três ciências: a medicina, pelo poder da cura; a física, pelas transformações da energia; e a bioenergética, pela análise da energia vital.

As outras duas ciências que estudam as cores são a Cromosofia e a Cromologia. A que está mais ao alcance das pessoas, mesmo que indiretamente, é a Cromosofia, pois estuda a influência das cores no ser humano através do uso de roupas ou de ambientes. A interferência no ambiente é tão sutil que na maioria das vezes passa despercebida. Porém, vamos aos exemplos práticos de como as cores atuam no bem-estar de um indivíduo. Pesquisas mostram o efeito de cores específicas dentro de hospitais. O azul-claro, nas salas de conferência, facilita uma melhor comunicação nas reuniões, já o rosa-pink em clínicas psiquiátricas acalma os pacientes. Os estudos são comprovados e a eficácia garantida. Por isso, se você entrar em um hospital, consultório, escola, ou qualquer outro lugar público preste atenção nestes detalhes. Determinadas cores podem lhe trazer bem ou mal-estar, confiança ou medo, certeza ou incerteza, prazer ou desprazer. Perceba as sensações que o ambiente lhe proporciona e interaja com ele, pois esta é uma maneira de você aceitar ou não a energia que o espaço lhe oferece.

A Cromologia, outra vertente no estudo das cores, é o estudo físico das mesmas, ou seja, de suas características técnicas, como o seu comprimento de onda, a sua frequência, entre outras particularidades. Esse é um estudo da cor baseado em fenômenos físicos e visíveis.

É preciso ficar atento para distinguir essas ciências, pois não seria correto dizer que a sua dor de cabeça melhora com a cor da roupa que você usa. É preciso entender cada uma delas, em especial a Cromoterapia, para saber quais são os seus benefícios.

Você deve estar perguntando: mas como as cores trabalham a favor do ser humano?

A ideia é bem simples e eficiente. As cores são aplicadas de maneira a enviar energia luminosa e vibração para o campo celular, ativando-o e,  consequentemente, reativando o órgão ou o sistema em disfunção orgânica.

Ao mesmo tempo que a Cromoterapia é uma ciência simples aos olhos do leigo, se mal utilizada ela pode gerar graves consequências, por isso, antes de se contagiar por esta técnica alternativa de cura através das cores, procure profissionais habilitados para executá-la.


A ORIGEM DA CROMOTERAPIA

Quem pensa que a Cromoterapia ou Ciências das Cores é uma técnica recente está enganado! Esse estudo, que conquista cada vez mais adeptos, pode ser considerado um dos primeiros métodos terapêuticos utilizados pelo homem.

Para se ter uma ideia da sua importância é preciso levar em consideração todas as circunstâncias nas quais o homem estava submetido desde os mais primórdios tempos. O seu sistema imunológico era ativado ao máximo para que a cicatrização fosse rápida e, com isso, a infecção dos ferimentos fosse evitada.

A Cromoterapia era usada para a cura e o equilíbrio do corpo mesmo inconscientemente, pois as sete cores do espectro solar (vermelho, laranja, amarelo, verde azul, anil e violeta) utilizadas pela Cromoterapia eram emitidas através da radiação solar.

O uso das cores com o verdadeiro intuito de estabelecer a cura para os mais diversos males foi feito através de sacerdotes-médicos, no antigo Egito; de filósofos-médicos, na Grécia e de filósofos e médicos, na Índia e China. Assim como a Fitoterapia e a Hidroterapia, a Cromoterapia surgiu do desejo do homem de obter a cura. Desta maneira, não seria errado afirmar que os países precursores da Cromoterapia foram Egito, Grécia, Índia e China, locais de reconhecida sabedoria milenar.


FONTE DE CURA DO TODO

Para assimilar a influência das cores no bem-estar de uma pessoa, é preciso entender que o homem não é formado apenas por um corpo físico, mas por muitos. A filosofia oriental defende o princípio de que o homem é formado por sete corpos, os egípcios acreditam que sejam nove, mas o que se deve ter em mente é que existem, pelo menos, três corpos físicos: o físico, o energético e o espiritual.

O corpo físico é o material, ou seja, aquele  constituído por ossos, músculos, nervos, pele e por todos os órgãos que formam a estrutura humana. O corpo espiritual é o imaterial, o todo luminoso que comanda o físico e o energético. O mais sutil, que é o constituído pela energia cósmica, é o espiritual. O corpo espiritual recebe variadas denominações, entre elas, Bioplásmico, segundo uma pesquisa russa; Bioenergético, segundo estudos norte-americanos e Duplo-Etérico ou Etérico, como caracterizam as ciências esotéricas. O que se deve ter em mente é que o corpo energético é aquele que contém o campo de força do indivíduo. É através desse corpo que acontecem as manifestações eletromagnéticas, consequência das reações químicas do organismo.

Ao conjunto formado pelos corpos físico, energético e espiritual se dá o nome de aura. A aura, também denominada halo energético, é percebida pelo colorido que emana do corpo bioplasmático circundando o corpo físico em forma de ovóide. Ela é uma reflexo das condições peculiares do ser, ou seja, mostra o seu caráter, os seus pensamentos, os sentimentos, as virtudes, os defeitos morais, assim como o estado de saúde e de doença.

De uma maneira geral, esse halo energético é formado por três partes: o campo estável, a faixa ondulante e as estrias curtas. O campo estável indica os elementos permanentes como o caráter da pessoa e o seu grau de espiritualidade; já a faixa ondulante indica o comportamento da pessoa diante das interferências externas e as estrias curtas cintilantes ou radiações luminosas indicam as reações momentâneas.

Assim, os pensamentos e moções do momento serão observados através das estrias curtas e quando esses desejos se tornam permanentes, eles serão caracterizados na parte fixa da aura, em forma de estrias longas.

Mas como enxergar essas reações se elas são emitidas pelo corpo bioplasmático, ou seja, o corpo que não é visível? Caso essa pergunta tenha surgido ao longo da descrição das reações da aura, não se preocupe. Essa indagação foi, sem dúvida, o estímulo para os criadores do que chamamos foto kirlian ou foto-aura, que é o retrato dos campos energéticos do ser humano.

O casal russo Valentina e Semyon Davidovitch Kirlian, iniciou a pesquisa em 1939 que resultou em uma máquina especial de catodo e anodo, com a capacidade de retratar o halo energético que circunda a periferia do corpo físico, ou seja, a aura.

Essas experiências foram difundidas para o mundo somente a partir da década de 60.

Para se obter a foto-aura, o casal utilizou uma película fotossensível submetida à ação de um campo eletromagnético de radiofrequência que deveria captar um nível mínimo de intensidade de campo, com frequência variando entre 75 e 200 KHz. 

A princípio, a foto kirlian era obtida de corpo inteiro, mas o custo deste processo era altíssimo. Com o tempo, os pesquisadores perceberam que os resultados das fotos de diversas partes do corpo eram as mesmas da foto de corpo inteiro no que se referia às cores e principais detalhes. Atualmente, fotografa-se somente a ponta dos dedos, sendo que cada um deles fornece a informação relativa a determinado órgão e sistema do organismo.

Os órgãos são evidenciados na Cromoterapia e em outras técnicas alternativas sob o nome de chakras ou vórtices de energia. Essa palavra de origem sânscrita significa roda ou disco.

