Quando vamos ao supermercado fazer compras, encontramos alimentos e produtos de diversas cores e sabores! Nos restaurantes, quanta variedade: de peixes a massas, tem de tudo! E o lanche da escola? Cada dia uma merenda diferente! Mas será que você sabe comer direito? Pois existe
03 abril 2026
Curiosidades sobre os temperos
Louro, canela, pimenta, noz-moscada e tantos outros temperos que dão à comida gostinho e aroma irresistíveis são também conhecidos pelo nome de "especiarias". Esta palavra - que você já viu ou verá no seu livro de História - foi sinônimo de tesouro há muitos anos. É verdade! No passado, navegadores atravessaram os mares comprando e revendendo esses produtos que chegaram para ficar em nossa mesa.
O cheirinho que vem da cozinha atravessa os cômodos da casa, chega ao seu nariz e desperta o seu estômago. Da próxima vez que isso acontecer, junte-se ao mestre-cuca e tente desvendar o mistério do aroma. Provavelmente, você vai descobrir que ele vem de uma planta, ou melhor, de parte de uma planta que está sendo usada em pedaços ou em pó como tempero. Pode ser pimenta-do-reino, louro, manjericão... No caso de doces, cravo ou canela, por exemplo. Seja o que for, pode apostar que o cheiro vai longe e que a planta veio de longe também!
Essas ervas aromáticas, chamadas especiarias, hoje são facilmente encontradas em supermercados e feiras livres. Mas, tempos atrás, a história era bem diferente. No final da Idade Média, elas só eram compradas das mãos de comerciantes, que as traziam de cidades da África e da Ásia para revender a preços altos na Europa. Mais tarde, com a chegada dos navegantes europeus ao continente americano, outros temperos foram descobertos, como a noz-moscada-do-brasil e até o pimentão, que é nativo da América do Sul.
Vindas de terras distantes, as especiarias pareciam envoltas numa nuvem de magia e mistério, pois muitas, além de servirem como condimentos, tinham o poder de tratar a saúde. Os comerciantes, claro, se aproveitavam do fascínio do povo e cobravam cada vez mais por esses produtos.
Portugal foi um dos países que aumentaram muito suas riquezas com o comércio das especiarias trazidas, principalmente, da Índia. O navegador português Vasco da Gama foi o primeiro que chegou a Calicute, na Índia, estabelecendo uma nova rota marítima entre o seu país e o Oriente para o transporte desse "tesouro vegetal".
Mas o tempo passou e as especiarias deixaram de ser exclusividade da mesa dos mais ricos. Novas terras foram descobertas, como o Brasil, e nelas passaram a ser cultivados muitos desses produtos. Pronto: as especiarias estavam ao alcance do povo! O mais simples dos pratos podia ter mais sabor!
Que tal, agora, ler os rótulos dos potinhos a seguir para saber curiosidades sobre as especiarias que eles guardam?!
Louro
O louro é um arbusto de dois a quatro metros de altura, do qual somente as folhas são usadas como tempero. Essa planta é conhecida desde a Grécia antiga, sendo que os primeiros registros de sua utilização datam de 2800 anos antes de Cristo. Se você prestar atenção, verá que em alguns desenhos animados os gregos e os romanos são representados usando coroas de louro. Essas coroas eram entregues aos vencedores de competições como símbolo da vitória. Daí a expressão "louros da vitória"!
Canela
Existem duas espécies diferentes de canela: a do Ceilão e a da China. Ambas são árvores das quais são extraídos pequenos pedaços da casca que envolve o tronco. E qualquer uma das duas é capaz de dar aquele gostinho especial em muitos tipos de doces!!! Quando a canela é vendida em pedaços, é chamada canela em pau; quando é moída, chama-se canela em pó. Da árvore da canela pode ser extraído óleo com propriedades medicinais usado para tratar gripes e resfriados e empregado também na perfumaria.
Noz-moscada
Da árvore se extrai o fruto. De dentro dele, tiram-se as sementes, que são raladas. Pronto: é o pó da noz-moscada que vai ser usado na comida! A planta que produz este tempero foi batizada pelos cientistas de Myristica Fragans. A noz-moscada também pode ser utilizada na perfumaria, na produção de pasta dental e de produtos farmacêuticos. Porém, não é essa a noz-moscada que se cultiva no Brasil. Aqui, é muito comum nas matas do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais uma outra espécie, a Cryptocaria Moschata, da mesma família do louro e das canelas.
