05 abril 2026

Sempre em boa companhia

 Galeria de Bichos Ameaçados

Nome Científico: Amazona rhodocorytha

Nome Popular: Chauá

Tamanho médio: cerca de 37 centímetros

Local onde é encontrado: de Alagoas até o Rio de Janeiro e também no leste de Minas Gerais

Habitat: Mata Atlântica

Motivo da busca: ave ameaçada de extinção


Antes do pôr-do-sol, o Chauá tem um encontro marcado! Esse papagaio, um dos mais coloridos e belos do Brasil, reúne-se com outros da sua espécie para passar a noite! Nas árvores onde descansa, há papagaios de vários tipos, mas basta olhar com atenção para reconhecer o Chauá: ele tem corpo verde, asas em tom de verde mais escuro com penas vermelhas, uma região alaranjada entre o bico e o olho, além da parte anterior da cabeça vermelha!

Companhia, no entanto, essa ave não tem só à noite! Os chauás formam casais que podem durar por toda a vida! Para se reproduzir, eles constroem ninhos em troncos de árvores, especialmente em palmeiras. Esse é um hábito típico dos papagaios: buscar buracos grandes para proteger ovos e filhotes de predadores, como tucanos e cobras.

Nas árvores, além de abrigo, o chauá também encontra alimento. Essa ave come frutos - principalmente, suas sementes. Para devorá-las, segura os frutos com os pés e os leva até o bico! Parece curioso? Pois o mais legal é ver o chauá colocar em prática a sua capacidade de produzir sons e, até mesmo, imitar a voz humana! Pena que essa característica, somada à beleza das suas penas, faça com que essa ave seja caçada para ser vendida no Brasil e no exterior, como animal de estimação.

Não devemos comprar nem vender esses bichos. Afinal, as pessoas que têm papagaio em casa, mesmo sendo carinhosas com o animal, não são capazes de proporcionar um ambiente apropriado para ele viver e nem satisfazer as suas necessidades naturais. Aliás, nosso dever é denunciar quem os vende ou compra. Afinal, o chauá já enfrenta outras ameaças, além do comércio, que o coloca entre os bichos em risco de desaparecer. A derrubada das árvores que abriga os seus ninhos - o que provoca a morte dos seus filhotes e a quebra dos seus ovos - e o corte das que fornecem alimentos à espécie podem levar essa ave à extinção.


Texto de Raquel Vieira Marques e Maria Alice S. Alves retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

04 abril 2026

A Constelação de Lhama

Chegara a noite. Sentado debaixo de uma árvore, o jovem índio recordava, meio dormindo, tudo o que sabia sobre Yacana. Os anciãos lhe haviam ensinado que era uma espécie de "duplo celestial" da Lhama, que de noite descia à terra para comer e beber, mas que ninguém conseguia vê-la, porque só andava no fundo dos rios. Os grandes sacerdotes contavam que Yacana era enorme e que seus olhos imensos brilhavam mais que as outras estrelas do céu. Seu pelo era branco e sedoso e, quando voava de volta ao céu, o vento que a acompanhava assoviava como os passarinhos azuis da floresta.

O jovem índio pensava nisso tudo quando, de repente, foi ofuscado por um clarão azulado. Pouco a pouco, a luz foi tomando a forma de uma lhama e pousou na terra, a pequena distância de onde ele estava, junto a uma fonte. Era tão parecida com todas as descrições de Yacana que já tinha ouvido, que o índio a reconheceu imediatamente. Primeiro, quis se aproximar e falar com ela, de tão feliz que ficou por encontrá-la. Mas teve medo e se encolheu, sem se mexer mais, para não ser percebido, e ficou olhando, com a respiração suspensa. A lhama sagrada bebeu água da fonte. De repente, o rapaz sentiu que caía uma chuva de lã macia, como se alguém estivesse tosquiando um rebanho de lhamas. Mas como ele estava com medo de Yacana, não se mexeu, não saiu do esconderijo e esperou o dia clarear. Quando acordou, a lhama tinha desaparecido. Na certa, voltara para o céu enquanto ele estava de olhos fechados. Entretanto, a lã que ele sentira cair enquanto Yacana bebia água da fonte ainda estava lá. Eram centenas de chumaços, de todas as cores! Ele nem acreditava nos seus olhos. Para alguém tão pobre como ele, que não possuía uma única lhama, aquela era a oportunidade de sua vida!