Os chakras são centros magnéticos vitais que envolvem o corpo etérico e que têm a capacidade de captar e expulsar as energias. Recebem outras denominações, entre elas, centros de força e pontos de conexão, pois são os canais por onde a energia vital flui do homem. O tamanho de um chakra depende do desenvolvimento espiritual e da vibração que cada um emite. Em pessoas mais evoluídas espiritualmente o diâmetro de um chakra pode atingir até vinte centímetros e sua cor será suave, quase translúcida, com um brilho irradiante. Já os chakras de pessoas com energia mais "pesada" têm tamanho pequeno, cores indefinidas e escuras e bastante opacas.

Cada chakra tem cor característica, variando de tonalidade em função do estado biopsicoenergético do indivíduo. Quando uma pessoa está passando por uma perturbação mental ou física ela costuma perder energia. Essa perda é detectada através do chakra e é por intermédio dele que se dá a recuperação do corpo físico. Dados históricos mostram que os hindus comparavam os chakras à forma das flores de lótus, por isso é comum falar da cor de cada chakra e do seu número de pétalas.

Embora existam 21 vórtices de energia ou chakras, os sete principais são: o básico ou genital, o esplênico, o solar ou da força, o cardíaco, o laríngeo, o visual e o coronário. Além desses vórtices, há um vórtice diferenciado que é o estelar.


OS CHAKRAS

Cada vórtice

09 maio 2026

O que é vida?

 Rex, Diná e Zíper em: O que é vida?


A brincadeira rolou a tarde toda na casa da Diná. Rex e Zíper se divertiram por horas com a amiga e seus brinquedos jurássicos. Até que chegou a hora de guardá-los...

- Psiu! Meninos, vocês escutaram?!

Diná havia acabado de fechar as portas do baú onde deixava os brinquedos.

- Nós? Zíper e Rex olharam um para o outro - Não, o que houve?

- Um barulho dentro do baú! - disse Diná, abrindo-o. Tudo estava em ordem.

Zíper cutucou Rex.

- Ri, ri! Acho que Diná pensa que os brinquedos estão vivos!

- Óbvio que não, né, zangão!

Sou capaz de reconhecer a distância um ser vivo de algo que não tem vida, como brinquedos!

- Ah, é? Então, conte para mim: qual é a diferença entre os seres que têm vida e os que não têm? - quis saber o zangão.

- Ora, é algo tão óbvio: a diferença é... - Dina empacou. - Ué, diga você, já que se acha tão sabido!

- E eu lá sei? Perguntei só por perguntar!

Diná preparava uma resposta malcriada quando Rex propôs.

- Por que, então, a gente não pesquisa e descobre?

Ideia aceita, o trio decidiu ir à biblioteca. Por conta disso, Diná anunciou:

- O lanche só será servido quando o mistério for elucidado!

Após ler vários livros, Rex, Diná e Zíper reuniram-se para mostrar o que descobriram. O zangão foi o primeiro a falar.

- Não se sabe ao certo quantas espécies de seres vivos existem na Terra hoje. No entanto, estima-se que haja, aproximadamente, cinco milhões.

Rex e Diná estavam de boca aberta.

- Surpresos? Pois saibam que esse número corresponde a apenas uma pequena parte do total de espécies de seres vivos que já existiu no planeta. - prosseguiu o zangão. - Desde a origem da vida, há cerca de 3,8 bilhões de anos, acredita-se que a Terra abrigou, aproximadamente, 500 milhões de espécies de seres vivos. Como você deve ter percebido, a maioria desapareceu: de cada 100 espécies, 99 foram extintas.

- Os dinossauros, por exemplo! - Rex sacou do bolso fotos da família. - Lembro tão bem do meu bisavô, do meu primo, da titia...

- Mas, Zíper, continuando... - Diná nem deu trela para as lembranças do dinossauro. - Vocês já ouviram falar que seres vivos são aqueles que nascem, crescem, se reproduzem e morrem? Pois é, eu encontrei essa definição em vários livros. No entanto, acredito que ela não esteja certa. Afinal, há muitas coisas que não têm vida, mas também nascem, crescem e morrem. As estrelas, por exemplo. Ou o fogo.

- Bom, então, não é o fato de nascer, crescer, se reproduzir e morrer que diferencia os seres vivos dos que não têm vida. - concluiu Rex. - Ainda mais porque há seres vivos que não se reproduzem como a mula.

- Então, precisamos pensar numa nova definição! Alguns livros que consultei diziam que os organismos vivos são os que se alimentam, pegando nutrientes e energia do ambiente para se desenvolver. - disse Zíper.

- Mas não são apenas seres vivos que agem dessa forma. - interrompeu Diná. - Há muitos sistemas que captam matéria e energia para se desenvolver. Vocês sabiam, por exemplo, que existe um ciclone no hemisfério sul de Júpiter há mais de 300 anos?

Pela fisionomia do dinossauro e do zangão, Diná percebeu que a resposta era não. - Com milhares de quilômetros de extensão, a Mancha Vermelha de Júpiter continua a girar e a se desenvolver graças à energia e matéria que retira do espaço!

- Impressionante, não é, Rex? - perguntou, admirado, Zíper. Mas o zangão só recebeu um resmungo como resposta.

- Impressionante é a gente ainda não ter chegado até agora a nenhuma conclusão sobre o que é vida.

- Mas que criatura pré-histórica rabugenta! - censurou Diná.

- Rabugenta, não: esfomeada! Adiam o lanche, sou obrigado a pesquisar sem comer nada e nem posso reclamar! Cadê os meus direitos?

- Ai, Rex, você só pensa em comer! Eu disse: basta a gente encontrar a resposta dessa pergunta e, pronto, o lanche será servido! Então, coloque a cachola para funcionar!

Nesse momento, Rex teve uma ideia que lhe pareceu, como sempre, brilhante.

- Ah, será que o DNA, aquela molécula que existe no núcleo das células de todos os seres vivos, não tem a ver com essa história?

Diná havia ouvido falar daquelas três letrinhas. Mas sabia pouco a respeito. Então, decidiu pesquisar mais para aprender. Será que, assim, ela ficaria mais perto de solucionar o enigma e Rex, do lanche?

- O que vocês acham de conversarmos sobre receitas? - perguntou Diná ao voltar para junto dos amigos na biblioteca.

- Você sai para pesquisar sobre o DNA e volta falando de receitas? estranhou Rex. - Endoidou?

- Que nada, dinossauro! Saiba que muitas pessoas, quando precisam explicar o que é o DNA, o comparam a uma receita? Elas querem dizer com isso que essa molécula guarda informações necessárias para fazer um ser vivo do jeito que ele é.

- Então, a gente acaba de achar a resposta para o enigma. O que é a vida? As informações presentes no DNA colocadas em prática! Ou, se você preferir, as receitas! - raciocinou Rex, certo de que havia decifrado a questão.

- É, nós até que poderíamos dar o nosso trabalho de pesquisa por encerrado, Rex. Afinal, muitas pessoas, inclusive cientistas famosos, pensam assim. - Diná explicou. - Mas sabe qual é o problema? Essa definição é muito restrita. Ela passa a noção de que o DNA é uma molécula especial e até mais importante do que as outras. Afinal, segundo ela, o DNA seria a "receita da vida".

Diná tomou fôlego antes de continuar a falar.

- Acontece que o DNA, sozinho, não é capaz de nada. Ele precisa de alguns tipos de proteínas para ser feito. Proteínas são substâncias com várias funções. Há aquelas que formam as células, outras tornam mais rápidas as reações que ocorrem em um organismo. E algumas, como eu disse, auxiliam a formar o DNA! - explicou ela. - No entanto, o curioso é saber que o DNA não só necessita de certas proteínas para existir como também está envolvido no processo de produção de todos os tipos de proteínas, até mesmo das que ajudam a fazê-lo!