Pimenta
Criança não costuma gostar de pimenta porque arde a boca. No entanto, quando a gente cresce e passa a apreciar sabores mais picantes, uma pimentinha faz toda a diferença! Cada pé de pimenta-do-reino costuma dar de 20 a 30 espigas, das quais se retiram os frutos, que são moídos diretamente sobre a comida. Hoje, esta especiaria é utilizada pela indústria no processo de conservação de alimentos. O Pará é um dos maiores produtores brasileiros da pimenta-do-reino, que foi trazida para cá pelos colonos japoneses. Mas, no Brasil, há outras pimentas populares: a malagueta, por exemplo, é um fruto pequeno, alongado e vermelho; a chifre-de-veado tem frutos mais compridos que os da malagueta, eles são amarelos ou vermelhos; a comari também é um fruto vermelho, porém de formato arredondado; outra que também é redondinha é a pimenta-de-cheiro, mas essa tem cor amarela e recebe o nome de chili, no México, e de peperone, na Itália. O pimentão é mais uma da família das pimentas! Costuma ser usado para problemas digestivos e, externamente, para aliviar dores reumáticas.
Cravo-da-Índia
Você já o viu espetado no docinho de coco, misturado ao arroz-doce, em meio às frutas da compota, mas nem desconfia de que ele, o cravo, é, na verdade, o botão de uma flor! Originalmente, esses botões são de cor verde ou avermelhada, mas após serem secos ao Sol ou em estufas, ficam pretinhos, do jeito que a gente os conhece. O cravo-da-Índia veio das Ilhas Molucas, na Ásia, mas há tempos é bastante cultivado no Nordeste, especialmente na Bahia. Essa especiaria é usada na culinária, na produção de perfumes e contra má digestão e bronquite. Porém, o abuso dela pode funcionar ao inverso, irritando o aparelho digestivo. Do cravo-da-Índia também se extrai um óleo muito usado para alívio da dor de dente e empregado na fabricação de alguns cremes dentais.
Cebola e Alho
Há quem não goste de mastigá-las, mas mesmo esses tendem a concordar que a maioria das comidas salgadas precisa de alho ou cebola para ter o sabor realçado! Presentes na culinária de muitos países, tanto o alho quanto a cebola são caules subterrâneos chamados bulbos. Note que na parte inferior do bulbo há uns fiapos, que são, na verdade, as raízes desses temperos. Além de proporcionar um gostinho especial aos mais variados pratos, o alho tem ação cientificamente comprovada contra bactérias e fungos, sendo também empregado como analgésico no alívio de dores.
Umbelliferae e Labiatae
Esses nomes estranhos representam duas famílias de condimentos dos quais você certamente já ouviu falar! Umberlliferae reúne a salsa, a erva-doce, o anis, o apio e o coentro (sem o qual o peixe cozido perde a graça!). Já à família Labiatae pertencem o orégano (excelente na pizza!), o alecrim, o manjericão, o tomilho e a hortelã. Falando em hortelã... Aí vai uma curiosidade: essa é uma das plantas mais usadas pelas indústrias de alimentos, cosméticos e medicamentos. Com ela se faz bala, chiclete, pastilha, pasta de dente e até xarope. O gosto refrescante da hortelã vem do mentol, substância presente no óleo que é extraído da planta.
Gengibre
Eis outro representante das especiarias que tem gosto forte e ardido! O gengibre é um arbusto de folhas longas e caule subterrâneo. Esse caule chama-se rizoma, cujo líquido ou as raspas são usados para dar um sabor diferente a comidas e bebidas. O famoso quentão - bebida preparada com vinho nas festas juninas - leva gengibre! Essa especiaria tem também aplicações medicinais, sendo usada como descongestionante e contra irritações da garganta. É originário da Ásia tropical.
Texto de Carlos Alexandre Marques (Departamento de Botânica, Laboratório de Morfologia Vegetal, Universidade Federal do Rio de Janeiro), retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.
A Fada dos Doces
Crianças adoram doces, mas quase ninguém dá doce às crianças, pois, em excesso, eles podem fazer mal. Quem come muitos doces, fica sem apetite para comida de sal, que são boas para nos fazer crescer e ficar fortes. Os doces também podem ajudar as bactérias a provocar cáries nos nossos dentes - pelo menos foi o que me informou minha filha, uma grande admiradora do doce de leite preparado por seu avô Zico, meu pai. Ela come e fica tranquila, pois está sempre escovando os dentes.
Mas vamos combinar: existe algo mais gostoso que mastigar jujuba? Chupar balas? Ou então pirulito, picolé de uva? Comer suspiro, sonho, bombom, ovo de páscoa, maria-mole... Só de pensar dá água na boca!
