11 setembro 2026

Por que choramos?

Lágrimas escorrendo pelo rosto são, por si só, um inconfundível pedido de ajuda. Não que os outros componentes do choro sejam menos chamativos: soluços e berreiros, assim como queixo trêmulo e boca com cantos virados para baixo, também são sinais de que algo não vai bem! Mas apesar de reconhecermos cada elemento do choro com facilidade, os mecanismos cerebrais que o controlam não são bem conhecidos. Em parte porque costuma ser difícil - ao menos para adultos - chorar sob encomenda em laboratório.

Claro que sempre é possível usar cebolas para colher lágrimas. Nesses casos, as lágrimas escorrem em resposta à irritação do olho causada por um gás liberado pela cebola cortada. Lágrimas, no entanto, são produzidas o tempo todo. Elas têm o papel de manter os olhos limpos, lubrificados e em bom estado. O que sobra é drenado para dentro do nariz pelos canais lacrimais, situados no canto interno das pálpebras. A questão ainda sem resposta é como certas situações fazem a produção de lágrimas aumentar tanto que os canais não dão conta do recado: o que consegue ser drenado escorre pelas narinas; o restante transborda e rola pelo rosto.

As dúvidas não param por aí. Hoje sabemos que, quando choramos, nossa respiração muda, o que nos permite fazer barulhos diferentes dos que normalmente, produzimos. Essa alteração respiratória é tão importante que ocorre também em outros animais. Os sons do choro são um poderoso meio de comunicação, sobretudo na falta de palavras. Filhotes de macacos choram por suas mães; cachorros choramingam por desconforto ou fome. Humanos recém-nascidos, é claro, são craques nesse tipo de comunicação a plenos pulmões. Qualquer mãe de primeira viagem, por exemplo, distingue entre um choro sustentado que indica dor e aquele ritmado do bebê quando quer atenção.

Se apenas os sons do choro já são chamativos, qual é a utilidade de derramar lágrimas? Não se sabe ao certo, mas chorar parece proporcionar alívio imediato. Muita gente diz que se sente melhor após verter lágrimas. Talvez elas ajudem a eliminar substâncias produzidas durante o estresse. Ao menos em outros animais as lágrimas têm essa função de "descontaminação". As de bichos que vivem em água salgada - como focas e crocodilos -, por exemplo, ajudam a eliminar o excesso de sal do corpo. Daí vem a expressão "chorar lágrimas de crocodilo", isto é, choramingar sem um pingo de emoção verdadeira. Alguns artistas são craques nisso. Algumas crianças também!


Texto de Suzana Herculano-Houzel (Departamento de Anatomia da UFRJ) retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 132, 2ª Edição, FNDE, Ministério da Cultura, Rio de Janeiro, Janeiro e Fevereiro de 2003.

Quando crescer, vou ser... Farmacêutico!

Na certa, você já esteve alguns dias debaixo das cobertas, com febre alta, calafrios e um mal-estar danado! Lembra quando, entre um sonho e outro, alguém trazia aquele medicamento de gosto horrível? Aposto como naquelas horas você se perguntava quem seria capaz de fazer um daqueles. Bem, saiba agora que o farmacêutico é o responsável pela elaboração do remédio que cura o febrão da gente - e pelo desafio de melhorar aquele sabor desagradável que conhecemos! Como profissional, ele trata de proteger e recuperar a saúde das pessoas. Vamos saber mais?

O farmacêutico surgiu por volta de 1240, quando, na Prússia, o Imperador Frederico II, separou a Farmácia, ciência que ele estudava - da Medicina. No Brasil, a profissão surgiu em 1832, 24 anis depois da chegada de Dom João VI e da família real. Antes, para ser farmacêutico era preciso ser médico. Talvez por isso, até hoje, as pessoas confundam um pouco as duas profissões, o que é perigoso. Principalmente, porque não cabe ao farmacêutico receitar medicamentos, pois ele não é um especialista em doenças como o médico. Ao farmacêutico cabem muitas outras funções na área da saúde.

Pode-se encontrar este profissional em todas as etapas que envolvem a elaboração de um medicamento. Aliás, você sabe o que é um medicamento? É toda matéria de origem humana, animal, vegetal ou química que, depois de trabalhada em laboratório, possui a função de curar ou prevenir uma doença. O farmacêutico é aquele que extrai, por exemplo, a vitamina C dos alimentos - como a laranja - e a transforma nos comprimidos que tomamos quando estamos resfriados! Depois de elaborados, os medicamentos são classificados em função de suas propriedades: uns para dor de cabeça, outros para queimaduras etc. etc. etc. Finalmente, eles vão para as drogarias, onde há um farmacêutico de plantão cuidando para que as pessoas façam bom uso dos remédios. Em geral, não é a mesma pessoa que atua em todas as etapas. Cada farmacêutico escolhe a sua área de especialização, e, acredite, há muitas delas!

Ele pode estar ligado à indústria de alimentos. Nessa função, verifica a qualidade dos produtos, estabelece prazos de validade (aquelas datas que vemos nas embalagens) e cuida das condições de estocagem, isto é, faz de tudo para que os produtos não estraguem quando guardados. É nessa área que trabalha a farmacêutica Miriam Moura. Ela dá aulas práticas de controle de qualidade de alimentos na Universidade do Rio de Janeiro (UFRJ). Miriam sonhava em trabalhar num laboratório, como os cientistas! Contudo, "queria uma profissão que prestasse assistência na área de saúde, por isso escolhi Farmácia".

A professora lembra que o farmacêutico pode estar ligado a órgãos ou laboratórios de análises clínicas e toxicológicas. Ou seja, pode trabalhar em hospitais analisando o sangue das pessoas, ou até no Instituto Médico Legal (IML) - local para onde vão as pessoas, logo após a morte - investigando se a causa do falecimento foi intoxicação e determinando o tipo. Também é de responsabilidade do farmacêutico a produção e o controle de soros e vacinas. Ele pode ainda atuar na indústria de cosméticos. Afinal, xampu, sabonete e pasta de dente - assim como os medicamentos - são frutos de muita pesquisa e análise em laboratório.

"As áreas de atuação são tantas e tão interessantes que fica até difícil decidir o rumo da nossa vida profissional", diz a farmacêutica industrial Simone Padilha. Ela já foi farmacêutica responsável em uma drogaria e afirma que a importância dessa função está na proximidade do profissional com as pessoas. "Se alguém estiver comprando um antibiótico, por exemplo, o farmacêutico deve ajudá-lo a montar uma tabela com os horários, perguntar se ele toma outro medicamento e alertá-lo sobre alimentos que possam modificar o efeito do antibiótico", explica. Na época em que prestou vestibular, ela queria trabalhar como Química, pensou melhor e parece ter acertado em cheio escolhendo a faculdade de Farmácia: "Amo meu trabalho, amo minha profissão." Agora, imagine você se ela tivesse lido a CHC quando criança: não ia pensar em outra coisa na vida além de ser farmacêutica!


Texto de Maria Ganem retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, 2ª Edição, Ano 16, Número 132, Janeiro/Fevereiro de 2003, Ministério da Educação, FNDE, Rio de Janeiro.