- Ué, então, é como a velha história do ovo e da galinha: é do ovo (proteína) que vem a galinha (o DNA), mas é a galinha (DNA) quem põe o ovo (proteína)! - comparou Rex. - Lembrando, claro, que não é o DNA quem produz as proteínas diretamente. Ele participa do processo que leva à produção de todas as proteínas, até mesmo das que auxiliam a fazê-lo.

- Então, Rex, temos um dilema a resolver! - percebeu Zíper. - Quem veio primeiro? O DNA ("a galinha") ou a proteína ("o ovo")?

- Uma saída é responder: nem um, nem outro, mas o chocar, quer dizer, a operação que eles realizam. Isto é, o fato de o DNA comandar a produção de todas as proteínas e, de algumas delas, por sua vez, auxiliarem a fazer o próprio DNA. - respondeu Diná.

- Então, para alguns cientistas, essa operação, esse processo seria a vida? - quis saber Zíper.

- Sim. Para eles, o DNA e as proteínas não teriam qualquer papel especial, apenas a interação entre eles. Assim, a vida não ficaria resumida a uma molécula. E, portanto, seria encarada de forma mais ampla. Afinal, se a vida é um processo, significa que ela produz a si mesma continuamente.

- Uau! - disseram Rex e Zíper em coro. - Eu nunca seria capaz de imaginar a vida assim!

Era a deixa que Diná esperava para brincar com os amigos.

- Depois do lanche, vocês terão energia para isso, meninos! Afinal, a barriga do Rex irá parar de roncar e, em silêncio, pensar ficará muito mais fácil...

Rindo, o trio rumou para a casa de Diná onde, finalmente, era hora do lanche!


Texto de Luiz Antônio Botelho Andrade e Edson Pereira da Silva (Instituto de Biologia, Universidade Federal Fluminense), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Que Farei? (112)

 "Que farei?" - Paulo. (ATOS, 22:10)


Milhares de companheiros aproximam-se do Evangelho para o culto inveterado ao comodismo.

Como dominarei? - interrogam alguns.

Como descansarei? - indagam outros.

E os rogos se multiplicam, estranhos, reprováveis, incompreensíveis...

Há quem peça reconforto barato na carne, quem reclame afeições indébitas, quem suspire por negócios inconfessáveis e quem exija recursos para dificultar o serviço da paz e do bem.

A pergunta do apóstolo Paulo, no justo momento em que se vê agraciado pela Presença Divina, é padrão para todos os aprendizes e seguidores da Boa Nova.

O grande trabalhador da Revelação não pede transferência da Terra para o Céu e nem descamba para sugestões de favoritismo ao seu círculo pessoal. Não roga isenção de responsabilidade, nem foge ao dever da luta.

- Que farei? - disse a Jesus, compreendendo o impositivo do esforço que lhe cabia.

E o Mestre determina que o companheiro se levante para a sementeira de luz e de amor, através do próprio sacrifício.

Se foste chamado à fé, não recorras ao Divino Orientador suplicando privilégios e benefícios que justifiquem tua permanência na estagnação espiritual.

Procuremos com o Senhor o serviço que a sua Infinita Bondade nos reserva e caminharemos, vitoriosos, para a sublime renovação.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

07 maio 2026

A fé de cada um

Você está convidado a conhecer um pouco de algumas das religiões mais praticadas no mundo para entender o que elas têm em comum e também as suas diferenças. Antes, porém, queremos deixar claro que religião é parte da história e da cultura dos povos, e que, portanto, nenhuma religião é superior à outra. Com essa ideia na cabeça, não importa no que acreditamos, nem mesmo se não acreditamos em nada. O que vale é conhecer e, claro, respeitar.

Existem muitas religiões em todo o mundo. Algumas acreditam em vários deuses e outras, em um só. As que acreditam em vários são chamadas politeístas; e as que acreditam em apenas um, monoteístas. Para este  texto, destacamos o budismo, o candomblé, o cristianismo, o hinduísmo, o islamismo, o judaísmo e a umbanda. De todas essas, apenas o cristianismo, o judaísmo e o islamismo são monoteístas. As demais são politeístas. Vamos saber mais?


Cristianismo

O cristianismo é a religião que, como o nome indica, segue os ensinamentos de Jesus Cristo. Para os cristãos, Jesus é o filho de Deus, e Deus é o criador do universo e de todos os seres. Deus teria enviado seu filho para salvar o ser humano dos pecados do mundo e, por isso, Jesus morreu na cruz, sacrificado em nome da humanidade.

Os cristãos se dividem entre católicos e protestantes, mas até p século 16, só existia a Igreja Católica. A divisão começou na Europa com um grupo de pessoas insatisfeitas com algumas ideias e práticas do catolicismo. Essas pessoas, então, reformularam a doutrina religiosa e essa reformulação ficou conhecida como Reforma Protestante, porque era a reforma dos que protestavam. Mas contra o quê esse grupo protestava? Bem, entre outras coisas, protestava contra o poder do Papa, contra a proibição do casamento de padres e freiras e contra o batismo em recém-nascidos.

Para os protestantes, o batismo só deve ser realizado quando a pessoa tem condições de escolher sua religião, por isso, eles não batizam bebês e crianças muito pequenas. Eles se opõem à proibição do casamento de padres porque não veem mal algum no fato de um religioso se casar. Depois dessa primeira reforma, muitas outras aconteceram e por conta disso surgiram, no mundo, várias igrejas protestantes: batistas, pentecostais, metodistas, adventistas, etc.

Apesar das diferenças, tanto católicos quanto protestantes acreditam que Jesus foi o enviado de Deus, o Messias. O livro sagrado dos cristãos é a Bíblia, na qual eles buscam as palavras de Deus e as explicações para muitas coisas que acontecem no mundo.


Judaísmo

A palavra 'judeu' vem de Judeia, nome de uma parte do antigo reino de Israel, no Oriente Médio. Os judeus podem pertencer a qualquer nação ou etnia e hoje em dia vivem espalhados por todo o mundo. Existem judeus que não praticam a religião, são apenas descendentes de judeus; já os que seguem rigorosamente todos os preceitos da religião são considerados ortodoxos.

Mas onde começa a história do judaísmo? Há séculos antes de Cristo, com Abraão, que é considerado o principal patriarca da fé judaica. Orientado por Deus, Abraão levava a fé a todos os povos que encontrava. Deus prometeu-lhe fazer de seu povo (os hebreus) e de todos aqueles que seguissem suas palavras o 'povo escolhido', levá-lo até Canaã - a Terra Prometida - e lá fundar a grande nação judaica. Outro nome importante para os judeus é o de Moisés, considerado um dos fundadores da religião. Moisés teria sido colocado pela mãe numa cestinha às margens do rio Jordão, no Egito, para ser salvo de um faraó que queria matar todos os filhos dos hebreus do sexo masculino. Acontece que Moisés foi encontrado pela filha desse faraó, criado como egípcio até a idade adulta, quando, escolhido por Deus, libertou o povo hebreu da escravidão no Egito.

O povo judeu comprometeu-se a cumprir as leis de Moisés e a adorar a um único deus. Tudo isso está na Bíblia, o livro considerado sagrado pelos judeus e pelos cristãos. É importante distinguir que os judeus seguem o Velho Testamento - ao que chamam Torá, em hebraico - e os cristãos seguem o Novo Testamento.