Isso me faz lembrar alguém que não se importava em dar doces às crianças: a Fada dos Doces. Uma vez ela me apareceu, trazendo um pacotinho de balas de aniversário. Cada uma das balas vinha embrulhada em papel de uma cor diferente, com uma franja de fios compridos, lindas de ver e boas de comer. Eram balas que derretiam na boca e deixavam um gosto bom, que custava a acabar.
Quando ganhei as balas fiquei alegre e sorri.
A Fada dos Doces havia descoberto que, com os doces, poderia fazer as pessoas se sentirem de um modo diferente. Tristes alegres, tranquilas ou agitadas, tímidas ou expansivas, recatadas ou desavergonhadas.
Achei ótimo. "Com essas balas, todas as pessoas seriam alegres e boas", pensei. Não existiria mais tristeza, sofrimento, nem nenhuma outra coisa ruim sobre a face da Terra.
Aí, a Fada dos Doces me explicou que sorrir é bom, só que chorar também é importante. Pois, se todas as pessoas fossem iguais alegres e sorridentes, o mundo poderia se tornar um lugar chato e monótono.
Demorei a compreender o que isso significava. E até hoje não sei se compreendi totalmente. Eu nunca gostei de chorar e ficar triste. Como é que me sentir assim poderia me fazer bem?
Ainda não sei a resposta. Sei que, às vezes, quando estou muito cansado e fico quieto e sozinho, ou quando assisto a uma cena emocionante num filme e choro, depois me sinto melhor. Então, nessas ocasiões, percebo que a Fada dos Doces estava certa.
Depois de me tornar adulto, entendi que as comidas têm o poder de mudar o humor das pessoas. Quando quero dar um presente para alguém muito especial, preparo um almoço, um jantar, um bolo de aniversário... O importante é que a comida faça bem à pessoa presenteada.
Depois do dia em que ela me entregou o pacotinho de balas de aniversário, voltei a encontrar a Fada dos Doces muitas outras vezes, para aprender, com ela, os segredos das suas receitas.
Certa vez, ela me mostrou um doce muito especial, com o qual presenteava as crianças infelizes. Um docinho redondo e marrom. Macio, envolvido em confeito de chocolate, pequeno, mas muito saboroso.
Experimentei um e, logo a seguir, queria comer outro, sem me saciar. Sentia-me imensamente feliz. Entre um bocado e outro, perguntei pelo nome daquela maravilha e ela me respondeu: é o doce da felicidade.
Anos depois, eu descobri que o doce da felicidade das crianças é o brigadeiro. Por que será que ele chama assim? É um nome pior, mas foi assim que ele ficou conhecido.
DOCE DA FELICIDADE
Abra uma lata de leite condensado e coloque para cozinhar numa panela média, com duas colheres de sopa de manteiga sem sal e quatro colheres de sopa de chocolate em pó.
Com uma colher de pau, mexa a mistura em fogo médio, sem parar, até que a massa chegue ao ponto de enrolar. Para ter certeza do ponto de enrolar, observe se, ao mexer com a colher de pau, a massa está "descolando" do fundo e das laterais da panela.
Aguarde até que a massa esfrie o suficiente para enrolar.
Unte as mãos com a manteiga, pegue pequenas porções de massa e faça bolinhas miúdas.
Jogue as bolinhas num prato fundo cheio de confeito para brigadeiro. Depois de confeitadas, coloque cada uma numa forminha de papel.
Está pronto. Mas só coma depois de esfriar bem.
Dicas do Mestre:
Após enrolar as bolinhas de brigadeiro, não lave a panela. Pegue uma colher para "rapar"... É a famosa "rapa do tacho"... É a melhor parte do doce...
Texto de João Alegria (A Fada dos Doces - extraído do livro Come-Come: pais e filhos na cozinha, de João Alegria, Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editores, 2002). Retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 134, Abril de 2003, Ministério da Educação, FNDE.
Foi por ter nascido em Santo Antônio da Alegria, no interior de São Paulo, em 22 de agosto de 1964, que João Alves dos Reis decidiu virar João Alegria. Esse autor e diretor de programas de TV, que estudou Filosofia e História, já escreveu dois livros para crianças: Na fazenda do Chico Marreco e Come-Come: pais e filhos na cozinha.
02 abril 2026
Por que os olhos de alguns animais brilham no escuro?