Louco de alegria, correu até junto da fonte. Disse a ela que ia venerá-la até o fim de seus dias, e que, da mesma forma, ia adorar a constelação da lhama por toda a vida. Prometeu que voltaria todos os meses para oferecer o sacrifício de uma lhama jovem. Depois, recolheu toda aquela lã miraculosa e foi vendê-la na cidade.

Os índios nunca tinham visto cores tão luminosas. Todo mundo queria comprar as lãs. Ele vendeu tudo e, com o dinheiro, comprou um casal de lhamas que, como se fosse mágica, lhe deu mais de duas mil lhamas em um ano. E ele logo ficou famoso em toda montanha.

Desde esse dia, os índios vão com frequência para perto da fonte sagrada, à espera de Yacana. Parece que ela desce à terra todas as noites, à meia-noite, e que bebe muita água. Os índios dizem que é por isso que não há mais dilúvios, porque com toda a água que os rios jogam no mar sem parar, se a constelação da lhama não viesse beber muito todas as noites, o mar já teria transbordado há muito tempo e engolido mais uma vez todas as aldeias...

Yacana tem filhos. É possível vê-los brilhando perto dela, mas são estrelas menores. Bem perto delas cintilam três grandes estrelas, que também são veneradas. Quando se pode vê-las com nitidez, é sinal de que os frutos ficarão perfeitamente maduros. Mas quando mal dá para vê-las, é porque as colheitas não vão ser boas. Então, os índios vão até a fonte e lhe fazem oferendas de conchas, cantando:

- Ó tu, que dás origem à água e que há tantos séculos regas nossos campos, faze a mesma coisa este ano e traze chuva para que a colheita seja boa.

Yacana nunca mais voltou para junto dessa fonte. Parece que ela nunca bebe duas vezes no mesmo lugar. No entanto, desde esse dia, perto da fonte, quando o dia nasce, ouve-se o vento assoviar como os passarinhos azuis da floresta.


Este conto foi extraído do livro Os Incas, mitos e lendas, de Danièle Küss e Jean Torton, publicado pela Editora Ática. 

O povo inca sempre manteve respeito e admiração pelas estrelas por acreditar que nelas moravam os espíritos.

Retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 135, Maio de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Por que sentimos choque?

Geladeira, freezer, chuveiro, ferro de passar, liquidificador... Todos esses utensílios fazem parte do nosso dia-a-dia e precisam da eletricidade para funcionar. Mas, assim como tornam nossa vida mais fácil, também podem nos proporcionar algo nada agradável: o choque! Isso mesmo! Aquela sensação dolorosa que faz arrepiar nossos cabelos. Para senti-la, basta

A Exemplo do Cristo (109)

"Ele bem sabia o que havia no homem." - (JOÃO, 2:25.)


Sim, Jesus não ignorava o que existia no homem, mas nunca se deixou impressionar negativamente.

Sabia que a usura morava com Zaqueu, contudo, trouxe-o da sovinice para a benemerência.

Não desconhecia que Madalena era possuída pelos gênios do Mal, entretanto, renovou-o para o amor puro.

Reconheceu a vaidade intelectual de Nicodemos, mas deu-lhe novas concepções da grandeza e da excelsitude da vida.

Identificou a fraqueza de Simão Pedro, todavia, pouco a pouco instala no coração do discípulo a fortaleza espiritual que faria dele o sustentáculo do Cristianismo nascente.

Vê as dúvidas de Tomé, sem desampará-lo.

Conhece a sombra que habita em Judas, sem negar-lhe o culto da afeição.

Jesus preocupou-se, acima de tudo, em proporcionar a cada alma uma visão mais ampla da vida e em quinhoar cada espírito com eficientes recursos de renovação para o bem.

Não condenes, pois, o próximo porque nele observes a inferioridade e a imperfeição.

A exemplo do Cristo, ajuda quanto possas.

O Amigo Divino sabe o que existe em nós... Ele não desconhece a nossa pesada e escura bagagem do pretérito, nas dificuldades do nosso presente, recheado de hesitações e de erros, mas nem por isso deixa de estender-nos amorosamente as mãos.


Texto retirado do livro Fonte VivaFrancisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.

03 abril 2026

Quando crescer, vou ser... Nutricionista!

