08 março 2026

O misterioso mundo por trás da frase feita

ENCANTADO COM SUA EXPRESSIVIDADE, DIFICILMENTE QUEM USA UMA LOCUÇÃO PROCURA AS RAZÕES QUE MOTIVARAM SUA EXISTÊNCIA


Elas afloram constantemente na fala das pessoas sem que seus usuários se incomodem em descobrir-lhes as origens: contentam-se estes com a expressividade e com a força comunicativa que elas imprimem à expressão de suas mensagens. O emprego delas é hoje mais raro do que antigamente, e o fato se explica porque a modernidade, diminuídos o gosto e o contato da leitura, recebe menos a influência do texto escrito sobre o texto oral. Daí também se explica o emprego das locuções ser mais frequente entre os idosos.

A toda hora se ouve: dizer cobras e lagartos de alguém, ele é cheio de nove horas, isso são favas contadas, achar-se em camisa de onze varas. Dificilmente quem as usa para e procura a razão ou a origem delas; contenta-se com a força expressiva que empresta a seus dizeres.

E, realmente, é tarefa complicada investigar as razões que as motivaram. Na busca da etimologia - ou origem de uma palavra -, conta o investigador, quase sempre, com o testemunho direto ou indireto do idioma de onde procedeu o termo. Para a busca de explicação de uma dessas locuções, abre-se diante do pesquisador um largo panorama de possíveis soluções.

As locuções se originam em associações psicológicas, em fatos históricos, em alusões literárias ou mitológicas, em comparações com todos os reinos da natureza, em etnologia e em muitos mais recantos do saber, da criatividade e da imaginação humana revelados pelo folclore.

Por tudo isso, o campo

Por que as aranhas fazem teias?

Elas estão por toda parte. Nos cantos da parede, em algum móvel velho, embaixo da cama, no jardim... Seus fios formam desenhos que encantam nossos olhos. Procure atentamente e você deve encontrar uma teia! Que elas são feitas por aranhas todos já sabem. Mas por que as aranhas fazem teias?

A resposta está na barriga da aranha. Bem na ponta no abdome dela, existe um par de órgãos que produzem fios de seda, que formam a teia. Assim, ela solta o fio e vai tecendo, com a ajuda de algumas de suas oito pernas, um emaranhado que pode ter muitos formatos. Cada espécie faz uma teia diferente.

As teias têm várias utilidades para as aranhas. Caçar, proteger seus ovos ou mesmo fazer abrigos. As aranhas que produzem teias para caçar são as mais observadas. Você já deve ter visto algum bicho grudado em uma teia. É que ela é coberta por uma substância grudenta. Assim, o inseto que voa desavisado pode esbarrar em uma delas e ficar preso em seus fios. Se isso acontecer, já era! Ele certamente será devorado, pois todas as aranhas são predadoras, nenhuma é vegetariana!

As aranhas utilizam suas teias até para armazenar os alimentos. Se algum bicho fica grudado e ela está com fome, não o dispensa. Guarda o petisco bem enroladinho em um casulo de seda para comer mais tarde.

Existem, ainda, as aranhas que usam sua seda para escapar de animais que adoram comê-las, como pássaros, sapos e, até mesmo, alguns insetos. Para se livrar do perigo, entre outras artimanhas, algumas espécies fazem uma teia em forma de funil, que tem uma dupla função: a ponta maior serve para caçar e a ponta menor para se esconder; assim, ela tem cozinha e quarto na mesma teia.

Até mesmo os filhotes das aranhas usam seu fio. Algumas espécies, principalmente as que vivem em áreas mais abertas, como nos cerrados do centro do Brasil, utilizam suas teias de maneira espetacular. Assim que deixam os ovos, fazem um fiozinho e prendem a ponta em um pedacinho de folha ou, até mesmo, em outro fio. Aí, as pequenas aranhas soltam uma ponta e seguram a outra. Como a seda é muito leve, o vento pode levá-las para longe, como se estivessem viajando num balão. É assim que essas aranhas encontram novos alimentos  para comer e outros lugares para fazer suas teias!