As luzes estão apagadas. Você não enxerga nada, mas permanece tranquilo. Até, que, de repente um pequeno feixe de claridade mostra que há dois olhos a lhe vigiar na escuridão! Se num caso desses a sua primeira reação é gritar: - Fantaaaaaaaaaaasma!!!, poupe seus vocais. Procure o interruptor, ilumine o ambiente e comprove que não se trata de assombração, mas de algum animalzinho, muito provavelmente um gato, que agora deve estar num canto apavorado com o seu berro.
A razão pela qual os olhos de alguns animais brilham no escuro está na formação desses órgãos responsáveis pela visão. Primeiro é preciso saber que os olhos de todos os animais têm uma região chamada retina cuja principal função é transformar a luz em impulsos elétricos, que vão para o cérebro e produzem a visão. E quem faz esta transformação são estruturas da retina conhecidas como fotorreceptores. Alguns animais, porém, têm, atrás da retina, uma área chamada tapete lúcido, que é feita de substâncias com propriedades refletoras, como os espelhos, que aumentam a quantidade de luz percebida. É por conta do tapete lúcido - uma película colorida com certo brilho -, que os olhos de alguns animais, como cães, cavalos e bois, brilham, ou melhor, refletem a luz ao serem atingidos por ela. Já nos olhos dos suínos e do homem, por exemplo, que não apresentam essa região refletora, tal característica não é observada.
O tapete lúcido é uma adaptação noturna. Isso significa que, fazendo refletir a luz que incide nos olhos, há um aumento da estimulação dos fotorreceptores - as células sensíveis à luz -, proporcionando a visão em locais escuros ou visão noturna.
Graças a essa adaptação, leões, tigres e onças, entre outros felinos, são capazes de localizar suas presas mesmo no escuro. Por motivo igual, animais domésticos, como cães e gatos, conseguem se localizar em ambientes sem luz, podendo nos pregar sustos como o do começo do texto.
Texto de Sandra Cuenca (Departamento de Anatomia - Universidade Metodista de São Paulo e Centro Universitário Monte Serrat - Santos) retirado do Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003, Ministério da Educação, FNDE.
Quando crescer, vou ser... Zoólogo!
Você gosta de charadas? Então, vamos ver se acerta essa: O que é, o que é? Cuida dos animais, mas não é veterinário; estuda o comportamento deles, mas não é psicólogo; sabe do que eles se alimentam, mas não é nutricionista; analisa a relação deles com os outros bichos e com o meio ambiente, mas não é sociólogo? Será que existe alguém que faça mesmo tudo isso? A resposta é sim, o zoólogo! Por definição básica, zoologia é o ramo da biologia que estuda os animais em todos os aspectos. Ela se divide em muitas subdisciplinas, como a citologia (estudo das células animais), a fisiologia (estudo dos processos que ocorrem no organismo, como a digestão), a genética e evolução (que verificam a herança dos caracteres biológicos), a ecologia (que se ocupa da relação dos animais com o meio ambiente), a etologia (estudo do comportamento animal), a zoogeografia (que procura esclarecer os fatores que intervêm na distribuição geográfica dos animais) e a taxionomia ou sistemática (que traça as linhas de parentesco entre os animais e dá nome a eles).
O zoólogo, em geral, trabalha com pesquisa, quase sempre ligado a alguma Universidade. Sua tarefa pode ser estudar a recuperação de espécies ameaçadas, nomear novas espécies e analisar os impactos ambientais sobre os bichos, entre muitas outras. O caminho para quem deseja ser zoólogo é cursar a faculdade de Ciências Biológicas, que dura quatro anos, optando pela especialização em Zoologia.
Foi assim que fez Salvatore Siciliano, pesquisador de aves e mamíferos marinhos da Fundação Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Desde criança, ele dizia que queria cuidar da natureza! Muitas profissões passaram pela sua cabeça, entre elas a de geógrafo, mas a vontade de entender os seres vivos foi maior. "Eu me identificava com as aulas de Biologia no colégio e por isso as entendia com facilidade."
Salvatore também é coordenador do Projeto Baleias e Golfinhos de Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro. Segundo ele, a saúde desses mamíferos é um dos indicadores da qualidade do meio ambiente. Descobriu-se, por exemplo, que as baleias podem ter câncer por acumular no corpo substâncias que contaminam a água. A partir dessa informação, os zoólogos procuram verificar se outros animais marinhos também estão sofrendo os efeitos da contaminação do meio em que vivem e o que pode ser feito para melhorar a situação.
