11 abril 2026

Vó caiu na piscina

Noite na casa da serra, a luz apagou.

Entra o garoto:

- Pai, vó caiu na piscina.

- Tudo bem, filho.

O garoto insiste:

- Escutou o que eu falei, pai?

- Escutei, e daí? Tudo bem.

- Cê não vai lá?

- Não estou com vontade de cair na piscina.

- Mas ela tá lá...

- Eu sei, você já me contou. Agora deixe seu pai fumar um cigarrinho descansado.

- Tá escuro, pai.

- Assim até é melhor. Eu gosto de fumar no escuro. Daqui a pouco a luz volta. Se não voltar, dá no mesmo. Pede à sua mãe pra acender a vela na sala. Eu fico aqui mesmo, sossegado.

- Pai...

- Meu filho, vá dormir. É melhor você deitar logo. Amanhã cedinho a gente volta pro Rio, e você custa muito a acordar. Não quero atrasar a descida por sua causa.

- Vó tá com uma vela.

- Pois então? Tudo bem. Depois ela acende.

- Já tá acesa.

- Se está acesa, não tem problema.

Quando ela sair da piscina, pega a vela e volta direitinho pra casa. Não vai errar o caminho, a distância é pequena, e você  sabe muito bem que sua avó não precisa de guia.

- Por que não acredita no que eu digo?

- Como não acredito? Acredito sim.

- não tá acreditando.

- Você falou que a sua avó caiu na piscina, eu acreditei e disse: tudo bem. Que é que você queria que eu dissesse?

- Não, pai, não acreditou ni mim

- Ah, você está me enchendo. Vamos acabar com isso. Eu acreditei, viu? Estou te dizendo que acreditei. Quantas vezes você quer que eu diga isso? Ou você acha que estou dizendo que acreditei mas estou mentindo? Fique sabendo que seu pai não gosta de mentir.

- Não te chamei de mentiroso.

- Não chamou, mas está duvidando de mim. Bem, não vamos discutir por causa de uma bobagem. Sua avó caiu na piscina, e daí? É um direito dela. Não tem nada de extraordinário cair na piscina. Eu só não caio porque estou meio resfriado.

- Ô, pai, é de morte!

O garoto sai, desolado. Aquele velho não compreende mesmo nada. Daí a pouco, chega a mãe:

- Eduardo, você sabe que dona Marieta caiu na piscina?

- Até você, Fátima? Não chega o Nelsinho vir com essa ladainha?

- Eduardo, está ficando escuro que nem breu, sua mãe tropeçou, escorregou e foi parar dentro da piscina, ouviu? Está com a vela acesa na mão, pedindo para que tirem ela de lá, Eduardo! Não pode sair sozinha, está com a roupa encharcada, pesando muito, e se você não for depressa, ela vai ter uma coisa! Ela morre, Eduardo!

- Como? Por que aquele diabo não me disse isto? Ele falou apenas que ela tinha caído na piscina, não explicou que ela tinha tropeçado, escorregado e caído!

Saiu correndo, nem esperou a vela, tropeçou, quase que ia parar também dentro d'água:

- Mamãe, me desculpe! O menino não me disse nada direito. Falou só que a senhora caiu na piscina. Eu pensei que a senhora estava se banhando.

- Está bem, Eduardo - disse dona Marieta, safando-se da água pela mão do filho, e sempre empunhando a vela que conseguira manter acesa. - Mas de outra vez você vai prestar mais atenção no sentido dos verbos, ouviu? Nelsinho falou direito, você é que teve um acesso de burrice, meu filho!


Texto de Carlos Drummond de Andrade retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 15, Número 125, Junho de 2002, Ministério da Educação, FNDE.


Vó caiu na piscina - In.: Moça deitada na grama, de Carlos Drummond de Andrade, Editora  Record, Rio de Janeiro, páginas 216 - 217 - 218. Atualmente publicado no livro Para Gostar de Ler - Júnior, volume 3/Rick e a girafa, Editora Ática.


Carlos Drummond de Andrade nasceu em 1902, na cidade de Itabira, Minas Gerais. Sua obra, que sempre abordou temas diversos, divide-se entre a prosa e a poesia. Drummond morreu em 1987 e é considerado um dos maiores autores da literatura brasileira do século 20.

Vigiemos e Oremos (110)

 "Vigiai e orai, para não cairdes em tentação." - Jesus. (MATEUS, 26:41.)


As mais terríveis tentações decorrem do fundo sombrio de nossa individualidade, assim como o lodo mais intenso, capaz de tisnar o lago, procede do seu próprio seio.

Renascemos na Terra com as forças desequilibradas do nosso pretérito para as tarefas do reajuste.

Nas raízes de nossas tendências, encontramos as mais vivas sugestões de inferioridade. Nas íntimas relações com os nossos parentes, somos surpreendidos pelos mais fortes motivos de discórdia e luta.