Quando vamos ao supermercado fazer compras, encontramos alimentos e produtos de diversas cores e sabores! Nos restaurantes, quanta variedade: de peixes a massas, tem de tudo! E o lanche da escola? Cada dia uma merenda diferente! Mas será que você sabe comer direito? Pois existe um profissional que orienta as pessoas a comerem os alimentos na quantidade e com a qualidade adequada. Você saberia dizer quem é? Está enganado se logo imaginou um chef de cozinha. A responsabilidade, na verdade, cabe ao nutricionista!

No Brasil, a história dessa profissão começou com o médico Josué de Castro. Em 1929, ele criou um curso para formar o que se chamou de "visitadora", um profissional que deveria ter o objetivo de combater a fome no país. O curso para formar nutricionistas, propriamente dito, foi criado só em 1939, na Universidade de São Paulo. Ele tinha duração de apenas um ano, acredita? Hoje, no entanto, é oferecido por quase todas as universidades públicas, além de algumas particulares, e dura em média quatro anos!

Na faculdade, quem deseja ser nutricionista estuda desde a formação do corpo humano até os efeitos no organismo da presença ou ausência de vitaminas, proteínas, gorduras e demais substâncias químicas que formam os alimentos. O futuro profissional da Nutrição aprende também qual a quantidade de alimentos que cada pessoa necessita ingerir para viver de forma saudável, quais os nutrientes essenciais ao crescimento e à manutenção da saúde do ser humano. Você sabia, por exemplo, que quem gosta de tomar mate, guaraná natural ou refrigerante à base de cola enquanto almoça um prato com arroz, feijão, legumes, verduras e carne deveria deixar a mania de lado? A nutricionista Mônica Valle de Carvalho, professora e chefe do Departamento de Nutrição Aplicada da Universidade do Rio de Janeiro (UNI-Rio), explica o porquê! "O mate é rico em cafeína, que prejudica a absorção do ferro do feijão e das verduras pelo organismo", conta ela. "Por isso, o melhor é trocá-lo por um suco de laranja, cuja vitamina C ajuda a absorver o ferro."

Um nutricionista pode atuar em muitas em muitas áreas, como na nutrição clínica, receitando dietas a pacientes em consultórios particulares ou a doentes em hospitais; na nutrição esportiva, cuidando da alimentação de atletas em clubes de esportes ou academias de ginástica; na administração de serviços de alimentação, também conhecida como alimentação do trabalhador, atuando nas cozinhas de refeitórios de empresas, por exemplo; na nutrição de saúde pública, trabalhando em órgãos do governo; na vigilância sanitária, verificando as condições de armazenagem e de conservação dos alimentos; em laboratórios de Universidades, fazendo pesquisas; e nas indústrias alimentícias.

Renata Cassar, por exemplo, é nutricionista da Divisão de Produtos Lácteos Frescos da Danone. Ela tem várias responsabilidades, entre as quais, auxiliar no desenvolvimento de produtos nutritivos e que façam bem à saúde. "Quando o departamento de marketing sugere o lançamento de um iogurte para crianças, por exemplo, nós orientamos sobre que tipo de nutriente específico para essa faixa etária deve-se adicionar no produto e em que quantidade", explica.

Seja qual for a sua área de atuação, no entanto, o principal objetivo do nutricionista é educar as pessoas a se alimentarem adequadamente. "Quando falamos em dieta, a primeira coisa que passa pela cabeça das pessoas é: vou comer menos. E, na verdade, o que fazemos é educá-las para terem uma vida saudável, comendo um pouco de tudo", conta Lúcia Rodrigues, professora de Fisiopatologia e Dietoterapia Infantil e Nutrição Materno-infantil da UNI-Rio. Esta área estuda como a nutrição é primordial no crescimento do ser humano, desde quando o bebê está na barriga da mãe. O profissional também estuda as doenças na infância, como anemia, alergias alimentares, obesidade, dentre outras, demonstrando como a nutrição pode ajudar a criança a se recuperar.

Se você já está pensando em seguir a carreira de Nutricionista, fique ligado nessas dicas dadas por quem entende do assunto. "O nutricionista deve saber que é um profissional da área da saúde, isto é, que trabalha para ajudar as pessoas a se manterem saudáveis, independentemente da área em que vai trabalhar", diz Lúcia Rodrigues. "O nosso olhar é para o ser humano", completa. Então, se você se preocupa em levar uma vida saudável e também tem interesse em ajudar o próximo nesse sentido, quem sabe um dia não se tornará um nutricionista?!