Outro zoólogo que desde menino já parecia saber o que queria ser quando crescesse é Márcio Borges Martins, pesquisador da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul. Como acampava muito com seus pais, sempre esteve em contato com a natureza. Certa vez, visitou o Museu de Ciências da PUC de Porto Alegre e ficou fascinado pelos répteis. Conclusão: começou a criá-los em casa! Os pais? "Não gostaram muito não, mas depois, foram se acostumando", conta ele. Hoje, Márcio trabalha descrevendo novas espécies de répteis. Essa área da zoologia chama-se Sistemática e, segundo ele, tem poucos especialistas, o que é uma pena, pois muitas espécies acabam extintas sem nunca terem sido registradas. Foi a tarefa de identificar e classificar animais que levou Márcio a descobrir mais quatro espécies de um tipo de lagarto sem patas chamado cobra-de-vidro. "Estou descrevendo quatro novas espécies, mas apenas três com distribuição no Brasil", diz ele.
Quando não está descrevendo répteis, Márcio participa do Grupo de Estudos de Mamíferos Aquáticos do Rio Grande do Sul, o Gemars. No momento, eles estudam a toninha, um pequeno golfinho encontrado do Espírito Santo à Argentina, que está ameaçado de extinção pela frequência com que morre afogado ao emaranhar-se em redes de pesca e não conseguir subir à tona para respirar.
Viu quantas ocupações diferentes pode ter um zoológico?! Quem pensa em seguir esta profissão precisa estar disposto a frequentar o ambiente em que vivem os animais que escolheu para analisar. Além disso: "Tem de ler e estudar bastante e perceber o mundo a sua volta. Saber, por exemplo, por que tal ave está num lugar e não em outro, no que determinado bicho se diferencia do outro. O mundo é tão dinâmico, mas as pessoas, em geral, não percebem isso. O zoólogo sim!", ressalta Salvatore Siciliano. Se você pretende se tornar um zoólogo, guarde estas palavras...
Texto de Juliana Martins retirado do Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 16, Número 133, Março 2003, Ministério da Educação, FNDE.
Declaração Universal do Direitos dos Animais
Assim como os humanos, os bichos também têm seus direitos. E, para garanti-los, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) - que se encarrega de promover a paz e os direitos entre homens - proclamou a Declaração Universal dos Direitos dos Animais, em 15 de outubro de 1978, em sua sede em Paris, na França.
Artigo I
Todos os animais nascem iguais diante da vida e têm o mesmo direito à existência.
Artigo II
a) Cada animal tem direito ao respeito.
b) O homem, enquanto espécie animal, não pode atribuir-se o direito de exterminar outros animais ou explorá-los, violando esse direito. Ele tem o dever de colocar sua consciência a serviço de outros animais.
c) Cada animal tem direito à cura e à proteção do homem.
Artigo III
a) Nenhum animal será submetido a maus-tratos e atos cruéis.
b) Se a morte de um animal é necessária, deve ser instantânea, sem dor nem angústia.
Artigo IV
a) Cada animal que pertence a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu ambiente natural terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de reproduzir-se.
b) A privação da liberdade, ainda que para fins educativos, é contrária a esse direito.
Artigo V
a) Cada animal pertencente a uma espécie que vive habitualmente no ambiente do homem tem o direito de viver e crescer segundo o ritmo e as condições de vida e de liberdade que são próprias de sua espécie.
b) Toda modificação imposta pelo homem para fins mercantis é contrária a esse direito.
Artigo VI
a) Cada animal que o homem escolher para companheiro tem direito a um período de vida conforme sua longevidade natural.
b) O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Artigo VII
Cada animal que trabalha tem direito a uma razoável limitação do tempo e intensidade do trabalho e a uma alimentação adequada e ao repouso.
Artigo VIII
a) A experimentação animal que implique sofrimento físico é incompatível com os direitos do animal, quer seja uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer outra.
b) As técnicas substitutivas devem ser utilizadas e desenvolvidas.
Artigo IX
No caso de animal ser criado para servir de alimentação, deve ser nutrido, alojado, transportado e morto sem que para ele resultem ansiedade e dor.
Artigo X
Nenhum animal deve ser usado para divertimento do homem. A exibição dos animais e os espetáculos que utilizam animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Artigo XI
O ato que leva à morte de um animal sem necessidade é um biocídio, ou seja, delito contra a espécie.
Artigo XII
a) Cada ato que leve à morte um grande número de animais selvagens é um genocídio, ou seja, um delito contra a espécie.
b) O aniquilamento e a destruição do meio ambiente natural levam ao genocídio.
