Geladeira, freezer, chuveiro, ferro de passar, liquidificador... Todos esses utensílios fazem parte do nosso dia-a-dia e precisam da eletricidade para funcionar. Mas, assim como tornam nossa vida mais fácil, também podem nos proporcionar algo nada agradável: o choque! Isso mesmo! Aquela sensação dolorosa que faz arrepiar nossos cabelos. Para senti-la, basta
04 abril 2026
A Exemplo do Cristo (109)
"Ele bem sabia o que havia no homem." - (JOÃO, 2:25.)
Sim, Jesus não ignorava o que existia no homem, mas nunca se deixou impressionar negativamente.
Sabia que a usura morava com Zaqueu, contudo, trouxe-o da sovinice para a benemerência.
Não desconhecia que Madalena era possuída pelos gênios do Mal, entretanto, renovou-o para o amor puro.
Reconheceu a vaidade intelectual de Nicodemos, mas deu-lhe novas concepções da grandeza e da excelsitude da vida.
Identificou a fraqueza de Simão Pedro, todavia, pouco a pouco instala no coração do discípulo a fortaleza espiritual que faria dele o sustentáculo do Cristianismo nascente.
Vê as dúvidas de Tomé, sem desampará-lo.
Conhece a sombra que habita em Judas, sem negar-lhe o culto da afeição.
Jesus preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida e em quinhoar cada espírito com eficientes recursos de renovação para o bem.
Não condenes, pois, o próximo porque nele observes a inferioridade e a imperfeição.
A exemplo do Cristo, ajuda quanto possas.
O Amigo Divino sabe o que existe em nós... Ele não desconhece a nossa pesada e escura bagagem do pretérito, nas dificuldades do nosso presente, recheado de hesitações e de erros, mas nem por isso deixa de estender-nos amorosamente as mãos.
Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.
03 abril 2026
Quando crescer, vou ser... Nutricionista!
Quando vamos ao supermercado fazer compras, encontramos alimentos e produtos de diversas cores e sabores! Nos restaurantes, quanta variedade: de peixes a massas, tem de tudo! E o lanche da escola? Cada dia uma merenda diferente! Mas será que você sabe comer direito? Pois existe
Curiosidades sobre os temperos
Louro, canela, pimenta, noz-moscada e tantos outros temperos que dão à comida gostinho e aroma irresistíveis são também conhecidos pelo nome de "especiarias". Esta palavra - que você já viu ou verá no seu livro de História - foi sinônimo de tesouro há muitos anos. É verdade! No passado, navegadores atravessaram os mares comprando e revendendo esses produtos que chegaram para ficar em nossa mesa.
O cheirinho que vem da cozinha atravessa os cômodos da casa, chega ao seu nariz e desperta o seu estômago. Da próxima vez que isso acontecer, junte-se ao mestre-cuca e tente desvendar o mistério do aroma. Provavelmente, você vai descobrir que ele vem de uma planta, ou melhor, de parte de uma planta que está sendo usada em pedaços ou em pó como tempero. Pode ser pimenta-do-reino, louro, manjericão... No caso de doces, cravo ou canela, por exemplo. Seja o que for, pode apostar que o cheiro vai longe e que a planta veio de longe também!
Essas ervas aromáticas, chamadas especiarias, hoje são facilmente encontradas em supermercados
A Fada dos Doces
Crianças adoram doces, mas quase ninguém dá doce às crianças, pois, em excesso, eles podem fazer mal. Quem come muitos doces, fica sem apetite para comida de sal, que são boas para nos fazer crescer e ficar fortes. Os doces também podem ajudar as bactérias a provocar cáries nos nossos dentes - pelo menos foi o que me informou minha filha, uma grande admiradora do doce de leite preparado por seu avô Zico, meu pai. Ela come e fica tranquila, pois está sempre escovando os dentes.
Mas vamos combinar: existe algo mais gostoso que mastigar jujuba? Chupar balas? Ou então pirulito, picolé de uva? Comer suspiro, sonho, bombom, ovo de páscoa, maria-mole... Só de pensar dá água na boca!
