07 novembro 2026

Os 10 pecados da redação

 As falhas e descuidos na prova de redação que podem reduzir ou mesmo acabar com as chances do vestibulando


Quem já não passou pela experiência de ficar diante de uma página em branco sem conseguir traduzir uma ideia em palavras? O desagradável é que isso pode ocorrer em pleno dia do vestibular. Mas há meios de superar esses bloqueios, principalmente porque muitas propostas de redação fornecem informações orientando a elaboração da prova. Adotar os procedimentos sugeridos já é uma maneira de começar a escrever.

A Unicamp e a Fuvest, por exemplo, apresentam coletâneas de textos e indicam como os candidatos devem proceder na escrita. Mas como desenvolver o gênero exigido? O que podemos fazer para redigir com eficácia uma dissertação, uma carta argumentativa, um editorial, um artigo de opinião, uma narração ou uma entrevista? Um bom começo é saber o que não se deve escrever, evitando assim aquelas falhas e deslizes que podem comprometer o desempenho do candidato. Afinal, o mero conhecimento de certas técnicas de texto não é garantia de um bom resultado. Desse modo, mapear os pontos fracos que acometem a maioria das redações - e assim os evitando a todo custo - pode ser uma boa saída para minimizar as chances de "zerar" na prova.


1- Fuga do tema

Fugir ao tema estabelecido pela prova pode invalidar o texto. Por exemplo, a proposta solicita uma dissertação sobre o trabalho infantil, mas a redação trata de menores abandonados. Certamente a nota será "zero". No manual do candidato da Fuvest 2011, há a informação clara de que a fuga completa ao tema anula a redação. Para ilustrar esse "pecado capital" cometido por muitos candidatos, o trecho a seguir serve de alerta:

"Desde a colonização os animais estiveram ao lado da população, sendo utilizado como tração em transporte inicialmente na cana-de-açúcar e depois da mineração para o litoral do país, ao mesmo tempo serviu para a diversão como em touradas ou rinhas de galos, o que é mais comum no Brasil."

A proposta exigia uma dissertação sobre o uso de animais em experimentos científicos, mas o candidato dissertou sobre a utilização dos animais no trabalho e em ambientes de entretenimento


2- O uso de gírias fora do contexto

As gírias são um meio de expressão perfeitamente aceitável em conversas informais, como as que mantemos no dia a dia com nossos amigos e colegas. Elas também podem aparecer em textos narrativos, principalmente nos diálogos travados entre alguns personagens. Entretanto, numa dissertação, em artigos de opinião ou numa carta argumentativa o uso de gírias é inadequado, uma vez que esses gêneros pressupõem uma linguagem elaborada em contextos formais. Além disso, e sobretudo no contexto de uma dissertação, as gírias podem causar algum "dano", como ilustra a passagem abaixo:

"As pessoas que fazem uso de drogas, a maioria delas é gente da pesada, não se importando com quem está passando. Tem até tiozinho curtindo seu barato na frente das crianças. Está na hora das autoridades olharem para essa questão, pois se continuar como está, não sabemos como vai acabar."


3- O ponto final do gênero

Adotar um gênero diferente do solicitado pela prova implica nota zero. Assim, para evitar que seus esforços resultem nulos, leia com bastante atenção a proposta, pois de nada adianta escrever um texto impecável do ponto de vista gramatical se ele não atende ao tipo de texto solicitado.

"Quando pensamos na palavra 'fronteira' é quase inevitável relacioná-la ao limite geográfico de uma região. Porém, se analisarmos esse termo com mais cautela, veremos que ele possui um significado muito mais amplo do que apenas o de 'divisa'."

A proposta solicitava uma narração sobre personagens que se deslocariam de um país a outro em função dos movimentos migratórios, mas o candidato fez uma exposição de ideias dissertando sobre o tema.


4- Linguagem prolixa

Há uma história segundo a qual um ladrão teria entrado na casa de Rui Barbosa para roubar-lhe uns patos. O famoso jurista teria assim revidado:

"Se é para zombares da minha elevada prosopopeia de cidadão digno e honrado, dar-te-ei com minha bengala fosfórica bem no alto da tua sinagoga, e o farei com tal ímpeto que te reduzirei à quinquagésima potência que o vulgo denomina nada."

Não sabemos se é verdade, mas se Rui Barbosa proferiu essas palavras, certamente não foi compreendido. A anedota, porém, ilustra que casos semelhantes a esse não podem ocorrer no vestibular, momento em que os candidatos devem evitar a sofisticação artificial da linguagem escrita. Segundo orientações da Unicamp, o grau de formalidade exigido pela banca numa dissertação deve ser compatível com a linguagem de alguém que concluiu o ensino médio. Para não cair em armadilhas, evite se expressar como o autor do texto a seguir, reprovado no vestibular da UFRJ de 2009:

"A sociedade do mundo moderno - oriunda da inolvidável dispersão cultural - vem sofrendo um fenômeno peculiar: a convergência de costumes e pensamentos. Alguns não concordam com a trajetória retilínea da sociedade (...)".


5- Clichês e frases feitas

Por serem muito repetitivos e não comunicarem nenhuma ideia nova, os clichês costumam revelar a falta de criatividade por parte de quem os utiliza. Numa redação, a expectativa é de que o candidato demonstre

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