30 dezembro 2016

De Cada Lado


O mundo é resultado dos contrários
Da força dos leões e dos otários
Da selva dimonistas e sectários
Das pedras no caminho
O mundo é uma flor e é o espinho
Viver é ser na multidão sozinho
Um passo para frente é outro abandonado
No mundo uma ilusão de cada lado
Casa de ferreiro, espeto de pau
Casa de misericórdia, miséria total
Casa de candango, candombe e cal
Casa de abstinência, folia total
Deixa nossa porta aberta
Deixa de brincar de fé, se vai jogar o jogo
Deixa de bater o pé, se é pra fazer de novo
Deixa de como é que é, se tudo é perigoso
Logo venha o que vier

Música de Magno Mello, Kadu Vianna e Pedro Moraes que abre o CD " O que eu tenho pra dizer ", lançado em 2010 por Izzy Gordon.

O Ponto


No começo era um ponto
Que surgiu, pontuou
E assim, ponto a ponto
Ao ponto se juntou
Uma teia de pontos
Juntos tanto e a ponto
De tudo ser só um ponto
É só um ponto de vista
Um ponto de partida
A que ponto chega o artista
Nessa louca arte da vida?
Não me aponte tanto assim
Nem me classifique em pontos
Um ponto final é o fim
Pra explicar já são dois pontos
Não me toque nesse ponto
Que esse ponto vai doer
Quando chega a esse ponto
A ponto de enlouquecer
É melhor por logo um ponto
Um ponto pra resolver
É só um ponto de vista
O ponto de partida
A que ponto chega o artista
Nessa louca arte da vida?

Música de Jairo Cechin que faz parte do CD "Quem Sou Eu", de Ully Costa, lançado em 2012.


As Sílabas


Cantiga diga lá
A dica de cantar
O dom que o canto tem
Que tem que ter se quer encantar
Só que as sílabas se embalam
Como sons que se rebelam
Que se embolam numa fila
E se acumulam numa bola
Tem sílabas contínuas:
Ia indo ao Piauí
Tem sílabas que pulam:
Vox populi
Tem sílaba que escapa
Que despenca
Rola a escada
E no caminho
Só se ouve
Aquele boi bumbá
Tem sílaba de ar
Que sopra sai o sopro
E o som não sai
Tem sílaba com "s"
Não sobe não desce
Tem sílaba legal
Consoante com vogal
Tem sílaba que leve oscila
E cai como uma luva na canção
Cantiga diga lá 
A dica de cantar 
Cantiga diga lá
A dica de cantar
O dom que o canto tem
Que tem que ter se quer encantar

Música de Luiz Tatit que abre o CD "As Sílabas", de Suzana Salles, lançado em
2001.

30 novembro 2016

Partículas de Amor

Ao te conhecer
Desacreditei
Como pode uma beleza assim
Toda solar, me derreteu
Virei água do mar
Evaporei
E agora eu sou partículas de amor
Vento que sopra na crista
Bolha de espuma replica
Onde você estiver eu estarei
Maresia no ar a te acompanhar

Faixa 02 do CD das coisas que surgem, de Márcia Castro; música de Lucas Santana e Gui Amabis.

Atalhos

        Márcia Castro/Arruda


" A força da água
Que sai de você
Me leva tão longe
Me faz te querer
Na intensidade das coisas que surgem
Pessoas, palavras que me acontecem

A força da água
Que vem de você
Você de mil noites
De ombros e abraços

De explosões solares
Do fundo do poço
Do fundo do poço
Ao próximo passo

Não existem os atalhos
Que não deixem suas marcas
Não existem os atalhos

As estrelas são da noite
E as manhãs do orvalho
E existem os atalhos "

música que abre o CD das coisas que surgem de Márcia Castro

A Flor



" A flor de que era feito o nosso amor
Molhou-se com a chuva
Gelou de tanto frio e mesmo assim
Não se quebrou

Oh! Flor
Se lhe maltratarem só por mal
Torna-se um translúcido cristal
Se lhe vem com crueldades
Exala teu perfume pra toda a cidade