Texto de Juliana Martins retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Curiosidades sobre os temperos

 Louro, canela, pimenta, noz-moscada e tantos outros temperos que dão à comida gostinho e aroma irresistíveis são também conhecidos pelo nome de "especiarias". Esta palavra - que você já viu ou verá no seu livro de História - foi sinônimo de tesouro há muitos anos. É verdade! No passado, navegadores atravessaram os mares comprando e revendendo esses produtos que chegaram para ficar em nossa mesa.


O cheirinho que vem da cozinha atravessa os cômodos da casa, chega ao seu nariz e desperta o seu estômago. Da próxima vez que isso acontecer, junte-se ao mestre-cuca e tente desvendar o mistério do aroma. Provavelmente, você vai descobrir que ele vem de uma planta, ou melhor, de parte de uma planta que está sendo usada em pedaços ou em pó como tempero. Pode ser pimenta-do-reino, louro, manjericão... No caso de doces, cravo ou canela, por exemplo. Seja o que for, pode apostar que o cheiro vai longe e que a planta veio de longe também!

Essas ervas aromáticas, chamadas especiarias, hoje são facilmente encontradas em supermercados e feiras livres. Mas, tempos atrás, a história era bem diferente. No final da Idade Média, elas só eram compradas das mãos de comerciantes, que as traziam de cidades da África e da Ásia para revender a preços altos na Europa. Mais tarde, com a chegada dos navegantes europeus ao continente americano, outros temperos foram descobertos, como a noz-moscada-do-brasil e até o pimentão, que é nativo da América do Sul.

Vindas de terras distantes, as especiarias pareciam envoltas numa nuvem de magia e mistério, pois muitas, além de servirem como condimentos, tinham o poder de tratar a saúde. Os comerciantes, claro, se aproveitavam do fascínio do povo e cobravam cada vez mais por esses produtos.

Portugal foi um dos países que aumentaram muito suas riquezas com o comércio das especiarias trazidas, principalmente, da Índia. O navegador português Vasco da Gama foi o primeiro que chegou a Calicute, na Índia, estabelecendo uma nova rota marítima entre o seu país e o Oriente para o transporte desse "tesouro vegetal".

Mas o tempo passou e as especiarias deixaram de ser exclusividade da mesa dos mais ricos. Novas terras foram descobertas, como o Brasil, e nelas passaram a ser cultivados muitos desses produtos. Pronto: as especiarias estavam ao alcance do povo! O mais simples dos pratos podia ter mais sabor!

Que tal, agora, ler os rótulos dos potinhos a seguir para saber curiosidades sobre as especiarias que eles guardam?!


Louro

O louro é um arbusto de dois a quatro metros de altura, do qual somente as folhas são usadas como tempero. Essa planta é conhecida desde a Grécia antiga, sendo que os primeiros registros de sua utilização datam de 2800 anos antes de Cristo. Se você prestar atenção, verá que em alguns desenhos animados os gregos e os romanos são representados usando coroas de louro. Essas coroas eram entregues aos vencedores de competições como símbolo da vitória. Daí a expressão "louros da vitória"!


Canela

Existem duas espécies diferentes de canela: a do Ceilão e a da China. Ambas são árvores das quais são extraídos pequenos pedaços da casca que envolve o tronco. E qualquer uma das duas é capaz de dar aquele gostinho especial em muitos tipos de doces!!! Quando a canela é vendida em pedaços, é chamada canela em pau; quando é moída, chama-se canela em pó. Da árvore da canela pode ser extraído óleo com propriedades medicinais usado para tratar gripes e resfriados e empregado também na perfumaria.


Noz-moscada

Da árvore se extrai o fruto. De dentro dele, tiram-se as sementes, que são raladas. Pronto: é o pó da noz-moscada que vai ser usado na comida! A planta que produz este tempero foi batizada pelos cientistas de Myristica Fragans. A noz-moscada também pode ser utilizada na perfumaria, na produção de pasta dental e de produtos farmacêuticos. Porém, não é essa a noz-moscada que se cultiva no Brasil. Aqui, é muito comum nas matas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais uma outra espécie, a Cryptocaria Moschata, da mesma família do louro e das canelas.


