O que o autor busca com a publicação de seu livro? Seja reconhecimento, dinheiro ou premiações, em algum momento o escritor necessita efetuar questionamentos.
Não sei se você pretende escrever um livro, se está escrevendo ou já escreveu e precisa decidir o modo como conduzir sua obra. O fato é que em algum momento você terá de definir qual é a melhor maneira de publicá-lo. E essa decisão carrega tanto de ambição pessoal, sentimento de pertença à tradição literária quanto de percepção do que representa este seu livro no horizonte das publicações e produções criativas.
Não se trata de uma pergunta simples, e as respostas são múltiplas e muitas vezes contraditória. Veja: não estou falando aqui em fazer sucesso. O sucesso é uma categoria relativa, e você terá em algum momento de definir mais ou menos o que almeja ao escrever um livro. O sucesso pode derivar do fracasso. Haveria muito a escrever sobre isso, mas, para os devidos fins, vale dizer que o sucesso não é uma categoria do fazer artístico. Falemos, portanto, do reconhecimento.
O que o reconhecimento significa para você? Algumas alternativas:
a. Publicar o livro, simplesmente: é inegável que ver um livro publicado já é em si um mérito e exige o reconhecimento de várias instâncias, externas e internas, ao autor - sim, ter um livro publicado é um grande reconhecimento.
b. Ganhar ou ser finalista de algum grande prêmio literário: Oceanos, Prêmio São Paulo de Literatura, Jabuti e outros prêmios são marcos na vida de um autor. Sem desmerecer a legitimidade dessa ambição, é fato que existem muitos livros por aí, e os espaços de premiação, bastante restritos. Na maior parte das vezes, um livro pega primeiro ou segundo lugar em um prêmio porque o corpo de jurados era este e não aquele.
c. Viver de Literatura: um lindo sentido de realização está presente nesse ideal; ao mesmo tempo, trata-se de uma faca de dois gumes, se o que você espera é que a literatura lhe dê tanto ou mais do que você deu a ela. Mesmo assim, a escrita tem um lugar concreto e legítimo neste mundo. Nada mais natural que existam pessoas que vivam da escrita, assim como existem pessoas que passam o dia em uma cozinha profissional, em um consultório ou em qualquer lugar em que desejem exercer sua paixão e ganhar por isso.
d. Ter mil leitores fiéis - ou cinco mil: essa ideia de reconhecimento vai além da coroação canônica de um corpo de jurados. Ter leitores já é uma espécie de atestado de pertencimento. Se você tem mil leitores fiéis poderá viver de literatura, ao passo que uma premiação pode ser facilmente esquecida ao cabo de algum tempo.
Tendo passado por várias modalidades possíveis de negociação com editoras, obtido bolsas e publicado alguns tantos livros, percebo que hoje o ato de publicar e de produzir a sua obra pode ser um momento verdadeiramente criativo do processo.
Pouca gente sabe o que fazer na hora de conduzir sua obra para a publicação. As orientações serão, em geral, pautadas por posturas idealistas muito pessoais. Escritores costumam ser péssimos vendedores. Felizmente, o autor aos poucos começa a aprender a se defender. É inescapável: se você está para ficar, e dependendo do que você quer para si, é sim importante dedicar um tempinho em conhecer os trâmites, prós e contras de cada possibilidade de edição.
Texto de Tiago Novaes. É escritor, professor de criação literária e doutor em Psicologia pela USP. Retirado da revista Conhecimento Prático Literatura, Ano 8, Edição 78, Junho de 2018, Editora Escala, São Paulo.
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