Os judeus não acreditam que Jesus Cristo seja o filho de Deus, mas apenas um profeta, como tantos outros que surgiram naqueles tempos. Para eles, o Messias, isto é, o salvador da humanidade, ainda está para chegar.


Islamismo

É a religião dos muçulmanos. Islã, em árabe, quer dizer submissão; portanto, Islamismo é a religião que prega que o homem deve submeter-se ao sagrado, ao divino, a Alá, que seria o mesmo deus ao qual se referem os cristãos e os judeus.

O islamismo surgiu na Arábia e hoje, como tantas outras religiões, já se espalhou pelo mundo. É a segunda religião com o maior número de seguidores - a primeira é o cristianismo. A maioria dos muçulmanos vive na África, na Ásia e no Oriente Médio.

No ano de 570 depois de Cristo, nasceu, em Meca, o fundador da religião islâmica, o profeta Maomé. Ele foi apelidado de Al Amin, que quer dizer 'o crente', porque afirmou que um anjo chamado Gabriel apareceu dizendo que ele teria de levar a todos os homens a palavra de Alá. O anjo teria nas mãos um pergaminho, no qual estavam escritas as palavras de Alá e Maomé teria sido aconselhado a decorar aqueles ensinamentos para recitar a todo o mundo. E assim ele teria feito. Muito tempo depois, os seguidores de Maomé, preocupado em não deixar que aqueles ensinamentos se perdessem, resolveram anotar tudo que o profeta pregava. As palavras de Maomé mais tarde foram impressas em um livro que ficou conhecido como Alcorão, cujos ensinamentos são seguidos por todos os muçulmanos.

Para os muçulmanos não existe outro deus senão Alá, e Maomé é o seu profeta. Esta é a declaração de fé do islamismo.


Hinduísmo

Religião nascida na Índia há cerca de quatro mil anos. A maioria dos hinduístas vive no país de origem da religião, mas existem hinduístas vivendo em outras partes do mundo.

Os seguidores dessa religião não têm obrigação de frequentar nenhum tipo de templo, porque podem cultuar seus deuses em casa. Entre as crenças está a reencarnação. Ou seja: eles acreditam que após a morte todos os seres voltam à vida sob a forma de gente ou animal. Eles também creem que tudo o que você faz nesta vida determina a situação em que você virá na próxima. Por isso, eles pregam que o ser humano deve praticar só o bem, ser honesto, trabalhar muito e cuidar de seus familiares e amigos. Esse modo de vida eles chamam de Dharma.

Na Índia, a vaca é considerada um animal sagrado; nenhum indiano pode matar uma vaca, pois é um animal que pode alimentar, com seu leite, o homem. Ela é considerada mais pura do que os sacerdotes, e quando algum indiano a toca, acredita que se purifica.

Os deuses mais populares na Índia são Brahma, Shiva e Vishnu. Brahma é o criador do universo, Vishnu é o que sustenta e protege o mundo e Shiva é aquele que destrói, dançando sobre ele. Depois, Brahma tem de reconstruir tudo.


Budismo

Essa é uma religião que pode ser considerada diferente das outras por não pregar a crença em nenhum deus. Ela considera que todas as pessoas são responsáveis por suas ações e, por isso, devem aprender a viver com sabedoria para serem felizes. Era Buda quem pregava isso. Você sabe quem foi este homem?

Conta-se que o filho de um rajá que viveu no noroeste da Índia, muitos anos antes de Cristo, foi o fundador do budismo. Esse príncipe vivia com muito luxo, mas era proibido de sair dos domínios do palácio. Uma profecia dizia que ele só seria um grande governante se não conhecesse os sofrimentos do mundo; caso contrário, ele abandonaria toda sua riqueza e deixaria o palácio. Por conta disso, o rei o mantinha protegido do mundo e não permitia que o príncipe sequer olhasse por sobre as muralhas. Assim ele viveu, cercado de ouro e de delícias, até completar 29 anos, quando resolveu sair escondido. Foi aí que a profecia se cumpriu: ele viu um velho, um homem doente e um cadáver, e descobriu, ao mesmo tempo, a velhice, a doença e a morte, concluindo que elas podiam atingir a qualquer um. Depois dessas visões, ele se deparou com um homem que vivia com muita simplicidade. Percebendo que aquele homem era feliz apesar de não possuir riquezas materiais, resolveu, então, abandonar tudo que tinha: o palácio, a mulher, o filho e todos os bens materiais.

Daí veio a simplicidade que Buda pregava. A religião que surgiu a partir dos ensinamentos deste homem determina que seus monges possuam apenas oito requisitos: 1. roupas (de cor marrom, laranja ou preta); 2. um cinto; 3. uma tigela para as doações que deverá receber dos outros; 4. agulha e linha; 5. um cajado; 6. uma navalha; 7. um palito de dentes; 8. um coador para coar a água que bebe, evitando que alguma criatura viva seja engolida sem querer.

A meditação é muito importante para os budistas. Eles meditam diariamente a fim de alcançar a sabedoria e a iluminação. Os mandamentos da religião são cinco: não fazer mal a nenhuma criatura viva; não tomar aquilo que não lhe foi dado; não se comportar de modo irresponsável nos prazeres sexuais; não falar falsidades; não se entorpecer com álcool ou drogas.


Candomblé e Umbanda

São religiões de origem africana que foram trazidas para as Américas Central e do Sul, especialmente para o Brasil, pelos negros, que, na época da colonização, eram retirados de sua terra e vendidos como escravos do outro lado do oceano. Além de muita saudade e sofrimento, os negros escravizados trouxeram consigo suas crenças e seus costumes.

Nas senzalas, longe dos senhores de escravos, eles realizavam os rituais de candomblé para cultuar seus orixás. Mas o que são orixás? São os deuses africanos que receberam de Olorum - que seria o deus dos deuses - a incumbência de criar e governar o mundo. Por isso, cada orixá é responsável por um aspecto da natureza e da condição humana. Oxum, por exemplo, seria a deusa da água doce e, entre as qualidades humanas, representaria a vaidade.

Mas, como revela a História, os colonizadores proibiam que os escravos cultuassem outra religião que não a católica. E o jeito que os negros encontraram para não serem afastados de sua fé foi criar uma relação entre os seus orixás e os santos do catolicismo. Iansã, tida como a deusa dos ventos, passou a ser cultuada na figura de Santa Bárbara; Ogum, orixá guerreiro, seria São Jorge; e assim aconteceu também com os demais. Foi do sincretismo religioso - ou, em outras palavras, da mistura de religiões - que surgiu a Umbanda.

Tanto o Candomblé quanto a Umbanda são praticados com muita música, muita dança e muita alegria. Para ambas, a vida terrena tem interferência direta da vontade dos orixás.

Bem, a nossa história se encerra aqui. Mas espero que a sua curiosidade vá além. Procure saber mais sobre as religiões, se informar melhor sobre a cultura dos diferentes povos. Essa é a maneira mais interessante de descobrir que todas as crenças merecem respeito e que só o respeito pode evitar guerras.


Texto de Georgiana da Costa Martins (Escritora de Literatura Infantil, Faculdade de Letras, Universidade Federal do Rio de Janeiro); retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro e Fevereiro de 2003; Ministério da Educação, FNDE.

Uma ave que desbota na gaiola

Da próxima vez que passar perto de restingas, capoeiras ou beiras de mata, fique bem atento para qualquer vulto vermelho por trás da folhagem. Pode ser que você aviste um tiê-sangue, ave que só existe no litoral do Brasil e cujo nome foi inspirado em suas penas, vermelhas como o sangue. O tiê possui ainda as asas e a cauda negras e uma mancha branca reluzente no bico. Só não espere tanto de seu canto, porque... não tem nada de especial!