Pimenta

Criança não costuma gostar de pimenta porque arde a boca. No entanto, quando a gente cresce e passa a apreciar sabores mais picantes, uma pimentinha faz toda a diferença! Cada pé de pimenta-do-reino costuma dar de 20 a 30 espigas, das quais se retiram os frutos, que são moídos diretamente sobre a comida. Hoje, esta especiaria é utilizada pela indústria no processo de conservação de alimentos. O Pará é um dos maiores produtores brasileiros da pimenta-do-reino, que foi trazida para cá pelos colonos japoneses. Mas, no Brasil, há outras pimentas populares: a malagueta, por exemplo, é um fruto pequeno, alongado e vermelho; a chifre-de-veado tem frutos mais compridos que os da malagueta, eles são amarelos ou vermelhos; a comari também é um fruto vermelho, porém de formato arredondado; outra que também é redondinha é a pimenta-de-cheiro, mas essa tem cor amarela e recebe o nome de chili, no México, e de peperone, na Itália. O pimentão é mais uma da família das pimentas! Costuma ser usado para problemas digestivos e, externamente, para aliviar dores reumáticas.


Cravo-da-Índia

Você já o viu espetado no docinho de coco, misturado ao arroz-doce, em meio às frutas da compota, mas nem desconfia de que ele, o cravo, é, na verdade, o botão de uma flor! Originalmente, esses botões são de cor verde ou avermelhada, mas após serem secos ao  Sol ou em estufas, ficam pretinhos, do jeito que a gente os conhece. O cravo-da-Índia veio das Ilhas Molucas, na Ásia, mas há tempos é bastante cultivado no Nordeste, especialmente na Bahia. Essa especiaria é usada na culinária, na produção de perfumes e contra má digestão e bronquite. Porém, o abuso dela pode funcionar ao inverso, irritando o aparelho digestivo. Do cravo-da-Índia também se extrai um óleo muito usado para alívio da dor de dente e empregado na fabricação de alguns cremes dentais.


Cebola e Alho

Há quem não goste de mastigá-las, mas mesmo esses tendem a concordar que a maioria das comidas salgadas precisa de alho ou cebola para ter o sabor realçado! Presentes na culinária de muitos países, tanto o alho quanto a cebola são caules subterrâneos chamados bulbos. Note que na parte inferior do bulbo há uns fiapos, que são, na verdade, as raízes desses temperos. Além de proporcionar um gostinho especial aos mais variados pratos, o alho tem ação cientificamente comprovada contra bactérias e fungos, sendo também empregado como analgésico no alívio de dores.


Umbelliferae e Labiatae

Esses nomes estranhos representam duas famílias de condimentos dos quais você certamente já ouviu falar! Umberlliferae reúne a salsa, a erva-doce, o anis, o apio e o coentro (sem o qual o peixe cozido perde a graça!). Já à família Labiatae pertencem o orégano (excelente na pizza!), o alecrim, o manjericão, o tomilho e a hortelã. Falando em hortelã... Aí vai uma curiosidade: essa é uma das plantas mais usadas pelas indústrias de alimentos, cosméticos e medicamentos. Com ela se faz bala, chiclete, pastilha, pasta de dente e até xarope. O gosto refrescante da hortelã vem do mentol, substância presente no óleo que é extraído da planta.


Gengibre

Eis outro representante das especiarias que tem gosto forte e ardido! O gengibre é um arbusto de folhas longas e caule subterrâneo. Esse caule chama-se rizoma, cujo líquido ou as raspas são usados para dar um sabor diferente a comidas e bebidas. O famoso quentão - bebida preparada com vinho nas festas juninas - leva gengibre! Essa especiaria tem também aplicações medicinais, sendo usada como descongestionante e contra irritações da garganta. É originário da Ásia tropical.


Texto de Carlos Alexandre Marques (Departamento de Botânica, Laboratório de Morfologia Vegetal, Universidade Federal do Rio de Janeiro), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

A Fada dos Doces

Crianças adoram doces, mas quase ninguém dá doce às crianças, pois, em excesso, eles podem fazer mal. Quem come muitos doces, fica sem apetite para comida de sal, que são boas para nos fazer crescer e ficar fortes. Os doces também podem ajudar as bactérias a provocar cáries nos nossos dentes - pelo menos foi o que me informou minha filha, uma grande admiradora do doce de leite preparado por seu avô Zico, meu pai. Ela come e fica tranquila, pois está sempre escovando os dentes.

