30 novembro 2016
Partículas de Amor
Atalhos
Márcia Castro/Arruda
A Flor
" A flor de que era feito o nosso amor
Molhou-se com a chuva
Gelou de tanto frio e mesmo assim
Não se quebrou
Oh! Flor
Se lhe maltratarem só por mal
Torna-se um translúcido cristal
Se lhe vem com crueldades
Exala teu perfume pra toda a cidade
Oh! Flor
Nascida de um peito sem graça e sem jeito
Sem nenhum espinho
Somente carinho e amor
Oh! Flor
A flor de que era feito o nosso amor
Molhou-se com a chuva
Gelou de tanto frio e mesmo assim
Não se quebrou
Oh! Flor
Mesmo em pleno mar de imensa dor
Queima tua chama com fervor
Se a morte a levar na correnteza
Brilhará no céu mais uma nova Estrela Flor
Mesmo se os anos passarem ciganos
Mesmo que os homens esqueçam tua cor
A flor de que era feito o nosso amor
Molhou-se com a chuva
Gelou de tanto frio e mesmo assim...
Desabrochou "
música de Fernando Figueiredo, do CD Batuque de Virgínia Rosa, lançado em 1997.
Flores e Bocas
Trazendo um sorriso de melhor amigo
Sorrisos são bocas em flor
Tão bom ter você do meu lado
Com jeito de apaixonado
Pra gente dividir o indivisível
Sonhar aquele sonho quase impossível
Seja como for
Foi bom você ter chegado
Assim meio inesperado
Eu tava perdido, trancado, sozinho
Contando as gotas da dor
Se você me chama, eu vou
Se você me pede, eu sou
Seu melhor amigo
Responda ao sorriso
Sorrisos são bocas em flor
Agora que a chuva passou
Das nossas sementes
Corações e mentes
Algo de novo brotou
Algo de novo brotou
Seu melhor amigo
Responda ao sorriso
Sorrisos são bocas em flor "
Composição de Fernando Figueiredo que faz parte do CD 1º de Mônica Tomasi, de 1996.
30 outubro 2016
Família
Família, família,
Papai, mamãe, titia,
Família, família,
Almoça junto todo dia,
Nunca perde essa mania.
Mas quando a filha quer fugir de casa
Precisa descolar um ganha-pão
Filha de família se não casa
Papai, mamãe, não dão nenhum tostão.
Família ê
Família á
Família.
Família, família,
Vovô, vovó, sobrinha.
Família, família,
Janta junto todo dia,
Nunca perde essa mania.
Mas quando o nenê fica doente
Procura uma farmácia de plantão
O choro do nenê é estridente
Assim não dá pra ver televisão.
Família ê
Família á
Família.
Família, família,
Cachorro, gato, galinha.
Família, família,
Vive junto todo dia,
Nunca perde essa mania.
A mãe morre de medo de barata
O pai vive com medo de ladrão
Jogaram inseticida pela casa
Botaram cadeado no portão.
Família ê
Família á
Família
Música de Arnaldo Antunes e Toni Belloto; faz parte do LP Cabeça Dinossauro, dos Titãs, lançado em 1986.
06 janeiro 2015
Penas do Tiê
Vocês já viram
Lá na mata a cantoria
Da passarada quando vai anoitecer
E já ouviram o canto triste da araponga
Anunciando que na terra vai chover
Já experimentaram guabiraba bem madura
Já viram as tarde quando vai anoitecer
E já sentiram das planícies orvalhadas
O cheiro doce das frutinhas muçambê
Pois meu amor, tem um pouquinho disso tudo
E tem na boca a cor das penas do tiê
Quando ele canta os passarinhos ficam mudos
Sabem quem é o meu amor?
Ele é você, você, você, você
E já sentiram das planícies orvalhadas
O cheiro doce das frutinhas muçambê
Pois meu amor, tem um pouquinho disso tudo
E tem na boca a cor das penas do tiê
Quando ele canta os passarinhos ficam mudos
Sabem quem é o meu amor?
Ele é você, você, você, você
Música do Folclore adaptado por Fagner em 1973; gravado em dueto com Nara Leão no então LP dele "Manera Fru Fru Manera"; ela, em 1981, regravou a música sem ele, no disco intitulado "Romance Popular"; Joanna fez uma bonita regravação em seu LP de 1982, "Vidamor".