Oh! Flor
Nascida de um peito sem graça e sem jeito
Sem nenhum espinho
Somente carinho e amor

Oh! Flor
A flor de que era feito o nosso amor
Molhou-se com a chuva
Gelou de tanto frio e mesmo assim
Não se quebrou

Oh! Flor
Mesmo em pleno mar de imensa dor
Queima tua chama com fervor
Se a morte a levar na correnteza
Brilhará no céu mais uma nova Estrela Flor

Mesmo se os anos passarem ciganos
Mesmo que os homens esqueçam tua cor
A flor de que era feito o nosso amor
Molhou-se com a chuva
Gelou de tanto frio e mesmo assim...
Desabrochou "

música de Fernando Figueiredo, do CD Batuque de Virgínia Rosa, lançado em 1997.


Flores e Bocas



" Que bom que você chegou
Trazendo um sorriso de melhor amigo
Sorrisos são bocas em flor

Tão bom ter você do meu lado
Com jeito de apaixonado
Pra gente dividir o indivisível
Sonhar aquele sonho quase impossível
Seja como for

Foi bom você ter chegado
Assim meio inesperado
Eu tava perdido, trancado, sozinho
Contando as gotas da dor

Se você me chama, eu vou
Se você me pede, eu sou
Seu melhor amigo
Responda ao sorriso
Sorrisos são bocas em flor

Agora que a chuva passou
Das nossas sementes
Corações e mentes
Algo de novo brotou
Algo de novo brotou
Seu melhor amigo
Responda ao sorriso
Sorrisos são bocas em flor "

Composição de Fernando Figueiredo que faz parte do CD de Mônica Tomasi, de 1996.

30 outubro 2016

Família

 Família, família,

Papai, mamãe, titia,

Família, família,

Almoça junto todo dia,

Nunca perde essa mania.

Mas quando a filha quer fugir de casa

Precisa descolar um ganha-pão

Filha de família se não casa

Papai, mamãe, não dão nenhum tostão.

Família ê

Família á

Família.


Família, família,

Vovô, vovó, sobrinha.

Família, família,

Janta junto todo dia,

Nunca perde essa mania.

Mas quando o nenê fica doente

Procura uma farmácia de plantão

O choro do nenê é estridente

Assim não dá pra ver televisão.

Família ê

Família á

Família.


Família, família,

Cachorro, gato, galinha.

Família, família,

Vive junto todo dia,

Nunca perde essa mania.

A mãe morre de medo de barata

O pai vive com medo de ladrão

Jogaram inseticida pela casa

Botaram cadeado no portão.

Família ê

Família á

Família


Música de Arnaldo Antunes e Toni Belloto; faz parte do LP Cabeça Dinossauro, dos Titãs, lançado em 1986.

04 janeiro 2015

Vida

Mais não se pode dizer

Nem eu, nem ninguém

Você é quem deve colher

Depois de semear também

Você é quem pode rasgar o caminho

E fechar a ferida

E achar no seu justo momento

A razão de tudo aquilo que chamamos vida

Vamos lá, deixa o coração

Recolher os pedaços do sonho perdido

Essa é a lei nos caminhos

Onde a ilusão e a dor

Fazem parte do primeiro artigo

Traços comuns em nossas vidas

Não justificam um conselho sequer

E logo eu que procuro

Infinitas formas de amar e viver

Posso apenas declarar que o medo

É que faz a nossa dor crescer

Mais eu não posso dizer


Música de Paulinho da Viola e Elton Medeiros gravada em 1975. Juliana Amaral a regravou em 2007 em seu CD Juliana Samba.

Ararinha Azul

Vive na montanha

Pela imensidão

Nada sob o céu

Mora em solidão

Foge que o perigo

Fica atrás de tu

Volta lá pro céu

Ararinha azul

Ararinha azul

Volta lá pro sul


Pássaro encantado

Já em extinção

Mora no Amazonas

Não tem direção

Vai que os inimigos

Andam atrás de tu

Ararinha azul

Ararinha azul

Volta lá pro sul


Música de Aleuda que está no CD de 2002 de Juliana Amaral intitulado Águas Daqui.