Em nós mesmos podemos exercitar o bom ânimo e a paciência, a fé e a humildade. Em contacto com os afetos mais próximos, temos copioso material de aprendizado para fixar em nossa vida os valores da boa-vontade e do perdão, da fraternidade pura e do bem incessante.

Não te proponhas, desse modo, atravessar o mundo, sem tentações. Elas nascem contigo, assomam de ti mesmo e alimentam-se de ti, quando não as combates, dedicadamente, qual o lavrador sempre disposto a cooperar com a terra da qual precisa extrair as boas sementes.

Caminhar do berço ao túmulo, sob as marteladas da tentação, é natural. Afrontar obstáculos, sofrer provações, tolerar antipatias gratuitas e atravessar tormentas de lágrimas são vicissitudes lógicas da experiência humana.

Entretanto, lembremo-nos do ensinamento do Mestre, vigiando e orando, para não sucumbirmos às tentações, de vez que mais vale chorar sob os aguilhões da resistência que sorrir sob os narcóticos da queda.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

05 abril 2026

Um pequeno morcego ameaçado

Galeria de Bichos Ameaçados


Nome científico: Lonchophylla dekeyseri

Nome popular: Morceguinho-do-cerrado

Tamanho: de 45 a 65 milímetros de comprimento, do focinho até a ponta da cauda

Peso: de 10 a 12 gramas, aproximadamente

Local onde é encontrado:  em cavernas no Distrito Federal, na Serra do Cipó (em Minas Gerais) e em Sete Cidades (Piauí)

Habitat: Cerrado brasileiro

Motivo da busca: ameaçado de extinção


O morceguinho-do-cerrado é um mamífero genuinamente brasileiro e, como o nome sugere, só existe no Cerrado! Ele faz parte da extensa ordem dos morcegos, a Chiroptera, e, comparado com seus parentes, pode ser considerado de pequeno porte. Mede entre 45 e 65 milímetros de comprimento (da ponta do focinho até a ponta da cauda) e pesa de 10 a 12 gramas. Sua cauda é curta, tem de 7 a 10 milímetro de comprimento, e seu antebraço, de 34 a 38 milímetros. Os pelos das costas desse pequeno morcego são mais escuros que os da barriga. Portanto, com essa aparência delicada, se quiséssemos compará-lo com personagens de filmes e desenhos animados, poderíamos dizer que ele está mais para Fada Sininho, do Peter Pan, do que para Conde Drácula, né?

Sabia que, para os pesquisadores, o sorriso dos mamíferos é uma preciosa fonte de informação? Pois os dentes deles indicam, por exemplo, o que comem e a idade que têm. No caso dos morcegos, servem até para diferenciá-los, porque o número de dentes varia de uma espécie para outra. os dentes do morceguinho-do-cerrado, que são muito pontudos e pequenos, mostram que ele pode quebrar e triturar pequenos insetos e rasgar frutos. Mas eles gostam mesmo é do néctar das flores. Assim, são chamados de nectarívoros e para se alimentar contam com focinho e língua alongados.

Na hora de sugar o néctar, os morcegos adejam como os beija-flores. Isso quer dizer que eles batem as asas para ficar parados em pleno voo em frente à flor. Aí, enfiam a cabeça dentro dela e esticam a comprida língua para lamber o néctar depositado no fundo. Mas, ao contrário dos beija-flores, que são animais de hábitos diurnos, os morcegos passam o dia descansando nos abrigos e saem para comer à noite. As flores mais visitadas por eles são as do embiriçu, da unha-de-vaca, do açoita-cavalo e do jatobá. No Cerrado brasileiro, essas plantas geralmente  florescem no período de seca, entre os meses de maio e setembro.

É também nesse período que costumam nascer os filhotes do morceguinho-do-cerrado. A fêmea fica grávida por um período de até três meses e os bebês morcegos mamam por dois meses. Depois disso, alimentam-se como os adultos: do néctar as flores. Voando junto com os mais velhos durante certo tempo, os filhotes logo aprendem a sugar o néctar. Quando ainda não voam bem, as fêmeas não os carregam para buscar alimento à noite. Eles ficam nas cavernas sendo cuidados, como numa creche, por outros morcegos adultos.

O morceguinho-do-cerrado é considerado ameaçado de extinção porque seu ambiente natural, o Cerrado, está sendo desmatado para a criação de pastos e áreas de lavoura. Além disso, a destruição das cavernas pelas atividades de mineração também contribui para colocar em perigo a espécie. O ideal é que o homem encontre maneiras de combinar o desenvolvimento com a permanência das espécies em seus hábitats.


Texto de Ludmilla Aguiar (Embrapa Cerrados - Recursos Naturais); retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 17, Número 145, Abril de 2004, Ministério da Educação, FNDE.

