Amigas da aparente limpeza, as hastes flexíveis podem ser arqui-inimigas da sua saúde auditiva. Por quê? Porque a cera produzida pelas chamadas glândulas ceruminosas não é sujeira, é proteção!
A cera é produzida pelo ouvido para impedir que partículas estranhas e micro-organismos entrem no canal auditivo e causem infecções. Ela também protege o revestimento desse canal - que é a porta de entrada dos sons que ouvimos.
Em geral, o ouvido cuida da sua própria limpeza. Quando há um excesso de cera, ele trata de expulsar. Logo, é só a cera que vemos do lado de fora da orelha que devemos limpar, mas... Com todo o cuidado!
Quem usa hastes flexíveis ou outros tipos de instrumentos prejudica a autolimpeza do canal auditivo. Aliás, muitas vezes esses instrumentos até empurram a cera para dento do canal e isso faz com que ela se acumule. O resultado pode ser uma otite, isto é, uma dor de ouvido resultante de uma infecção.
Mas é bem verdade que assim como há pessoas que transpiram mais do que outras, há aquelas que produzem uma quantidade de cera além do normal. Em alguns desses casos, é necessário que o médico que o médico otorrinolaringologista - especialista em ouvido, nariz e garganta - realize a lavagem do canal auditivo.
A limpeza consiste em injetar água dentro do canal usando uma seringa metálica. Não precisa se espantar porque não dói nada. Esse procedimento é muito importante, pois o excesso de cera pode se transformar num obstáculo à passagem das ondas sonoras e provocar a diminuição da audição.
Com os ouvidos obstruídos pelo excesso de cera, a pessoa tem dificuldades de entender palavras faladas com fraca intensidade, ou seja, em volume baixo. Às vezes, mesmo as palavras faladas em intensidade de uma de uma conversação normal podem não ser totalmente compreendidas. Isso acontece porque o nosso idioma - o Português falado no Brasil - possui sons, como os do 'v', do 'f', do 'b' e do 'p', que são de fraca intensidade.
Entender todos os sons do idioma com perfeição é muito importante, principalmente para as crianças. Afinal, aquilo que ouvimos interfere diretamente no nosso rendimento na escola.
Texto de Carla Queiroz e Carlos Augusto Ferreira de Araújo - Escola de Reabilitação, Universidade Católica de Petrópolis. Retirado da Revista Ciência Hoje das Crianças, Ano 14, Número 115, Julho de 2001.
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