Artigo XIII
a) O animal morto deve ser tratado com respeito.
b) As cenas de violência de que os animais são vítimas devem ser proibidas no cinema e na televisão, a menos que tenham como foco mostrar os atentados aos direitos do animal
Artigo XIV
a) As associações de proteção e de salvaguarda dos animais devem ser representadas em nível de governo.
b) Os direitos dos animais devem ser defendidos por leis, como os direitos dos homens.
Texto retirado da Revista Ciência Hoje para Crianças, Ano 16, Número 133, Março de 2003. Ministério da Educação - FNDE.
28 março 2026
O clone será um "clone"?
Muito bem, então por meio da clonagem podemos criar uma cópia idêntica de qualquer pessoa! Essa visão simplista da clonagem vem suscitando ideias fantasiosas de ressurreição de pessoas "interessantes" (para alguns, Mozart; para outros, Hitler), ou mesmo de um filho querido já morto. E a reversão da morte é de fato uma coisa irresistível.
Mas o clone será exatamente um clone? Ele será uma cópia idêntica do clonado - de sua matriz? Terá o mesmo físico, o mesmo tipo de cabelo, cor de olhos, temperamento, inteligência, gostos, aptidão? Sim, não - não sei. Recapitulando: o clone possui exatamente os mesmos genes que sua matiz. Se o genes determinam todas as nossas características físicas e, quem sabe, até as psíquicas, o clone será, de fato, idêntico à matriz, certo? Errado. Estamos esquecendo de uns temperos muito importantes, que não estão escritos nos genes, mas que dão uma graça toda especial a cada um de nós: o meio ambiente, as nossas experiências de vida.
Muitas das nossas características são influenciadas também pelo ambiente. Um exemplo óbvio é a cor da pele. Irmãos gêmeos idênticos, clones naturais, possuem exatamente os mesmos genes de cor de pele. No entanto, dependendo do estilo de vida de cada um - se um ama pegar ondas e o outro prefere a leitura, por exemplo -, eles terão cores de pele bem diferentes. Da mesma maneira, a alimentação na primeira infância é um fator decisivo no desenvolvimento neurológico de um bebê, e terá enorme influência no QI do indivíduo adulto. Essa alimentação estava escrita nos genes do bebê? Não.
Ainda é difícil estimar quanto a genética e o estilo de vida influenciam cada uma das nossas características. Mas mesmo diferenças sutis de condições e de experiências de vida são suficientes para imprimir características individuais em pessoas com genomas idênticos.
Assim, apesar de o clone ser uma cópia geneticamente idêntica do clonado, suas experiências de vida particulares influenciarão uma série de características de uma forma que não podemos prever. Pense apenas em todos os parentes, amigos, professores, enfim, todas as pessoas que passaram por sua vida. Tudo o que aconteceu perto de você e no mundo durante a sua vida. Eles deixaram diversas marcas, influenciando muito quem você é hoje em dia. Reproduzir a sua genética agora é fácil com a clonagem... Mas como reproduzir essa rede tão complexa de relações e experiências de vida?
Que decepção! Por um momento, pensamos que com a clonagem tínhamos finalmente conseguido driblar a cruel irreversibilidade da morte... Mas não faz mal - a clonagem com fins reprodutivos não é mesmo para ser feita. E por outro lado, com a clonagem terapêutica - apesar de não "ressuscitarmos" ninguém - melhoraremos a qualidade de vida de todos nós!
Texto de Lygia da Veiga Pereira (Geneticista, pesquisadora do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da USP); retirado da Revista Galileu, Ano 11, Número 123, Outubro de 2001, Editora Globo, Rio de Janeiro.
Um Pouco de Fermento (108)
"Não sabeis que um pouco de fermento leveda a massa toda?" - Paulo. (I CORÍNTIOS, 5:6.)
Ninguém vive só.
Nossa alma é sempre núcleo de influência para os demais.
Nossos atos possuem linguagem positiva.
Achamo-nos magneticamente associados uns aos outros.
Ações e reações caracterizam-nos a marcha.
É preciso saber, portanto, que espécie de forças projetamos naqueles que nos cercam.
Nossa conduta é um livro aberto.
Quantos de nossos gestos insignificantes alcançam o próximo, gerando inesperadas resoluções!
Quantas frases, aparentemente inexpressivas arrojadas de nossa boca, estabelecem grandes acontecimentos!
Cada dia, emitimos sugestões para o bem ou para o mal...
Dirigentes arrastam dirigidos.
Servos inspiram administradores.
Qual é o caminho que a nossa atitude está indicando?
Um pouco de fermento leveda a massa toda.
Não dispomos de recursos para analisar a extensão de nossa influência, mas podemos examinar-lhe a qualidade essencial.