Quando crescer, vou ser... Botânico!

Costela-de-adão, jiboia, comigo-ninguém-pode, espada-de-são-jorge... Você consegue adivinhar o que estas palavras nomeiam? Aí vão algumas dicas: elas dão nome a seres que podem estar na sua casa, são muito importantes para a nossa  sobrevivência e alguns são até comestíveis! Nem desconfia? Pois estamos falando de plantas! Existe um profissional apaixonado pela natureza que é o responsável por estudá-las. Prepare-se para uma leitura com cheirinho de mato, porque, agora, você vai descobrir o que faz um botânico!

O estudo das plantas remonta à Antiguidade: um filósofo grego de nome esquisito - Theophrastus - foi a primeira pessoa a classificar os vegetais, no ano 370 antes de Cristo! No século 16, o alemão Otto Brunfels publicou a obra Herbarium, com ilustrações e termos científicos relacionados a algumas plantas. Mas só no século 18 foram realizados estudos mais aprofundados, como o do sueco Carl Von Linné, que propôs uma nomenclatura para as plantas em que elas teriam dois nomes em latim: o primeiro indicaria o gênero e o segundo, a espécie, como a Laelia Lobata, que popularmente conhecemos pelo nome de orquídea.

No Brasil, o estudo das plantas ganhou importância com a chegada da corte portuguesa, em 1808. Neste ano, D. João VI fundou o Jardim Botânico no Rio de Janeiro, que se tornaria o centro da botânica nacional no século 20. Pode-se dizer que a análise da flora brasileira, a mais rica do mundo, se iniciou com o alemão Karl Friedrich Philipp Von Martius, que, entre 1817 e 1820, percorreu o país colhendo os mais variados tipos de plantas, o que resultou na obra Flora Brasiliensis, de 15 volumes! Outro importante pesquisador da nossa flora foi o frei José Mariano da Conceição Velloso, brasileiro, que, em 1825, descreveu várias plantas nativas do estado do Rio de Janeiro no livro Flora Brasiliensis.

Por muitos séculos, todas as pessoas que estudavam a natureza eram chamadas naturalistas. A profissão de botânico teve seu início somente em 3 de setembro de 1979, quando a faculdade de Biologia foi reconhecida.

Para não esquecer, anote: Botânica é a ciência que estuda os vegetais em todos os sentidos. Ela divide-se em alguns ramos, como a botânica sistemática ou taxionomia, que ordena e classifica as plantas descobertas; a fisiologia vegetal, que analisa os processos vitais da planta, como a nutrição e a reprodução; a morfologia vegetal, que leva em conta a forma e estrutura das plantas; a fitopatologia, que verifica as doenças que atingem os vegetais; a paleobotânica, que estuda a flora já extinta do planeta; a fitogeografia, que descreve e explica, por exemplo, a distribuição das plantas segundo o clima e o relevo; a sociologia vegetal, que estuda as comunidades de plantas que formam as diferentes espécies; e a ecologia vegetal, que se ocupa da relação das plantas com o meio ambiente. Ufa! Quanta coisa!

Um botânico pode se especializar em qualquer uma das áreas citadas. Mas ainda há outras! Jorge Ernesto Mariath, diretor do Instituto de Biociências e professor titular do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, por exemplo, trabalha na parte de anatomia das plantas, estudando-as interna e externamente. "É como se eu fosse um cirurgião de plantas, pois cortou-as de várias formas para entender a organização de suas células e tecidos", diz ele que, quando criança, pensava em ser médico, e, hoje, "opera" os vegetais!

Quem pretende ser botânico deve primeiro cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, e, depois, optar pela especialização em Botânica. Foi o que fez Marcus Nadruz, outro que, por influência de um tio, queria ser médico quando crescesse. Mas ficou adulto e mudou de planos. Escolheu cursar Biologia e atualmente trabalha no Departamento de Botânica Sistemática do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Sua função é identificar novas espécies de plantas e classificá-las de acordo com sua forma, estrutura, presença ou não de flores, futos e folhas. Para isso, comparar as novas espécies com as dos herbários - locais onde as plantas coletadas e classificadas passam por um processo de herborização, isto é, de secagem, para ficarem conservadas e servirem como objeto de estudo. No herbário, as espécies são organizadas em gavetas, em ordem alfabética, com informações como nome, local e data da coleta, tudo etiquetado! Para se ter ideia da importância desses arquivos de plantas, os primeiros herbários surgiram já no século 15. A partir deles, pode-se reflorestar uma área que pegou fogo, por exemplo. "Com as informações das etiquetas, pesquisamos as espécies que existiam no local que foi devastado e vamos em busca delas para replantarmos", explica Marcus.