Texto de Felipe Bandoni de Oliveira (Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo), retirado da Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 17, Número 144, Março de 2004.

07 março 2026

Sois a Luz (105)

 "Vós sois a luz do mundo." - Jesus. (MATEUS, 5:14.)


Quando o Cristo designou os seus discípulos, como sendo a luz do mundo, assinalou-lhes tremenda responsabilidade na Terra.

A missão da luz é clarear caminhos, varrer sombras e salvar vidas, missão essa que se desenvolve, invariavelmente, à custa do combustível que lhe serve de base.

A chama da candeia gasta o óleo do pavio.

A iluminação elétrica consome a força da usina.

E a claridade, seja do Sol ou do candelabro, é sempre mensagem de segurança e discernimento, reconforto e alegria, tranquilizando aqueles em torno dos quais resplandece.

Se nos compenetrarmos, pois, da lição do Cristo, interessados em acompanhá-lo, é indispensável a nossa disposição de doar as nossas forças na atividade incessante do bem, para que a Boa Nova brilhe na senda de redenção para todos.

Cristão sem espírito de sacrifício é lâmpada morta no santuário do Evangelho.

Busquemos o Senhor, oferecendo aos outros o melhor de nós mesmos.

Sigamo-lo, auxiliando indistintamente.

Não nos detenhamos em conflitos ou perquirições sem proveito.

"Vós sois a luz do mundo" - exortou-nos o Mestre -, e a luz não argumenta, mas sim esclarece e socorrer, ajuda e ilumina.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

Quando crescer, vou ser... primatólogo!

De repente, ela começou a sentir dores. Ia ter um bebê. Estava fraca. Aos poucos, os parentes percebiam a situação complicada. Aproximavam-se e tentavam dar apoio. Após alguns minutos de apreensão e muito esforço, o bebê nascia saudável e, em pouco tempo, já estava no colo da mãe.

Essa história aconteceu há alguns anos no Centro de Primatologia do Rio de Janeiro. Graças ao trabalho de uma equipe de primatólogos, tudo não passou de um susto. Primatologia? Primatólogos? Mas o que isso tem a ver? Muita coisa, afinal, quem acabara de ter o filho não era uma mulher, mas uma macaca. Então é isso! Primatólogo é o profissional que estuda os primatas!

O nascimento de um macaco é mesmo muito parecido com o do homem. E as semelhanças não param por aí. "O cuidado na criação dos filhotes, a reação dos pais, a forma física, muita coisa se parece", diz Alcides Pissinatti, um dos primeiros primatólogos brasileiros, atualmente, presidente do Centro de Primatologia do Rio de Janeiro.

Quem acha que trabalho de primatólogo é comparar macaco com homem está enganado. A ressalva é de Luiz Dias, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Quando criança, ele morava perto de um parque estadual em Belo Horizonte e volta e meia via um macaco diferente. Então, decidiu estudar Biologia. "Minhas maiores emoções até hoje foram quando vi um macaco-muriqui, espécie muito rara, cair em cima do meu ombro e quando entrei em uma reserva pela primeira vez."

Mal sabia que a aventura estava apenas começando. Imagine que o Luiz já ficou mais de um ano acampado em uma reserva ecológica para observar os macacos! Longe de casa, do barulho dos carros e da fumaça da cidade. Agora, ele se prepara para mais um desafio: ficar um ano e meio dentro da reserva!

Luiz vai fazer o chamado trabalho de campo, que é a observação das espécies em local aberto. Outro tipo de atividade é a pesquisa em lugar cercado, o cativeiro. "Lá, estimulamos a inteligência e agilidade do animal. Escondemos a comida, fazemos gangorra de pneus e colocamos cordas para brincarem. Com isso, avaliamos o comportamento deles", diz Luiz.