Mas vamos combinar: existe algo mais gostoso que mastigar jujuba? Chupar balas? Ou então pirulito, picolé de uva? Comer suspiro, sonho, bombom, ovo de páscoa, maria-mole... Só de pensar dá água na boca!

Isso me faz lembrar alguém que não se importava em dar doces às crianças: a Fada dos Doces. Uma vez ela me apareceu, trazendo um pacotinho de balas de aniversário. Cada uma das balas vinha embrulhada em papel de uma cor diferente, com uma franja de fios compridos, lindas de ver e boas de comer. Eram balas que derretiam na boca e deixavam um gosto bom, que custava a acabar.

Quando ganhei as balas fiquei alegre e sorri.

A Fada dos Doces havia descoberto que, com os doces, poderia fazer as pessoas se sentirem de um modo diferente. Tristes alegres, tranquilas ou agitadas, tímidas ou expansivas, recatadas ou desavergonhadas.

Achei ótimo. "Com essas balas, todas as pessoas seriam alegres e boas", pensei. Não existiria mais tristeza, sofrimento, nem nenhuma outra coisa ruim sobre a face da Terra.

Aí, a Fada dos Doces me explicou que sorrir é bom, só que chorar também é importante. Pois, se todas as pessoas fossem iguais alegres e sorridentes, o mundo poderia se tornar um lugar chato e monótono.

Demorei a compreender o que isso significava. E até hoje não sei se compreendi totalmente. Eu nunca gostei de chorar e ficar triste. Como é que me sentir assim poderia me fazer bem?

Ainda não sei a resposta. Sei que, às vezes, quando estou muito cansado e fico quieto e sozinho, ou quando assisto a uma cena emocionante num filme e choro, depois me sinto melhor. Então, nessas ocasiões, percebo que a Fada dos Doces estava certa.

Depois de me tornar adulto, entendi que as comidas têm o poder de mudar o humor das pessoas. Quando quero dar um presente para alguém muito especial, preparo um almoço, um jantar, um bolo de aniversário... O importante é que a comida faça bem à pessoa presenteada.

Depois do dia em que ela me entregou o pacotinho de balas de aniversário, voltei a encontrar a Fada dos Doces muitas outras vezes, para aprender, com ela, os segredos das suas receitas.

Certa vez, ela me mostrou um doce muito especial, com o qual presenteava as crianças infelizes. Um docinho redondo e marrom. Macio, envolvido em confeito de chocolate, pequeno, mas muito saboroso.

Experimentei um e, logo a seguir, queria comer outro, sem me saciar. Sentia-me imensamente feliz. Entre um bocado e outro, perguntei pelo nome daquela maravilha e ela me respondeu: é o doce da felicidade.

Anos depois, eu descobri que o doce da felicidade das crianças é o brigadeiro. Por que será que ele chama assim? É um nome pior, mas foi assim que ele ficou conhecido.


DOCE DA FELICIDADE

Abra uma lata de leite condensado e coloque para cozinhar numa panela média, com duas colheres de sopa de manteiga sem sal e quatro colheres de sopa de chocolate em pó.

Com uma colher de pau, mexa a mistura em fogo médio, sem parar, até que a massa chegue ao ponto de enrolar. Para ter certeza do ponto de enrolar, observe se, ao mexer com a colher de pau, a massa está "descolando" do fundo e das laterais da panela.

Aguarde até que a massa esfrie o suficiente para enrolar.

Unte as mãos com a manteiga, pegue pequenas porções de massa e faça bolinhas miúdas.

Jogue as bolinhas num prato fundo cheio de confeito para brigadeiro. Depois de confeitadas, coloque cada uma numa forminha de papel.

Está pronto. Mas só coma depois de esfriar bem.


Dicas do Mestre:

Após enrolar as bolinhas de brigadeiro, não lave a panela. Pegue uma colher para "rapar"... É a famosa "rapa do tacho"... É a melhor parte do doce...