Depois de conhecer algumas atribuições de um botânico, que tal dar um pulinho no jardim botânico da sua cidade e ver de perto a riqueza da nossa flora? Esse já é um passo para você - que se interessou pela profissão - tirar suas dúvidas e se encantar ainda mais com as belezas do nosso país!


Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Sempre em boa companhia

 Galeria de Bichos Ameaçados

Nome Científico: Amazona rhodocorytha

Nome Popular: Chauá

Tamanho médio: cerca de 37 centímetros

Local onde é encontrado: de Alagoas até o Rio de Janeiro e também no leste de Minas Gerais

Habitat: Mata Atlântica

Motivo da busca: ave ameaçada de extinção


Antes do pôr-do-sol, o Chauá tem um encontro marcado! Esse papagaio, um dos mais coloridos e belos do Brasil, reúne-se com outros da sua espécie para passar a noite! Nas árvores onde descansa, há papagaios de vários tipos, mas basta olhar com atenção para reconhecer o Chauá: ele tem corpo verde, asas em tom de verde mais escuro com penas vermelhas, uma região alaranjada entre o bico e o olho, além da parte anterior da cabeça vermelha!

Companhia, no entanto, essa ave não tem só à noite! Os chauás formam casais que podem durar por toda a vida! Para se reproduzir, eles constroem ninhos em troncos de árvores, especialmente em palmeiras. Esse é um hábito típico dos papagaios: buscar buracos grandes para proteger ovos e filhotes de predadores, como tucanos e cobras.

Nas árvores, além de abrigo, o chauá também encontra alimento. Essa ave come frutos - principalmente, suas sementes. Para devorá-las, segura os frutos com os pés e os leva até o bico! Parece curioso? Pois o mais legal é ver o chauá colocar em prática a sua capacidade de produzir sons e, até mesmo, imitar a voz humana! Pena que essa característica, somada à beleza das suas penas, faça com que essa ave seja caçada para ser vendida no Brasil e no exterior, como animal de estimação.

Não devemos comprar nem vender esses bichos. Afinal, as pessoas que têm papagaio em casa, mesmo sendo carinhosas com o animal, não são capazes de proporcionar um ambiente apropriado para ele viver e nem satisfazer as suas necessidades naturais. Aliás, nosso dever é denunciar quem os vende ou compra. Afinal, o chauá já enfrenta outras ameaças, além do comércio, que o coloca entre os bichos em risco de desaparecer. A derrubada das árvores que abriga os seus ninhos - o que provoca a morte dos seus filhotes e a quebra dos seus ovos - e o corte das que fornecem alimentos à espécie podem levar essa ave à extinção.


Texto de Raquel Vieira Marques e Maria Alice S. Alves retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

04 abril 2026

A Constelação de Lhama

Chegara a noite. Sentado debaixo de uma árvore, o jovem índio recordava, meio dormindo, tudo o que sabia sobre Yacana. Os anciãos lhe haviam ensinado que era uma espécie de "duplo celestial" da Lhama, que de noite descia à terra para comer e beber, mas que ninguém conseguia vê-la, porque só andava no fundo dos rios. Os grandes sacerdotes contavam que Yacana era enorme e que seus olhos imensos brilhavam mais que as outras estrelas do céu. Seu pelo era branco e sedoso e, quando voava de volta ao céu, o vento que a acompanhava assoviava como os passarinhos azuis da floresta.

O jovem índio pensava nisso tudo quando, de repente, foi ofuscado por um clarão azulado. Pouco a pouco, a luz foi tomando a forma de uma lhama e pousou na terra, a pequena distância de onde ele estava, junto a uma fonte. Era tão parecida com todas as descrições de Yacana que já tinha ouvido, que o índio a reconheceu imediatamente. Primeiro, quis se aproximar e falar com ela, de tão feliz que ficou por encontrá-la. Mas teve medo e se encolheu, sem se mexer mais, para não ser percebido, e ficou olhando, com a respiração suspensa. A lhama sagrada bebeu água da fonte. De repente, o rapaz sentiu que caía uma chuva de lã macia, como se alguém estivesse tosquiando um rebanho de lhamas. Mas como ele estava com medo de Yacana, não se mexeu, não saiu do esconderijo e esperou o dia clarear. Quando acordou, a lhama tinha desaparecido. Na certa, voltara para o céu enquanto ele estava de olhos fechados. Entretanto, a lã que ele sentira cair enquanto Yacana bebia água da fonte ainda estava lá. Eram centenas de chumaços, de todas as cores! Ele nem acreditava nos seus olhos. Para alguém tão pobre como ele, que não possuía uma única lhama, aquela era a oportunidade de sua vida!

Louco de alegria, correu até junto da fonte. Disse a ela que ia venerá-la até o fim de seus dias, e que, da mesma forma, ia adorar a constelação da lhama por toda a vida. Prometeu que voltaria todos os meses para oferecer o sacrifício de uma lhama jovem. Depois, recolheu toda aquela lã miraculosa e foi vendê-la na cidade.