Acautela-te, pois, com o alimento invisível que forneces às vidas que te rodeiam.
Desdobra-se-nos o destino em correntes de fluxo e refluxo. As forças que hoje se exteriorizam de nossa atividade voltarão ao centro de nossa atividade, amanhã.
Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.
22 março 2026
Brincando com o Folclore
Pense na palavra folclore. O quem vem à sua cabeça? Saci-pererê, mula-sem-cabeça, bumba-meu-boi... Parece algo ligado à vida nas fazendas e cidades do interior, distante do dia-a-dia das grandes cidades, não é? Ou então, faz lembrar aquele livro empoeirado que fica lá no alto da estante e que ninguém lê e só se recorda dele uma vez no ano. Mas será que é isso mesmo?
A palavra vem do inglês: folk quer dizer povo e lore, saber. Logo, folclore é o saber do povo, tudo aquilo que o povo sabe, inventa, aprende, ensina. A maneira de viver, o jeito de entender o mundo, o modo de se expressar por meio das palavras e da arte - tudo isso é folclore, ou melhor, cultura popular. Portanto, está muito mais perto de nossas vidas do que podemos imaginar.
Como o Brasil é muito grande, em cada região do país o povo brasileiro se expressa de uma maneira diferente, apresentando brincadeiras, danças, cantigas e vocabulário próprios ou típicos, como se costuma dizer.
Por falar em típicos, os pratos típicos, isto é, a culinária também é parte do folclore! Quando dizemos vatapá, logo nos lembramos da Bahia; a feijoada de feijão-preto nos faz pensar no Rio de Janeiro; o churrasco, no Rio Grande do Sul; o pão de queijo, em Minas Gerais.
Muitas vezes, um mesmo prato ou fruta vai mudando de nome à medida que vamos percorrendo as regiões do Brasil: a tangerina do Rio de Janeiro se chama mexerica em São Paulo, e, em Pernambuco, laranja-cravo; a fruta-de-conde do Rio de Janeiro é pinha em Pernambuco e ata no Maranhão. O prato feito de arroz com carne-seca é conhecido como Maria Isabel no Piauí e arroz-de-carreteiro no Rio Grande do Sul. A canjica carioca corresponde ao mungunzá pernambucano. Parece confuso? E ainda nem falamos dos mitos e das lendas, das cantigas de roda e brincadeiras infantis...
Brincadeira do Centro-Oeste
Essa é uma brincadeira com bola muito comum entre as meninas de Goiás: uma de cada vez joga a bola contra a parede. Enquanto a bola vai e volta para suas mãos, a menina vai dizendo vários comandos que ela tem de fazer sem deixar a bola cair no chão! Depois, é a vez de outra menina jogar. Quem conseguir não deixar a bola cair, ganha o jogo! É assim:
Ordem
Primeiro
Sem sair do lugar
Sem rir
Sem falar
Com uma mão (pega a bola com uma das mãos)
Com a outra (pega a bola com a outra mão)
Com um pé (fica num pé só)
Com o outro (fica no outro pé)
Com uma palma (bate palma antes de pegar a bola)
Com duas palmas (bate duas palmas)
Com uma pirueta (gira uma das mãos em torno da outra)
Com uma vira-volta (gira em torno de si mesma antes de pegar a bola de volta)
Esta versão de Goiás está no livro Folclore Brasileiro - Goiás, de Regina Lacerda (uma publicação da FUNARTE, 1977). Na versão carioca, há uma pequena variação no final da brincadeira. Depois da pirueta, as meninas falam assim:
Coração (cruza as mãos no peito)
Descanso (põe uma das mãos em cada coxa)
Perdão (ajoelha)
Xô, Araruna
(uma cantiga popular da Paraíba)
Xô, xô, xô, Araruna!
Xô, xô, xô, Araruna!
Xô, xô, xô, Araruna!
Deixa o arroz semear
Tenho um pássaro preto, Araruna
Que veio lá do Pará
Tenho um pássaro preto, Araruna
Que veio lá do Pará
Xô, xô, xô, Araruna!
Xô, xô, xô, Araruna!
Xô, xô, xô, Araruna!
Deixa o arroz semear
Pense no folclore como um grande quebra-cabeças em que cada peça é fundamental. Se faltar uma dança, uma lenda ou uma recita culinária, o quebra-cabeças ficará incompleto. Essas são as peças que formam esse jogo chamado cultura brasileira. É o que faz o Brasil diferente de outros países. Quanto mais se brinca com esse jogo, mais se conhece a riqueza do nosso país.