Texto de João Alegria (A Fada dos Doces - extraído do livro Come-Come: pais e filhos na cozinha, de João Alegria, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 2002). Retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Foi por ter nascido em Santo Antônio da Alegria, no interior de São Paulo, em 22 de agosto de 1964, que João Alves dos Reis decidiu virar João Alegria. Esse autor e diretor de programas de TV, que estudou Filosofia e História, já escreveu dois livros para crianças: Na fazenda do Chico Marreco e Come-Come: pais e filhos na cozinha.

02 abril 2026

Por que os olhos de alguns animais brilham no escuro?

As luzes estão apagadas. Você não enxerga nada, mas permanece tranquilo. Até, que, de repente um pequeno feixe de claridade mostra que há dois olhos a lhe vigiar na escuridão! Se num caso desses a sua primeira reação é gritar: - Fantaaaaaaaaaaasma!!!, poupe seus vocais. Procure o interruptor, ilumine o ambiente e comprove que não se trata de assombração, mas de algum animalzinho, muito provavelmente um gato, que agora deve estar num canto apavorado com o seu berro.

A razão pela qual os olhos de alguns animais brilham no escuro está na formação desses órgãos responsáveis pela visão. Primeiro é preciso saber que os olhos de todos os animais têm uma região chamada retina cuja principal função é transformar a luz em impulsos elétricos, que vão para o cérebro e produzem a visão. E quem faz esta transformação são estruturas da retina conhecidas como fotorreceptores. Alguns animais, porém, têm, atrás da retina, uma área chamada tapete lúcido, que é feita de substâncias com propriedades refletoras, como os espelhos, que aumentam a quantidade de luz percebida. É por conta do tapete lúcido - uma película colorida com certo brilho -, que os olhos de alguns animais, como cães, cavalos e bois, brilham, ou melhor, refletem a luz ao serem atingidos por ela. Já nos olhos dos suínos e do homem, por exemplo, que não apresentam essa região refletora, tal característica não é observada.

O tapete lúcido é uma adaptação noturna. Isso significa que, fazendo refletir a luz que incide nos olhos, há um aumento da estimulação dos fotorreceptores - as células sensíveis à luz -, proporcionando a visão em locais escuros ou visão noturna.

Graças a essa adaptação, leões, tigres e onças, entre outros felinos, são capazes de localizar suas presas mesmo no escuro. Por motivo igual, animais domésticos, como cães e gatos, conseguem se localizar em ambientes sem luz, podendo nos pregar sustos como o do começo do texto.


Texto de Sandra Cuenca (Departamento de Anatomia - Universidade Metodista de São Paulo e Centro Universitário Monte Serrat - Santos) retirado do Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Quando crescer, vou ser... Zoólogo!

Você gosta de charadas? Então, vamos ver se acerta essa: O que é, o que é? Cuida dos animais, mas não é veterinário; estuda o comportamento deles, mas não é psicólogo; sabe do que eles se alimentam, mas não é nutricionista; analisa a relação deles com os outros bichos e com o meio ambiente, mas não é sociólogo? Será que existe alguém que faça mesmo tudo isso? A resposta é sim, o zoólogo! Por definição básica, zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais em todos os aspectos. Ela se divide em muitas subdisciplinas, como a citologia (estudo das células animais), a fisiologia (estudo dos processos que ocorrem no organismo, como a digestão), a genética e evolução (que verificam a herança dos caracteres biológicos), a ecologia (que se ocupa da relação dos animais com o meio ambiente), a etologia (estudo do comportamento animal), a zoogeografia (que procura esclarecer os fatores que intervêm na distribuição geográfica dos animais) e a taxionomia ou sistemática (que traça as linhas de parentesco entre os animais e dá nome a eles).

O zoólogo, em geral, trabalha com pesquisa, quase sempre ligado a alguma Universidade. Sua tarefa pode ser estudar a recuperação de espécies ameaçadas, nomear novas espécies e analisar os impactos ambientais sobre os bichos, entre muitas outras. O caminho para quem deseja ser zoólogo é cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, optando pela especialização em Zoologia.

Foi assim que fez Salvatore Siciliano, pesquisador de aves e mamíferos marinhos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Desde criança, ele dizia que queria cuidar da natureza! Muitas profissões passaram pela sua cabeça, entre elas a de geógrafo, mas a vontade de entender os seres vivos foi maior. "Eu me identificava com as aulas de Biologia no colégio e por isso as entendia com facilidade."