Os índios nunca tinham visto cores tão luminosas. Todo mundo queria comprar as lãs. Ele vendeu tudo e, com o dinheiro, comprou um casal de lhamas que, como se fosse mágica, lhe deu mais de duas mil lhamas em um ano. E ele logo ficou famoso em toda montanha.

Desde esse dia, os índios vão com frequência para perto da fonte sagrada, à espera de Yacana. Parece que ela desce à terra todas as noites, à meia-noite, e que bebe muita água. Os índios dizem que é por isso que não há mais dilúvios, porque com toda a água que os rios jogam no mar sem parar, se a constelação da lhama não viesse beber muito todas as noites, o mar já teria transbordado há muito tempo e engolido mais uma vez todas as aldeias...

Yacana tem filhos. É possível vê-los brilhando perto dela, mas são estrelas menores. Bem perto delas cintilam três grandes estrelas, que também são veneradas. Quando se pode vê-las com nitidez, é sinal de que os frutos ficarão perfeitamente maduros. Mas quando mal dá para vê-las, é porque as colheitas não vão ser boas. Então, os índios vão até a fonte e lhe fazem oferendas de conchas, cantando:

- Ó tu, que dás origem à água e que há tantos séculos regas nossos campos, faze a mesma coisa este ano e traze chuva para que a colheita seja boa.

Yacana nunca mais voltou para junto dessa fonte. Parece que ela nunca bebe duas vezes no mesmo lugar. No entanto, desde esse dia, perto da fonte, quando o dia nasce, ouve-se o vento assoviar como os passarinhos azuis da floresta.


Este conto foi extraído do livro Os Incas, mitos e lendas, de Danièle Küss e Jean Torton, publicado pela Editora Ática. 

O povo inca sempre manteve respeito e admiração pelas estrelas por acreditar que nelas moravam os espíritos.

Retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Por que sentimos choque?

Geladeira, freezer, chuveiro, ferro de passar, liquidificador... Todos esses utensílios fazem parte do nosso dia-a-dia e precisam da eletricidade para funcionar. Mas, assim como tornam nossa vida mais fácil, também podem nos proporcionar algo nada agradável: o choque! Isso mesmo! Aquela sensação dolorosa que faz arrepiar nossos cabelos. Para senti-la, basta, por exemplo, tocar sem querer em algum fio desencapado de um eletrodoméstico que esteja em funcionamento. Ou mesmo colocar o dedo, por descuido, em alguma tomada. É um susto e tanto. Mas se há algo de bom nessa experiência é a pergunta que aparece com ela: por que isso ocorreu?

A resposta é a seguinte: quando ligamos um eletrodoméstico na tomada, uma corrente elétrica começa a passar por seu fios. É ela que fornece energia necessária para o aparelho funcionar. A corrente elétrica é constituída por elétrons, minúsculas partículas com cargas elétricas que se movimentam, formando um fluxo. Algo que, se você visse, acharia parecido com uma corrente de água, só que feita de elétrons.

Os elétrons, no entanto, não se movimentam livremente em qualquer material. Eles só fazem isso dentro dos que têm a capacidade de receber e transmitir energia elétrica. Os materiais com essa característica - como os metais - são chamados de bons condutores de eletricidade. Mas o curioso é que nós, seres humanos, tais como os metais, também podemos receber e transmitir eletricidade. E é por isso que levamos choque!

Vejamos: quando tocamos em algum fio desencapado ou em uma tomada, a corrente elétrica que passa por ali, se conseguir atravessar a nossa pele, irá seguir livremente pelo nosso corpo. Tudo porque ele possui água e sais e, por essa razão, é um bom condutor de eletricidade. Como a corrente elétrica é a circulação de cargas, é preciso que essas cargas possam entrar e sair pelo corpo. Por isso, se estivermos descalços, sentiremos choque porque a corrente passará por nós, do fio ao pé. Também teremos essa sensação, se alguma parte do nosso corpo estiver em contato com algum material ou superfície condutora, como a mão numa parede, por exemplo.

Por outro lado, se estivermos usando um chinelo com sola de borracha e não houver contato entre o nosso corpo e outro material, não levaremos choque. A razão é simples: a borracha é um material isolante. Isto é, ela não é um bom condutor de eletricidade. Então, não permite que a eletricidade chegue ao solo e seja descarregada.

É bom saber disso para evitar acidentes! E vale saber ainda que os impulsos que o cérebro manda para controlar os nossos músculos são também correntes elétricas (que circulam pelos neurônios). Assim, quando a gente leva um choque, os músculos confundem a corrente elétrica trazida por ele com os comandos do cérebro. Resultado: nossos músculos se contraem fortemente. Por isso, às vezes, uma pessoa fica agarrada quando leva um choque.