Que tal se você pesquisasse entre seus amigos e parentes para saber quem é de outra região do país? Pergunte, então, sobre comidas típicas, danças, cantigas e lendas características desse local. Depois, compare com as comidas, danças, cantigas e lendas típicas de sua região. Veja as semelhanças e diferenças.
Vamos todos cirandar
A ciranda é uma dança típica da região das praias pernambucanas. Os integrantes da ciranda dançam de mãos dadas formando uma grande roda e movimentando-se em círculo. Os braços acompanham o ritmo da ciranda que é marcado com os pés. O mestre cirandeiro (ou cirandeira) vai entoando versos de improviso enquanto os outros prosseguem repetindo o refrão.
A ilha de Itamaracá é conhecida por suas cirandas que acontecem durante o ano todo! Sua cirandeira mais famosa se chama Lia. Existe uma ciranda que tem um refrão que fala sobre isso:
"Essa ciranda
quem me deu foi Lia
que mora na Ilha
de Itamaracá."
Mas quem afinal inventou essas danças, as cantigas de roda e as receitas culinárias? Experimente perguntar em casa sobre uma receita que você goste e procure saber quem ensinou a fazê-la. Se puder, tente falar com quem ensinou e procure saber onde aprendeu... E assim por diante. Você vai ver que não tem fim! O mesmo acontecerá com as cantigas de roda, as brincadeiras e os jogos infantis, as lendas e histórias de fada. São ensinamentos que vão passando de pai para filho, de geração a geração, e, nessa passagem do tempo, vão se modificando, adquirindo novos contornos, mas mantendo a estrutura original. É assim que o folclore se preserva e se mantém vivo.
Doce delícia
Aqui vai uma receita saborosa e fácil de fazer. Com poucos ingredientes é possível preparar um delicioso bolo de cenoura! Esta receita faz parte da culinária do Mato Grosso do Sul, mas ficou popular também no Rio de Janeiro.
INGREDIENTES:
2 cenouras médias
3 ovos inteiros
meia xícara de óleo
1 xícara e meia de açúcar
2 xícaras de farinha de trigo
1 colher de sopa de fermento
1 pitada de sal
MODO DE FAZER:
Descasque e pique as cenouras. Bata no liquidificador com os ovos e a óleo. Coloque esta massa numa tigela e acrescente o açúcar, a farinha e o fermento peneirados. Misture tudo sem esquecer a pitada de sal. Unte uma forma com margarina e passe farinha de trigo. Despeje a massa na forma e leve ao forno pré-aquecido. Quando o cheiro do bolo perfumar a casa, enchendo a nossa boca de água, é sinal de que está pronto! Depois de esfriar, retire da forma e... Bom apetite!
A cultura de um povo é um bem precioso que deve ser cuidado e cultivado. Tire a poeira da palavra folclore e brinque com as possibilidades que ela oferece. Pode ser muito divertido!
Texto de Edith Lacerda retirado da Revista Ciência Hoje Para Crianças, Ano 12, Número 94, Agosto de 1999.
Renovemo-nos dia a dia (107)
"...Transformai-vos pela renovação de vossa mente, para que proveis qual é a boa, agradável e perfeita vontade de Deus." - Paulo. (ROMANOS, 12:2.)
Não adianta a transformação aparente da nossa personalidade na feição exterior.
Mais títulos, mais recursos financeiros, mais possibilidades de conforto e maiores considerações sociais podem ser simples agravo de responsabilidade.
Renovemo-nos por dentro.
É preciso avançar no conhecimento superior, ainda mesmo que a marcha nos custe suor e lágrimas.
Aceitar os problemas do mundo e superá-los, à força de nosso trabalho e de nossa serenidade, é a fórmula justa de aquisição do discernimento.
Dor e sacrifício, aflição e amargura, são processos de sublimação que o Mundo Maior nos oferece, a fim de que a nossa visão espiritual seja acrescentada.
Facilidades materiais costumam estagnar-nos a mente, quando não sabemos vencer os perigos fascinantes das vantagens terrestres.
Renovemos nossa alma, dia a dia, estudando as lições dos vanguardeiros do progresso e vivendo a nossa existência sob a inspiração do serviço incessante.
Apliquemo-nos à construção da vida equilibrada, onde estivermos, mas não nos esqueçamos de que somente pela execução de nossos deveres, na concretização do bem, alcançaremos a compreensão da vida, e, com ela, o conhecimento da "perfeita vontade de Deus", a nosso respeito.
Texto retirado do livro Fonte Viva; Francisco Cândido Xavier pelo Espírito Emmanuel, FEB, Brasília, 1987.