As cores vivas e contrastantes do tiê-sangue atraem o interesse dos criadores de passarinhos. Só que não adianta querer criar essa ave em cativeiro para apreciar sua beleza, porque, na gaiola, ela fica com uma coloração pálida e sem graça. O vermelho vivo da plumagem depende dos frutos de que se alimenta, alguns contêm um pigmento chamado astaxantina. Assim, se não receber a mesma variedade de frutos em cativeiro, o tiê fica com uma cor alaranjada, desbotada. Sinal de que em liberdade as aves são mais felizes e mais bonitas, não acha?

Mas, no caso do tiê-sangue, a beleza da plumagem é privilégio dos machos da espécie. De vermelho, as fêmeas têm apenas os olhos. No resto, a coloração delas é castanha, geralmente pálida e mais escura. Os filhotes com poucos meses de vida também são assim, porém, com uma cor ferrugem no ventre, olhos cinzentos e um jeito meio estabanado e descuidado de agir. Às vezes, ficam bem visíveis, porque não são ariscos e desconfiados como os adultos. Nessa idade ainda não dá para diferenciar o macho da fêmea, porque as penas vermelhas dos machos só aparecem por volta de um ano de vida. Enquanto não crescem totalmente - estando, digamos, na adolescência -, eles têm um aspecto malhado que os fez ficarem conhecidos como "machos pintões".


Uma espécie muito sociável

O tiê-sangue vive sempre em grupos, cuja constituição varia com o tempo. No período de reprodução - que vai de julho a fevereiro -, eles são formados por machos e fêmeas adultos e seus filhotes, com poucos meses de vida. No entanto, basta os filhotes ficarem um pouco mais crescidos para a situação mudar: as fêmeas jovens saem de casa! Partem à procura de outros grupos em que possam se instalar e encontrar parceiros para se reproduzir. O fenômeno é conhecido como "dispersão natal" e já observado em outras espécies de aves, mas ainda não se sabe por que acontece.

Uma das hipóteses sugere que as fêmeas jovens vão embora para deixar o terreno livre para suas mães, que sendo mais experientes, têm direito de ficar com os melhores machos. Os machos mais disputados são aqueles que defendem os melhores territórios (área com comida e lugares adequados para a construção de ninhos) e ajudam a fêmea a criar seus filhotes.

O macho jovem, ao contrário da fêmea, permanece ajudando os pais a cuidar de seus irmãos mais novos. Ele ganha experiência e se familiariza com o ambiente, tentando conquistar territórios vizinhos para aumentar a área ocupada pelo grupo e para, futuramente, se reproduzir. Acredita-se que ele herde o território do pai, quando este morre.


Mãe para tiê nenhum botar defeito

Quando chega a hora da fêmea do tiê pôr seus ovos, ela constrói o próprio ninho, aberto e com a forma de uma tigela com paredes bem espessas. Logo após a construção, que leva cerca de quatro dias, a fêmea põe dois ou três belos ovos azul-claros bem lustrosos, salpicados de preto. Os filhotes nascem todos no mesmo dia, depois de 12 ou 13 dias, com os olhos fechados e o corpo coberto apenas por uma penugem bem rala.

Durante os cinco primeiros dias de vida, a mãe tiê-sangue deita sobre os filhotes para aquecê-los e protegê-los do sol, da chuva e do vento. Eles saem do ninho depois de dez dias e ficam escondidos no meio da folhagem e dos arbustos, sendo ainda alimentados pelos adultos. Mesmo que ainda não saibam voar, o ideal é que saiam do ninho o quanto antes, porque lá eles estão muito vulneráveis a ataques de predadores. Afinal, para estes, não existe nada mais atraente do que um ninho com cabecinhas se agitando, piando e pedindo comida.

O tiê-sangue alimenta-se principalmente de frutos. Para os filhotes, entretanto, o cardápio é incrementado com muitas lagartas, insetos adultos e pequenas pererecas! Para nós, pode não parecer muito apetitoso, mas esta é a forma de as mães darem proteína de origem animal para seus filhotes, o que é muito importante nessa fase de crescimento. Isso mostra que as mães, não importa de que espécie, sabem das coisas!


Texto de Gloria Castiglioni e Luiz Pedreira Gonzaga (Departamento de Zoologia, Universidade Federal do Rio de Janeiro) retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.

18 abril 2026

A Paz Mundial

Minha tia Assunção entrou na classe às nove da manhã. Ela tomou fôlego e quase todos nós bocejamos, porque era muito cedo para aguentar um daqueles discursos dela. Nossa tia disse o seguinte:

- Este ano quero que nós preparemos o Carnaval como se fosse o último carnaval da nossa vida. Vamos nos apresentar no concurso de fantasias que vão fazer numa discoteca de Carabanchel no sábado que vem. Vão se apresentar crianças das escolas do bairro e vocês vão ter de mostrar a todo mundo que são crianças como Deus manda e não os delinquentes que parecem.

Nem deixamos terminar, foi uma zoeira na classe que você nem imagina. O Yihad se levantou para dizer:

- Um aviso: vou me fantasiar de Super-Homem e estou dizendo desde já para ninguém mais se fantasiar de Super-Homem, porque, nesta galáxia, Super-Homem só tem um e esse um sou eu e não quero ser obrigado a quebrar a cara de ninguém. Repito: isto é um aviso.

Então o Orelhão disse:

- E do que é que eu vou me fantasiar, se só tenho fantasia de Super-Homem e minha mãe não vai querer comprar outra?

E começou um eco na classe toda: "E eu... e eu... e eu...", pois todos os meninos têm a mesma fantasia de Super-Homem por todos os séculos dos séculos.

Minha tia Assunção disse que não ia ter nada de Super-Homens, nem de Homens-Aranhas, nem de Belas nem de Feras. Nós tínhamos de mostrar ao Carabanchel, à Espanha, aos Estados Unidos e ao planeta Terra que éramos crianças boas, que lutávamos pela paz no mundo mundial e que ela tinha tido a ideia de fazer nós trinta, todos uns animais, nos vestirmos de pombas da paz.

Se a tia Assunção não fosse nossa professora e nós não fôssemos um bando de covardes, teríamos dito em coro: "Qual é, jacaré?"

Então minha tia continuou:

- O jurado, que é da Associação de Moradores, nos dará o primeiro prêmio, porque não há jurado na Espanha que resista dar o primeiro prêmio a trinta crianças vestidas de pombas da paz. Além disso, ganharemos muitos presentes. Por um dia, seremos os símbolos da paz mundial e nosso grito de guerra até sábado será: Vamos massacrá-los.

Disso nós gostamos. Com um grito de guerra como aquele podíamos ir até o fim do mundo. Íamos massacrar todas as crianças de todas as escolas do bairro com nossos trajes de superpombas da paz.

Minha mãe e as mães das trinta crianças animais que nós somos fizeram durante a semana os trajes de pomba com papel vegetal. Minha mãe se queixava muito, dizendo que minha tia vivia arranjando desculpa para ela ter de gastar dinheiro e trabalhar. Que não sabia como fazer fantasia de pomba e que quem estava precisando de paz era ela, de muita paz numa praia deserta e sem crianças, que isso sim era a paz mundial.

Afinal, no dia C - C de Concurso e Carnaval - minha mãe nos vestiu - eu e meu irmão - com nossas roupas de papel vegetal e nos disse para irmos indo para a escola.