Então, anote: nunca encoste em fios desencapados, nem mexa em objetos condutores de eletricidade sem conferir se a chave geradora de toda energia da casa está desligada!


Texto de Cáthia Abreu e Martín Makler, do Instituo de Física, Universidade Federal do Rio de Janeiro; retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

A Exemplo do Cristo (109)

"Ele bem sabia o que havia no homem." - (JOÃO, 2:25.)


Sim, Jesus não ignorava o que existia no homem, mas nunca se deixou impressionar negativamente.

Sabia que a usura morava com Zaqueu, contudo, trouxe-o da sovinice para a benemerência.

Não desconhecia que Madalena era possuída pelos gênios do Mal, entretanto, renovou-o para o amor puro.

Reconheceu a vaidade intelectual de Nicodemos, mas deu-lhe novas concepções da grandeza e da excelsitude da vida.

Identificou a fraqueza de Simão Pedro, todavia, pouco a pouco instala no coração do discípulo a fortaleza espiritual que faria dele o sustentáculo do Cristianismo nascente.

Vê as dúvidas de Tomé, sem desampará-lo.

Conhece a sombra que habita em Judas, sem negar-lhe o culto da afeição.

Jesus preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida e em quinhoar cada espírito com eficientes recursos de renovação para o bem.

Não condenes, pois, o próximo porque nele observes a inferioridade e a imperfeição.

A exemplo do Cristo, ajuda quanto possas.

O Amigo Divino sabe o que existe em nós... Ele não desconhece a nossa pesada e escura bagagem do pretérito, nas dificuldades do nosso presente, recheado de hesitações e de erros, mas nem por isso deixa de estender-nos amorosamente as mãos.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

03 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Nutricionista!

Quando vamos ao supermercado fazer compras, encontramos alimentos e produtos de diversas cores e sabores! Nos restaurantes, quanta variedade: de peixes a massas, tem de tudo! E o lanche da escola? Cada dia uma merenda diferente! Mas será que você sabe comer direito? Pois existe um profissional que orienta as pessoas a comerem os alimentos na quantidade e com a qualidade adequada. Você saberia dizer quem é? Está enganado se logo imaginou um chef de cozinha. A responsabilidade, na verdade, cabe ao nutricionista!

No Brasil, a história dessa profissão começou com o médico Josué de Castro. Em 1929, ele criou um curso para formar o que se chamou de "visitadora", um profissional que deveria ter o objetivo de combater a fome no país. O curso para formar nutricionistas, propriamente dito, foi criado só em 1939, na Universidade de São Paulo. Ele tinha duração de apenas um ano, acredita? Hoje, no entanto, é oferecido por quase todas as universidades públicas, além de algumas particulares, e dura em média quatro anos!

Na faculdade, quem deseja ser nutricionista estuda desde a formação do corpo humano até os efeitos no organismo da presença ou ausência de vitaminas, proteínas, gorduras e demais substâncias químicas que formam os alimentos. O futuro profissional da Nutrição aprende também qual a quantidade de alimentos que cada pessoa necessita ingerir para viver de forma saudável, quais os nutrientes essenciais ao crescimento e à manutenção da saúde do ser humano. Você sabia, por exemplo, que quem gosta de tomar mate, guaraná natural ou refrigerante à base de cola enquanto almoça um prato com arroz, feijão, legumes, verduras e carne deveria deixar a mania de lado? A nutricionista Mônica Valle de Carvalho, professora e chefe do Departamento de Nutrição Aplicada da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-Rio), explica o porquê! "O mate é rico em cafeína, que prejudica a absorção do ferro do feijão e das verduras pelo organismo", conta ela. "Por isso, o melhor é trocá-lo por um suco de laranja, cuja vitamina C ajuda a absorver o ferro."

Um nutricionista pode atuar em muitas em muitas áreas, como na nutrição clínica, receitando dietas a pacientes em consultórios particulares ou a doentes em hospitais; na nutrição esportiva, cuidando da alimentação de atletas em clubes de esportes ou academias de ginástica; na administração de serviços de alimentação, também conhecida como alimentação do trabalhador, atuando nas cozinhas de refeitórios de empresas, por exemplo; na nutrição de saúde pública, trabalhando em órgãos do governo; na vigilância sanitária, verificando as condições de armazenagem e de conservação dos alimentos; em laboratórios de Universidades, fazendo pesquisas; e nas indústrias alimentícias.

Renata Cassar, por exemplo, é nutricionista da Divisão de Produtos Lácteos Frescos da Danone. Ela tem várias responsabilidades, entre as quais, auxiliar no desenvolvimento de produtos nutritivos e que façam bem à saúde. "Quando o departamento de marketing sugere o lançamento de um iogurte para crianças, por exemplo, nós orientamos sobre que tipo de nutriente específico para essa faixa etária deve-se adicionar no produto e em que quantidade", explica.

