A partir da década de sessenta, a civilização ocidental descobriu a cultura do oriente. Em meio a protestos contra as guerras, queimas de sutiãs em praças públicas e a descoberta da pílula anticoncepcional, incorporamos muitos valores de nossos amigos do outro lado do mundo. O principal deles foi a necessidade do cuidado com o corpo, a mente e o espírito.
Passadas quatro décadas, agora também nos conscientizamos de que a casa onde vivemos também merece cuidados e atenções. Mais do que simples abrigo e local de descanso, o lar reflete de forma clara e inequívoca da nossa personalidade e estilo de vida. Guarda as lembranças de nosso passado e deveria ser o nosso cantinho no mundo, trazendo aconchego e até proteção, não só dos males físicos mas também psicológicos e espirituais.
Todas as culturas apresentam uma série de rituais, rezas e símbolos para proteção e equilíbrio do lar, mas a vanguarda dessas técnicas está nas mãos dos chineses. Há cerca de quatro mil anos esse novo povo vem se dedicando à prática do Feng Shui, cujo objetivo principal é deixar fluir livre e equilibradamente pela casa as energias positivas que nos trazem saúde, bem estar e prosperidade material e afetiva. São analisados todos os cômodos, cada canto, objeto, cores e disposição dos móveis.
Terminada a análise, o Feng Shui propõe sempre soluções simples e baratas, como a instalação de um espelho, uma pequenina esfera de cristal, um sino de vento, um móbile, a troca de um móvel de lugar, um quadro, um vaso de flores, uma cor.
Mais do que atrair bons fluídos para nosso lar, temos todas condições de criá-los no interior do próprio ambiente. O conjunto de pensamentos, sentimentos, estados de espírito, condições físicas, anseios, atos e intenções dos moradores fica impregnado no ambiente, criando o que se chama de egrégora.
Você, com certeza, já esteve numa residência ou ambiente onde sentiu um profundo bem-estar e sensação de acolhimento, independente de beleza, luxo ou qualquer outro fator externo. Essa atmosfera gostosa, sem dúvida, era dada principalmente pelo estado de espírito positivo de seus moradores.
Infelizmente, é muito mais corriqueiro entrarmos em ambientes que nos oprimem ou nos dão a sensação de falta de paz e, às vezes, até de sujeira, mesmo que a casa esteja limpa. A vontade é de ir embora rapidamente, mesmo que sejamos bem tratados.
O que poucos sabem é que as paredes, objetos e a atmosfera da casa têm memória e registram as energias de todos os acontecimentos e do estado de espírito de seus moradores, ficando impregnados com essas energias. Por isso, quando você pensar na saúde energética de sua casa, tome a iniciativa básica e vital de impregnar sua atmosfera apenas com bons pensamentos e muita fé. Evite brigas e discussões desnecessárias.
Observe seu tom de voz: nada de gritos e formas agressivas de expressão. Não bata portas. Tente assumir gestos harmoniosos, cuidando de seus objetos e entes queridos com carinho. Não pense mal dos outros, praga nem pensar! Selecione muito bem as pessoas que vão frequentar sua casa. Festas, brindes e comemorações alegres são bem vindas, porque trazem alegria e muita energia para sua casa. Mas cuidado com os excessos, nada de bebedeiras e muito menos o uso de drogas, que atraem más energias e espíritos de baixo nível.
Se você nutre uma mágica profunda ou mesmo um ódio forte por alguém, corra e procure ajuda para alimpar essas energias densas de seu coração e lembre-se que sua casa também pode estar contaminada. Aprenda a fazer escolhas e determine o que quer para sua vida e ambiente onde mora. Alegria, amor, paz, prosperidade, saúde, amizade, beleza já estão bons para começar, não é mesmo?
Texto de Vera Caballero retirado da Revista Vida Em Equilíbrio, Edição 02, Casa Dois Editora, São Paulo, Agosto de 2001.
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