Encontramos a Luísa na escada e a Luísa nos disse:

- Nossa, sua mãe deve ter tido um trabalhão para vestir vocês de pinguins.

Então agarrei o meu irmão e voltei a subir para casa, para dizer à minha mãe que nós não queríamos sair na rua vestidos de pinguins, nem que fosse pela paz mundial.

Na rua, uma senhora disse a outra:

- Veja só que pinguins lindos!

Quando chegamos à escola, ficamos alucinados: na porta estava Yihad vestido com umas penas, parecendo uma galinha; o Orelhão parecia um pavão, a Susana parecia uma avestruz, o Paquito Medina, um pelicano, e assim até trinta e três. Não havia dois pássaros iguais. Bom, só meu irmão e eu, aqueles pinguins lindos.

Todos nós ficamos olhando uns para os outros e, muito chateados, fomos escoltados pela tia Assunção até a discoteca "Silicone", onde estava se realizando o Festival.

A tia Assunção não deixou por menos: também estava fantasiada e parecia uma pata ou uma gansa.

A tia Assunção estava tão contente que nem parecia a tia Assunção. Disse que, quando fôssemos entrar no palco, ela ia dizer:

- Um, dois, três!

E nós tínhamos de responder batendo as asas e gritando em coro, até arrebentar a garganta:

- Viva a paz mundial!

Nós íamos gritar "Viva a paz mundial!", mas quando fomos bater as asas começamos a nos embaraçar uns nos outros e, se a tia, não tivesse posto ordem, teríamos chegada à discoteca completamente depenados. A tia disse para a gente esquecer a história de bater as asas, que era para batê-las só depois de ganharmos o prêmio.

Já estávamos na discoteca. Nós trinta sentamos num canto. O apresentador era o diretor da creche "O Pimpolho", que fica ao lado da minha casa.

Subiam uns fantasiados de árvores. O grupo se chamava "O Outono". Tinham cordão pendurado num galho e, quando puxavam o cordão, automaticamente as folham caíam. O público ficou alucinado com a bobagem que acabava de ver. Depois, subiam os clássicos super-heróis, uns meninos fantasiados de reality shows com facas cravadas nas costas, outros que iam de pão recheado de chocolate...

Nós fomos os quintos. Tínhamos sido treinados para, depois de "Um, dois e três" da tia Assunção, gritar "Viva a paz mundial", mas não deu tempo de fazer nosso número, porque quando a tia disse "Um, dois e três" ouviu-se a voz de um garotão de um colégio de Formação Profissional do meu bairro chamado "Baronesa de Thyssen":

- Yihad, como você fica bem vestido de galinha!

O Yihad se jogou do palco para virar o engraçadinho do avesso.

Minha tia Assunção ficou sozinha no palco. A coitada chorava, fantasiada de pata.

Parecia que aquele carnaval ia ser o pior das nossas vidas, mas você não vai acreditar no que aconteceu no final, porque foi uma coisa que nem os chineses da Rússia esperavam.

Uma vez que a briga se acalmou e o palco ficou vazio, o Superbarriga leu os prêmios indo do terceiro ao primeiro, para tornar aqueles momentos mais emocionantes:

- O terceiro prêmio coube ao grupo "Reality Shows", por sua simpatia e originalidade.

O público inteiro se desfez em vaias:

- Fora!!!

O segundo prêmio foi concedido ao grupo "O Outono", pela beleza de representação de uma estação do ano tão importante quanto as outras.

- E o primeiro prêmio... - O Superchato fez uma pausa para criar maior expectativa. Garanto que ele estava ouvindo o rangido de dentes dos espectadores ansiosos. - O primeiro prêmio foi concedido por unanimidade ao grupo "Os Pássaros", por sua defesa das espécies em via de extinção.

Bem se via que ninguém tinha ficado sabendo daquela história de paz mundial, então tivemos de admitir que éramos um grupos de pássaros em via de extinção. Nem sempre a gente é o que quer nesta vida.


Texto de Elvira Lindo retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003. Ministério da Educação, FNDE.

Fortaleçamo-nos (111)

 "Sede fortalecidos no Senhor." - Paulo. (EFÉSIOS, 6:10.)


Há muita gente que se julga forte...

Nos recursos financeiros, que surgem e fogem.

Na posse de terras, que se transferem de dono.

Na beleza física, que brilha e passa.

Nos parentes importantes, que se transformam.

Na cultura da inteligência que, muitas vezes, se engana.

Na popularidade, que conduz à desilusão.

No poder político, que o tempo desfaz.

No oásis de felicidade exclusivista, que a tempestade destrói.

Sim, há muita gente que supõe vencer hoje para acabar vencida amanhã.

Todavia, somente a consciência edificada na fé, pelos deveres bem cumpridos à face das Leis Eternas, consegue sustentar-se, invulnerável, sobre o domínio próprio.

Somente quem sabe sacrificar-se por amor encontra a incorruptível segurança.

Fortaleçamo-nos, pois, no Senhor e sigamos, de alma erguida, para a frente, na execução da tarefa que o Divino Mestre nos confiou.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

12 abril 2026

Por que soluçamos?

Vale tudo na luta contra o soluço: levar susto, beber copos de água até grudar com saliva um pedaço de papel no meio da testa. Mas nada garante que todos esses improvisos funcionem. Na maioria das vezes, o "hic, hic, hic", teimoso, continua! Qual será a causa desse misterioso barulho? Como fazê-lo parar?

O principal responsável pela nossa respiração é um músculo bem fino, que separa o tórax do abdômen: o diafragma. Graças aos movimentos do diafragma, que se contrai, inspiramos e expiramos o ar. O diafragma é auxiliado pelo nervo frênico. Localizado logo acima do estômago, este nervo controla os movimentos do diafragma.

Mas qual é a relação de tudo isso com o soluço? Bem, é a irritação do nervo frênico que causa o soluço. Irritação? Se você já pensou no nervo frênico mal humorado, nervoso e de cara feia, contenha a imaginação! Vamos ver o que acontece de verdade. Com a ingestão de líquidos ou comida em excesso, bebidas muito quentes, geladas ou com gás em demasia, o estômago incha e, por estar muito perto do nervo frênico, pode irritá-lo, isto é, sensibilizá-lo, como acontece com os olhos quando entra poeira.

O nervo frênico, irritado, manda o diafragma se contrair. Com isso, inspiramos ar. O problema é quando uma "tampinha" que há no fundo da garganta, a glote, fecha-se de repente e não deixa o ar passar da boca para os pulmões. Isso provoca a vibração das cordas vocais e "hic, hic, hic", lá vem o soluço! Esse fechamento da glote acontece independentemente da nossa vontade. Normalmente, ela fica aberta para a passagem do ar e só se fecha quando comemos. Quando a glote se abre, o ar volta a passar normalmente para os pulmões, o que não quer dizer que o soluço vai acabar. Isso só acontece quando o nervo frênico volta a trabalhar normalmente.

Qualquer pessoa e até animais, como cachorros, gatos e outros mamíferos, podem ter soluços! Em geral, o soluço acontece várias vezes seguidas e para em alguns minutos. Mas há quem soluce por horas ou até dias. Essas pessoas ficam cansadas, sentem desconforto e até dor. Quando isso acontece, é bom procurar um médico.