Mas não pense que é fácil se tornar primatólogo. Lembra que o Luiz se formou em Biologia? Pois é. Como não há especialização em primatologia no Brasil, é preciso repetir nos estudos o que os macacos costumam fazer tão bem: pular de galho em galho. "Somos profissionais que se formam por conta própria. Desde que iniciamos essa atividade no Brasil, nos anos 70, nunca existiu um curso de formação em primatologia. Então, tem de ser na prática mesmo", diz Alcides Pissinatti.

Prática, aliás, é o que não falta para o Alcides. Ele tinha acabado de se formar em veterinária quando seu amigo, o professor Adelmar Coimbra, fez o convite para montarem um local de estudos de primatas no Rio de Janeiro. Nascia ali o primeiro  Centro de Primatologia do Brasil. "Percebia que muita gente matava ou vendia micos-leões-dourados. Isso me motivou a trabalhar pela conservação dos primatas."

Como não há especialização em primatologia, a primeira coisa para quem quer se tornar primatólogo é escolher uma profissão que tenha a ver com animais. Pode ser biólogo, como o Luiz, veterinário, como o Alcides, antropólogo, ecólogo, médico, farmacêutico. Aí, é só colocar a mão na massa, porque o que não falta é trabalho!

O primatólogo pode estudar a fisiologia dos primatas (funcionamento do seu organismo), sua anatomia (característica do corpo), genética, demografia (quantidade de macacos em determinada região) ou hábitat (moradia). Isso, só para citar alguns exemplos!

Para trabalhar, os locais são: institutos de pesquisa, fundações de preservação de animais e universidades.

Apesar das dificuldades para se tornar um profissional e de se tratar de uma área ainda pouco conhecida, a primatologia tem tudo para crescer. Afinal, quem nunca ficou com o olhar perdido nos macacos do zoológico, pensando como seria bom conhecê-los mais de perto e entender por que eles se parecem tanto com a gente?


Texto de Rafael Barros retirado da Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 17, Número 144, Março de 2004.

Por que os macacos vivem em árvores?

Um dia, Leopardo estava admirando seu reflexo na água da lagoa. Uma das coisas que Leopardo mais gostava de fazer era ficar se admirando. Ele se olhava para ter certeza de que todos os seus pelos estavam penteados e que todas as suas manchas estavam nos lugares certos. Isso demorava um tempão, mas Leopardo não se incomodava.

Finalmente, ele ficou satisfeito, pois nada estava comprometendo sua beleza, e virou-se para ir embora. Naquele exato momento, um de seus filhos correu até ele dizendo:

- Papai! Papai! Você vai entrar no concurso?

- Que concurso? - Leopardo quis saber. Se fosse um concurso de beleza, claro que ele iria participar.

- Eu não sei. Corvo, o Mensageiro, passou voando por aqui e disse que Rei Gorila está promovendo um concurso.

Sem mais uma palavra, Leopardo partiu. Foi em direção nor-nordeste, virou à direita na amoreira e continuou su-sueste até chegar a um grande buraco na terra. Deu cinco voltas no buraco, tomou a direção norte com uma cambalhota até chegar a uma clareira no meio da floresta e era lá que Rei Gorila se encontrava.

Rei Gorila estava sentado em seu trono. À sua frente, do outro lado da clareira, estavam sentados todos os animais num semicírculo. No meio, entre Rei Gorila e os animais estava um grande monte do que parecia ser uma poeira preta.

Leopardo olhou em volta com dignidade. Então, regiamente dirigiu-se até seu amigo Leão.

- O que é aquilo? - perguntou, apontando para o monte de poeira preta.

- Não sei - respondeu Leão. - Rei Gorila disse que dará um pote de ouro a quem conseguir comer aquilo num só dia. Eu consigo comer numa hora.

Leopardo riu. - Pois eu comerei em meia hora.

Foi a vez de Hipopótamo dar risada. - Do tamanho que a minha boca é, como aquele monte de uma abocanhada só.

Chegou a hora do concurso. Rei Gorila fez os animais escolherem números para ver em que ordem cada um participaria. Para grande desapontamento de todos, Hipopótamo tirou o número 1.