Isso me faz lembrar alguém que não se importava em dar doces às crianças: a Fada dos Doces. Uma vez ela me apareceu, trazendo um pacotinho de balas de aniversário. Cada uma das balas vinha embrulhada em papel de uma cor diferente, com uma franja de fios compridos, lindas de ver e boas de comer. Eram balas que derretiam na boca e deixavam um gosto bom, que custava a acabar.
Quando ganhei as balas fiquei alegre e sorri.
A Fada dos Doces havia descoberto que, com os doces, poderia fazer as pessoas se sentirem de um modo diferente. Tristes alegres, tranquilas ou agitadas, tímidas ou expansivas, recatadas ou desavergonhadas.
Achei ótimo. "Com essas balas, todas as pessoas seriam alegres e boas", pensei. Não existiria mais tristeza, sofrimento, nem nenhuma outra coisa ruim sobre a face da Terra.
Aí, a Fada dos Doces me explicou que sorrir é bom, só que chorar também é importante. Pois, se todas as pessoas fossem iguais alegres e sorridentes, o mundo poderia se tornar um lugar chato e monótono.
Demorei a compreender o que isso significava. E até hoje não sei se compreendi totalmente. Eu nunca gostei de chorar e ficar triste. Como é que me sentir assim poderia me fazer bem?
Ainda não sei a resposta. Sei que, às vezes, quando estou muito cansado e fico quieto e sozinho, ou quando assisto a uma cena emocionante num filme e choro, depois me sinto melhor. Então, nessas ocasiões, percebo que a Fada dos Doces estava certa.
Depois de me tornar adulto, entendi que as comidas têm o poder de mudar o humor das pessoas. Quando quero dar um presente para alguém muito especial, preparo um almoço, um jantar, um bolo de aniversário... O importante é que a comida faça bem à pessoa presenteada.
Depois do dia em que ela me entregou o pacotinho de balas de aniversário, voltei a encontrar a Fada dos Doces muitas outras vezes, para aprender, com ela, os segredos das suas receitas.
Certa vez, ela me mostrou um doce muito especial, com o qual presenteava as crianças infelizes. Um docinho redondo e marrom. Macio, envolvido em confeito de chocolate, pequeno, mas muito saboroso.
Experimentei um e, logo a seguir, queria comer outro, sem me saciar. Sentia-me imensamente feliz. Entre um bocado e outro, perguntei pelo nome daquela maravilha e ela me respondeu: é o doce da felicidade.
Anos depois, eu descobri que o doce da felicidade das crianças é o brigadeiro. Por que será que ele chama assim? É um nome pior, mas foi assim que ele ficou conhecido.
DOCE DA FELICIDADE
Abra uma lata de leite condensado e coloque para cozinhar numa panela média, com duas colheres de sopa de manteiga sem sal e quatro colheres de sopa de chocolate em pó.
Com uma colher de pau, mexa a mistura em fogo médio, sem parar, até que a massa chegue ao ponto de enrolar. Para ter certeza do ponto de enrolar, observe se, ao mexer com a colher de pau, a massa está "descolando" do fundo e das laterais da panela.
Aguarde até que a massa esfrie o suficiente para enrolar.
Unte as mãos com a manteiga, pegue pequenas porções de massa e faça bolinhas miúdas.
Jogue as bolinhas num prato fundo cheio de confeito para brigadeiro. Depois de confeitadas, coloque cada uma numa forminha de papel.
Está pronto. Mas só coma depois de esfriar bem.
Dicas do Mestre:
Após enrolar as bolinhas de brigadeiro, não lave a panela. Pegue uma colher para "rapar"... É a famosa "rapa do tacho"... É a melhor parte do doce...
Texto de João Alegria (A Fada dos Doces - extraído do livro Come-Come: pais e filhos na cozinha, de João Alegria, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 2002). Retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.
Foi por ter nascido em Santo Antônio da Alegria, no interior de São Paulo, em 22 de agosto de 1964, que João Alves dos Reis decidiu virar João Alegria. Esse autor e diretor de programas de TV, que estudou Filosofia e História, já escreveu dois livros para crianças: Na fazenda do Chico Marreco e Come-Come: pais e filhos na cozinha.
