Vestido a caráter - de casaco e boné xadrez -, o detetive busca pistas com a lupa. Mas não encerra seu trabalho quando encontra! Ele as analisa e relaciona para concluir quem é o culpado do caso que investiga nos filmes, desenhos animados ou livros! E na vida real? Será que existe alguém que faça trabalho parecido com o do detetive? Sim! Há um profissional que substitui a roupa xadrez e a lupa por um conjunto de técnicas e métodos de pesquisa chamado estatística. Sua função é coletar, organizar e interpretar dados com o objetivo de chegar a conclusões ou fazer previsões sobre determinado assunto. O nome desse profissional é elementar, meu caro leitor: estatístico!
"O estatístico atua como um detetive: ele analisa uma grande variedade de dados em busca de pistas ou evidências sobre um determinado assunto", explica o estatístico José Matias de Lima, da Escola Nacional de Ciências Estatísticas (ENCE), ligada ao Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E, para isso, ele conta com a estatística, parte da matemática que estuda os processos para obter, organizar e analisar dados sobre uma população e as maneiras de tirar as conclusões ou prever o que pode acontecer no futuro baseado nesses dados.
O estatístico faz pesquisas, coleta dados e analisa informações com diferentes objetivos e em várias áreas. Ele pode, por exemplo, fazer pesquisas de opinião para saber, no ano em que há eleição, em qual candidato a maioria das pessoas está pensando em votar e que, portanto, deve vencer. Mas, para isso, não precisa perguntar a opinião de cada eleitor! O estatístico seleciona um grupo de eleitores, é a chamada amostra - que, como a sociedade, reúne gente de diferentes classes sociais, idade, sexo, profissão. Pede que respondam a um questionário, organiza as informações e as analisa. "A seguir, generaliza os resultados obtidos na amostra de eleitores para toda a população", diz José Matias.
Usando esse mesmo método, o estatístico pode conseguir informações sobre as preferências das pessoas em relação a um produto - o que é precioso para a indústria! Se ele descobrir, por exemplo, que os consumidores gostariam de ter um tênis que brilha no escuro, a empresa lançaria um modelo assim. A partir de pesquisas, ele também é capaz de indicar para empresários qual o melhor lugar para a instalação de fábricas, supermercados, shoppings, escolas, cinemas!
Da mesma forma, o trabalho do estatístico é útil para o governo. As informações colhidas por ele ajudam a fazer um retrato do Brasil! O estatístico é o responsável por determinar, por exemplo, o número de crianças que estão fora da escola, qual eletrodoméstico é mais comum entre os brasileiros, a expectativa de vida dos habitantes do país, etc etc etc...
Na área de saúde, esse profissional pode usar pesquisas para definir o número de pessoas que tem determinada doença e alertar sobre riscos de epidemia. "Por meio desses dados, o governo identifica onde é mais importante investir em saúde, educação, habitação, transportes", explica Matias.
Ufa! Viu só em quantas áreas o estatístico pode atuar? Pois foi isso que fez José Matias optar pela profissão. Quando criança, ele já sonhava em seguir alguma carreira ligada à matemática. Pensou até em ser engenheiro, mas a estatística venceu! "Além do fato de poder atuar em diferentes áreas, o que mais me fascina nesta profissão é ter contato e poder trabalhar em conjunto com outros profissionais de diferentes áreas do conhecimento", conta. Segundo ele, o estatístico nada faz sozinho e, portanto, precisa saber trabalhar em equipe. Deve, ainda, gostar de desafios, não ter medo de lidar sempre com o diferente e se interessar por novos assuntos. E, claro, ter um pouquinho de espírito de detetive!
Texto de Sarita Coelho retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 15, Número 125, Ju8nho de 2002, Ministério da Educação, FNDE.
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