Hipopótamo andou até o monte de poeira. Era maior do que ele havia suposto. Era grande demais para ser engolido de uma só vez. Mesmo assim, Hipopótamo abriu sua boca o máximo que pôde e deu uma mordida na poeira preta.

Começou a mastigar. De repente, ele deu um pulo e soltou um grito. Gritou tão alto que derrubou as orelhas das galinhas... E é por isso que até hoje as galinhas não têm orelhas.

Hipopótamo gritou e Hipopótamo berrou. Hipopótamo urrou e Hipopótamo uivou. Então, começou a espirrar e a chorar e as lágrimas escorriam por sua face como se ele estivesse no chuveiro. Hipopótamo correu até o rio e bebeu toda a água que conseguiu; o que era muita água mesmo, para refrescar sua boca, sua língua e sua garganta.

Os animais não entendiam o que havia acontecido com o Hipopótamo, mas nem ligaram. Estavam felizes, pois teriam uma chance de ganhar o pote de ouro. É claro que, se eles soubessem que o monte de poeira preta era na verdade um monte de pimenta-do-reino, talvez não quisessem o ouro.

Ninguém estava mais feliz que o Leopardo, porque ele havia tirado o número 2. Ele andou até o monte preto e cheirou-o.

- AAAAAAAAAATCHIIIIIIMMMMMM! - Leopardo não gostou daquilo, mas então se lembrou do pote de ouro. Ele abriu a boca, deu uma dentada e começou a mastigar e engolir.

Leopardo deu um pulo, acompanhado de um salto mortal duplo de costas e gritou. Ele berrou e uivou e, finalmente, começou a espirrar e a chorar, as lágrimas escorrendo pelo rosto como uma cachoeira. Leopardo correu até o rio e lavou a boca, a garganta e a língua.

O próximo foi o Leão, e a mesma coisa aconteceu com ele, bem como com todos os outros animais. Finalmente só restou o Macaco.

O Macaco aproximou-se de Rei Gorila. - Eu sei que conseguirei comer tudo do que quer que seja, mas depois de cada dentada, vou precisar deitar-me na mata e descansar.

Rei Gorila disse que estava bem.

Macaco foi até o monte preto, pegou um bocadinho com a língua, engoliu e foi até a mata. Minutos depois, o macaco voltou, pegou mais um pouquinho, engoliu e foi até a mata.

Em pouco tempo o monte já quase acabara. Os animais estavam espantados de ver que o Macaco estava conseguindo fazer o que eles não haviam conseguido. Leopardo também não podia acreditar no que via. Ele subiu numa árvore e esticou-se num galho grosso para tentar ver melhor. Do alto do galho, Leopardo conseguia enxergar dentro da mata, onde o Macaco ia descansar. Espere um minuto! Leopardo achou que havia algo errado com sua vista, pois parecia haver uma centena de macacos escondidos no meio da mata.

Ele esfregou os olhos e deu uma espiadela. Não havia nada de errado com seus olhos. Havia mesmo centenas de macacos no meio da mata e eram todos parecidos!

Naquele instante, ouviu-se o som de aplausos. Rei Gorila anunciou que Macaco ganhara o concurso e o pote de ouro.

Leopardo soltou um grunhido tão apavorante que até Rei Gorila ficou com medo. Leopardo não pensava em outra coisa senão nos macacos. Então, deu um lindo salto de cima da árvore até bem no centro da mata onde os macacos estavam escondidos.

Eles correram em todas as direções. Quando os animais viram os macacos saindo correndo da mata, perceberam que haviam sido enganados e começaram a persegui-los. Até Rei Gorila participou da perseguição. Ele queria seu ouro de volta.

A única maneira que os macacos encontraram para escapar foi subir no topo das árvores mais altas, onde ninguém, nem mesmo Leopardo, conseguia alcançá-los.

E é por isso que os macacos vivem nas árvores até hoje.


Texto de Julius Lester retirado da Revista Ciência Hoje para Crianças, Ano 17, Número 144, Março de 2004.