02 abril 2026
Por que os olhos de alguns animais brilham no escuro?
As luzes estão apagadas. Você não enxerga nada, mas permanece tranquilo. Até, que, de repente um pequeno feixe de claridade mostra que há dois olhos a lhe vigiar na escuridão! Se num caso desses a sua primeira reação é gritar: - Fantaaaaaaaaaaasma!!!, poupe seus vocais. Procure o interruptor, ilumine o ambiente e comprove que não se trata de assombração, mas de algum animalzinho, muito provavelmente um gato, que agora deve estar num canto apavorado com o seu berro.
A razão pela qual os olhos de alguns animais brilham no escuro está na formação desses órgãos responsáveis pela visão. Primeiro é preciso saber que os olhos de todos os animais têm uma região chamada retina cuja principal função é transformar a luz em impulsos elétricos, que vão para o cérebro e produzem a visão. E quem faz esta transformação são estruturas da retina conhecidas como fotorreceptores. Alguns animais, porém, têm, atrás da retina, uma área chamada tapete lúcido, que é feita de substâncias com propriedades refletoras, como os espelhos, que aumentam a quantidade de luz percebida. É por conta do tapete lúcido - uma película colorida com certo brilho -, que os olhos de alguns animais, como cães, cavalos e bois, brilham, ou melhor, refletem a luz ao serem atingidos por ela. Já nos olhos dos suínos e do homem, por exemplo, que não apresentam essa região refletora, tal característica não é observada.
O tapete lúcido é uma adaptação noturna. Isso significa que, fazendo refletir a luz que incide nos olhos, há um aumento da estimulação dos fotorreceptores - as células sensíveis à luz -, proporcionando a visão em locais escuros ou visão noturna.
Graças a essa adaptação, leões, tigres e onças, entre outros felinos, são capazes de localizar suas presas mesmo no escuro. Por motivo igual, animais domésticos, como cães e gatos, conseguem se localizar em ambientes sem luz, podendo nos pregar sustos como o do começo do texto.
Texto de Sandra Cuenca (Departamento de Anatomia - Universidade Metodista de São Paulo e Centro Universitário Monte Serrat - Santos) retirado do Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003, Ministério da Educação, FNDE.
Quando crescer, vou ser... Zoólogo!
Você gosta de charadas? Então, vamos ver se acerta essa: O que é, o que é? Cuida dos animais, mas não é veterinário; estuda o comportamento deles, mas não é psicólogo; sabe do que eles se alimentam, mas não é nutricionista; analisa a relação deles com os outros bichos e com o meio ambiente, mas não é sociólogo? Será que existe alguém que faça mesmo tudo isso? A resposta é sim, o zoólogo! Por definição básica, zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais em todos os aspectos. Ela se divide em muitas subdisciplinas, como a citologia (estudo das células animais), a fisiologia (estudo dos processos que ocorrem no organismo, como a digestão), a genética e evolução (que verificam a herança dos caracteres biológicos), a ecologia (que se ocupa da relação dos animais com o meio ambiente), a etologia (estudo do comportamento animal), a zoogeografia (que procura esclarecer os fatores que intervêm na distribuição geográfica dos animais) e a taxionomia ou sistemática (que traça as linhas de parentesco entre os animais e dá nome a eles).
O zoólogo, em geral, trabalha com pesquisa, quase sempre ligado a alguma Universidade. Sua tarefa pode ser estudar a recuperação de espécies ameaçadas, nomear novas espécies e analisar os impactos ambientais sobre os bichos, entre muitas outras. O caminho para quem deseja ser zoólogo é cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, optando pela especialização em Zoologia.
Foi assim que fez Salvatore Siciliano, pesquisador de aves e mamíferos marinhos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Desde criança, ele dizia que queria cuidar da natureza! Muitas profissões passaram pela sua cabeça, entre elas a de geógrafo, mas a vontade de entender os seres vivos foi maior. "Eu me identificava com as aulas de Biologia no colégio e por isso as entendia com facilidade."