No caso do soluço comum, há maneiras de acabar com ele! Tomar um copo de água com o nariz tampado, por exemplo. Como fica difícil respirar, aumenta a quantidade de gás carbônico no corpo, o que inibe a irritação do nervo frênico e o faz voltar a trabalhar corretamente. Mas, cuidado: tampe o nariz por pouco tempo" E caso você veja um amigo soluçando, dê um susto nele! Assim será liberada no sangue uma substância chamada adrenalina, que fará o nervo frênico voltar ao normal!

Para evitar soluços, alimente-se de forma equilibrada e tente não ingerir líquidos durante a refeição, em especial, refrigerantes. Caso contrário, aguente o "hic, hic, hic..."


Texto de Rafael Pereira Leitão (Museu Nacional - UFRJ), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.

Entre carneirinhos & tempestades

 A previsão do tempo informa: o dia será ensolarado, com muitas nuvens no céu azul. Se você fez cara de desânimo, mude a fisionomia já! As nuvens não são sinônimo de tempo ruim e podem ser a maior diversão. Quem nunca ficou de papo para o ar e as achou parecidas com carneirinhos? E, quando era menor, você não pensava que elas eram feitas de algodão? Apesar disso, a maioria das pessoas distingue apenas nuvens de chuva das nuvens brancas e fofas. Se esse for o seu caso, saiba que é hora de descobrir por quais tipos de nuvens os aviões evitam passar, que tipo de nuvem resulta de uma tempestade distante ou aparece com a passagem de frentes frias. Basta ficar com um olho no céu e outro no texto que começa a seguir!


Para os curiosos, não é suficiente explicar que as nuvens são formadas por gotas de água ou cristais de gelo em suspensão na atmosfera. Eles também querem saber como gotas e cristais foram parar lá em cima! Pois tudo começa com a evaporação da água de rios, lagos, oceanos e a transpiração das plantas pelo calor do Sol. Ele aquece a água que passa do estado líquido para o estado gasoso. Os raios solares também aquecem a superfície que, por sua vez, aquece o ar próximo a ela.

O ar quente é mais leve e sobe. Mas, quanto maior é a altura, menor é a temperatura. Por isso, o ar esfria e o vapor d'água que ele contém condensa, isto é, passa do estado gasoso para o estado líquido. Às vezes, o vapor d'água atinge altitudes onde a temperatura é tão baixa que se transforma em cristais de gelo.

A condensação ocorre ao redor de impurezas existentes na atmosfera, chamadas núcleos de condensação. Essas impurezas atraem o vapor d'água. Portanto, se a atmosfera for absolutamente limpa, não há condensação e, consequentemente, não há formação de nuvens.

O tamanho das gotas de água varia de acordo com a quantidade de impurezas presentes na atmosfera. Sobre os oceanos, por exemplo, há menos impurezas. Então, o vapor d'água é atraído por poucos núcleos de condensação. Com isso, são formadas gotas d'água maiores e mais pesadas. Isso impede que as nuvens formadas - chamadas oceânicas ou marítimas - alcancem altas altitudes. A base desse tipo de nuvem costuma estar a 500 metros de altura e o topo, entre quatro e oito quilômetros. Além disso, as chuvas acontecem assim que as gotas são formadas. Como elas são pesadas caem logo.

Por outro lado, existem mais impurezas sobre os continentes do que em cima dos oceanos. Elas atraem o vapor d'água e formam gotas pequenas e leves. As nuvens continentais, então, atingem altitudes mais altas do que as nuvens marítimas. Seu topo costuma estar entre dez e 15 quilômetros de altura. Como as gotas que formam esse tipo de nuvem precisam crescer para ganhar peso e cair, as chuvas das nuvens continentais demoram mais a acontecer.


Nuvens de todo tipo

A classificação das nuvens em oceânicas ou continentais leva em consideração a localização geográfica. Mas as nuvens recebem vários nomes e os quatro tipos principais são: cúmulo, cúmulos-nimbos, cirros e nuvens estratos ou de camadas.

As nuvens brancas e fofas que vemos em geral nas manhãs de verão chamam-se cúmulos. Elas existem em todo mundo, duram entre 20 e 30 minutos e são formadas quando há inversão térmica. O que é isso? Bom, você já sabe que a temperatura da atmosfera diminui com o aumento da atitude. Mas, em determinados níveis atmosféricos, a temperatura aumenta com a altitude ao invés de diminuir. Só depois de centenas de metros, ela volta a diminuir quanto mais alto fica. Esse fenômeno é chamado de inversão térmica. Ele impede a nuvem de ultrapassar a espessura entre 500 metros e um quilômetro.

As nuvens de chuva são chamadas cúmulos-nimbos. A cor escura é sua marca registrada. E sabe por que isso ocorre? Porque os raios solares, em sua maioria, são refletidos no topo desse tipo de nuvem por cristais de gelo!

Os aviões evitam passar por essas nuvens por causa da turbulência que elas provocam. Se houver nuvens cúmulos-nimbos às vista, pode apertar os cintos porque a aeronave vai chacoalhar!

A turbulência é causada pelas fortes correntes de ar que há dentro da nuvem. São jatos de ar voltados para cima - provocados pelo levantamento de ar quente da superfície - e também de jatos de ar direcionados para baixo, criados quando as gotas se formam e caem. O movimento do ar provoca turbulência à sua volta.

Tempestades causadas por nuvens cúmulos-nimbos podem formar jatos de ar que chegam a até 12 quilômetros de altitude. Nessa altura, há o limite entre duas camadas da atmosfera: a troposfera e a estratosfera. Como o ar da troposfera não consegue entrar na estratosfera, ele é espalhado por baixo dela. Nesse local, a temperatura é de 60 graus abaixo de zero! Por isso, o vapor d'água imediatamente sublima, ou seja, passa do estado gasoso para o sólido. As gotas de águas que forem expostas a temperaturas tão baixas congelam. Viram, portanto, gelo. Esses cristais de gelo vão formar as nuvens cirros, que parecem suaves faixas brancas no céu. Na altitude em que são formadas, há ventos com velocidade de 150 quilômetros por hora. Eles espalham os cristais por lugares distantes, que não estão sendo atingidos pela tempestade. As nuvens cirros podem durar dias porque demoram muito a se dissolver. Isso acontece porque, apesar de haver ventos fortes nos locais em que elas se formam, eles não criam turbulências. Além disso, a temperatura baixa favorece a preservação dos cristais de gelo por longos períodos.

As nuvens estratos ou de camadas cobrem áreas imensas e formam chuvas finas. Elas surgem com a passagem de uma frente fria. Aposto como você sempre quis saber o que isso significa! Pois bem, a frente fria é uma massa de ar frio vinda de regiões muito frias, os polos da Terra. As frentes frias que atingem o hemisfério Sul vêm do polo Sul, enquanto as que alcançam o hemisfério Norte vêm do polo Norte. Essas frentes frias empurram para cima o ar quente que encontram. Ao subir, o ar quente esfria, condensa e forma nuvens estratos ou de camadas. O tamanho desse tipo de nuvem está relacionado com o tamanho das frentes frias, que podem ter mil quilômetros de comprimento e cem quilômetros de largura. Elas são capazes de provocar o levantamento de grande quantidade de ar.


Segredos do tempo

Mas qual a importância de estudar as nuvens? Elas podem auxiliar os meteorologistas a fazer previsões de tempo com mais antecedência e precisão!

Esses profissionais contam com a ajuda de um programa de computador para prever as variações do tempo. Tudo o que eles conhecem sobre a atmosfera está lá. Mas o programa ainda não é perfeito. Por exemplo, ele não consegue "enxergar" as nuvens. Isso acontece porque o programa monitora o globo terrestre por uma rede de pontos, que estão separados uns dos outros por uma distância de cerca de 100 quilômetros. Só que as nuvens são muito menores! As cúmulos, por exemplo, têm cerca de 100 metros de diâmetro, enquanto as cúmulos-nimbos, dez quilômetros.