Seja qual for a sua área de atuação, no entanto, o principal objetivo do nutricionista é educar as pessoas a se alimentarem adequadamente. "Quando falamos em dieta, a primeira coisa que passa pela cabeça das pessoas é: vou comer menos. E, na verdade, o que fazemos é educá-las para terem uma vida saudável, comendo um pouco de tudo", conta Lúcia Rodrigues, professora de Fisiopatologia e Dietoterapia Infantil e Nutrição Materno-infantil da UNI-Rio. Esta área estuda como a nutrição é primordial no crescimento do ser humano, desde quando o bebê está na barriga da mãe. O profissional também estuda as doenças na infância, como anemia, alergias alimentares, obesidade, dentre outras, demonstrando como a nutrição pode ajudar a criança a se recuperar.

Se você já está pensando em seguir a carreira de Nutricionista, fique ligado nessas dicas dadas por quem entende do assunto. "O nutricionista deve saber que é um profissional da área da saúde, isto é, que trabalha para ajudar as pessoas a se manterem saudáveis, independentemente da área em que vai trabalhar", diz Lúcia Rodrigues. "O nosso olhar é para o ser humano", completa. Então, se você se preocupa em levar uma vida saudável e também tem interesse em ajudar o próximo nesse sentido, quem sabe um dia não se tornará um nutricionista?!


Texto de Juliana Martins retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Curiosidades sobre os temperos

 Louro, canela, pimenta, noz-moscada e tantos outros temperos que dão à comida gostinho e aroma irresistíveis são também conhecidos pelo nome de "especiarias". Esta palavra - que você já viu ou verá no seu livro de História - foi sinônimo de tesouro há muitos anos. É verdade! No passado, navegadores atravessaram os mares comprando e revendendo esses produtos que chegaram para ficar em nossa mesa.


O cheirinho que vem da cozinha atravessa os cômodos da casa, chega ao seu nariz e desperta o seu estômago. Da próxima vez que isso acontecer, junte-se ao mestre-cuca e tente desvendar o mistério do aroma. Provavelmente, você vai descobrir que ele vem de uma planta, ou melhor, de parte de uma planta que está sendo usada em pedaços ou em pó como tempero. Pode ser pimenta-do-reino, louro, manjericão... No caso de doces, cravo ou canela, por exemplo. Seja o que for, pode apostar que o cheiro vai longe e que a planta veio de longe também!

Essas ervas aromáticas, chamadas especiarias, hoje são facilmente encontradas em supermercados e feiras livres. Mas, tempos atrás, a história era bem diferente. No final da Idade Média, elas só eram compradas das mãos de comerciantes, que as traziam de cidades da África e da Ásia para revender a preços altos na Europa. Mais tarde, com a chegada dos navegantes europeus ao continente americano, outros temperos foram descobertos, como a noz-moscada-do-brasil e até o pimentão, que é nativo da América do Sul.

Vindas de terras distantes, as especiarias pareciam envoltas numa nuvem de magia e mistério, pois muitas, além de servirem como condimentos, tinham o poder de tratar a saúde. Os comerciantes, claro, se aproveitavam do fascínio do povo e cobravam cada vez mais por esses produtos.

Portugal foi um dos países que aumentaram muito suas riquezas com o comércio das especiarias trazidas, principalmente, da Índia. O navegador português Vasco da Gama foi o primeiro que chegou a Calicute, na Índia, estabelecendo uma nova rota marítima entre o seu país e o Oriente para o transporte desse "tesouro vegetal".

Mas o tempo passou e as especiarias deixaram de ser exclusividade da mesa dos mais ricos. Novas terras foram descobertas, como o Brasil, e nelas passaram a ser cultivados muitos desses produtos. Pronto: as especiarias estavam ao alcance do povo! O mais simples dos pratos podia ter mais sabor!

Que tal, agora, ler os rótulos dos potinhos a seguir para saber curiosidades sobre as especiarias que eles guardam?!


Louro

O louro é um arbusto de dois a quatro metros de altura, do qual somente as folhas são usadas como tempero. Essa planta é conhecida desde a Grécia antiga, sendo que os primeiros registros de sua utilização datam de 2800 anos antes de Cristo. Se você prestar atenção, verá que em alguns desenhos animados os gregos e os romanos são representados usando coroas de louro. Essas coroas eram entregues aos vencedores de competições como símbolo da vitória. Daí a expressão "louros da vitória"!