Salvatore também é coordenador do Projeto Baleias e Golfinhos de Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, a saúde desses mamíferos é um dos indicadores da qualidade do meio ambiente. Descobriu-se, por exemplo, que as baleias podem ter câncer por acumular no corpo substâncias que contaminam a água. A partir dessa informação, os zoólogos procuram verificar se outros animais marinhos também estão sofrendo os efeitos da contaminação do meio em que vivem e o que pode ser feito para melhorar a situação.
Outro zoólogo que desde menino já parecia saber o que queria ser quando crescesse é Márcio Borges Martins, pesquisador da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Como acampava muito com seus pais, sempre esteve em contato com a natureza. Certa vez, visitou o Museu de Ciências da PUC de Porto Alegre e ficou fascinado pelos répteis. Conclusão: começou a criá-los em casa! Os pais? "Não gostaram muito não, mas depois, foram se acostumando", conta ele. Hoje, Márcio trabalha descrevendo novas espécies de répteis. Essa área da zoologia chama-se Sistemática e, segundo ele, tem poucos especialistas, o que é uma pena, pois muitas espécies acabam extintas sem nunca terem sido registradas. Foi a tarefa de identificar e classificar animais que levou Márcio a descobrir mais quatro espécies de um tipo de lagarto sem patas chamado cobra-de-vidro. "Estou descrevendo quatro novas espécies, mas apenas três com distribuição no Brasil", diz ele.
Quando não está descrevendo répteis, Márcio participa do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul, o Gemars. No momento, eles estudam a toninha, um pequeno golfinho encontrado do Espírito Santo à Argentina, que está ameaçado de extinção pela frequência com que morre afogado ao emaranhar-se em redes de pesca e não conseguir subir à tona para respirar.
Viu quantas ocupações diferentes pode ter um zoológico?! Quem pensa em seguir esta profissão precisa estar disposto a frequentar o ambiente em que vivem os animais que escolheu para analisar. Além disso: "Tem de ler e estudar bastante e perceber o mundo a sua volta. Saber, por exemplo, por que tal ave está num lugar e não em outro, no que determinado bicho se diferencia do outro. O mundo é tão dinâmico, mas as pessoas, em geral, não percebem isso. O zoólogo sim!", ressalta Salvatore Siciliano. Se você pretende se tornar um zoólogo, guarde estas palavras...
Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 133, Março 2003, Ministério da Educação, FNDE.
Declaração Universal do Direitos dos Animais
Assim como os humanos, os bichos também têm seus direitos. E, para garanti-los, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) - que se encarrega de promover a paz e os direitos entre homens - proclamou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, em 15 de outubro de 1978, em sua sede em Paris, na França.
Artigo I
Todos os animais nascem iguais diante da vida e têm o mesmo direito à existência.
Artigo II
a) Cada animal tem direito ao respeito.
b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar outros animais ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais.
c) Cada animal tem direito à cura e à proteção do homem.
Artigo III
a) Nenhum animal será submetido a maus-tratos e atos cruéis.
b) Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.
Artigo IV
a) Cada animal que pertence a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de reproduzir-se.
b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a esse direito.
Artigo V
a) Cada animal pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente do homem tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie.
b) Toda modificação imposta pelo homem para fins mercantis é contrária a esse direito.
Artigo VI
a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem direito a um período de vida conforme sua longevidade natural.
b) O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Artigo VII
Cada animal que trabalha tem direito a uma razoável limitação do tempo e intensidade do trabalho e a uma alimentação adequada e ao repouso.
Artigo VIII
a) A experimentação animal que implique sofrimento físico é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.
b) As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Artigo IX
No caso de animal ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido, alojado, transportado e morto sem que para ele resultem ansiedade e dor.
Artigo X
Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizam animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Artigo XI
O ato que leva à morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, delito contra a espécie.
Artigo XII
a) Cada ato que leve à morte um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie.
b) O aniquilamento e a destruição do meio ambiente natural levam ao genocídio.
Artigo XIII
a) O animal morto deve ser tratado com respeito.
b) As cenas de violência de que os animais são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como foco mostrar os atentados aos direitos do animal
Artigo XIV
a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser representadas em nível de governo.
b) Os direitos dos animais devem ser defendidos por leis, como os direitos dos homens.
