02 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Zoólogo!

Você gosta de charadas? Então, vamos ver se acerta essa: O que é, o que é? Cuida dos animais, mas não é veterinário; estuda o comportamento deles, mas não é psicólogo; sabe do que eles se alimentam, mas não é nutricionista; analisa a relação deles com os outros bichos e com o meio ambiente, mas não é sociólogo? Será que existe alguém que faça mesmo tudo isso? A resposta é sim, o zoólogo! Por definição básica, zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais em todos os aspectos. Ela se divide em muitas subdisciplinas, como a citologia (estudo das células animais), a fisiologia (estudo dos processos que ocorrem no organismo, como a digestão), a genética e evolução (que verificam a herança dos caracteres biológicos), a ecologia (que se ocupa da relação dos animais com o meio ambiente), a etologia (estudo do comportamento animal), a zoogeografia (que procura esclarecer os fatores que intervêm na distribuição geográfica dos animais) e a taxionomia ou sistemática (que traça as linhas de parentesco entre os animais e dá nome a eles).

O zoólogo, em geral, trabalha com pesquisa, quase sempre ligado a alguma Universidade. Sua tarefa pode ser estudar a recuperação de espécies ameaçadas, nomear novas espécies e analisar os impactos ambientais sobre os bichos, entre muitas outras. O caminho para quem deseja ser zoólogo é cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, optando pela especialização em Zoologia.

Foi assim que fez Salvatore Siciliano, pesquisador de aves e mamíferos marinhos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Desde criança, ele dizia que queria cuidar da natureza! Muitas profissões passaram pela sua cabeça, entre elas a de geógrafo, mas a vontade de entender os seres vivos foi maior. "Eu me identificava com as aulas de Biologia no colégio e por isso as entendia com facilidade."

Salvatore também é coordenador do Projeto Baleias e Golfinhos de Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, a saúde desses mamíferos é um dos indicadores da qualidade do meio ambiente. Descobriu-se, por exemplo, que as baleias podem ter câncer por acumular no corpo substâncias que contaminam a água. A partir dessa informação, os zoólogos procuram verificar se outros animais marinhos também estão sofrendo os efeitos da contaminação do meio em que vivem e o que pode ser feito para melhorar a situação.

Outro zoólogo que desde menino já parecia saber o que queria ser quando crescesse é Márcio Borges Martins, pesquisador da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Como acampava muito com seus pais, sempre esteve em contato com a natureza. Certa vez, visitou o Museu de Ciências da PUC de Porto Alegre e ficou fascinado pelos répteis. Conclusão: começou a criá-los em casa! Os pais? "Não gostaram muito não, mas depois, foram se acostumando", conta ele. Hoje, Márcio trabalha descrevendo novas espécies de répteis. Essa área da zoologia chama-se Sistemática e, segundo ele, tem poucos especialistas, o que é uma pena, pois muitas espécies acabam extintas sem nunca terem sido registradas. Foi a tarefa de identificar e classificar animais que levou Márcio a descobrir mais quatro espécies de um tipo de lagarto sem patas chamado cobra-de-vidro. "Estou descrevendo quatro novas espécies, mas apenas três com distribuição no Brasil", diz ele.

Quando não está descrevendo répteis, Márcio participa do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul, o Gemars. No momento, eles estudam a toninha, um pequeno golfinho encontrado do Espírito Santo à Argentina, que está ameaçado de extinção pela frequência com que morre afogado ao emaranhar-se em redes de pesca e não conseguir subir à tona para respirar.

Viu quantas ocupações diferentes pode ter um zoológico?! Quem pensa em seguir esta profissão precisa estar disposto a frequentar o ambiente em que vivem os animais que escolheu para analisar. Além disso: "Tem de ler e estudar bastante e perceber o mundo a sua volta. Saber, por exemplo, por que tal ave está num lugar e não em outro, no que determinado bicho se diferencia do outro. O mundo é tão dinâmico, mas as pessoas, em geral, não percebem isso. O zoólogo sim!", ressalta Salvatore Siciliano. Se você pretende se tornar um zoólogo, guarde estas palavras...


Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 133, Março 2003, Ministério da Educação, FNDE.

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