Nara Leão
Nara Leão nunca desejou ser musa nem lenda. Agiu segundo sua própria consciência, não fez concessões a ideologias ou ao mercado. Retirou-se do glamour da mídia. Só participou desse glamour enquanto ele serviu como veículo de suas ideias musicais. A voz suave e a interpretação clarividente criaram uma arte atemporal, que pode ser confundida com objeto anacrônico. E é, na medida em que anacrônico possa significar aversão pela descartabilidade, coerência e honestidade a qualquer custo. Essa postura está completando em 1988 seu jubileu de prata. As canções, sambas e bossas novas contadas um dia por ela ganham sabor com o curso dos tempos. Sua sutileza não se esgota em uma ou duas gerações. Ouvida hoje, Nara é tão presente quanto há 25 anos. Hoje ela é uma outsider na corrente principal da Música Popular Brasileira. Curiosamente, participou dos dois únicos movimentos de ruptura na tradição sonora nacional - a Bossa Nova e o Tropicalismo. Esse desejo de atuação na vanguarda estética provocou pequenas revoluções no interior do seu trabalho.
Musa da Bossa Nova de 1957 a 1963, ela recebia os músicos do movimento em seu apartamento em Copacabana e interpretava "standards" do gênero. No fatídico 1964, porém, ela sentiu que deveria alterar a imagem. Lançou seu primeiro LP, Nara (selo Elenco), para lançar luz sobre sambistas até então ignorados como Zé Keti, Cartola e Elton Medeiros. Os bossa-novistas ortodoxos torceram o nariz. No mesmo ano ela, optaria pelo engajamento político e lançaria o disco "Opinião de Nara" (Philips). Ampliaria os pressupostos políticos do disco em dezembro daquele ano, estrelando o célebre show "Opinião", dirigido por Augusto Boal e Gianfrancesco Guarnieri, ponta-de-lança da emergente canção de protesto. Defendeu A Banda de Chico Buarque em 1966, no II Festival da Música Popular Brasileira.
Estava no ápice da fama, mas não se acomodou. Em 1968 ela se incorporava ao movimento tropicalista, gravando o LP Tropicália ou Panis et Circenses com Caetano, Gil e Gal. Não deixava, porém, de alimentar amor por Ernesto Nazareth e velhos "standards" da bossa nova. Viveu em Paris entre 1969 e 1971. O exílio voluntário proporcionou a primeira retrospectiva de carreira, o LP Dez Anos Depois (Polydor). Voltou ao Brasil em 1972 para reintegrar-se - agora com discrição - à música brasileira.
Grava esparsadamente, mas o que grava soa fundamental, alicerce seguro para futuras interpretações. O mesmo desejo de ação levou-a a se afastar da histeria do "Grand Monde". Percebeu que a feira das vaidades não leva a lugar algum. A Nara da Bossa Nova, a tropicalista, a engajada e saudosista enfeixam-se na mesma voz, no mesmo jeito de interpretar. Seu canto suave resgata o ouvinte do inferno do mundo contemporâneo e finito. Leva-o ao nirvana da arte pela arte. Isso ainda é Bossa Nova, embora não tão muito natural...
Texto de Luís Antônio Giron que está presente na coletânea Personalidade, de Nara Leão, lançada em LP em 1988 e relançado em CD em 1994.
04 janeiro 2015
Vida
Mais não se pode dizer
Nem eu, nem ninguém
Você é quem deve colher
Depois de semear também
Você é quem pode rasgar o caminho
E fechar a ferida
E achar no seu justo momento
A razão de tudo aquilo que chamamos vida
Vamos lá, deixa o coração
Recolher os pedaços do sonho perdido
Essa é a lei nos caminhos
Onde a ilusão e a dor
Fazem parte do primeiro artigo
Traços comuns em nossas vidas
Não justificam um conselho sequer
E logo eu que procuro
Infinitas formas de amar e viver
Posso apenas declarar que o medo
É que faz a nossa dor crescer
Mais eu não posso dizer
Música de Paulinho da Viola e Elton Medeiros gravada em 1975. Juliana Amaral a regravou em 2007 em seu CD Juliana Samba.
Ararinha Azul
Vive na montanha
Pela imensidão
Nada sob o céu
Mora em solidão
Foge que o perigo
Fica atrás de tu
Volta lá pro céu
Ararinha azul
Ararinha azul
Volta lá pro sul
Pássaro encantado
Já em extinção
Mora no Amazonas
Não tem direção
Vai que os inimigos
Andam atrás de tu
Ararinha azul
Ararinha azul
Volta lá pro sul
Música de Aleuda que está no CD de 2002 de Juliana Amaral intitulado Águas Daqui.
21 junho 2014
Máscara Negra
Tanto riso
Oh! Quanta alegria
Mais de mil palhaços no salão
O arlequim está chorando
Pelo amor da colombina
No meio da multidão
Foi bom te ver outra vez
Tá fazendo um ano
Foi no carnaval que passou
Eu sou aquele Pierrot
Que te abraçou
Que te beijou, meu amor
Na mesma máscara negra
Que esconde o teu rosto
Eu quero matar a saudade
Vou beijar-te agora
Não me leve a mal
Hoje é carnaval
Música de Zé Kéti e Pereira Mattos gravada por Vânia Abreu e Marcelo Quintanilha no CD Pierrot & Colombina lançado em 2005.