Hoje, esse programa de computador é capaz de fazer previsões de tempo com três, quatro ou até cinco dias de antecedência. Mas as previsões seriam muito mais precisas com a possibilidade de representar as nuvens e o seu comportamento pelo computador. Afinal, elas são as responsáveis pelas chuvas. E para diversas atividades humanas, como a agricultura, é fundamental saber quanto vai chover!


Texto de Mara Figueira e Maria Assunção Dias (Instituto Astronômico e Geofísico, Universidade de São Paulo), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 120, Dezembro de 2001, Ministério da Educação, FNDE.

Por que sonhamos?

Talvez você ainda não tivesse certeza, mas só de se lembrar de alguns sonhos bem ricos em cores, detalhes e emoções, já devia suspeitar de que o cérebro não para de funcionar enquanto dormimos. Por mais que a gente sinta que o corpo e a mente precisam do repouso de todas as noites, o cérebro, na verdade, continua funcionando. Mas de uma maneira diferente, é claro.

Passeando pela cidade, você já deve ter notado algumas lojas com placas penduradas com a seguinte frase: "Fechado para balanço". Quer dizer que a loja está avaliando as atividades realizadas e fazendo um levantamento de tudo o que é necessário para continuar funcionando. Para que as vendas não atrapalhem o balanço, a loja precisa fechar suas portas por um dia. Do mesmo modo, quando você dorme, seu cérebro "fecha para balanço" e ignora tudo o que se passa do lado de fora, permitindo que você caia no sono mesmo com a televisão ligada, por exemplo. A cada noventa minutos, seu cérebro entra num período de intensa atividade interna, "ligando", em pleno sono, suas zonas responsáveis por sensações, memórias e emoções: é o sonho que começa.

Mas por que o cérebro continua trabalhando enquanto o resto do corpo descansa? Segundo pesquisas feitas nos últimos anos, a função do sonho parece ser a de oferecer ao cérebro uma oportunidade de rever acontecimentos importantes dos últimos dias. Boa parte dos estudos é feita em ratos de laboratório com alguns eletrodos implantados, que detectam a atividade dentro do cérebro. Por exemplo, enquanto os ratinhos exploram um labirinto novo, uma região do cérebro deles cria um "mapa" dos lugares por onde passam. Quando eles adormecem e começam a sonhar (é, ratinhos também sonham!), o mapa recém-criado é "ligado" de novo - o que indica que os bichos estavam sonhando com o labirinto. Funciona tão bem que dá até para dizer, pelo ponto do mapa que está ativado, com que parte do labirinto o rato está sonhando...

Ter um mecanismo para reprisar os acontecimentos importantes já é bacana, mas, talvez, o mais importante do sonho aconteça em seguida, quando o cérebro parece decidir, na paz do sono quais acontecimentos merecem ser registrados definitivamente, ou seja, quais ficarão na memória. Parte desse registro noturno provavelmente acontece durante a outra parte do sono, sem sonhos. Mas nem aí o cérebro fica de bobeira, descansando. É nessa fase que ele produz novas substâncias que vão ajudar a construir mais ligações entre as células do cérebro para guardar tudo na memória.

Por isso, hoje acredita-se que o sono, com sonhos e tudo, é essencial para fixar na memória o que se aprende durante o dia. Ou seja, é preciso dormir - e sonhar - para realmente aprender. E você que pensava que a aula acabava quando o sinal da saída tocava... Pois até sonhando o cérebro trabalha no dever de casa!


Texto de Suzana Herculano-Houzel, Museu da Vida - Fiocruz, O Cérebro Nosso de Cada Dia, www.cerebronosso.bio.br, retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 15, Número 125, Junho de 2002, Ministério da Educação, FNDE.

11 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Estatístico!

Vestido a caráter - de casaco e boné xadrez -, o detetive busca pistas com a lupa. Mas não encerra seu trabalho quando encontra! Ele as analisa e relaciona para concluir quem é o culpado do caso que investiga nos filmes, desenhos animados ou livros! E na vida real? Será que existe alguém que faça trabalho parecido com o do detetive? Sim! Há um profissional que substitui a roupa xadrez e a lupa por um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa chamado estatística. Sua função é coletar, organizar e interpretar dados com o objetivo de chegar a conclusões ou fazer previsões sobre determinado assunto. O nome desse profissional é elementar, meu caro leitor: estatístico!

"O estatístico atua como um detetive: ele analisa uma grande variedade de dados em busca de pistas ou evidências sobre um determinado assunto", explica o estatístico José Matias de Lima, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), ligada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, para isso, ele conta com a estatística, parte da matemática que estuda os processos para obter, organizar e analisar dados sobre uma população e as maneiras de tirar as conclusões ou prever o que pode acontecer no futuro baseado nesses dados.

O estatístico faz pesquisas, coleta dados e analisa informações com diferentes objetivos e em várias áreas. Ele pode, por exemplo, fazer pesquisas de opinião para saber, no ano em que há eleição, em qual candidato a maioria das pessoas está pensando em votar e que, portanto, deve vencer. Mas, para isso, não precisa perguntar a opinião de cada eleitor! O estatístico seleciona um grupo de eleitores, é a chamada amostra - que, como a sociedade, reúne gente de diferentes classes sociais, idade, sexo, profissão. Pede que respondam a um questionário, organiza as informações e as analisa. "A seguir, generaliza os resultados obtidos na amostra de eleitores para toda a população", diz José Matias.

Usando esse mesmo método, o estatístico pode conseguir informações sobre as preferências das pessoas em relação a um produto - o que é precioso para a indústria! Se ele descobrir, por exemplo, que os consumidores gostariam de ter um tênis que brilha no escuro, a empresa lançaria um modelo assim. A partir de pesquisas, ele também é capaz de indicar para empresários qual o melhor lugar para a instalação de fábricas, supermercados, shoppings, escolas, cinemas!

Da mesma forma, o trabalho do estatístico é útil para o governo. As informações colhidas por ele ajudam a fazer um retrato do Brasil! O estatístico é o responsável por determinar, por exemplo, o número de crianças que estão fora da escola, qual eletrodoméstico é mais comum entre os brasileiros, a expectativa de vida dos habitantes do país, etc etc etc...

Na área de saúde, esse profissional pode usar pesquisas para definir o número de pessoas que tem determinada doença e alertar sobre riscos de epidemia. "Por meio desses dados, o governo identifica onde é mais importante investir em saúde, educação, habitação, transportes", explica Matias.

Ufa! Viu só em quantas áreas o estatístico pode atuar? Pois foi isso que fez José Matias optar pela profissão. Quando criança, ele já sonhava em seguir alguma carreira ligada à matemática. Pensou até em ser engenheiro, mas a estatística venceu! "Além do fato de poder atuar em diferentes áreas, o que mais me fascina nesta profissão é ter contato e poder trabalhar em conjunto com outros profissionais de diferentes áreas do conhecimento", conta. Segundo ele, o estatístico nada faz sozinho e, portanto, precisa saber trabalhar em equipe. Deve, ainda, gostar de desafios, não ter medo de lidar sempre com o diferente e se interessar por novos assuntos. E, claro, ter um pouquinho de espírito de detetive!


Texto de Sarita Coelho retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 15, Número 125, Ju8nho de 2002, Ministério da Educação, FNDE.