Texto retirado da Revista Ciência Hoje para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003. Ministério da Educação - FNDE.
28 março 2026
O clone será um "clone"?
Muito bem, então por meio da clonagem podemos criar uma cópia idêntica de qualquer pessoa! Essa visão simplista da clonagem vem suscitando ideias fantasiosas de ressurreição de pessoas "interessantes" (para alguns, Mozart; para outros, Hitler), ou mesmo de um filho querido já morto. E a reversão da morte é de fato uma coisa irresistível.
Mas o clone será exatamente um clone? Ele será uma cópia idêntica do clonado - de sua matriz? Terá o mesmo físico, o mesmo tipo de cabelo, cor de olhos, temperamento, inteligência, gostos, aptidão? Sim, não - não sei. Recapitulando: o clone possui exatamente os mesmos genes que sua matiz. Se o genes determinam todas as nossas características físicas e, quem sabe, até as psíquicas, o clone será, de fato, idêntico à matriz, certo? Errado. Estamos esquecendo de uns temperos muito importantes, que não estão escritos nos genes, mas que dão uma graça toda especial a cada um de nós: o meio ambiente, as nossas experiências de vida.
Muitas das nossas características são influenciadas também pelo ambiente. Um exemplo óbvio é a cor da pele. Irmãos gêmeos idênticos, clones naturais, possuem exatamente os mesmos genes de cor de pele. No entanto, dependendo do estilo de vida de cada um - se um ama pegar ondas e o outro prefere a leitura, por exemplo -, eles terão cores de pele bem diferentes. Da mesma maneira, a alimentação na primeira infância é um fator decisivo no desenvolvimento neurológico de um bebê, e terá enorme influência no QI do indivíduo adulto. Essa alimentação estava escrita nos genes do bebê? Não.
Ainda é difícil estimar quanto a genética e o estilo de vida influenciam cada uma das nossas características. Mas mesmo diferenças sutis de condições e de experiências de vida são suficientes para imprimir características individuais em pessoas com genomas idênticos.
Assim, apesar de o clone ser uma cópia geneticamente idêntica do clonado, suas experiências de vida particulares influenciarão uma série de características de uma forma que não podemos prever. Pense apenas em todos os parentes, amigos, professores, enfim, todas as pessoas que passaram por sua vida. Tudo o que aconteceu perto de você e no mundo durante a sua vida. Eles deixaram diversas marcas, influenciando muito quem você é hoje em dia. Reproduzir a sua genética agora é fácil com a clonagem... Mas como reproduzir essa rede tão complexa de relações e experiências de vida?
Que decepção! Por um momento, pensamos que com a clonagem tínhamos finalmente conseguido driblar a cruel irreversibilidade da morte... Mas não faz mal - a clonagem com fins reprodutivos não é mesmo para ser feita. E por outro lado, com a clonagem terapêutica - apesar de não "ressuscitarmos" ninguém - melhoraremos a qualidade de vida de todos nós!
Texto de Lygia da Veiga Pereira (Geneticista, pesquisadora do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da USP); retirado da Revista Galileu, Ano 11, Número 123, Outubro de 2001, Editora Globo, Rio de Janeiro.
Um Pouco de Fermento (108)
"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?" - Paulo. (I CORÍNTIOS, 5:6.)
Ninguém vive só.
Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.
Nossos atos possuem linguagem positiva.
Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.
Ações e reações caracterizam-nos a marcha.
É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.
Nossa conduta é um livro aberto.
Quantos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções!
Quantas frases, aparentemente inexpressivas arrojadas de nossa boca, estabelecem grandes acontecimentos!
Cada dia, emitimos sugestões para o bem ou para o mal...
Dirigentes arrastam dirigidos.
Servos inspiram administradores.
Qual é o caminho que a nossa atitude está indicando?
Um pouco de fermento leveda a massa toda.
Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.
Acautela-te, pois, com o alimento invisível que forneces às vidas que te rodeiam.
Desdobra-se-nos o destino em correntes de fluxo e refluxo. As forças que hoje se exteriorizam de nossa atividade voltarão ao centro de nossa atividade, amanhã.
Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.