Canela

Existem duas espécies diferentes de canela: a do Ceilão e a da China. Ambas são árvores das quais são extraídos pequenos pedaços da casca que envolve o tronco. E qualquer uma das duas é capaz de dar aquele gostinho especial em muitos tipos de doces!!! Quando a canela é vendida em pedaços, é chamada canela em pau; quando é moída, chama-se canela em pó. Da árvore da canela pode ser extraído óleo com propriedades medicinais usado para tratar gripes e resfriados e empregado também na perfumaria.


Noz-moscada

Da árvore se extrai o fruto. De dentro dele, tiram-se as sementes, que são raladas. Pronto: é o pó da noz-moscada que vai ser usado na comida! A planta que produz este tempero foi batizada pelos cientistas de Myristica Fragans. A noz-moscada também pode ser utilizada na perfumaria, na produção de pasta dental e de produtos farmacêuticos. Porém, não é essa a noz-moscada que se cultiva no Brasil. Aqui, é muito comum nas matas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais uma outra espécie, a Cryptocaria Moschata, da mesma família do louro e das canelas.


Pimenta

Criança não costuma gostar de pimenta porque arde a boca. No entanto, quando a gente cresce e passa a apreciar sabores mais picantes, uma pimentinha faz toda a diferença! Cada pé de pimenta-do-reino costuma dar de 20 a 30 espigas, das quais se retiram os frutos, que são moídos diretamente sobre a comida. Hoje, esta especiaria é utilizada pela indústria no processo de conservação de alimentos. O Pará é um dos maiores produtores brasileiros da pimenta-do-reino, que foi trazida para cá pelos colonos japoneses. Mas, no Brasil, há outras pimentas populares: a malagueta, por exemplo, é um fruto pequeno, alongado e vermelho; a chifre-de-veado tem frutos mais compridos que os da malagueta, eles são amarelos ou vermelhos; a comari também é um fruto vermelho, porém de formato arredondado; outra que também é redondinha é a pimenta-de-cheiro, mas essa tem cor amarela e recebe o nome de chili, no México, e de peperone, na Itália. O pimentão é mais uma da família das pimentas! Costuma ser usado para problemas digestivos e, externamente, para aliviar dores reumáticas.


Cravo-da-Índia

Você já o viu espetado no docinho de coco, misturado ao arroz-doce, em meio às frutas da compota, mas nem desconfia de que ele, o cravo, é, na verdade, o botão de uma flor! Originalmente, esses botões são de cor verde ou avermelhada, mas após serem secos ao  Sol ou em estufas, ficam pretinhos, do jeito que a gente os conhece. O cravo-da-Índia veio das Ilhas Molucas, na Ásia, mas há tempos é bastante cultivado no Nordeste, especialmente na Bahia. Essa especiaria é usada na culinária, na produção de perfumes e contra má digestão e bronquite. Porém, o abuso dela pode funcionar ao inverso, irritando o aparelho digestivo. Do cravo-da-Índia também se extrai um óleo muito usado para alívio da dor de dente e empregado na fabricação de alguns cremes dentais.


Cebola e Alho

Há quem não goste de mastigá-las, mas mesmo esses tendem a concordar que a maioria das comidas salgadas precisa de alho ou cebola para ter o sabor realçado! Presentes na culinária de muitos países, tanto o alho quanto a cebola são caules subterrâneos chamados bulbos. Note que na parte inferior do bulbo há uns fiapos, que são, na verdade, as raízes desses temperos. Além de proporcionar um gostinho especial aos mais variados pratos, o alho tem ação cientificamente comprovada contra bactérias e fungos, sendo também empregado como analgésico no alívio de dores.


Umbelliferae e Labiatae

Esses nomes estranhos representam duas famílias de condimentos dos quais você certamente já ouviu falar! Umberlliferae reúne a salsa, a erva-doce, o anis, o apio e o coentro (sem o qual o peixe cozido perde a graça!). Já à família Labiatae pertencem o orégano (excelente na pizza!), o alecrim, o manjericão, o tomilho e a hortelã. Falando em hortelã... Aí vai uma curiosidade: essa é uma das plantas mais usadas pelas indústrias de alimentos, cosméticos e medicamentos. Com ela se faz bala, chiclete, pastilha, pasta de dente e até xarope. O gosto refrescante da hortelã vem do mentol, substância presente no óleo que é extraído da planta.


Gengibre

Eis outro representante das especiarias que tem gosto forte e ardido! O gengibre é um arbusto de folhas longas e caule subterrâneo. Esse caule chama-se rizoma, cujo líquido ou as raspas são usados para dar um sabor diferente a comidas e bebidas. O famoso quentão - bebida preparada com vinho nas festas juninas - leva gengibre! Essa especiaria tem também aplicações medicinais, sendo usada como descongestionante e contra irritações da garganta. É originário da Ásia tropical.


Texto de Carlos Alexandre Marques (Departamento de Botânica, Laboratório de Morfologia Vegetal, Universidade Federal do Rio de Janeiro), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.