Salvatore também é coordenador do Projeto Baleias e Golfinhos de Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, a saúde desses mamíferos é um dos indicadores da qualidade do meio ambiente. Descobriu-se, por exemplo, que as baleias podem ter câncer por acumular no corpo substâncias que contaminam a água. A partir dessa informação, os zoólogos procuram verificar se outros animais marinhos também estão sofrendo os efeitos da contaminação do meio em que vivem e o que pode ser feito para melhorar a situação.

Outro zoólogo que desde menino já parecia saber o que queria ser quando crescesse é Márcio Borges Martins, pesquisador da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Como acampava muito com seus pais, sempre esteve em contato com a natureza. Certa vez, visitou o Museu de Ciências da PUC de Porto Alegre e ficou fascinado pelos répteis. Conclusão: começou a criá-los em casa! Os pais? "Não gostaram muito não, mas depois, foram se acostumando", conta ele. Hoje, Márcio trabalha descrevendo novas espécies de répteis. Essa área da zoologia chama-se Sistemática e, segundo ele, tem poucos especialistas, o que é uma pena, pois muitas espécies acabam extintas sem nunca terem sido registradas. Foi a tarefa de identificar e classificar animais que levou Márcio a descobrir mais quatro espécies de um tipo de lagarto sem patas chamado cobra-de-vidro. "Estou descrevendo quatro novas espécies, mas apenas três com distribuição no Brasil", diz ele.

Quando não está descrevendo répteis, Márcio participa do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul, o Gemars. No momento, eles estudam a toninha, um pequeno golfinho encontrado do Espírito Santo à Argentina, que está ameaçado de extinção pela frequência com que morre afogado ao emaranhar-se em redes de pesca e não conseguir subir à tona para respirar.

Viu quantas ocupações diferentes pode ter um zoológico?! Quem pensa em seguir esta profissão precisa estar disposto a frequentar o ambiente em que vivem os animais que escolheu para analisar. Além disso: "Tem de ler e estudar bastante e perceber o mundo a sua volta. Saber, por exemplo, por que tal ave está num lugar e não em outro, no que determinado bicho se diferencia do outro. O mundo é tão dinâmico, mas as pessoas, em geral, não percebem isso. O zoólogo sim!", ressalta Salvatore Siciliano. Se você pretende se tornar um zoólogo, guarde estas palavras...


Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 133, Março 2003, Ministério da Educação, FNDE.

Declaração Universal do Direitos dos Animais

Assim como os humanos, os bichos também têm seus direitos. E, para garanti-los, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) - que se encarrega de promover a paz e os direitos entre homens - proclamou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, em 15 de outubro de 1978, em sua sede em Paris, na França.


Artigo I

Todos os animais nascem iguais diante da vida e têm o mesmo direito à existência.


Artigo II

a) Cada animal tem direito ao respeito.

b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar outros animais ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço  de outros animais.

c) Cada animal tem direito à cura e à proteção do homem.


Artigo III

a) Nenhum animal será submetido a maus-tratos e atos cruéis.

b) Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.


Artigo IV

a) Cada animal que pertence a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de reproduzir-se.

b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a esse direito.


Artigo V

a) Cada animal pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente do homem tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie.

b) Toda modificação imposta pelo homem para fins mercantis é contrária a esse direito.


Artigo VI

a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem direito a um período de vida conforme sua longevidade natural.

b) O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.


Artigo VII

Cada animal que trabalha tem direito a uma razoável limitação do tempo e intensidade do trabalho e a uma alimentação adequada e ao repouso.


Artigo VIII

a) A experimentação animal que implique sofrimento físico é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.

b) As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.


Artigo IX

No caso de animal ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido, alojado, transportado e morto sem que para ele resultem ansiedade e dor.


Artigo X

Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizam animais são incompatíveis com a dignidade do animal.


Artigo XI

O ato que leva à morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, delito contra a espécie.


Artigo XII

a) Cada ato que leve à morte um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie.

b) O aniquilamento e a destruição do meio ambiente natural levam ao genocídio.


Artigo XIII

a) O animal morto deve ser tratado com respeito.

b) As cenas de violência de que os animais são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como foco mostrar os atentados aos direitos do animal


Artigo XIV

a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser representadas em nível de governo.

b) Os direitos dos animais devem ser defendidos por leis, como os direitos dos homens.


Texto retirado da Revista Ciência Hoje para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003. Ministério da Educação - FNDE.